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《O Jogo do Desejo》Capítulo 8

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Ainda assim, ele continuava apreensivo, acariciando meus cabelos de leve: Quer que eu te leve ao hospital para uma avaliação?

Foi apenas uma noite maldormida, não precisa de todo esse nervosismo. Soltei uma risada, pensando que a funcionária da loja estava certa: César realmente me tratava muito bem. Comecei a achar que a minha chateação anterior por causa da armação com o Senhor Valter tinha sido um erro de julgamento da minha parte.

Caminhando na direção da saída, segurei de leve a manga do paletó de César e olhei para uma loja de fragrâncias. César interrompeu os passos: Gostaria de escolher um perfume?

Caminhei diretamente na direção do balcão de fragrâncias masculinas. César me segurou de leve por trás, divertido: Onde pensa que vai? Dei um sorriso charmoso: Não errei o caminho. Minha intenção era comprar algo para ele. Embora o dinheiro viesse dele, aquela era a minha forma de demonstrar afeto.

César soltou uma risada contida, puxando-me pela cintura enquanto dizia que agradecia a intenção. Em seguida, ele me conduziu até o balcão de fragrâncias femininas. As funcionárias, muito astutas, começaram imediatamente a apresentar as opções mais exclusivas e edições limitadas, com valores nada amigáveis. Durante todo o atendimento, elas praticamente ignoraram a minha presença, mantendo os olhos fixos apenas em César.

Aquele comportamento começou a me causar desconforto, e empurrei César de leve, mas ele nem percebeu. Sob os olhares atentos das funcionárias, ele pegou o cartão de crédito e ordenou que embalassem vários frascos, fazendo com que as mulheres abrissem sorrisos radiantes.

César vinha me dando presentes com frequência exagerada ultimamente, e aquilo estava começando a me sufocar. Empurrei as sacolas de volta para o balcão, adotando uma postura firme: Eu não quero estes produtos, vamos embora.

Assim que terminei de falar, uma voz ecoou logo atrás de mim.

De fato, a senhora César não combina com essas notas olfativas, o melhor seria cancelar a compra. Virei-me bruscamente e deparei-me com Lucas parado bem ali.

Ele vestia um terno perfeitamente alinhado, que destacava ainda mais sua silhueta alta e imponente. A iluminação clara da loja incidia sobre o seu rosto, realçando suas feições marcantes. Alguns homens de negócios o acompanhavam com total reverência, enquanto ele mantinha as mãos nos bolsos, acenando levemente para César em um cumprimento formal.

O olhar dele, contudo, permanecia fixo inteiramente em mim.

Esse homem era realmente um perigo. O que o meu tipo de perfume tinha a ver com ele?

Um homem tecer comentários sobre a adequação do perfume de uma mulher na presença do parce dela, sob qualquer ponto de vista, era uma atitude completamente inadequada.

Para piorar, a forma como Lucas se expressou carregava uma sutil e inegável provocação.

Olhei discretamente de relance para César e, como previsto, seu semblante mudou no mesmo instante, tornando-se extremamente rígido, emanando uma frieza cortante por todo o corpo. Dono de um temperamento profundamente possessivo, César jamais aceitaria aquele tipo de audácia vinda de Lucas.

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Capítulo 15: Má sorte

Minha face perdeu a cor por completo no mesmo instante, e as palmas das minhas mãos começaram a suar. Fiquei apavorada com a possibilidade de, por um descuido, os dois começarem a brigar ali mesmo, exatamente como havia acontecido naquele dia na residência de Lucas.

Segurei a mão de César com extrema cautela e repeti mais uma vez: Vamos embora primeiro. César não moveu os pés, mantendo o olhar fixo e perfeitamente calmo contra o de Lucas por alguns segundos. Em um instante, faíscas pareceram voar, em um clima de absoluta tensão.

A atmosfera estava pesada demais. Justo quando imaginei que os dois partiriam para a agressão física no segundo seguinte, César disse em tom profundo: Eu conheço muito bem a minha mulher.

O brilho nos olhos de Lucas diminuiu um pouco, e ele arqueou os lábios em uma risada espontânea: Não leve a sério, Senhor César, foi apenas uma piada da minha parte. A expressão dele parecia tão sincera que era impossível alguém conseguir demonstrar irritação. Era uma mudança de postura impressionante, uma técnica de primeira.

Lucas não demorou muito no local e logo foi chamado por alguém para se retirar. César recomendou que eu evitasse frequentar aquele shopping de agora em diante. Ele explicou que a Lucas Corporation vinha expandindo seus negócios recentemente, passando a investir em outros segmentos do mercado. A razão de Lucas ter aparecido ali era o fato de ele ter se tornado recentemente um dos acionistas daquele centro comercial.

Eu estava realmente com má sorte; bastou sair para um passeio despretensioso para dar de cara com ele justamente no dia da sua vistoria técnica.

