《A Vendedora de Rua que Conquistou o Bilionário》Capítulo 4

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Ana Santos nunca imaginou que, no dia seguinte à sua humilhação no lobby da Torre Andrade, estaria entrando novamente naquele prédio, mas desta vez como a nova assistente executiva pessoal do presidente. 

O terno impecável de Lucas ainda cheirava a colônia fina quando ele a esperava na porta do elevador.

—“Bem-vinda, Ana.” — disse ele, com um sorriso contido, mas os olhos atentos. — “Espero que esteja pronta.”

Ana respirou fundo, ajeitando a pasta de couro barata que havia comprado na noite anterior. O coração batia forte, misto de ansiedade e medo, mas também de uma determinação silenciosa: ela não iria decepcionar.

—“Estou pronta, Lucas.” — respondeu, firme, tentando não demonstrar o nervosismo.

O elevador subiu lentamente pelo vidro fumê do prédio, e Ana pôde observar a cidade que se estendia abaixo dela. 

O contraste entre o seu passado de ruas quentes e o luxo que agora a cercava era quase doloroso. Mas ela fechou os olhos, lembrando da mãe, e respirou fundo. Cada passo que dera até ali valia a pena.

Ao chegar ao andar executivo, Ana foi recebida por uma fileira de secretárias e assistentes que cochichavam, olhavam de soslaio e murmuravam sobre a “vendedora de rua” que Lucas havia contratado.

Entre eles, Camila Ribeiro permanecia imóvel, a expressão carregada de rancor, os braços cruzados.

—“Ela não vai durar uma semana”, murmurava baixinho para um colega próximo. — “Quem ela pensa que é?”

Lucas, percebendo o olhar de Camila, apenas ergueu uma sobrancelha e seguiu até a sala dele.

—“Aqui é sua estação de trabalho.” — disse ele, indicando a mesa organizada, com pastas de contratos e relatórios já alinhados. 

— “Vamos começar imediatamente. Preciso que me mostre do que é capaz.”

Ana engoliu em seco e sentou-se. Ela abriu os relatórios, as notas fiscais, os contratos de empreendimentos imobiliários e começou a organizá-los em ordem de prioridade. 

Cada número, cada assinatura, cada cálculo que passava pelas suas mãos era analisado com cuidado. 

Sua experiência universitária em contabilidade, mesmo interrompida pela vida dura, agora se transformava em sua maior arma.

Poucos minutos depois, Lucas voltou.

—“Como está?” — perguntou, apoiando-se na mesa.

—“Revisei os contratos de vendas da última semana e organizei os pagamentos pendentes.” — Ana respondeu, a voz firme, sem deixar transparecer nervosismo. 

— “Também notei que alguns lançamentos não estão batendo com os recibos de pagamento das construtoras.”

Lucas inclinou-se sobre a mesa, surpreso. — “Você está falando sério?”

—“Sim. Algumas transferências estão registradas como concluídas, mas não há confirmação bancária. Posso rastrear os responsáveis.”

Lucas sorriu, mas desta vez não havia leveza. Havia confiança, surpresa e um toque de orgulho. — “Você está fazendo um excelente trabalho, Ana. Não esperava menos.”

Enquanto isso, no canto da sala, Camila observava cada movimento. Seus olhos estreitaram-se. 

Ela estava furiosa, mas não apenas pelo fato de Ana estar sendo valorizada. Era a humilhação anterior que queimava dentro dela. A “vendedora de rua” agora era a nova queridinha do presidente. Aquele pensamento era insuportável.

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Camila decidiu que não deixaria Ana passar impune. Sabia que a informação era poder, e começou a planejar silenciosamente como minar a confiança de Lucas e expor qualquer falha da nova assistente. 

Ela abriu seu laptop, conectou-se aos sistemas internos e começou a analisar cada relatório que Ana manuseava, buscando inconsistências, buscando motivos para atacar.

Mas Ana não era uma simples amadora. Seu raciocínio rápido e sua atenção aos detalhes a tornaram quase invisível para os primeiros ataques. 

Ela estava um passo à frente. 

Cada documento revisado, cada planilha ajustada, cada cálculo conferido mostrava que Ana tinha mais preparo do que muitos dos assistentes veteranos do prédio.

