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《A Rainha na Gaiola》Capítulo 20

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Capítulo 20: O Horizonte de Vidro

As águas azul-safira do Mar Mediterrâneo cortavam a linha do horizonte com uma calmaria quase mítica. Sob a luz dourada do fim de tarde da Costa Amalfitana, o iate particular de Elena navegava em velocidade de cruzeiro, deixando para trás um rastro de espuma branca e limpa.

Ela não era mais Isabella Silva; a carcaça da prisioneira de Manhattan havia sido enterrada nas poças de lama daquele esqueleto de concreto.

Rebatizada oficialmente na Europa, ela vestia um conjunto de seda branca esvoaçante que contrastava perfeitamente com a pele bronzeada pelo sol italiano.

Elena caminhou até a popa do deque de madeira de teca, os pés descalços sentindo o calor do dia que se despedia. Ela levou a mão direita ao pescoço, alcançando o colar de pérolas simples que Gabriel Vance havia trancado em seu corpo como um símbolo de propriedade.

Com um movimento firme, direto e libertador, ela arrebentou o fio de nylon. As esferas brancas rolaram por seus dedos antes de despencarem nas águas escuras do porto, sumindo para sempre no lodo do fundo do oceano.

A destruição simbólica do último laço físico que a ligava ao monstro de Wall Street trouxe ao seu peito uma paz absoluta e uma soberba indestrutível.

"Um sacrifício aos deuses do mar, signora?", uma voz barítona, melódica e carregada de um sotaque aristocrático europeu quebrou o silêncio do deque.

Elena não se assustou. Ela girou o corpo com uma lentidão calculada, adotando a postura soberana de uma legítima Femme Fatale.

Lucas Conti estava parado a poucos passos da espreguiçadeira de couro, vestindo uma camisa de linho cinza-escuro com os primeiros botões abertos e os cabelos desalinhados pelo vento marítimo.

Os olhos castanho-avelã dele eram magnéticos, carregados de um fascínio imediato e perigoso pelo mistério que aquela mulher exalava desde que embarcara na marina exclusiva.

Lucas segurava duas taças de cristal Baccarat preenchidas com champanhe vintage e um isqueiro de ouro antigo.

"Apenas jogando fora o que perdeu o valor, senhor Conti", ela respondeu, a voz perfeitamente polida, comandando o ritmo da interação social com uma frieza que o homem da alta sociedade não estava acostumado a enfrentar.

"Por favor, chame-me de Lucas", ele sorriu de canto, dando dois passos à frente para encurtar a distância, oferecendo a chama do isqueiro para o cigarro longo de cravo que ela havia acabado de posicionar entre os lábios entreabertos.

Diferente do passado opressivo em Nova York, Elena detinha 100% das cartas de poder e sedução daquele flerte sofisticado. Ela inclinou o rosto milimetricamente, permitindo que a ponta do cigarro encontrasse o fogo dourado, mantendo as pupilas verde-âmbar fixas nas dele sem desviar por um único segundo.

A aproximação física disparou uma nova voltagem de tensão sexual, mas aquela era limpa de traumas ou submissões; era o usufruto legítimo de seu magnetismo sobre o desejo masculino.

Lucas Conti pertencia à velha aristocracia que operava os mercados de Malta, e ele sabia reconhecer o cheiro do perigo corporativo a quilômetros de distância.

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"Você tem o olhar de quem acabou de vencer uma guerra mundial, Elena", ele comentou em um tom baixo e sedutor, entregando uma das taças a ela, as pontas de seus dedos roçando a pele dela em uma rendição voluntária ao charme da nova rica do Mediterrâneo.

"Eu apenas reorganizei o meu tabuleiro", ela rebateu com um sorriso enigmático, saboreando o desejo evidente daquele homem sofisticado enquanto sentia a segurança de quem possui 400 milhões de dólares depositados em contas intocáveis e lavadas pela burocracia europeia.

...

O prazer daquela inversão definitiva de jogo preenheu o peito de Elena com uma sensação de justiça e liberdade que ela nunca experimentara. Ela sabia que nenhuma corda, nenhuma câmera de Antony e nenhum homem na Terra voltaria a ditar as margens de sua realidade ou a trancá-la em uma fortaleza de vidro.

Lucas inclinou o corpo, aproximando o rosto de sua bochecha enquanto observava o iate reduzir a velocidade diante dos penhascos iluminados de Amalfi.

"Dizem que as mulheres com o seu sotaque costumam carregar muitos segredos na bagagem", ele sussurrou contra o vento quente, o hálito fresco de champanhe tocando a pele do pescoço dela, agora livre de qualquer coleira de luxo.

"Mas eu confesso que prefiro os mistérios do presente."

"O presente é a única coisa que você pode tentar comprar, Lucas", ela respondeu, a voz saindo firme e melodiosa, um aviso velado de que ela jamais seria uma propriedade de sua coleção de relíquias.

Elena deu uma tragada lenta e profunda em seu cigarro de cravo, permitindo que o aroma adocicado e forte preenchesse o espaço entre os dois na cabine do deque.

Com um movimento deliberado, ela soprou a fumaça perfumada diretamente contra o rosto esculpido de Lucas, assistindo-o fechar os olhos com um sorriso rendido e fascinado.

Ela ergueu a taça de cristal, tocando o vidro do copo dele com um som agudo e cristalino que selou a aliança de interesses e o início de seu novo reinado em oceano aberto.

"À sua liberdade, Elena", Lucas brindou, os olhos brilhando com o desafio intelectual que aquela mulher representava para o seu mundo aristocrático.

"Ao infinito", ela limitou-se a dizer, virando as costas para o Velho Mundo e encarando o mar aberto enquanto o iate navegava rumo ao horizonte dourado e definitivo de sua própria história.

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