O rosto de Isabela caiu instantaneamente, e lágrimas surgiram em seus olhos.
"Você não se importa comigo? Se você não me deixar ficar, contarei ao meu irmão! Você prometeu a ele que cuidaria bem de mim! Sou apenas uma moça sozinha em um hotel, você não tem medo de que algo aconteça comigo?"
Ouvindo isso, Hugo pressionou as têmporas. "Isabela, não faça cena!"
Alice estava sentada não muito longe, observando silenciosamente os dois fingindo ser irmãos.
Eles já tinham feito tudo de íntimo, e agora estavam atuando dessa forma na frente dela.
Talvez por ver que Hugo não cederia, Isabela imediatamente olhou para Alice com uma expressão lamentável: "Alice, deixe-me ficar aqui por alguns dias, não causarei problemas."
Alice levantou os olhos e olhou para ela. "Tudo bem, sinta-se à vontade."
Ao ouvir isso, Isabela comemorou e entrou com sua mala.
Ela não foi nada tímida, caminhou até a mesa de jantar e olhou para os sanduíches com estrelinhas nos olhos.
"Irmão Hugo, foi você quem fez? Você é incrível!"
Hugo deu um tapa na mão dela que estava pronta para agir e moveu o prato para a frente de Alice.
"Se quiser comer, peça aos empregados. O que eu faço é apenas para Alice."
A boca de Isabela murchou imediatamente e ela entrou na cozinha, sentindo-se injustiçada.
Alice olhou para o café da manhã na mesa, mas não tocou nos talheres.
Hugo percebeu imediatamente. "Alice, por que não está comendo? O que eu fiz não é do seu gosto?"
Ela balançou a cabeça suavemente e encontrou uma desculpa.
"Não é nada, só queria comer os bolinhos de camarão do lado leste da cidade."
Hugo imediatamente pegou as chaves do carro e começou a calçar os sapatos na entrada.
"Vou comprar agora mesmo."
Isabela, que acabava de sair da cozinha, ouviu isso e rapidamente largou o prato em suas mãos, saltitando atrás dele.
"O que tem em casa não é do meu gosto, eu também quero comer fora."
Observando as costas dos dois enquanto partiam um após o outro, Alice exibiu um sorriso amargo.
Já se passaram meia hora e Hugo ainda não voltou.
Alice, pressentindo algo, pegou o celular e abriu a câmera do painel do carro.
Enquanto a imagem carregava, um som de respiração sedutora ecoou na sala silenciosa.
"Irmão Hugo, vá... vá mais devagar."
Dentro do carro estreito, os dois que estavam em conflito há pouco tempo estavam nus e abraçados.
Hugo estava se movendo freneticamente, com os olhos avermelhados, segurando a cintura macia de Isabela com força. "Se eu não for forte, como você ficaria satisfeita, hum? Você não tem vergonha de seduzir os amigos do seu irmão, e agora ainda tem a coragem de se mudar para minha casa? Você só quer me prender, não é?"
"Vou te dizer uma coisa! Eu não te amo nada, você é apenas minha ferramenta de desabafo. Alice é meu limite. Se você se atrever a causar problemas na frente dela sobre nós dois, arque com as consequências."
Capítulo 3
Assim que Hugo terminou de dizer essas palavras, o som de soluços de Isabela pôde ser ouvido no vídeo.
"Sim, fui eu que me iludi. Sabendo que você já é casado e que seu coração pertence apenas à Alice, insisti em não desistir e me entregar a você, deixando que me tratasse assim todos os dias! Você acha que eu gosto disso? Se não fosse por te amar tanto, por que eu me humilharia a esse ponto?"
Ao ver o choro desesperado dela, os movimentos de Hugo estancaram abruptamente. Embora seu tom ainda fosse ríspido, seus movimentos tornaram-se mais suaves.
"Não se pode nem falar com você que já faz esse drama? Onde foi parar aquele seu jeito sedutor de agora há pouco? Não foi você quem disse que só queria o meu corpo e não o meu coração?"
Isabela não respondeu, apenas chorou ainda mais alto.
Hugo, sem saída, finalmente se inclinou e beijou as lágrimas do rosto dela, aos poucos. "Está bem, comporte-se. Que presente você quer? Eu compro para você."
Isabela murmurou com um tom de mágoa, "Eu quero... quero o colar que você comprou para a Alice, e também o café da manhã que acabou de comprar para ela!"
Hugo franziu a testa. "Escolha outra coisa."
"Por que não pode? Eu só quero isso."
Vendo-a chorar novamente com um ar de injustiça, Hugo não teve escolha a não ser ceder.
"Tudo bem, eu te dou. Eu te dou tudo o que quiser. Pare de chorar, está bem? Venha, deixe-me beijar você."
Embora ela já soubesse há muito tempo que Hugo a havia traído, ao presenciar aquela cena, ela sentiu uma dor lancinante, como se seu coração estivesse sendo rasgado.
