localização atual: Novela Mágica Moderno A Menina Que Parou Meu Casamento Capítulo 5

《A Menina Que Parou Meu Casamento》Capítulo 5

PUBLICIDADE

“Ele voltou...”

As palavras de Camila ficaram suspensas no ar.

Rafael permaneceu imóvel ao lado da cama.

Por um instante, acreditou que ela estivesse falando dele.

Do reencontro.

Do amor que sobrevivera ao tempo.

Mas então viu o medo nos olhos dela.

Um medo verdadeiro.

Profundo.

Primitivo.

O tipo de medo que não desaparece nem depois de anos.

E naquele momento, Rafael compreendeu que Camila não estava falando dele.

Ela estava falando de outra pessoa.

Alguém que a aterrorizava.

Alguém que ainda tinha poder sobre ela.

“Camila...”

Ele segurou sua mão.

“Quem voltou?”

Camila desviou os olhos.

Seu corpo inteiro ficou tenso.

A respiração acelerou.

O monitor cardíaco começou a emitir bipes mais rápidos.

Isabela percebeu imediatamente.

“Mamãe?”

Camila apertou a mão da filha.

Forte.

Forte demais.

Como se tivesse medo de perdê-la.

“Está tudo bem, meu amor.”

Mas não estava.

Rafael sabia.

Aquela mulher estava aterrorizada.

E não era por acaso.

“Camila.”

Ele falou novamente.

Mais firme.

“Quem voltou?”

Lentamente, ela ergueu os olhos.

Lágrimas surgiram.

“Seu pai.”

O mundo pareceu congelar.

Rafael piscou.

Uma vez.

Depois outra.

Como se tivesse ouvido errado.

“Meu pai?”

Camila assentiu.

O silêncio tomou conta do quarto.

“Isso não faz sentido.”

A voz dele saiu baixa.

Confusa.

“Inteiramente sem sentido.”

Camila fechou os olhos.

“Eu queria que fosse.”

“Meu pai morreu há três anos.”

“Não.”

Ela balançou a cabeça.

“Ele queria que todos acreditassem nisso.”

Um arrepio percorreu o corpo de Rafael.

Porque ninguém conhecia Augusto Montenegro melhor do que ele.

Um homem capaz de comprar juízes.

Controlar políticos.

Manipular empresas.

Influenciar jornais.

Mas fingir a própria morte?

Aquilo parecia absurdo.

E ainda assim...

O medo de Camila parecia real demais.

Rafael sentou-se ao lado da cama.

“Me conta tudo.”

Camila respirou fundo.

Tentando organizar seis anos de sofrimento.

Seis anos de silêncio.

Seis anos de terror.

“Depois que você pediu minha mão em casamento... ele me procurou.”

Rafael sentiu o estômago afundar.

“Quando?”

“Uma semana depois.”

Camila olhou para Isabela.

Como se não quisesse que a filha escutasse.

Mas era tarde demais.

A verdade precisava aparecer.

“Eu estava saindo da clínica.”

Sua voz começou a tremer.

“Ele estava me esperando no estacionamento.”

Rafael fechou os punhos.

Já imaginava o resto.

“Ele entrou no carro comigo.”

“E então?”

Camila demorou alguns segundos.

Como se revivesse tudo novamente.

“Ele disse que eu nunca seria aceita pela família Montenegro.”

“Desgraçado...”

“Ele disse que eu estava destruindo seu futuro.”

“Camila...”

“Ele disse que eu era apenas uma enfermeira.”

As lágrimas começaram a escorrer.

“E que você merecia uma mulher da sua classe.”

Rafael desviou o olhar.

Porque aquelas palavras pareciam exatamente algo que Augusto diria.

Exatamente.

“Mas isso não foi o pior.”

Camila sussurrou.

“Então o que foi?”

Ela respirou fundo.

E respondeu:

“Ele ameaçou minha família.”

O sangue de Rafael gelou.

“Minha mãe.”

Camila continuou.

“Meu irmão.”

“Todos.”

“Ele tinha informações sobre cada um deles.”

PUBLICIDADE

“Endereços.”

“Rotinas.”

“Trabalho.”

“Tudo.”

O monitor cardíaco acelerou novamente.

Isabela abraçou a mãe.

Assustada.

“Mamãe...”

“Está tudo bem.”

Camila tentou sorrir.

Mas não conseguiu.

Porque nem ela acreditava naquilo.

“Ele disse que, se eu continuasse com você, alguém iria sofrer.”

Rafael sentiu o peito explodir de raiva.

“Por isso você foi embora.”

Camila assentiu.

“Eu não tive escolha.”

“Você podia ter me contado.”

Ela começou a chorar.

“Eu queria.”

“Então por que não contou?”

“Porque ele disse que estava observando você.”

O silêncio caiu novamente.

Pesado.

Insuportável.

Durante anos Rafael acreditou que tinha sido abandonado.

Durante anos odiou aquela despedida.

Aquela mensagem.

Aquelas palavras.

Não venha me procurar.

Agora finalmente entendia.

Ela não estava fugindo dele.

Estava tentando protegê-lo.

E aquilo doía muito mais.

“Meu Deus...”

Ele passou as mãos pelo rosto.

Sentindo-se esmagado.

“Eu deveria ter percebido.”

“Não.”

Camila respondeu.

“Ele fez questão de apagar todos os rastros.”

“Eu mudei de cidade.”

“Troquei de telefone.”

“Troquei de emprego.”

“Troquei tudo.”

“Mesmo assim ele continuou nos encontrando.”

Rafael levantou a cabeça.

“O quê?”

“Ele nunca parou.”

O coração dele acelerou.

“Do que está falando?”

Camila olhou para a porta.

Instintivamente.

Como se esperasse alguém entrar.

“Durante todos esses anos.”

“Homens me seguiam.”

“Carros apareciam perto da minha casa.”

“Recebia ameaças anônimas.”

“Fotos da Isabela.”

“Fotos minhas.”

“Recados.”

O medo era visível em seu rosto.

“Eles queriam me lembrar que eu nunca estaria livre.”

Rafael ficou em silêncio.

Porque aquilo era pior do que imaginava.

Muito pior.

Então algo chamou sua atenção.

Do lado de fora do quarto.

Passos.

Pesados.

Sincronizados.

Firmes.

Camila ouviu também.

Seu rosto perdeu a cor.

Instantaneamente.

“Não...”

Ela sussurrou.

“Não...”

“Mamãe?”

Isabela agarrou seu braço.

“Não.”

Camila começou a tremer.

“O que foi?”

Perguntou Rafael.

Mas ela já olhava para a porta.

Paralisada.

Os passos se aproximavam.

Cada vez mais perto.

Cada vez mais altos.

Até que finalmente pararam.

Exatamente do lado de fora.

Rafael levantou imediatamente.

A adrenalina tomou conta do corpo.

Foi até a pequena janela de vidro da porta.

E olhou.

Seu sangue congelou.

Dois homens enormes.

Vestidos de preto.

Parados no corredor.

Observando o quarto.

Sem dizer uma palavra.

Sem demonstrar emoção.

Apenas esperando.

Como predadores.

Camila começou a chorar.

“Eles encontraram a gente.”

“Quem são eles?”

Rafael perguntou.

Mas já sabia a resposta.

Ela respondeu mesmo assim.

“Os homens dele.”

Rafael abriu a porta bruscamente.

Os dois homens ergueram os olhos.

Nenhum deles parecia surpreso.

Como se já esperassem por aquilo.

“Quem mandou vocês?”

Silêncio.

“Eu perguntei quem mandou vocês.”

Os homens continuaram imóveis.

Até que um deles finalmente respondeu:

“Estamos apenas fazendo nosso trabalho.”

“Que trabalho?”

Outro silêncio.

Então:

“Observar.”

Rafael avançou.

Mas os seguranças nem recuaram.

Nem se mexeram.

Confiantes.

Como homens protegidos por alguém muito poderoso.

Muito poderoso.

Poderoso o suficiente para fingir a própria morte.

Poderoso o suficiente para destruir vidas.

Poderoso o suficiente para perseguir uma mulher por seis anos.

Rafael voltou os olhos para dentro do quarto.

Camila abraçada à filha.

As duas aterrorizadas.

Como animais encurralados.

E naquele instante todas as peças finalmente começaram a se encaixar.

A falsa morte.

As ameaças.

Os perseguidores.

O desaparecimento.

A fotografia.

A interrupção do casamento.

Tudo.

Tudo levava à mesma pessoa.

Augusto Montenegro.

Seu pai.

O homem que ele chorou.

O homem que enterrou.

O homem que acreditava estar morto.

Mas que talvez nunca tivesse morrido.

Rafael fechou lentamente os punhos.

A raiva queimava dentro dele.

Uma raiva diferente de tudo que já havia sentido.

Porque agora não era apenas sobre Camila.

Nem sobre ele.

Era sobre Isabela.

A pequena menina que observava tudo sem entender completamente o perigo.

A menina que carregava seu sobrenome.

Seu sangue.

Sua história.

Seu futuro.

E então uma verdade terrível atingiu Rafael.

Uma verdade que fez seu coração acelerar.

Porque finalmente compreendeu por que Augusto voltou.

Por que estava observando.

Por que enviou homens ao hospital.

Não era Camila.

Nunca foi.

O verdadeiro alvo era Isabela.

Rafael apertou os punhos até as unhas machucarem a própria pele.

E olhando para a filha, pronunciou as palavras que mudariam tudo:

“Ele quer levar a nossa filha.”

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia