Capítulo 1
Julian e Cecília eram o casal modelo que todos na alta sociedade admiravam. Eles eram de famílias equivalentes, pareciam feitos um para o outro e demonstravam um profundo afeto.
A única pena era que, após três anos de casamento, Cecília nunca tivesse dado à luz um filho para o casal.
Lá fora, diziam que o ventre de Cecília não era fértil, mas só ela sabia que Julian sofria de azoospermia.
Justo quando ela estava sem saída, sendo pressionada pelos pais de Julian, recebeu a notícia da infidelidade do marido.
Nas fotos que recebeu, Julian acompanhava uma mulher em uma consulta de pré-natal no hospital, com um olhar de uma ternura extrema para ela.
Cecília olhou para as fotos, sentindo o coração em um turbilhão. Ela não era estranha à mulher na foto; era uma estudante que ela e Julian haviam financiado juntos.
Tanta bondade inicial, quem diria que acabaria sendo como trazer o lobo para dentro de casa.
À noite, Julian voltou para casa exalando álcool, desabou no sofá com o colarinho levemente aberto, e as marcas de beijo em seu pescoço eram impossíveis de ignorar.
Cecília não teve pressa em confrontá-lo, apenas perguntou: "Por que bebeu tanto?"
Julian respondeu: "Tive uma notícia maravilhosa."
Cecília silenciou por um instante, tirou as provas da traição e as jogou sobre ele, zombando: "É porque Sofia está grávida?"
"Você já sabe," Julian pegou as fotos, sem o menor sinal de culpa por ter sido flagrado. "Como você pode ver, é verdade."
Ao ouvi-lo admitir, Cecília sentiu-se perdida: "Por quê? Você não sofre de azoospermia?"
"A azoospermia é mentira. É impossível eu ter filhos com alguém que não amo."
Ao ouvir isso, Cecília relembrou cada detalhe após o casamento e teve uma epifania, como se fosse atingida por um raio.
Logo após o casamento, Julian a procurou com um relatório médico dizendo que sofria de azoospermia e usou isso como desculpa para evitar intimidade.
Cecília não duvidou, preocupada com a autoestima dele, e carregou sozinha o fardo da infertilidade enquanto o compreendia.
Ela suportou o desdém dos sogros e os cochichos dos outros, sem saber que tudo não passava de uma farsa.
E o fim dessa farsa era que Julian não a amava.
Cecília não conseguia aceitar e desmoronou emocionalmente: "Como você pôde me enganar? Como pôde ficar com Sofia? Ela tem namorado!"
"Não se preocupe com isso, eu vou resolver," os olhos dele brilhavam com uma posse intensa. "Esperei três anos para vê-la crescer, não aguento mais esperar."
Três anos? O coração de Cecília sentiu uma pontada fina como agulhadas.
Ele esperou por Sofia por três anos, então o que foram esses três anos dela?
Ela lembrou-se de quando foram juntos escolher os estudantes para financiar. Julian, sendo um homem tão rigoroso, escolheu Sofia sem sequer fazer uma checagem de antecedentes. Provavelmente, ele já gostava dela naquela época, e agora, tornava-se o amante de alguém.
Após anunciar a traição, Julian lançou uma bomba.
"Já que você sabe de tudo, melhor assim. Não estou tranquilo em deixar Sofia morando sozinha grávida, quero trazê-la para morar na mansão para que ela possa cuidar da gestação."
"Quanto a você," Julian mudou o tom, olhando-a friamente, "por consideração aos anos que nos conhecemos, pode continuar sendo a Sra. Julian. Não tente se vingar de ninguém. Não esqueça que o poder da família de Cecília não é mais o que era antes."
Dito isso, ele partiu de forma cruel e decisiva.
Cecília permaneceu imóvel por muito tempo, sentindo que todos aqueles anos não passaram de uma piada.
Ela conheceu Julian em um banquete de alto nível.
Naquela época, ela era cercada por playboys imersos em vinho e mulheres, de comportamento libertino. Apenas ele, não importa o quanto o mundo tentasse seduzi-lo, permanecia imperturbável, emanando uma aura de frieza e distanciamento.
Cecília foi instantaneamente atraída por aquele ar de quem não permitia aproximação, e desde então, seu olhar nunca mais pousou em outro homem.
Três anos atrás, ao ouvir que a empresa da família Julian enfrentava uma crise sem precedentes, ela ficou ansiosa, sem conseguir dormir por dias.
Por isso, quando os Julian pediram sua mão em casamento, ela ignorou a oposição da família e insistiu em se casar com ele.
Mais do que um casamento comercial, o dela e de Julian foi um ato de auxílio.
Em três anos, a família Julian superou a crise com a ajuda da família de Cecília, expandindo seus negócios até ultrapassar o poder da família dela.
Mas, no fim das contas, tudo não passou de um golpe.
Para ela, esse casamento foi uma paixão planejada há muito tempo; para Julian, foi apenas a escolha de se casar com uma mulher que não amava enquanto estava sem saída.
Muito tempo depois, Cecília enxugou as lágrimas, restando apenas a determinação vinda da decepção.
Seus pais já haviam falecido, a família dela perdera o poder, e Julian apostava que ela não conseguiria deixá-lo, que não abriria mão da posição de Sra. Julian.
O que ele não sabia era que, antes de se casar, seus pais, prevendo possíveis reviravoltas, haviam transferido uma fortuna para o exterior.
Assim que seu visto de residência permanente saísse, ela poderia deixar aquele lugar para sempre.
Capítulo 2
Levou cerca de uma semana para que a papelada do exterior ficasse pronta. Cecília saiu da embaixada soltando um suspiro de alívio.
Bastavam sete dias e ela poderia deixar Julian e recomeçar.
Ao voltar à mansão, Sofia estava dando ordens aos empregados para decorar o quarto.
"Tirem as cortinas, a cor é muito azarada."
"Levem os vasos embora, e se caírem e machucarem meu bebê?"
O empregado hesitou: "Mas a patroa gosta dessas coisas..."
"Quem manda nesta casa é a patroa ou o Julian?" Sofia parecia desdenhosa e vitoriosa. "Julian faz tudo o que eu gosto."
O empregado teve que obedecer.
De repente, Sofia viu Cecília parada à porta e caminhou até ela com elegância.
Cecília olhou para a barriga levemente protuberante dela, e seu coração foi apertado como por uma mão invisível.
"Irmã, você voltou." Sofia agia como sempre, fazendo-se de boazinha diante dela.
Mas Cecília não caía mais nessa, observando a encenação com um olhar indiferente.
"Ouvi dizer que, desde o casamento, Julian nunca tocou em você. Não admira que ele tenha sido tão intenso comigo na cama, pelo visto estava guardando energia há muito tempo," Sofia deu um sorriso tímido. "Quem diria que o Julian, parecendo tão culto, fosse tão vigoroso. Ficamos sete dias e sete noites, cheguei a desmaiar..."
Três anos de casamento, e Cecília passava noites em celibato enquanto seu marido se divertia com outra.
Cecília não suportou mais e olhou para ela:
"Chega, Sofia. Enquanto eu estiver nesta mansão, você não é a Sra. Julian, e não cabe a você vir aqui se exibir."
Dito isso, subiu as escadas sem olhar para trás.
Sofia encarou as costas dela com um olhar cheio de veneno, mas no segundo seguinte recuperou o sorriso e trouxe uma xícara de chá quente.
Era o conjunto de chá que Cecília costumava usar.
"Irmã, isso é para você. Beba este chá e vamos viver em harmonia daqui para frente, pode ser?"
Cecília não sabia o que ela tramava; ela já vira muitos clichês de jogar água quente em romances, e originalmente não queria estender a mão. No entanto, no segundo seguinte, Sofia despejou diretamente o conteúdo da xícara sobre a mão de Cecília.
Uma dor abrasadora veio, e quando Cecília baixou os olhos, viu que a pele de sua mão estava ficando preta rapidamente.
Era ácido sulfúrico!
Cecília soltou um grito, e ao mesmo tempo, Sofia caiu pesadamente no chão.
Julian, que acabara de chegar, correu ao ouvir o barulho:
"O que está acontecendo?"
"Julian, minha barriga dói tanto, não consigo me levantar." Sofia segurou a barriga, chorando com um olhar lamentável.
Julian correu, pegou-a no colo e nem notou Cecília, que estava ao lado contorcendo-se de dor.
"Como você caiu de repente?" Julian acariciou o cabelo de Sofia com uma ternura que Cecília nunca vira antes.
Ela achava que ele era apenas uma pessoa fria, sem imaginar que ele pudesse ser tão vibrante quando amava alguém de verdade.
"A irmã Cecília me obrigou a beber o chá," Sofia choramingou nos braços dele. "Eu não quis, e ela me empurrou."
"Você está mentindo, quem tentou me obrigar a beber o chá foi você—" Cecília, furiosa e ferida, reagiu instintivamente, mas congelou ao ver o olhar de Julian.
Aqueles olhos pareciam feitos de gelo.
Quando ele falou, sua voz carregava uma pressão invisível: "Que tipo de chá era esse que você forçou Sofia a beber?"
Ele olhou de perto e viu que o chá era, claramente, ácido sulfúrico.
Cecília, arrastando a mão corroída, quase implorou para que Julian acreditasse nela: "Não fui eu, realmente não fui eu, foi ela..."
Julian olhou para o rosto dela, pálido como papel, e hesitou por um momento, chamando o empregado: "Fale, foi a patroa quem trouxe este chá?"
O empregado olhou para Sofia, depois para Cecília, e respondeu de cabeça baixa: "Este conjunto de xícaras é realmente da patroa, e ninguém mais ousaria usar."