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《O Preço de uma Mentira》Capítulo 2

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Diante disso, Cecília não tinha como se defender.

Julian olhou para ela com desprezo e rosnou:

"Mulher venenosa!"

"Eu avisei para não machucar a Sofia, caso contrário, eu faria você pagar o preço. Agora, sofra as consequências."

"Sem as minhas ordens, ninguém pode dar tratamento à patroa."

Julian partiu com Sofia nos braços sem olhar para trás.

O ácido respingou na mão dela, mas parecia ter corroído seu coração.

Três anos de casados, ela o considerava a pessoa mais íntima, e ele não só não acreditou nela, como a viu ser destruída.

Enquanto perdia a consciência de dor, ela se lembrou do dia do casamento, quando os sinos tocaram e o padre perguntou: "Noivo, você aceita a noiva como sua esposa, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, para respeitá-la, protegê-la e caminhar com ela pelo resto da vida?"

Naquela época, Julian pegou aquela mesma mão e prometeu diante dos pais dela: "Eu aceito."

No fim, tudo não passava de uma farsa completa.

Ele enganou seus pais e a enganou também.

Capítulo 3

Quando Cecília acordou, estava nevando lá fora.

A pele de sua mão ainda doía, começando a apodrecer. Ela saiu do quarto, querendo descer para encontrar algum remédio para a dor.

Um aroma vinha da cozinha.

Ela viu Julian saindo com uma tigela de caldo de galinha. Quando a fumaça subiu, Cecília teve a ilusão, por um momento, de que ele estava indo em sua direção.

No entanto, no segundo seguinte, ele virou para o quarto de Sofia.

Do quarto vieram as exclamações de alegria de Sofia e a resposta gentil de Julian.

Cecília sorriu de si mesma e ouviu os empregados cochichando:

"Nunca vi o jovem mestre cozinhar pessoalmente. Acho que a posição de patroa mudará em breve."

"Com certeza. A senhorita Sofia carrega o sangue da família Julian, enquanto aquela lá em cima não deu um filho em três anos, quem sabe se não tem algum problema."

Mesmo acostumada com esses comentários, Cecília não pôde evitar o abalo emocional. Ela desceu as escadas, olhando friamente para os empregados.

"O que vocês estão dizendo?"

Os empregados se calaram e se dispersaram, culpados.

Cecília não perdeu tempo com eles, sabendo que era inútil discutir com gente que seguia a direção do vento. Ela apenas perguntou: "Onde está o remédio para dor?"

Ninguém respondeu. Ela mesma procurou e, sem perceber, chegou à cozinha.

O caldo de galinha na panela ainda estava fumegante, e ao lado havia várias outras panelas com tentativas fracassadas. Dava para imaginar quanto esforço Julian dedicou para preparar aquela tigela perfeita.

E ela, na verdade, já tinha tomado o caldo de galinha dele.

Naquele ano, ela teve gripe e febre, exausta, e insistiu tanto que ele finalmente aceitou cozinhar para ela.

Um caldo cru e mal feito, que ela bebeu com sangue e tudo, sem reclamar. Apegando-se àquela pequena porção de calor, ela o amou por muitos anos.

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Tomada pela emoção, Cecília pegou uma colher do caldo, mas quando o levou à boca, parou ao ouvir um grito atrás dela.

"Cecília, por que você quer roubar o meu caldo?!"

Julian veio logo atrás, e ambos pararam à porta, testemunhando aquela cena.

Como uma ladra de felicidade alheia pega em flagrante, as orelhas de Cecília queimavam de vergonha, querendo se enterrar no chão.

O olhar de Julian para ela trazia desdém e um toque de piedade.

"Julian, ela bebeu o caldo que você fez para mim," Sofia fez charme. "Era para mim e para o bebê, agora que ela bebeu, está sujo. Você tem que puni-la!"

Julian acariciou o topo da cabeça dela com carinho:

"Você decide tudo."

Sofia olhou triunfante para Cecília:

"Ouvi dizer que a irmã Cecília costumava cuidar da casa e era a mais virtuosa. Por que não deixá-la lavar as roupas de toda a casa? Isso faz parte das obrigações dela."

Julian deu um peteleco carinhoso no nariz de Sofia:

"Sofia, você é bondosa demais. Sendo assim, faça como você disse."

Ele virou-se e disse friamente para Cecília: "Como Sra. Julian, sua generosidade não chega nem aos pés da de Sofia. Acho que te acostumei mal."

Sob o pavilhão da mansão, com a neve caindo, os empregados trouxeram uma pilha de roupas imundas, jogaram-nas na bacia e ordenaram:

"Lave, rápido. A senhorita Sofia ainda vai inspecionar quando terminar."

Cecília mergulhou as mãos na água gelada. O frio penetrou em sua mão ferida, gelando e doendo até os ossos.

Outrora, todos elogiavam aquelas mãos como as de uma verdadeira dama, feitas apenas para segurar a mão do amado, não para o trabalho pesado.

