Uma fileira inteira de bolsas Hermès, conjuntos de joias e marcas de chupões roxos no corpo dela.
No segundo seguinte, uma mensagem de Hugo chegou.
"Alice, você terá alta esta tarde, pedirei para a secretária te buscar, pode ser? Tenho mais alguns assuntos para tratar no exterior e só poderei voltar depois de amanhã."
No exterior?
O sexto andar do hospital Harmony já foi anexado a outro país?
Enquanto olhava, Alice sorriu sem som, suas lágrimas caindo, e então olhou para o calendário sobre a mesa.
Dezessete de dezembro, restam apenas três dias para sua libertação completa.
No antepenúltimo dia, Alice foi ao hospital psiquiátrico visitar Yin Xiuyuan.
Sem se verem há três anos, ele envelheceu muito, o cabelo estava todo branco, os olhos turvos, e ele já não reconhecia nem a própria filha.
Através do vidro, ela olhava para aquele que era o culpado por ela ter crescido sem mãe desde pequena, e não pôde deixar de perguntar-lhe:
"Você se arrepende?"
Yin Xiuyuan não entendia o que ela perguntava, balançou a cabeça e depois assentiu.
Alice sabia que não receberia resposta, deu uma última olhada nele e foi embora.
Assim que saiu, ela viu Hugo esperando do lado de fora.
Ao vê-la, ele correu até ela, colocando um casaco sobre seus ombros e segurando sua mão dentro do bolso para aquecê-la. "Minha pequena, por que você pensou em vir aqui hoje? Por que não me chamou? Está tão frio, e se você ficar resfriada?"
Alice olhou para ele fixamente, falando sem qualquer expressão.
"Sonhei com minha mãe ontem, vim aqui visitá-la por ela, para ver qual é o fim daqueles que traem."
Ao ouvir isso, um brilho de pânico passou rapidamente pelos olhos de Hugo, e ele engoliu em seco.
Mas logo controlou suas emoções e sorriu carinhosamente. "Já que você terminou a visita, vamos para casa. Comprei muitos presentes para você nesta viagem ao exterior, veja se gosta."
Os dois não ficaram mais e entraram no carro.
Ao chegarem em casa, viram Isabela descendo as escadas com uma mala.
Ao ver Alice, ela sorriu docemente e entregou uma caixa de presente. "Alice, estou de mudança. Obrigada por me hospedar esses dias, desculpe o incômodo. Este é um presente que escolhi com cuidado enquanto você estava hospitalizada, você certamente vai gostar."
Na última frase, ela deu ênfase, como se quisesse insinuar algo.
Antes que Alice pudesse responder, Hugo pegou a mala de Isabela e olhou para ela. "Alice, vou levá-la, senão não terei como explicar ao irmão dela. Fique bem em casa, volto para te fazer companhia assim que resolver isso, está bem?"
Alice não disse nada, apenas observou silenciosamente as costas deles se afastarem.
Somente quando o carro desapareceu completamente, ela estendeu a mão e abriu lentamente o presente de Isabela.
Assim que a tampa se abriu um pouco, um forte cheiro de esperma emanou.
Sua mão hesitou por alguns segundos antes de retirar a tampa completamente.
Centenas de preservativos usados enchiam a caixa.
Um, dois, três... trinta e seis...
Durante os dias em que esteve hospitalizada, Hugo e Isabela foram para a cama trinta e seis vezes!
Alice achou que deveria sentir dor.
Mas, no final, ela apenas riu até as lágrimas caírem.
Olhando para a neve que caía do lado de fora da janela, ela guardou a caixa e a colocou no escritório de Hugo.
Um lugar onde ele veria assim que voltasse.
Capítulo 8
No penúltimo dia, Hugo ainda não havia voltado.
Mas Alice sabia que, hoje, ele foi ao baile e agiu como o namorado temporário de Isabela.
Ela não perguntou sobre seu paradeiro; contratou algumas profissionais de limpeza e arrumou a casa inteira.
Para ser exata, limpou tudo o que estava relacionado a ela.
Desde itens pequenos como toalhas, escovas de dentes e copos, até coisas maiores como roupas, cosméticos e joias; o que não tinha valor foi jogado fora, e o que tinha algum valor foi doado para instituições de caridade.
Ao ver a vila ficando cada vez mais vazia, seu coração também se acalmou.
Não haveria mais dor por alguém que não valia a pena.
Não haveria mais nenhum tipo de apego.
À noite, a neve começou a cair novamente.
Alice sentou-se diante da lareira e editou dois vídeos.
O primeiro, era com todos os vídeos de namoro que ela e Hugo gravaram ao longo desses anos.
O segundo, com todos os vídeos íntimos que Isabela lhe enviara ultimamente, onde aparecia com Hugo.
Após terminar a edição, o dia amanheceu.
Ela enviou esses dois vídeos para o gerente comercial da praça central e transferiu uma quantia em dinheiro.
"Olá, amanhã, por favor, exiba esses dois vídeos, um após o outro, em looping por toda a cidade."
No último dia, assim que Alice abriu os olhos, viu Hugo.
Ele beijou sua bochecha, com um tom de voz cheio de alegria: "Alice, feliz aniversário!"
Alice só então lembrou que hoje era seu aniversário de vinte e seis anos.
Que coincidência, era também o dia em que ela desapareceria completamente do mundo dele.
Olhando para a sala de estar recém-decorada e para o enorme bolo de aniversário, Alice sorriu levemente, querendo perguntar: ele não se cansa de fingir todos os dias?
Acabou de amar Isabela e, ao voltar para casa, veio correndo amá-la.
Ela sentou-se na cama: "Você tem estado tão ocupado com o trabalho ultimamente, tem tempo para passar o aniversário comigo?"
Hugo levantou a mão para acariciar sua cabeça, sorrindo com os olhos brilhantes: "Alice, que tipo de coisa você está dizendo? Você sabe claramente que ninguém neste mundo supera você. No seu aniversário, mesmo que o céu caia, eu estarei com você."
Será?
Alice sorriu e não disse nada.
O dia todo, Hugo esteve ocupado na cozinha.
Desde frutas a bebidas, de pratos variados a sobremesas, ele cuidou de tudo sozinho.
De repente, o celular de Hugo, deixado sobre a mesa, tocou.
Alice viu imediatamente a mensagem enviada por Isabela.
Era uma selfie de frente para o espelho, usando uma fantasia de empregada, com uma frase cheia de segundas intenções.
"Hoje é meu período seguro, não precisa usar nada."
Alice deu uma olhada e colocou o celular de volta no lugar.
Às seis e meia da noite, vinte pratos estavam prontos na mesa.
Hugo acenou para ela: "Minha pequena, venha, seu marido vai celebrar seu aniversário com você!"
Alice levantou-se e sentou-se à mesa, aproveitando para entregar o celular a ele.
"Seu celular não parava de tocar agora pouco."
Hugo riu, dizendo para não se preocupar, mas assim que a tela foi desbloqueada e ele viu o conteúdo, seu olhar escureceu e sua respiração tornou-se subitamente apressada.
Alice o observava em silêncio.
Um segundo, dois segundos, três segundos...
Após três segundos de silêncio, ele guardou o celular e exibiu uma expressão cheia de desculpas no rosto.
"Alice, houve um problema na empresa e preciso ir dar uma olhada. Você poderia jantar sozinha primeiro, está bem? Volto em duas horas."
"Duas horas, será suficiente para você se divertir?"
Hugo não ouviu claramente e perguntou o que ela havia dito ao se virar.
Alice sorriu: "Nada não, pode ir."
Hugo, vá procurá-la.
Você não precisa saber que hoje é o último dia que passaremos juntos.
O Hugo de quinze anos teve Alice.
Mas o Hugo de vinte e sete anos perderá Alice para sempre.
Depois de ver o carro dele sair, Alice saiu lentamente de casa.
Havia muita neve acumulada no chão e ela caminhava com dificuldade, passo a passo.
Ela foi até o telão central no centro da cidade, olhou para o relógio de pulso e, finalmente, enviou uma mensagem ao gerente.
【Chegou a hora, pode começar a exibir.】
Às sete em ponto, o telão começou a exibir os vídeos.
Assim que a primeira imagem apareceu, os pedestres na praça pararam um a um.
Alice observava de longe, estendeu a mão, e pétalas de neve caíram sobre sua palma, cristalinas e brancas.
Ao mesmo tempo, aquela voz mecânica e fria soou na rua deserta.
"O canal do espaço-tempo foi aberto. Contagem regressiva: 5, 4, 3, 2, 1."
Após o término da contagem, uma rajada de vento forte soprou, levantando inúmeros flocos de neve que invadiram toda a rua.
Três minutos depois, o vento e a tempestade de neve pararam.
E onde Alice estava, não havia mais ninguém...
Capítulo 9
O vento soprava, e a neve continuava a cair.
Quando Alice abriu os olhos novamente, descobriu que já havia deixado a rua.
Ela estava diante de uma vila estranha, com o número 12138 na porta.
Ao ver aquela série de dígitos familiares, Alice ficou levemente atordoada.
No segundo seguinte, uma voz um pouco familiar, mas ao mesmo tempo estranha, veio de trás dela.
"Quem é você..."
Alice virou-se ao ouvir o som e viu um rosto que ela havia sonhado incontáveis vezes.
Sua mãe, que ela não via há vinte anos, estava ali diante dela, com aquele rosto sorridente que não havia sido mudado pelo tempo.
Ao vê-la, Elena também ficou paralisada, e seus olhos, ainda brilhantes, lentamente se encheram de névoa.