Ele reuniu toda a sua força, movendo sua visão com dificuldade na direção de Beatriz, que estava a poucos passos de distância.
Ele estava esperando.
Esperando por um possível olhar para trás, esperando por uma frase de perdão, mesmo que fosse apenas uma esmola.
No entanto, Beatriz olhou para Eduardo, que lutava para respirar, de uma posição superior.
Não havia preocupação em seus olhos, nem mesmo o ódio que existira antes.
"Entrarei em contato imediatamente com o hospital do país e com sua família."
Capítulo 18
A voz de Beatriz era leve, mas parecia dilacerar, centímetro a centímetro, o coração já despedaçado de Eduardo.
"Bia, mesmo assim você quer me expulsar? Eu por você..."
Ela ergueu a mão e interrompeu as palavras de Eduardo: "Não diga mais que foi por mim, não temos mais nenhuma relação, não é mesmo?"
No dedo anelar, um anel de diamante refletia um brilho ofuscante sob a luz fraca da tenda.
"Lucas e eu vamos sair daqui agora mesmo."
Beatriz olhou para Eduardo, com um tom de voz sem qualquer ondulação.
"Após voltarmos ao país, celebraremos nosso casamento."
Eduardo abriu a boca com os olhos vermelhos, mas acabou fechando-a.
"Se você vive ou morre, é o seu destino. Sou grata por você ter salvo Amina, mas é apenas isso."
Beatriz desviou o olhar, nunca mais olhando para o homem na cama do hospital, virou-se e caminhou para fora da tenda sem qualquer nostalgia.
"Bi..."
Eduardo abriu a boca, mas não conseguiu emitir nenhum som.
Seus dedos tremiam fracamente no ar, como se quisesse reter aquela silhueta resoluta.
A cortina da tenda foi levantada e caiu novamente.
A figura de Beatriz desapareceu completamente de sua visão.
Naquele momento, o último brilho nos olhos de Eduardo quebrou-se completamente.
A mão que estava no ar caiu sem força.
O monitor de sinais vitais ao lado emitiu um som agudo, e a vida de Eduardo transformou-se em uma linha reta ofuscante.
No momento em que Beatriz corria em direção ao seu renascimento, Eduardo permaneceu para sempre naquelas ruínas de um país estrangeiro.
Quando as notícias sobre Eduardo chegaram novamente, Beatriz estava em uma igreja antiga às margens do Lago de Zurique.
Ela vestia um vestido de noiva branco, prestes a realizar um pequeno casamento com Lucas, convidando apenas familiares e amigos próximos.
O assistente entrou apressado e sussurrou algumas palavras no ouvido de Lucas.
A expressão de Lucas mudou levemente; ele olhou para Beatriz, parecendo hesitar se deveria ou não contar a ela.
Beatriz, sendo tão perspicaz, perguntou: "O que aconteceu?"
Lucas ficou em silêncio por um momento, mas finalmente contou-lhe a notícia do sacrifício de Eduardo, usando o tom mais calmo possível.
Incluindo suas últimas palavras.
A igreja estava muito quieta, apenas o som do vento sobre o lago lá fora passava suavemente.
Beatriz ficou em silêncio por muito tempo após ouvir.
Ela não chorou nem exibiu qualquer emoção violenta.
Apenas ergueu os olhos calmamente para fora da janela, na direção da longínqua terra natal.
Depois de muito tempo, ela virou a cabeça e deu um sorriso gentil e firme para Lucas, que estava ao seu lado com uma expressão de preocupação.
"Vamos começar."
Sua vida já havia aberto um capítulo totalmente novo.
Aquelas pessoas e coisas do passado eram como o som do vento distante, que soprava e se dissipava.
Se ela perdoava ou não, já não importava.
Porque ela já havia superado.
Lucas olhou para os olhos dela e viu alívio, viu um renascimento.
Viu o futuro brilhante que pertencia apenas aos dois.
Ele segurou a mão dela com firmeza, baixou a cabeça e deu um beijo piedoso em sua testa.
"Está bem, vamos começar."
A melodia do casamento soou lentamente na igreja.
Beatriz, de braços dados com Lucas, caminhou passo a passo pelo tapete vermelho banhado pelo sol, em direção à verdadeira felicidade que lhe pertencia.
Capítulo 19
A vida após o casamento era tranquila e acolhedora.
Beatriz e Lucas trabalhavam ambos no Hospital Universitário de Zurique.
Ela era a líder do Centro de Pesquisa Otológica, e ele, o especialista-chefe de neurocirurgia.
Eles eram colegas, camaradas de batalha e, acima de tudo, os parceiros mais compatíveis em suas vidas.
Lucas, com seu profissionalismo e amor, curou completamente os ouvidos de Beatriz, e a linha de equipamentos auditivos "SoundJoy" continuava sendo atualizada e iterada.
Aparelhos que ajudaram dezenas de milhares de deficientes auditivos em todo o mundo, sendo também aplicados em mais áreas de resgate em ambientes extremos.
O nome de Beatriz tornou-se um símbolo sonoro no campo da pesquisa otológica global.
Mas ela não se deixou imergir nas glórias do passado.
Com o apoio de Lucas, ela obteve sua licença de piloto.
Não para retornar à equipe de busca e salvamento.
Mas para poder ir mais livremente a qualquer lugar do mundo e fornecer suporte técnico para aqueles que precisavam de ajuda.
Ela já não era aquela "guerreira incansável", mas a resiliência e o respeito pela vida em seu âmago nunca mudaram.
Apenas que agora, a cada decolagem e pouso, havia alguém esperando por ela em casa.
Neste dia, Beatriz acabara de voltar de uma missão de orientação técnica de resgate.
Assim que entrou em casa, sentiu o cheiro familiar da comida.
Lucas, usando um avental, estava ocupado na cozinha.
Ao ouvir o barulho, ele se virou para olhá-la com um sorriso gentil no rosto.
"Chegou? Lave as mãos, já podemos jantar."
O brilho do pôr do sol atravessava a janela e caía sobre ele, delineando um círculo dourado e quente.
Beatriz se aproximou e o abraçou pelas costas: "Trabalho duro, Dr. Lucas."
Lucas desligou o fogo e virou-se para puxá-la para seus braços.
"Bem-vinda de volta, Professora Beatriz."
Ele abaixou a cabeça e beijou o topo da cabeça dela: "Desta vez na África, você não comeu direito de novo, né? Olhe para você, está até mais magra."
Beatriz esfregou-se no abraço dele como um gato satisfeito.
"Não é tão gostoso quanto a comida que você faz."
Os dois sorriram um para o outro; tudo estava subentendido.
Após o jantar, Lucas tirou dois ingressos de ópera.
"Amanhã à noite, no Teatro de Ópera de Zurique, tem 'Turandot', sua favorita."
Os olhos de Beatriz brilharam: "Você conseguiu os ingressos?"
Aquela era a sessão mais concorrida.
Lucas ergueu as sobrancelhas com orgulho: "Para agradar minha esposa, esse pequeno detalhe é, obviamente, algo que eu tinha que resolver."
Beatriz riu e deu um tapinha nele; ela sabia que aquilo definitivamente não era um pequeno detalhe.
Ele sempre era assim, guardando silenciosamente todas as preferências dela em seu coração e depois dando-lhe uma surpresa após a outra.
Quando estava com Eduardo, ela era sempre aquela que se dedicava e doava.
E, estando com Lucas, ela finalmente experimentou a sensação de ser amada, valorizada e carregada na palma da mão.
Os dias tranquilos foram abalados por uma pequena ondulação devido a uma carta enviada do país.
A carta foi enviada por Zhao, um antigo colega de equipe de Beatriz, que também foi seu aprendiz.
Na carta, Zhao começou falando detalhadamente sobre a situação atual da equipe de resgate.
Então, ele mencionou Eduardo: "Depois que o capitão Eduardo se foi, a equipe organizou seus pertences e encontrou uma caixa trancada."
"Conseguimos abri-la e estava cheia de coisas relacionadas a você."
Capítulo 20
"As luvas que você desgastou na sua primeira missão, as fotos que tiramos juntos no dia em que você recebeu a medalha Asas de Ouro, e uma pilha grossa de diários que ele escreveu escondido."
"Nos diários, desde o primeiro dia em que se conheceram até o dia em que você partiu, nenhum dia foi deixado de fora."
A voz de Zhao aos poucos se embargou, transbordando uma culpa que ele não conseguia esconder.
"Irmã Beatriz, nós todos estávamos errados, nós te devemos desculpas, não deveríamos ter acreditado em Helena."
"O capitão Eduardo, na verdade, sempre te amou profundamente, mas ele era orgulhoso demais, arrogante demais, e foi enganado por aquela mulher, Helena; um passo errado, e tudo deu errado..."
Beatriz ouviu a palavra "profundamente" e quase soltou uma risada.
Amou profundamente?
Então, um sentimento que pode ser facilmente enganado e usado para ferir outra pessoa também pode ser chamado de amor profundo.
Zhao continuou a ler: "A última página do diário foi escrita antes dele ir para a zona do terremoto."
"Ele disse que não tinha coragem de te encontrar, então só podia percorrer o caminho que você fez dessa maneira, salvando algumas pessoas, como se estivesse salvando-as em seu nome."
"Ele disse que, se a vida pudesse recomeçar, ele definitivamente nunca mais soltaria a sua mão."
No segundo seguinte, o celular de Beatriz recebeu uma mensagem de texto.
Era a lápide de Eduardo, sem foto, apenas com uma linha de texto.
"Desejo ser os ouvidos dela, guardando o silêncio por toda a vida."
Um par de braços a envolveu por trás, com um calor familiar, abraçando-a inteira.
O queixo de Lucas descansou suavemente no côncavo do ombro dela.
"Recebeu cartas de fãs de novo? O charme da Professora Beatriz é realmente algo que atravessa montanhas e mares, duradouro e eterno."