Um dos diretores sênior, Sr. Henrique, se aproximou com uma expressão de ceticismo.

—“Lucas, você realmente confia nessa… moça? Não é comum alguém sem experiência formal assumir uma posição tão importante.”

Lucas olhou para Ana, que nesse momento digitava rapidamente os ajustes em uma planilha de fluxo de caixa.

—“Ela é brilhante.” — respondeu Lucas, curto e direto. — “E não subestime alguém pela aparência ou pelo passado.”

Sr. Henrique revirou os olhos, mas não disse mais nada. Ele sabia que discutir com Lucas naquele momento seria inútil.

Ana, por sua vez, respirava fundo, tentando se concentrar. Sabia que cada passo ali era observado, não apenas pelos colegas de trabalho, mas também por quem queria vê-la fracassar. Cada ação sua era um teste silencioso. E ela estava determinada a passar em todos.

Durante a tarde, Ana organizou reuniões, revisou contratos complexos, enviou relatórios detalhados para Lucas e até identificou pequenas falhas em documentos que outros funcionários não haviam notado. Cada vez que apontava algo, Lucas levantava a sobrancelha, surpreso e satisfeito.

Mas nem tudo eram elogios. Camila não descansava. 

Ela conseguira acesso às câmeras internas e observava cada movimento de Ana, cada vez mais furiosa. 

Ela não admitia que uma jovem de origem humilde pudesse superar anos de experiência formal, e cada sucesso de Ana parecia aumentar a chama de seu ódio.

—“Vou descobrir algo”, murmurava Camila para si mesma. — “Ela não é perfeita. Todo mundo comete erro. E eu vou encontrá-lo.”

Enquanto isso, Ana terminou de organizar os documentos do dia e respirou aliviada. Sentiu o corpo cansado, mas a mente vibrava de excitação. Pela primeira vez, sentia que estava no lugar certo, fazendo algo que realmente importava.

Ela olhou para a tela do computador e percebeu algo estranho. Alguns lançamentos de despesas e transferências bancárias não batiam com os relatórios de pagamentos de fornecedores. Alguns números não estavam claros. Havia pequenas inconsistências que, se ignoradas, poderiam gerar problemas sérios.

Ana franziu a testa e começou a investigar. A cada arquivo aberto, a cada planilha analisada, percebeu que algo não estava certo. 

A sequência de pagamentos parecia normal, mas os valores finais não fechavam. Pequenas diferenças que poderiam passar despercebidas a olhos menos atentos. Mas Ana não era menos atenta.

Ela respirou fundo e começou a traçar um caminho para rastrear cada centavo. Cada entrada suspeita a deixava mais alerta. 

A sensação de que havia algo errado crescia dentro dela, um pressentimento de que a Torre Andrade, tão imponente e perfeita aos olhos de todos, escondia segredos que ninguém queria que fossem revelados.

Ao final do dia, Ana fechou a última planilha e recostou-se na cadeira. A adrenalina ainda pulsava em seu corpo. Ela sabia que tinha descoberto algo importante, algo que poderia mudar muito mais do que seu próprio destino. Mas não sabia ainda a extensão do que encontraria.

Enquanto isso, Lucas observava de sua sala, satisfeito com a postura profissional de Ana, sem perceber o início de uma batalha silenciosa que se formava nos corredores do grupo: Camila, silenciosa e rancorosa, começava a movimentar suas peças, planejando derrubar a jovem assistente.

Ana suspirou, olhando para a tela do computador, sabendo que, no dia seguinte, precisaria mergulhar ainda mais fundo. Mas, naquele momento, havia algo que a motivava mais do que qualquer medo: a sensação de que, finalmente, podia provar o seu verdadeiro valor.

E enquanto fechava o laptop, Ana percebeu, com um frio na espinha, que os números que ela estava analisando não batiam. Havia irregularidades nas contas do Grupo Andrade. Pequenas no começo, mas suficientemente grandes para que alguém com más intenções estivesse desviando dinheiro.

Seu coração disparou. Ela sabia que estava prestes a descobrir algo que mudaria para sempre não apenas seu destino, mas também o destino de toda a empresa.

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