localização atual: Novela Mágica Moderno Romance A Rainha na Gaiola Capítulo 2

《A Rainha na Gaiola》Capítulo 2

PUBLICIDADE

Capítulo 2: Olhos no Escuro

O colchão de plumas na suíte master parecia um abismo de lençóis caros e travesseiros densos.

Isabella permaneceu imóvel por quase duas horas, imitando o ritmo lento e compassado de um sono profundo.

Cada terminação nervosa do corpo dela estava sintonizada com a respiração pesada do homem ao lado, captando a vibração de cada movimento dele sobre a estrutura da cama.

Gabriel dormia de costas, com um braço jogado sobre o peito nu, a pele exibindo a calmaria de quem possuía a cidade inteira sob o comando de um clique.

A silhueta dos ombros largos dele desenhava uma barreira física e imponente na penumbra cinzenta do quarto. Ele exalava a autoconfiança de quem não temia nenhuma ameaça sob o próprio teto, ancorado na certeza de que suas paredes eram impenetráveis para o mundo exterior.

Por volta das três da madrugada, um zumbido rápido e abafado vibrou na mesa de cabeceira de jacarandá.

O visor do telefone iluminou o teto com um brilho azulado por dois segundos, quebrando a escuridão estática.

Gabriel estendeu a mão com agilidade, silenciando o aparelho antes de se sentar na borda do colchão, o tecido dos lençóis farfalhando sutilmente sob o peso de seus movimentos.

Ele passou os dedos pelo cabelo castanho-escuro, estalou o pescoço e se levantou sem produzir o menor ruído contra o carpete de lã densa.

Pegou o roupão de seda escura na poltrona lateral e caminhou em direção ao corredor, atendendo a chamada em um sussurro barítono e gélido que cortou o ar como uma lâmina.

"Fale", a voz dele sumiu na escuridão da antessala antes que a porta se fechasse completamente.

No instante em que o clique suave da fechadura indicou a ausência de Gabriel, Isabella abriu os olhos no escuro.

O entorpecimento e o desespero do dia anterior sumiram, dando lugar a uma clareza cortante. Os cantos de sua boca se curvaram em uma linha rígida e os músculos de seu rosto se contraíram em uma expressão de foco absoluto.

Ela se moveu com passos felinos e descalços em direção ao closet embutido por trás das imensas portas espelhadas da suíte.

O espaço estava completamente às escuras, ladeado por fileiras de ternos de alfaiataria suspensos em cabides de madeira que pareciam sentinelas sem rosto.

Isabella não acendeu as luzes automáticas, mantendo os braços rentes ao corpo para evitar os feixes dos sensores ópticos. Ela ergueu o queixo, rastreando as quinas superiores do teto com as pupilas dilatadas.

Uma pequena lente semiesférica de vidro escuro refletia a fraca iluminação residual que vinha da vidraça da suíte.

Um sensor de movimento por infravermelho de última geração.

Isabella colou as costas na madeira fria do armário lateral, movendo-se milimetricamente para baixo da base de fixação do aparelho, exatamente no ponto morto da lente. Ela estendeu o pulso esquerdo, deixando que o feixe fino da luz da lua batesse nas facetas polidas do bracelete de diamantes.

PUBLICIDADE

O reflexo sutil e prismático das pedras desenhou no teto o ângulo exato de alcance da lente escura. Havia outro sensor idêntico no fundo do corredor, cruzando a linha de visão do primeiro para eliminar qualquer ponto de fuga.

Ela desceu o olhar, ignorando as joias expostas, até alcançar a base da marcenaria onde as gravatas de seda de Gabriel estavam organizadas por tom.

Um pequeno painel de fiação plástica, camuflado no rodapé, parecia minimamente desalinhado. Com a ponta das unhas, ela pressionou a pequena aba de pressão oculta.

O compartimento cedeu com um clique abafado, revealing o coração digital e a fiação daquela ala inteira da cobertura.

O modem principal e os roteadores piscavam com pequenas luzes verdes e rítmicas na escuridão do nicho. Isabella passou os dedos delicados pelos cabos coaxiais e pelos conectores banhados a ouro, sem desconectar nenhum para evitar o acionamento automático dos alertas na central de monitoramento de Antony.

Por trás do chicote principal de cabos de rede trançados, havia uma fiação isolada por uma blindagem de chumbo flexível preta.

O cabo era espesso, pesado e descia diretamente através da tubulação interna da laje de concreto, seguindo um curso isolado em direção ao escritório privado de Gabriel no andar inferior.

Os nós dos dedos de Isabella se fecharam ao redor do isolamento com firmeza, sentindo a vibração suave da transmissão de dados.

A linha física de espelhamento e armazenamento de dados da casa estava ali, bem debaixo de suas mãos.

...

O som distante de passos firmes e pesados ecoou no mármore do corredor externo, quebrando a calmaria da madrugada. Gabriel estava retornando da ligação.

Isabella empurrou o painel de marcenaria com a palma da mão, encaixando a trava plástica em seu lugar sem produzir o menor ruído.

Ela girou o corpo com rapidez, manteve-se colada à linha de sombra dos armários de ternos e deslizou para fora do closet antes que as luzes internas registrassem sua presença.

Seus pés tocaram o carpete da suíte master no mesmo instante em que a maçaneta da antessala começou a girar com um estalo metálico.

Com precisão cirúrgica, ela deslizou para dentro dos lençóis de algodão, puxando o edredom pesado até a altura dos ombros em um único movimento fluido.

Adotou exatamente a mesma postura estática de antes: o rosto parcialmente afundado no travesseiro, os cabelos platinados espalhados e a respiração simulada em um ritmo lento.

A porta de correr de vidro se abriu com um sussurro suave de borracha e metal.

O ar frio da varanda interna entrou no quarto junto com a silhueta alta de Gabriel. Ele parou na entrada por alguns instantes, permanecendo imóvel no escuro absoluto, com os olhos fixos na cama como se escaneasse cada centricidade do lençol à procura de irregularidades.

Satisfeito com a imobilidade da esposa, ele soltou o roupão de seda na poltrona e deitou-se novamente ao lado dela.

O colchão cedeu de imediato com o peso do corpo de Gabriel. O baque surdo do colchão ecoou na penumbra.

Gabriel estendeu o braço nu e pesado, envolvendo a cintura de Isabella com uma força possessiva que apertou o tecido de sua camisola, puxando-a para perto de seu peito quente de encontro à sua própria vontade.

O bracelete de diamantes dela pressionou-se contra o lençol gélido, machucando sutilmente a pele de seu pulso.

Isabella manteve os olhos fechados e cada músculo perfeitamente relaxado no escuro, enquanto o pulso acelerado de Gabriel marcava o tempo contra as costelas dela, como o relógio biológico de sua própria sentença.

O silêncio voltou a reinar no quinquagésimo andar, mas a escuridão já não parecia tão vazia. Cada luz piscante do closet agora tinha uma função clara na mente de Isabella.

Gabriel apertou o abraço durante o sono, um movimento inconsciente de quem reforça os nós de uma corda.

Isabella continuou imóvel, sustentando o peso do braço dele sobre seu corpo, focada apenas na imagem mental do cabo preto que corria sob o chão.

A madrugada avançou lenta pelas janelas panorâmicas de Manhattan.

Lá fora, os outdoors de Times Square mudavam de cor a cada trinta segundos, jogando flashes vermelhos e azuis contra o teto da suíte master.

Abaixo do mármore e do luxo, os dados continuavam a correr pela fibra óptica.

Isabella controlou o ritmo de seu coração, sabendo que o primeiro mapa daquela prisão estava desenhado em sua memória.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia