localização atual: Novela Mágica Moderno O Recomeço de Clarissa Capítulo 5

《O Recomeço de Clarissa》Capítulo 5

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— Amor, você está chorando? Vou emitir o seu bilhete de retorno agora mesmo, volta para casa — Jonathan insistiu ao notar o silêncio trêmulo dela.

— Tudo bem — Clarissa respondeu baixo, com a voz embargada.

Ela não saberia explicar a razão de ter cedido ao convite; talvez uma parte dela ainda buscasse algum vestígio do homem em quem confiou no passado, ou talvez precisasse daquele retorno para tener certeza absoluta das reais intenções dele.

De qualquer forma, ela se sentia como alguém navegando sem bússola na escuridão, aceitando a direção proposta por Jonathan para ver onde aquela situação iria terminar.

Clarissa desembarcou e seguiu o fluxo de passageiros, localizando a figura de Jonathan no meio da multidão.

Ele mantinha a postura alinhada de sempre, com uma das mãos no bolso do paletó e a outra segurando o celular.

A expressão compenetada mostrava que ele estava atento ao portão de saída, correndo os olhos pelo saguão com frequência.

— Clarinha! — O semblante dele mudou ao avistá-la, demonstrando um alívio genuíno enquanto caminhava rápido na direção dela.

Ele segurou a mão de Clarissa com delicadeza, um gesto que parecia misturar cuidado e receio, conduzindo-a para um abraço apertado em seguida.

— Sinto muito por não ter ido com você, sei que passar por essas cobranças sozinha é desgastante — Jonathan sussurrou próximo ao ouvido dela, transmitindo um calor que provocou um turbilhão de questionamentos internos em Clarissa.

Ela afastou o rosto levemente para encará-lo nos olhos.

A proximidade permitia enxergar uma fisionomia que parecia carregar um arrependimento real, sem indícios de encenação imediata.

Naquele milésimo de segundo, várias possibilidades cruzaram a mente de Clarissa.

Ela se pegou cogitando se seria viável simplesmente ignorar o que descobrira e tentar seguir em frente.

Afinal, Jonathan havia construído um patrimônio sólido e, na parte material, nunca medira esforços para garantir o conforto dela.

Eles compartilharam anos de dificuldades estruturais antes do sucesso financeiro, estabelecendo um vínculo histórico muito forte.

Apesar do erro grave da infidelidade, ele não demonstrava intenção de abandoná-la ou menosprezar o papel dela em sua vida.

Mesmo diante do distanciamento físico recente, ela poderia aceitar a sugestão do tratamento médico e focar na vinda de uma criança para reestruturar o ambiente familiar.

Quem sabe, com o passar do tempo e o desgaste natural das aventuras fora do casamento, ele não optaria por se dedicar integralmente à dinâmica do lar.

Tornando-se o parceiro presente que ela idealizara.

Analisando friamente, aquela parecia ser a rota menos traumática disponível no momento.

11

Durante o trajeto até o restaurante, a interação entre os dois transcorria de forma pacífica.

Jonathan mantinha a atenção no trânsito enquanto Clarissa observava o fluxo de carros pela janela lateral, imersa em seus próprios pensamentos.

A calmaria foi interrompida pelo toque estridente do celular dele no console do carro.

Ele olhou para a tela demonstrando hesitação e fez menção de rejeitar a chamada, mas Clarissa interveio com um toque leve no braço dele:

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— Pode atender, veja do que se trata.

Jonathan acionou o comando de voz e, à medida que a pessoa do outro lado falava, a expressão tranquila dele deu lugar a uma tensão evidente, com os olhos ligeiramente arregalados e uma rigidez na postura.

Ele respondeu de forma breve, encerrou a ligação e virou o rosto na direção de Clarissa com um semblante desconfortável.

— Clarinha, surgiu um imprevisto crítico na operação da empresa e preciso passar no escritório agora mesmo. Tudo bem se eu pedir para o motorista vir te buscar aqui para te levar para casa?

Clarissa não esboçou reação contrária, apenas assentiu com a cabeça e desceu do veículo no recuo da avenida.

Ela acompanhou com o olhar o Maybach sumir entre os outros carros e, em seguida, deu sinal para um táxi que passava pelo local, mudando o destino final:

— Por favor, tente acompanhar aquele veículo logo à frente.

Clarissa enterrou as unhas na palma da mão, lembrando-se de um detalhe crucial: aquela data coincidia com o aniversário de Gabriela.

Nos registros que havia coletado das mensagens eletrônicas, a data havia sido mencionada mais de uma vez.

Jonathan havia justificado à funcionária que precisaria manter as aparências no aniversário de casamento, mas prometera uma compensação especial nos dias seguintes, coincidindo com a comemoração dela.

O taxista seguiu o veículo mantendo uma distância segura, sem fazer perguntas sobre o pedido.

O trajeto terminou nos arredores de uma das propriedades de Jonathan.

A poucos metros de distância, a porta da residência se abriu e uma jovem vestindo uma fantasia estilizada de coelha cruzou o jardim, jogando-se nos braços de Jonathan assim que ele desceu do carro.

A identidade dos dois era inconfundível: eram Gabriela e Jonathan.

Sem qualquer preâmbulo, os dois iniciaram um beijo demorado no meio do caminho.

Ao se afastarem para recuperar o fôlego, Gabriela ajeitou a gravata de Jonathan com um sorriso provocativo:

— Chefe, preparei uma surpresa ainda melhor aqui dentro, quer dar uma olhada?

Ela deslizou os dedos pelo pescoço dele ao falar.

Jonathan engoliu em seco, segurando a mão da secretária com firmeza, com o olhar focado nela:

— Um trajeto de meia hora eu fiz em quinze minutos só para chegar logo aqui. Meu bem, você acha que eu quero ver ou não?

Gabriela soltou uma risada baixa, puxando-o pelos dedos em direção ao banco traseiro do próprio carro:

— Então vamos ver aqui mesmo.

Os dois entraram no veículo e, em poucos instantes, a estrutura do carro começou a se mover levemente.

O movimento foi se tornando mais evidente com o passar dos minutos.

Isolada no táxi estacionado um pouco mais atrás, Clarissa testemunhava toda a sequência em silêncio.

Embora acreditasse já ter superado qualquer expectativa em relação ao caráter do marido, presenciar a cena provocou uma dor física em seu peito.

Sentindo uma pressão forte no esterno, ela levou a mão ao coração, tentando compassar a respiração enquanto as lágrimas molhavam seu rosto.

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No período do namoro, Jonathan sempre fizera questão de demonstrar um respeito extremo pela integridade dela, controlando os próprios impulsos mesmo nos momentos de maior proximidade.

He repetia com frequência que certas etapas eram sagradas e deveriam ser reservadas para a noite de núpcias para manter o significado da união.

Foram três anos de insistência seguidos por mais três anos de compromisso oficial até chegarem ao casamento.

Naquela noite, o homem que já demonstrava total firmeza no ambiente corporativo tremia visivelmente de nervosismo ao se aproximar dela no quarto do hotel.

O cuidado dele em cada toque evidenciava o valor que dava àquela transição e, no momento da entrega mútua, ele chegou a se emocionar.

Ele sussurrava repetidamente próximo ao rosto dela:

— Clarissa, você agora é minha esposa oficial. Meu compromisso com você é para sempre.

Naquele período, ela se sentiu genuinamente valorizada.

Acreditava que seria impossível encontrar alguém que demonstrasse tamanha dedicação e afeto por ela.

O foco de Jonathan era exclusivamente Clarissa.

Ele assinara aquela promessa verbalmente inúmeras vezes.

E agora, era ele mesmo quem rasgava o compromisso diante dos seus olhos.

O motorista do táxi, percebendo o choro silencioso da passageira pelo retrovisor, estendeu um lenço de papel com um semblante penalizado:

— Infelizmente, a realidade de muitos relacionamentos hoje em dia é complicada...

— Moça, tente não se desgastar tanto com isso. Já existe um casamento estruturado, às vezes ignorar é o caminho menos doloroso para manter a rotina.

Clarissa aceitou o lenço, apertando-o entre os dedos, e respondeu com a voz desgastada, mas convicta:

— Não há possibilidade de vista grossa aqui.

Jonathan, essa história acaba hoje.

12

Ao retornar para o apartamento, Clarissa acessou as redes sociais de forma quase involuntária, buscando novamente o perfil de Gabriela.

Como previra, a jovem havia publicado uma nova atualização.

O registro fotográfico mostrava Gabriela sorridente diante de um bolo decorado, com as mãos juntas em posição de agradecimento antes de soprar as velas.

No reflexo do vidro logo atrás dela, a silhueta de Jonathan aparecia de forma nítida, confirmando a presença dele no local.

Rolando a página um pouco mais, outra imagem selou qualquer dúvida pendente.

A foto retratava o ambiente de um quarto de hotel de luxo, com iluminação indireta e pétalas espalhadas sobre a cama, sugerindo a atmosfera da comemoração que ocorrera ali.

A marcação de localização indicava um estabelecimento conhecido em um bairro nobre.

Clarissa sentiu uma rigidez tomar conta do corpo, acompanhada por uma clareza absoluta de que a conivência não seria uma opção em sua vida.

Ela se dirigiu ao escritório particular da residência, abriu o arquivo e retirou a via original da certidão de casamento dos dois.

Em seguida, desceu até a avenida, pegou um táxi e informou o endereço do hotel indicado na publicação da jovem.

Ao desembarcar diante da fachada do edifício, Clarissa manteve a postura firme, puxou o celular do bolso e discou o número do plantão policial.

Assim que a chamada foi atendida, ela forneceu as informações com tom de voz seguro:

— Boa noite, gostaria de registrar uma ocorrência envolvendo conduta inadequada em local público. Quero denunciar meu marido por comportamento ilícito.

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