Seu peito se contraiu de repente, fazendo-a dobrar o corpo em agonia, suando frio.
Ela mordeu os lábios com força, mas não conseguia conter os soluços que subiam por sua garganta.
Hugo,
Hugo...
Aos quinze anos, foi você quem gaguejou ao se declarar para mim, dizendo que eu era a única garota por quem seu coração batia.
Aos vinte e dois anos, foi você quem se ajoelhou com um anel na minha frente, dizendo que todo o amor de sua vida seria apenas meu.
Pelo visto, o seu "para sempre" não durou mais que alguns anos.
Suas unhas afiadas perfuraram a pele, fazendo o sangue verter.
Mas ela continuava a pressionar os dedos, aprofundando as feridas, como se apenas assim pudesse suportar aquela dor corrosiva que vinha de dentro.
Ela sentou-se à mesa de jantar, imóvel, paralisada.
Lágrimas caíam como chuva.
Não sei quanto tempo se passou, até que a tela do celular voltou ao normal.
Pouco depois, Hugo, já impecavelmente vestido, abriu a porta.
"Alice, cheguei..."
Sua voz gentil parou bruscamente. Ao ver o rosto dela banhado em lágrimas, seu coração deu um salto e ele correu imediatamente até ela.
"Alice, por que você está chorando?"
Alice tentou ao máximo controlar suas emoções, puxou um lenço e respondeu com a voz rouca.
"Não é nada, só vi um drama muito emocionante e acabei chorando."
Hugo pegou o lenço gentilmente e limpou as lágrimas dela, com os olhos cheios de preocupação.
"Que drama? Fez você chorar tanto assim?"
"Você quer assistir?"
Hugo hesitou por um momento, depois acariciou o cabelo dela com ternura: "Está bem, mostre-me. Assim que eu terminar de ver, farei com que tirem essa série do ar. Ninguém tem o direito de fazer minha pequena chorar."
Dito isso, ele estendeu a mão para pegar o celular dela.
Mas, no exato instante em que ele estava prestes a clicar, Alice falou subitamente: "E os bolinhos de camarão que você comprou?"
Os movimentos de Hugo congelaram por um segundo. Ele a abraçou nervosamente e começou a pedir desculpas de forma submissa.
"Sinto muito, Alice. Quando cheguei lá, já tinha acabado e a loja estava fechada. Amanhã eu volto para comprar para você, está bem?"
Assim que ele terminou de falar, Isabela entrou carregando uma sacola, exibindo-a com um olhar triunfante.
"Eu comprei a última porção destes bolinhos. Alice, quer que eu te dê os meus?"
Alice não disse nada, fixando o olhar no pescoço dela.
O colar de prata pura que Isabela usava era muito parecido com o que sua mãe lhe deixara.
Parecia que Hugo havia passado a noite procurando o modelo idêntico para agradá-la.
Mas, com um simples truque e um pouco de charme, ele acabou dando-o para Isabela.
Notando o olhar dela, Isabela caminhou até ela, puxou o colar para que Alice pudesse ver melhor e sorriu radiante.
"Este colar não é lindo? Eu também comprei agora pouco. Alice, você acha que combina comigo?"
Alice olhou fixamente por um longo tempo, depois sorriu, um sorriso que acabou em lágrimas.
"Combina."
Dito isso, sem nem olhar para a expressão dos dois, ela subiu as escadas.
Ao cair da noite, Alice comeu apenas um pouco e voltou para o quarto.
Assim que se sentou, sentiu uma cólica intensa no baixo ventre, como se estivesse pesando quilos.
Sem forças, ela caiu no sofá, o suor frio escorrendo por seu corpo, logo molhando seu suéter.
Hugo, que subiu logo atrás, ao ver o sofrimento dela e saber que eram cólicas menstruais, desceu apressado para preparar uma água com açúcar mascavo.
Depois de dar a ela um pouco, ele trouxe remédios, aqueceu as mãos e começou a massagear gentilmente a barriga dela.
Ele a abraçava, como se desejasse poder carregar aquela dor em seu lugar, e seus olhos transbordavam de pena.
"Minha pequena, não vamos ter filhos no futuro, está bem? Dói tanto assim durante seu período que não suporto ver, se fosse um parto, nem consigo imaginar."
Alice ergueu seu rosto, pálido como uma folha de papel, e olhou silenciosamente para ele, com a voz extremamente fraca.
"Se não tivermos filhos, o que seus pais vão pensar?"
"Não me importa o que eles pensam! Nada é mais importante que você! Se eles tentarem me forçar, prefiro deixar a família Hugo e desistir de toda a herança!" Ele dizia enquanto beijava ternamente o pescoço dela. "Alice, eu disse que nesta vida, não me cansaria de mimar você. Você é minha criança, vou cuidar de você para sempre."