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《O Eco da Traição》Capítulo 2

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Ao abrir os olhos novamente, o nariz estava cheio do cheiro de desinfetante.

Um homem vestindo um jaleco branco e com feições gentis estava ao lado de sua cama, com as sobrancelhas franzidas.

Era seu médico cirurgião e consultor médico especial da equipe de resgate, Lucas.

"Você acordou?" Lucas largou o relatório, com uma fúria contida na voz.

Ele olhou para a mulher sem vida na cama, com as mãos cerradas em punhos ao lado do corpo, "Como se sente?"

Beatriz não falou, apenas moveu os dedos.

"Beatriz, você esqueceu como prometeu a mim que se cuidaria quando entrou na academia de resgate há dez anos!"

Lucas ficou ainda mais furioso ao vê-la assim.

"Seu implante está seriamente danificado, a operação em sobrecarga causou um leve deslocamento da estrutura interna, resultando em hipertensão intracraniana."

Distúrbio de equilíbrio permanente.

Para uma socorrista de altitude, o que isso significava era evidente.

Sua carreira de voo provavelmente terminaria ali.

O coração de Beatriz caiu pesado, direto para o fundo do poço, mas não houve surpresa.

Tudo estava dentro do esperado.

Nesse momento, a porta do quarto foi aberta de repente.

Eduardo entrou a passos largos, com o cansaço de quem acaba de terminar uma missão.

Ao ver que Beatriz acordara, sua primeira frase foi: "Helena está bem, ela só levou um susto e já voltou para o dormitório para descansar."

Beatriz olhou para ele silenciosamente, para o homem que ela amou por oito anos inteiros.

Ela falou com ele pela primeira vez.

Sua voz estava um pouco rouca por não ter falado normalmente por um longo tempo, mas cada palavra era clara.

"Eduardo, você está satisfeito?"

Eduardo foi atingido como por um raio.

Ele arregalou os olhos, olhando para ela em choque, sem cor no rosto.

"Você pode ouvir?"

Seu choque não era de alegria pela recuperação dela.

Mas sim o pânico e o medo de ter sua mentira desmascarada na hora.

Ao ver essa expressão, Beatriz sentiu seu coração morrer de vez.

Ela disse calmamente, quase com um alívio:

"Vamos nos divorciar."

Antes que Eduardo pudesse reagir, ela lançou uma bomba ainda maior.

"A socorrista mais bonita?"

Ela curvou os lábios com escárnio, "Eduardo, você checou? Naquele resgate da avalanche, Helena nem estava na área central de resgate."

"Essa glória, essa suposta dívida de vida, de quem ela roubou afinal?"

Uma sequência de perguntas atingiu Eduardo, pegando-o desprevenido.

Ele não podia aceitar que a verdade na qual sempre acreditou fosse derrubada.

E menos ainda podia admitir sua estupidez e traição diante de Lucas.

Para controlar a situação, ele mudou de expressão instantaneamente.

"Divórcio? A equipe de resgate não permite qualquer assunto familiar que afete a reputação da equipe durante o treinamento conjunto no exterior!"

Ele usou sua autoridade como capitão para recusá-la rigidamente.

Beatriz riu friamente.

Afetar a reputação?

Ele traiu o casamento e criou uma filha ilegítima, isso não afeta a reputação?

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Ao ver o escárnio em seus olhos, o pânico e a raiva de Eduardo o fizeram perder completamente a razão.

Ele atirou um documento sobre a cama de hospital de Beatriz, com a voz trêmula de fúria.

"Quer o divórcio? Tudo bem."

"Mas primeiro explique por que Helena disse que este acidente foi causado por você, por ciúmes, atrasando intencionalmente o resgate."

Capítulo 4

Vendo o semblante de Eduardo cada vez mais sombrio, Beatriz explicou apressadamente:

"Conhecemo-nos há tantos anos, ainda não sabe que tipo de pessoa eu sou?"

Beatriz encarava Eduardo fixamente, com os olhos terrivelmente secos.

Nem ela mesma percebeu que estava ofegante, e seu coração estava apertado como um nó devido à tensão.

No entanto, no fundo dos olhos de Eduardo, surgiu uma decepção de partir o coração.

Em menos de uma hora, uma ordem de investigação interna, assinada pessoalmente pelo capitão Eduardo, chegou rapidamente à base.

Alvo da investigação: Beatriz.

Motivo da investigação: Suspeita de atraso intencional na missão de resgate devido a questões emocionais pessoais, colocando em risco a segurança de companheiros de equipe.

Diante do grupo de investigação, Helena chorava copiosamente, com o rosto banhado em lágrimas.

Ela não fez uma acusação direta, apenas falou de forma vaga, insinuando constantemente que Beatriz estava nutrindo um ressentimento por ciúmes.

"Eu não sei... talvez a irmã Bia apenas tenha algum mal-entendido sobre mim..."

"Naquele dia no penhasco, acho que a ouvi dizer: por que não foi ela quem morreu..."

Ela até forjou a suposta "prova": um áudio editado e pouco claro.

Todos os companheiros de equipe que já haviam lutado lado a lado com Beatriz, enfrentando a vida e a morte juntos, ficaram em silêncio.

De um lado, a companheira de batalha com quem compartilharam perigos.

Do outro, o capitão Eduardo, a quem respeitavam e confiavam, e a "salvadora" que ele mesmo reconhecera, a patética Helena.

A balança já havia se inclinado invisivelmente; eles escolheram acreditar no capitão, acreditar na mulher que parecia tão frágil.

Assim, aqueles olhares antes cheios de confiança e dependência tornaram-se agora desconfiados, frios e até desprezíveis.

Beatriz foi suspensa de suas funções.

Todo o seu equipamento e documentos, incluindo a medalha "Asas de Ouro", símbolo da mais alta honra, foram confiscados.

Ela foi trancada na sala de confinamento da base, aguardando o resultado da investigação.

Era um quarto pequeno, com menos de cinco metros quadrados, onde apenas uma pequena janela permitia a entrada de um tênue feixe de luz.

Abandonada pela equipe, incompreendida pelos companheiros, incriminada pela própria pessoa amada.

Equipe, honra, amor; tudo o que ela protegera com a própria vida tornou-se agora sua fé.

Mas, por causa de Helena, tudo isso se uniu em um instante para engoli-la completamente.

Beatriz sentou-se encostada na parede da sala de confinamento, com flashes de memórias antigas invadindo sua mente sem controle.

Daquela vez, na montanha nevada do planalto, ela e Eduardo lideraram a equipe através da tempestade de neve e salvaram todo o grupo de alpinistas que estava à beira de uma avalanche.

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Após a missão, ao redor da fogueira, Eduardo lhe entregou a primeira batata assada e disse sorrindo:

"Somos as costas um do outro, para sempre."

Daquela outra vez, no naufrágio em águas profundas, a visibilidade subaquática era quase zero.

Foi ela quem, contando com o sonar e a audição, guiou Eduardo para encontrar os tripulantes presos.

Ao subir à superfície, Eduardo lhe deu um abraço apertado e sussurrou em seu ouvido: "Bia, sem você, eu sou um cego."

...

A confiança construída entre a vida e a morte revelou-se, afinal, tão frágil.

Beatriz baixou o olhar para esconder a decepção, querendo apenas fugir rapidamente daquele lugar.

No segundo seguinte, a porta da sala de confinamento foi aberta.

A luz ofuscante invadiu o ambiente, fazendo-a semicerrar os olhos instintivamente.

Eduardo estava parado na porta, contra a luz, segurando a mão da menininha chamada Sofia.

Ele olhou para Beatriz sem um pingo de calor nos olhos, como se visse um criminoso insignificante.

"Sofia teve um pesadelo ontem à noite."

Ele disse friamente.

"Ela disse que sonhou que você se transformou em um demônio e tentou empurrá-la do penhasco."

"Peça desculpas a ela agora."

Capítulo 5

Pedir desculpas?

Beatriz achou aquilo absurdo e ridículo.

Ela olhou friamente para Eduardo e para a menininha que se escondia timidamente atrás dele.

"Por que eu pediria desculpas se não fiz nada? Eduardo, você enlouqueceu?"

O rosto de Eduardo escureceu instantaneamente.

"Beatriz, não me force."

Helena apareceu à porta em algum momento, agachando-se para dizer algo suavemente a Sofia.

Os olhos da menina piscaram e, como se tivesse recebido alguma ordem, ela saiu de trás de Eduardo, segurando um modelo pesado de avião de metal, caminhando passo a passo em direção a Beatriz.

"Tia... desculpe... eu não deveria ter falado aquilo sobre você..."

A voz da menina parecia cheia de remorso, chegando a falhar de medo.

Ela se aproximou de Beatriz, fingindo recuar com medo, mas o modelo de avião em sua mão escapou acidentalmente.

A asa de metal rígida atingiu em cheio a ferida atrás da orelha de Beatriz, que ainda não havia cicatrizado completamente!

"Bum!" Uma dor excruciante explodiu instantaneamente!

Parecia que alguém tinha espetado um prego de ferro em brasa profundamente em seu cérebro.

Beatriz não conseguiu desviar, e uma dor violenta tomou conta de todos os seus membros.

Sob o efeito da dor insuportável, ela instintivamente moveu as mãos para se proteger.

"Ah!"

A menina Sofia caiu para trás, sentando-se no chão e começando a chorar alto.

"Mamãe, ela me empurrou, dói muito!"

Helena correu imediatamente, abraçando a filha com força, chorando desconsoladamente.

"Sofia! O que houve? Não me assuste, querida!"

E Eduardo, ao ver a menina cair, perdeu completamente o controle de sua razão.

Com os olhos queimando de raiva, ele avançou e agarrou o pescoço de Beatriz com força!

Uma sensação sufocante se espalhou pelo seu couro cabeludo até o coração; o rosto de Beatriz ficou arroxeado, e suas mãos batiam inutilmente nos braços dele.

"Não fui eu..."

Ela queria explicar, queria dizer que foi aquela criança que a atingiu de propósito!

Mas ele não lhe deu qualquer oportunidade.

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