Agora, com seus pais falecidos, ela vivia de favor, sofrendo humilhações, reduzida a lavar roupas para os empregados.

De vez em quando, ouvia-se o riso de Sofia e Julian ao longe. Sofia queria construir um boneco de neve, e Julian a seguia, temendo que ela escorregasse.

Ao passar por Cecília, Julian parou um pouco e, vendo sua mão em carne viva, franziu a testa inconscientemente: "Por que você não usa luvas para lavar?"

Cecília estava prestes a responder, mas ao longe veio o chamado de Sofia: "Julian, o que você está olhando? Venha logo."

Então Julian não perguntou mais e caminhou direto para Sofia.

A neve caiu no rosto de Cecília e, ao derreter, não dava para distinguir se era água ou lágrimas. Ela sorriu amargamente.

Sofia a obrigou a lavar roupas com as próprias mãos, e Julian estava ao lado.

Julian, ah, Julian. Você não tem olhos para mim, naturalmente não se lembra.

Quando não se ama alguém, até a existência dela parece ser ar.

Ainda bem que ela não acordou tarde demais. Em breve, ela partirá para viver a vida que é verdadeiramente sua.

Capítulo 4

Após ser banhada com ácido sulfúrico e, em seguida, obrigada a lavar roupas com água gelada, Cecília, como era de se esperar, adoeceu.

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Deitada na cama, com uma febre que não baixava, ela via muitas pessoas em seu delírio.

Via a si mesma, ainda jovem, apaixonando-se por Julian à primeira vista em um banquete.

Via seus pais, antes do casamento, tentando impedi-la com palavras sábias:

"Julian não é um bom partido."

Via o dia em que Julian a pediu em casamento. Ela, radiante, jogou-se em seus braços e, abraçando sua cintura, sussurrou: "Julian, eu te amo."

Naquela época, Julian a abraçou de volta, com seus cílios densos escondendo o gelo em seu olhar, aceitando o amor dela em silêncio.

Via a si mesma, após o casamento, cuidando de cada detalhe da vida de Julian, ansiosa por uma resposta.

Então, tudo se transformou em cinzas, e Cecília despertou do sonho em um estado de torpor.

Ela não abriu os olhos imediatamente, pois sabia que havia alguém ao seu lado.

Um aroma suave, como o cheiro do ar frio em um dia ensolarado de inverno, uma fragrância límpida de sabão seco ao sol da manhã.

Ela já fora tão apaixonada pelo cheiro de Julian.

Julian não disse nada, apenas sentou-se silenciosamente ao lado da cama, observando-a.

Após um longo tempo, ele estendeu a mão para cobri-la com o cobertor.

O coração de Cecília tremeu. Antes que ela pudesse abrir os olhos para mostrar que estava acordada, ouviu o empregado se aproximar:

"Jovem Mestre Julian, a senhorita Sofia disse que não está se sentindo bem e insiste em vê-lo."

Ao ouvir isso, Julian não se importou com o cobertor que cobria apenas metade do corpo dela e levantou-se imediatamente para sair.

Depois que ele partiu, Cecília abriu os olhos suavemente, com apenas decepção e cansaço no fundo do olhar.

Ele raramente cuidava dela dessa maneira. Se fosse no passado, ela certamente teria ficado feliz por vários dias.

Mas, agora, ela apenas sentia ironia. Tudo não passava de falsidade; todo o bem que ela recebia não valia a milionésima parte do que Sofia recebia.

À noite, com a garganta ardendo de dor, Cecília levantou-se para beber água e ouviu vozes vindas do quarto ao lado.

A porta não estava bem fechada. Pelas frestas, ela viu Sofia deitada na cama e Julian ao lado, massageando suavemente sua barriga.

Sofia murmurava: "Julian, faz tanto tempo que não ficamos juntos."

A mão de Julian parou bruscamente na barriga dela, sua voz rouca: "Seja boazinha, Sofia. Você está grávida, não é conveniente."

Desde que Sofia engravidou, ele nunca mais a tocou, com medo de feri-la ou ao bebê.

Sofia, sem se importar, abraçou seu pescoço fazendo charme: "Não me importa. Você não está me querendo por causa da irmã Cecília?"

"Como pode pensar assim? A única pessoa que amo é você."

Ela puxou Julian para perto, movendo-se inquietamente contra ele.

Não se sabe que ponto ela tocou, mas a respiração de Julian travou e, como se perdesse a razão, ele a colocou debaixo de si e a beijou intensamente.

Os gemidos de Sofia ecoaram subitamente pelo quarto.

Cecília não teve coragem de continuar assistindo. Ela caminhou de volta para o quarto com o copo na mão, os dedos cravando profundamente nas palmas.

A água no copo ainda parecia morna ao toque, mas ao bebê-la, parecia fria, assim como seu casamento de todos esses anos.

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