Assenti com a cabeça, pois mesmo que ele não mencionasse o detalhe, eu já havia tomado essa decisão. Assim que saímos da loja de fragrâncias, César me acompanhou até o banheiro. Enquanto ele me aguardava logo do lado de fora, antes mesmo que eu pudesse secar as mãos, fui pressionada contra a parede gelada e ele começou a me beijar. O oposto completo da sua forma suave de costume, era um beijo dominador, que disputava meus lábios e minha língua, agindo como se estivesse demarcando território.

O movimento de pessoas ali era pequeno, mas, afinal de contas, ainda era um espaço público. Ofegante pelo ritmo dele, empurrei seu peito de leve: Tem pessoas passando por perto. César liberou meu corpo com a respiração ainda pesada. Tratei de fechar os botões desalinhados da minha blusa e, ao fitá-lo novamente, ele já havia recuperado sua postura habitual de frieza e distinção.

Desta vez, César fez uma advertência direta: O Lucas é um indivíduo muito perigoso, não permita que ele se aproxime de você de forma alguma.

Ergui o rosto de forma dócil: Eu sei, fique tranquilo.

Mas pensei comigo mesma: eu também não fazia a menor questão de que ele se aproximasse da minha vida; quem poderia prever que nos cruzaríamos a cada instante?

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O olhar de César carregava uma intensidade contida, fixando-se em mim como se aqueles olhos profundos e enigmáticos pudessem decifrar absolutamente tudo o que se passava no meu interior, o que me causou um leve nervosismo. Após um longo silêncio, ele desviou os olhos: Vou até o estacionamento subterrâneo buscar o veículo, aguarde-me logo na saída, seja bem comportada.

Assim que César sumiu de vista, Lucas surgiu vindo do nada. Ele se posicionou bem ao meu lado, observando de forma enigmática a direção por onde César havia desaparecido, e voltou o olhar para mim: A sintonia entre vocês dois é um pouco melhor do que eu imaginava.

Que droga, esse sujeito havia presenciado todo o nosso beijo na parede de camarote?

Minha mente foi invadida por uma indignação absoluta. O constrangimento e a irritação tomaram conta do meu peito ao mesmo tempo, a ponto de eu quase perder a postura e xingá-lo.

Lucas teceu um comentário em tom de deboche: Contudo, a Livi não acha o beijo do Senhor César um tanto limitado?

Justo quando eu estava prestes a explodir de raiva, Lucas pousou a mão no meu ombro com firmeza: Esqueceu o conselho que te dei anteriormente? Tenha muito cuidado com quem compartilha a sua cama. O sopro de ar aquecido da sua voz atingiu meu ouvido: Como a sua memória consegue ser tão fraca, hum? Enquanto falava, sua mão ousada começou a deslizar para...

A presença incrivelmente invasiva daquele homem me envolveu por inteiro, com aqueles olhos expressivos e levemente arqueados que transmitiam um brilho perigoso. Ele tinha cílios densos e longos, e suas feições pareciam perfeitamente desenhadas. Meu coração começou a bater em um ritmo totalmente desordenado e, mesmo diante daquela situação absurda, não pude deixar de notar os atributos físicos invejáveis daquele homem.

Somente quando seus lábios finos tocaram os meus é que recuperei a lucidez de forma abrupta, empurrando Lucas para longe com todas as forças.

Mais uma vez se aproveitando de mim de forma audaciosa.

Capítulo 16: Mulher entende a mente de mulher

O empurrão que dei foi carregado de força, fazendo com que Lucas recuasse alguns passos, mas ele não demonstrou a menor irritação. O homem ajeitou a gravata com total tranquilidade, encarando-me com evidente divertimento: Quanta ousadia, querendo ditar as regras justamente na minha propriedade?

Aquele olhar continuava me causando um profundo desconforto. Forcei a expressão para manter a calma e exibi um sorriso sutil: Se há algo indiscutível aqui, é que de agora em diante eu preciso ter muito cuidado é com o Senhor Lucas.

Lucas pareceu extremamente satisfeito, encostando-se à parede enquanto soltava uma risada contida que fazia seus ombros chacoalharem de leve. Era um som baixo, mas ficava evidente que ele fazia um esforço para reprimir alguma emoção interna.

Aquele comportamento era extremamente irritante. Desviei o olhar com desdém, decidi ignorar a presença dele e simplesmente dei as costas para sair dali. Felizmente ele não tentou me seguir, mas, após caminhar alguns metros, consegui ouvir a voz do homem ecoando às minhas costas, como se estivesse falando consigo mesmo: Como fui me interessar logo por alguém com esse gênio...

Ao sair do centro comercial, notei que o veículo de César ainda não estava na saída. Tentei fazer uma ligação, mas a linha dava ocupada. Pousei minha bolsa de lado e me apoiei em uma das colunas da fachada do shopping para aguardar, aproveitando o momento de espera para responder a algumas mensagens de Sara no celular.

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