E Hugo, imerso em desejos, não percebeu nada disso.
Quando ele finalmente percebeu, descobriu que já estava à beira de um precipício.
E atrás dele, havia um abismo escuro e gigantesco criado por suas próprias mãos.
Ele caiu nele, continuando a despencar, sem a menor chance de resistência.
O vento violento, como uma lâmina, cortou sua pele; os abutres do desejo que ele alimentava em seu coração devoravam sua carne; o sol escaldante o evaporava e o deixava vazio.
No final, restou apenas uma estrutura esquelética vazia, que caiu sobre a rocha dura.
Com um estrondo.
Completamente estraçalhado.
Capítulo 14
Três dias após o incidente do vídeo, a notícia do desaparecimento de Alice se espalhou.
Ao mesmo tempo, a protagonista feminina do vídeo também foi descoberta pelos internautas; era uma estudante do primeiro ano da S-Universidade, irmã de um colega de quarto de Hugo na faculdade.
As duas notícias surgiram simultaneamente e logo levaram a hashtag #TraiçãoDeHugo ao topo da lista de pesquisas.
Desta vez, a família Hugo investiu muito dinheiro, mas não conseguiu abafar o calor do assunto, como se houvesse alguém por trás promovendo isso.
Da noite para o dia, as ações do Grupo Hugo caíram quase até o limite.
O velho Hugo teve um infarto na mesma noite e foi internado.
Quando a secretária transmitiu essas notícias a Hugo, sua linha de defesa psicológica, que já estava prestes a entrar em colapso, desmoronou completamente.
Passadas as 72 horas do tempo de ouro para o resgate, Alice ainda não tinha notícias.
Ele procurou em todos os lugares que conseguia pensar, e até contratou inúmeros detetives particulares, usando conexões para extrair todas as gravações de câmeras de trânsito de toda a cidade.
Ainda assim, não encontrou nenhum vestígio de Alice.
Seu registro civil foi cancelado, todos os itens relacionados a ela em casa foram limpos, e a última imagem dela nas câmeras de vigilância foi às seis e meia da tarde do dia vinte e um.
Depois que ele saiu de casa dirigindo, ela saiu logo atrás, carregando uma sacola nas mãos.
O que havia na sacola?
Ninguém sabe.
Os detetives investigavam seu paradeiro, e Hugo, forçando-se, foi ao hospital.
Ao entrar, o pai de Hugo deu-lhe um tapa forte, deixando-o ver estrelas.
"Seu filho ingrato! Causou um tumulto tão grande, a família Hugo inteira será destruída por sua causa!"
Ele ajoelhou-se com dificuldade no chão, batendo a cabeça repetidamente diante de seus pais furiosos e de seu avô, que ainda estava ligado ao respirador.
Após o som dos impactos, ouviu-se uma batida na porta.
O pai de Hugo virou-se com o rosto escuro e viu um rosto que ele odiava profundamente.
O maior concorrente do Grupo Hugo, o atual presidente do Grupo Zhou, Zhou Yunsheng.
Ele chegou com sete ou oito pessoas, e ao ver aquela cena de pai e filho brigando, não pôde deixar de aplaudir.
"Ouvi dizer que o velho Hugo estava com a saúde debilitada, então meu pai me pediu, como jovem, para vir visitá-lo. Não sei se é uma boa hora?"
Só de ver a expressão de schadenfreude dele, a família Hugo percebeu que algo estava errado, seus rostos mudaram e começaram a expulsá-lo.
Diante da repreensão implacável deles, Zhou Yunsheng não deu ouvidos.
Ele sorriu, pegou um documento e bateu na palma da mão.
"Não faz mal se não for uma boa hora, na verdade, tenho outra coisa para tratar hoje."
"Alguns dias atrás, recebi um acordo de transferência de ações. O signatário é o maior acionista do Grupo Hugo, Alice, que transferiu 70% de suas ações para mim pelo preço mais baixo. Já assinei, e estou aqui hoje para notificar a todos que amanhã, às dez da manhã, estarei indo à sede do Grupo Hugo com advogados para tratar dos assuntos relacionados, espero que estejam preparados."
Essas palavras explodiram como um trovão nos ouvidos de todos na sala.
O pai de Hugo não acreditou de jeito nenhum e foi o primeiro a se opor.
"Impossível! O maior acionista do Grupo Hugo é Hugo. Se ele não assinou, como poderia transferir para você!"
Zhou Yunsheng fixou o olhar em Hugo, e o sorriso em seu rosto tornou-se cada vez mais agradável.
"Se isso é verdade ou não, tio Hugo, pergunte ao seu bom filho, com licença."
Hugo já estava rígido no lugar, sem saber o que dizer.
Ele estava completamente desorientado, sem saber onde estava ou o que havia acontecido.
Restava apenas sua respiração incessante, uma após a outra.
Ecoando em sua mente.
Capítulo 15
O irmão e os pais de Isabela correram para o lado dela no dia do incidente, perguntando o que diabos havia acontecido.
Ela insistiu em não dizer nada, o que deixou a família furiosa, e acabaram trancando-a em casa.
No quinto dia após o ocorrido, incapaz de suportar a condenação avassaladora da opinião pública, ela trancou o curso na Universidade S.
Naquela mesma noite, ela finalmente encontrou uma oportunidade para escapar.
Ao chegar à casa dos Hugo, ela olhou para o quarto escuro e sentiu um cheiro de poeira e podridão.
Procurando da sala até o segundo andar, ela finalmente encontrou Hugo em um canto do quarto.
Ele estava deitado em meio a várias garrafas de álcool, embriagado e com o rosto cheio de barba por fazer.
Essa aparência decadente e solitária era irreconhecível em comparação ao orgulhoso filho das estrelas, sempre bem-vestido e rodeado por todos, que ele era antes.
Isabela, em choque total, aproximou-se e o abraçou, com um tom de voz que não conseguia esconder a preocupação.
"Hugo, o que houve com você?"
Ao ouvir a voz, Hugo abriu os olhos injetados de sangue.
No instante em que viu aquele rosto, sua primeira reação foi lembrar-se daquelas conversas no chat.
Aquelas fontes de todo o mal que o levaram a este ponto e fizeram Alice partir eram por causa da pessoa à sua frente!
Por um momento, o sentimento de raiva explodiu como um vulcão no peito de Hugo.
Ele não conseguiu mais se controlar, empurrou-a e a pressionou contra a parede.
As veias saltavam de suas mãos, que prendiam os braços dela com força, e seu rosto parecia horrível e aterrorizante.
Cada palavra era espremida entre seus dentes, carregada de um ódio visceral.
"ISABELA!"
"Eu te avisei inúmeras vezes que Alice é o meu limite! Como você ousa fazer isso pelas minhas costas? Você está querendo morrer, não está?!"
Isabela parecia ter sido pregada à parede, incapaz de mover o corpo.
Seus membros agitavam-se desordenadamente sob o estímulo do instinto de sobrevivência, mas ela não conseguia escapar da garra dele.
A sensação de sufocamento que subia pela garganta fez seu rosto mudar de vermelho para azul, e seus olhos saltaram das órbitas.
Olhando para aquele rosto distorcido pela fúria à sua frente, o medo a atingiu como uma enchente, e ela soltou instintivamente soluços e pedidos de misericórdia fragmentados.
"Eu, não... foi de propósito, só... queria, estar... com você..."
Hugo não ouvia claramente, e nem tinha paciência para ouvir.
Ele olhava para seus movimentos de luta cada vez mais fracos e suas pupilas perdendo o foco, sentindo que toda a culpa e luto que pesavam em seu coração estavam se dissipando.
Devido à falta de oxigênio, o cérebro de Isabela foi lentamente ocupado pelo vazio.
As imagens diante dela tornaram-se cada vez mais embaçadas, começando a aparecer manchas pretas, e em seus ouvidos só restava um som fraco de eletricidade.
Justo quando ela pensou que morreria ali, a família de Isabela, que a perseguia, finalmente invadiu o local.
Iago avançou, agarrou Hugo pelo colarinho e o puxou para trás; após salvar a irmã, ele desferiu um soco em Hugo.
Hugo, cujos olhos estavam vermelhos de ódio, já não se importava com a amizade de longa data e começou a lutar com ele.
Nenhum dos dois cedia, era troca de golpes contundentes.
"Hugo, seu desgraçado, você trai sua esposa e ainda estraga minha irmã, destruindo a reputação dela! Que direito você tem de tocar nela!"
"Eu a estraguei? Iago, entenda uma coisa, foi sua irmãzinha raposa que me seduziu sem vergonha! Ela mesma se ofereceu para ser comida, e quando dei dinheiro ela não ficou satisfeita, insistindo em levar o caso até minha esposa. Por que eu não posso acertar as contas com ela?"
"Ela te seduziu? Quantos anos ela tem! Você é um idiota que não consegue controlar seus impulsos e ainda tem a cara de pau de culpar uma mulher? Com um lixo como você, não é de admirar que Alice tenha te abandonado!"
Essa frase atingiu o ponto mais sensível de Hugo, incendiando completamente sua raiva.
Ele avançou como um louco, desferindo socos com a intenção de matar.
Iago estava todo machucado, com o rosto cheio de sangue, incapaz de revidar.
Enquanto resistia desesperadamente, sua mão, que se agitava sem rumo, tocou subitamente em uma garrafa de vinho.
Estimulado pelo subconsciente, sem tempo para pensar, ele a atingiu violentamente na cabeça de Hugo.
Com um estrondo seco, cacos de vidro voaram para todos os lados, causando cortes de diferentes tamanhos nos dois.