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《O Preço de uma Mentira》Capítulo 3

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Ela lembrou-se da suposta azoospermia de Julian; na verdade, sempre houve brechas, mas ela estava cega pelo amor.

Ela tentou vestir camisolas sensuais e se esconder sob seus lençóis, dizendo que não se importava se tivessem filhos, mas ele a rejeitava com frieza;

Ela estudou minuciosamente a condição dele, procurando os melhores médicos, apenas para ser expulsa por ele;

Ela assumiu sozinha a culpa pela infertilidade e, quando foi ridicularizada pelos sogros, ele permaneceu ao lado, como se o assunto não fosse com ele;

Ela achava que tudo aquilo era apenas fruto do orgulho masculino dele, mas nunca imaginou que a fonte do desejo não era ela.

Era apenas isso.

Sem conseguir dormir, Cecília pegou o celular para verificar o progresso do visto.

O barulho no quarto ao lado já havia cessado. Ela viu uma atualização que Sofia acabara de postar nas redes sociais:

[Espero que certas pessoas entendam que produtos de segunda mão nunca substituirão o produto original.]

Após o texto, havia um emoji fazendo uma careta.

Muitas pessoas comentavam, tentando adivinhar a quem ela se referia.

Logo depois, Julian, que nunca olhava as redes sociais, comentou: [Sempre amarei apenas a Sofia.]

Cecília desligou o celular bruscamente e fechou os olhos.

A noite estava fria, mas o coração humano era mais frio ainda.

No dia seguinte, Cecília foi acordada por um barulho.

Assim que abriu os olhos, viu Sofia parada diante de sua cama, tentando tirar suas roupas. A parte superior de seu corpo já estava exposta ao ar.

"O que você está fazendo?!" Cecília esquivou-se, olhando-a chocada.

Sofia explicou, triunfante: "Este é um mestre que contratei especialmente para expulsar demônios de você."

Cecília olhou para o chamado "mestre" atrás dela; era claramente apenas um velho lascivo.

Que tipo de ritual de expulsão de demônios exigia tirar as roupas? Estava na cara que não era nada sério.

"Que demônios o quê, Sofia? Você ficou louca?"

"Quem está louca é você," Sofia encarou-a com ferocidade. "Sempre se enfiando de forma descarada entre mim e Julian. Quero ver se, quando Julian vir você com outro homem, ainda conseguirá manter sua posição de Sra. Julian."

Suas mãos avançaram novamente contra Cecília, puxando suas roupas violentamente.

Capítulo 5

Cecília, que nunca havia sofrido tal insulto, foi tomada pela raiva e desferiu um tapa no rosto dela!

"Pá!"

O som nítido ecoou pelo quarto, mas ainda mais chamativo foi o som da porta se abrindo e Julian entrando.

"O que você está fazendo?!" Julian aproximou-se com o rosto sombrio, chutou Cecília sem pensar duas vezes e puxou Sofia para seus braços para protegê-la.

Cecília caiu na cama, segurando a barriga, suando frio de dor, mas seu olhar não vacilou:

"Foi ela! Essa mulher em seus braços, para me derrubar, contratou alguém para destruir minha pureza..."

Sofia imediatamente clamou inocência em seus braços, chorando de forma lamentável: "Eu não fiz isso! Como poderia ter tal pensamento? Julian, você sabe que eu te amo e estou disposta a ser sua concubina; nunca tive intenção de roubar o lugar de Sra. Julian."

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Julian a abraçou, sua mão acariciando a marca vermelha no rosto dela, seus olhos marejados de dor:

"Sofia, fui eu quem te prejudicou. Com certeza vou te dar uma resposta."

Ele virou-se para Cecília, seu olhar esfriando repentinamente como um poço gelado prestes a causar uma tempestade:

"Sofia tem razão. Eu sei de tudo. Ela não tem dormido bem ultimamente porque você aparece em seus pesadelos, por isso ela contratou um mestre para expulsar seus demônios. E você, em vez de ser grata, tenta incriminá-la? Cecília, que coração cruel você tem!"

"Alguém! Amarrem-na!"

Um grupo de seguranças avançou para imobilizar Cecília. Ela lutou desesperadamente, mas foi em vão; foi amarrada firmemente a uma cadeira.

A mágoa e a raiva acumuladas por tanto tempo transbordaram. Cecília questionou-o: "Julian! Quando você prometeu aos meus pais que nunca permitiria que eu sofresse, eles ajudaram a família Julian a superar a crise com todo o coração. Agora que você quebrou sua promessa, como pode encarar o espírito deles?! Como pode encarar a mim!"

A expressão de Julian vacilou por um momento, com uma ponta de hesitação, mas logo sua atenção foi atraída pela voz doce em seus braços:

"Julian, ela acabou de me bater. Meu rosto ainda dói, você precisa fazer justiça por mim."

Ao ser mimado por Sofia, Julian tornou-se instantaneamente impiedoso:

"Como chefe desta casa, existem regras. Não posso te proteger, mas não agirei pessoalmente. Contudo, um castigo é necessário."

"Alguém, leve a patroa para o telhado da empresa e a tranque lá. Sem minhas ordens, ninguém pode tirá-la de lá."

A mente de Cecília explodiu. Quando foi levada para lá, ela estava completamente atordoada.

Seus pés pendiam na beira do telhado de mais de cem andares. Ela estava pálida, suando frio.

Ela tinha acrofobia, uma fobia severa de altura.

Aos dezoito anos, ela foi sequestrada por criminosos e pendurada em um prédio abandonado, sendo ameaçada e agredida por dias e noites. Quando ela pensou que morreria, Julian chegou com a polícia.

No momento em que foi salva, ela se jogou nos braços dele, agarrando suas mangas e chorando desesperadamente.

Naquela época, ele era a luz de sua vida.

Mas, desde aquele incidente, Cecília ficou com um trauma. Sempre que ela estava sozinha em um lugar alto, ela entrava em colapso emocional pelo medo.

Este era seu ponto fraco, e Julian sabia disso melhor do que ninguém.

Mas ele ainda escolheu essa forma de punição. O que ele chamou de "castigo" era, na verdade, ferir propositalmente sua cicatriz do passado.

"Julian, que coração cruel você tem."

Cecília fechou os olhos, deixando as lágrimas amargas caírem.

Se pudesse voltar aos dezoito anos, ela preferiria morrer a ser salva por ele com segundas intenções.

O medo da altura fez Cecília desmaiar rapidamente. Com uma rajada de vento, ela parecia uma boneca prestes a cair.

Na mansão Julian, Sofia apontava para um piano, admirada: "Que piano lindo, Julian, onde você comprou?"

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Julian hesitou ao olhar para o piano: "Isso foi deixado pelos pais de Cecília."

"Então acho que não posso tocar," Sofia disse com tom de pena. "Afinal, é da irmã Cecília. Como os pais dela morreram, ela deve se importar muito."

"Não tem problema," Julian puxou a mão dela e a colocou sobre as teclas com carinho. "As coisas dela são minhas, e tudo o que é meu pertence a você."

Sofia, autorizada, ficou radiante e começou a tocar.

Como vinha de uma família comum e nunca estudou artes clássicas, ela não sabia tocar piano. Apenas batia com força nas teclas, fazendo um som estridente e caótico.

Os empregados cobriam os ouvidos, mas apenas Julian achava que ela parecia uma criança adorável.

Sofia não suportou seu olhar terno e ficou envergonhada: "Julian, você realmente me ama tanto."

No auge da paixão, enquanto ela tocava, Julian a pressionou contra o piano, e eles se entrelaçaram.

Eles ficaram juntos do amanhecer ao anoitecer, sem parar, até que o trabalho na empresa acumulou. Só então Julian relutou em soltar Sofia.

Ele, vestindo um terno, foi até a sala de jantar, mas a encontrou vazia.

Julian chamou os empregados imediatamente, franzindo a testa: "O que está acontecendo? Por que não prepararam o café da manhã?"

Os empregados estavam em uma situação difícil e sussurraram: "Costumava ser a patroa quem preparava, e o senhor não nos deu ordens."

"E onde está a patroa?" Julian perguntou, irritado. "Ainda está dormindo a esta hora?"

"Jovem Mestre Julian, a patroa ainda está no telhado." O segurança lembrou-o bondosamente.

Foi então que Julian se lembrou de Cecília e disse com voz séria: "Ela sabe que errou?"

O segurança respondeu: "A patroa já está desmaiada há dois dias e duas noites."

Capítulo 6

Cecília foi carregada por várias mãos. Assim que seus pés tocaram o chão, ela recuperou a consciência, mas como não comia há dois dias, estava sem forças.

Assim que abriu os olhos, a primeira coisa que viu foi um piano sujo e desarrumado.

"Meu piano!" Ela se soltou dos seguranças e correu tropeçando em direção a ele.

Ela passou a mão pelas teclas, mas ali já não saía som algum.

Era o último item que ela tinha para se lembrar de seus pais.

"Foi você?!" A raiva substituiu subitamente o medo dos últimos dois dias. Cecília encarou Sofia, querendo matá-la a qualquer custo.

"Eu só toquei um pouco," Sofia disse, colocando as mãos na cintura, despreocupada. "Quem sabia que esse seu piano era tão podre? Acho que já estava quebrado há muito tempo."

Cecília não acreditaria em suas mentiras. Aquele piano foi um presente de formatura de seus pais, feito sob medida por artesãos talentosos, único no mundo, e ela sempre o tratou com extremo carinho.

Mas agora, o último vestígio que restava de seus pais havia acabado.

Com os olhos vermelhos, Cecília não suportou mais e avançou contra ela, jurando levar a outra consigo para a morte.

No entanto, Julian a interceptou rapidamente e lhe deu um tapa pesado no rosto.

"Chega!" O grito de Julian caiu sobre ela como um martelo. "É apenas um piano, Cecília. Não enlouqueça. Você acabou de ser solta, não me force a agir contra você de novo."

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