localização atual: Novela Mágica Moderno O Jogo do Desejo Capítulo 2

《O Jogo do Desejo》Capítulo 2

PUBLICIDADE

Sara ficou me observando de longe e, depois de um tempo, brincou.

Até que você ficou parecendo uma profissional de verdade.

Dei um sorriso amargo de resignação.

Afinal, na posição de amante de alguém, se o mestre não estiver de bom humor, eu também não teria paz.

Minha única função era agradá-lo.

Essa era a primeira vez que ele me levava junto para tratar de assuntos oficiais.

Quando saí do shopping já passava das oito da noite. Olhei meu reflexo na tela do celular e, ainda insegura, fui a um salão tarde da noite para arrumar o cabelo antes de finalmente voltar para casa satisfeita.

No dia seguinte, quando cheguei à empresa, a secretária me conduziu educadamente até a sala de descanso. Ele parecia ter acabado de encerrar uma reunião e estava focado nos papéis quando entrei. O perfil bonito do seu rosto transmitia frieza, cálculo e genialidade.

Pensando bem, sempre achei que tive muita sorte.

Capítulo 3: Esta senhorita

Os benfeitores das outras mulheres, em sua maioria, eram homens de quarenta ou cinquenta anos, com um cheiro desagradável e calvície pronunciada. Mas o meu, até o momento, tirando o fato de ter um gênio difícil, eu achava que não tinha do que reclamar. Ele se chamava César. Com apenas trinta anos, já ocupava um cargo de extrema importância, e incontáveis figurões do mundo dos negócios precisavam observar o seu humor antes de abrir a boca ou agir.

César me viu chegar e logo me puxou pela cintura, fazendo-me sentar em seu colo.

Ele enterrou o nariz nos fios de cabelo perto do meu pescoço, respirando fundo, o que me causou um formigamento por toda a extensão da pele.

A atmosfera no aposento foi se tornando cada vez mais íntima, e César me pressionou com força contra o sofá para me beijar.

As linhas da palma da mão dele eram um pouco ásperas, mas ainda assim era evidente que se tratava de um homem que se cuidava muito bem.

Sua mão ligeiramente aquecida começou a deslizar pelo meu corpo. Antes que eu pudesse esboçar qualquer palavra, senti um súbito calafrio.

César se inclinou sobre mim de forma imponente. Pela intensidade da sua aura opressiva, percebi que ele deveria estar irritado.

Não ousei dizer mais nada, restando-me apenas aceitar a sua dominação.

Após aquele momento intenso, César envolveu meus ombros com o braço, e eu conseguia escutar os batimentos cardíacos fortes e ritmados no peito dele.

Aquela Mercedes, por que você a mandou para a concessionária?

Meu coração vacilou.

O Luizinho te contou?

Ele é o meu motorista.

A voz de César era perfeitamente neutra, sem demonstrar nenhuma emoção.

Eu não fazia ideia do que Luizinho tinha relatado a ele, mas, pela reação de César, imaginei que não deveria ter sido muito detalhado.

Com a mente inquieta, ponderei por dois segundos.

Aquele dia eu fui à festa de aniversário de uma amiga. O pessoal bebeu demais e acabaram vomitando sem querer dentro do carro.

PUBLICIDADE

Beberam no Eclipse Club?

Sim.

Meu corpo enrigidilhou. O Eclipse Club era justamente o bar onde eu havia cruzado com aquele homem.

Vocês todos não se meteram em nenhuma encrenca aquela noite, não é?

Os dedos longos de César tamborilavam levemente sobre o meu abdômen, marcando um compasso, mas, naquele instante, consegui decifrar o tom de questionamento e descontentamento na voz dele.

Por alguma razão inexplicável, tive a nítida intuição de que os acontecimentos daquela noite tinham forte ligação com ele.

É... Nós presenciamos um confronto entre duas facções rivais, e então todo mundo foi embora. Respondi com a verdade. O olhar felino e sombrio de César fixou-se em mim por um longo tempo. Por fim, ele disse em tom ponderado: Evite frequentar esse tipo de lugar de agora em diante.

Assenti prontamente com a cabeça.

César era um homem de temperamento reservado, alguém que economizava as palavras ao máximo. Aquilo era uma advertência direta para mim.

O clima na sala ficou um tanto desconfortável por um momento. Justo quando eu estava prestes a não aguentar mais a pressão, a porta bateu de leve.

Uma secretária apareceu para apressar César, dizendo que ele precisava se preparar para o banquete daquela noite. Só então ele me libertou dos seus braços. Tratei de ajeitar minhas roupas com o coração ainda acelerado e saí acompanhada dele.

A recepção era extremamente reservada, mas ficava evidente que todos os presentes faziam parte da elite mais rica e influente.

Assim que César entrou no salão, foi imediatamente puxado por algumas pessoas para conversar. Peguei uma taça de vinho tinto e comecei a caminhar pelo local sem rumo, tomada pelo tédio.

Esta senhorita...

Uma voz ressoou de repente, logo atrás do meu ouvido. Virei-me sobressaltada, e minhas pupilas se contraíram no mesmo instante.

Era o homem daquela noite.

Nós... Já nos conhecemos antes?

O homem arqueou os lábios de leve em um sorriso sutil, enquanto a armação de metal dos seus óculos refletia um brilho perigoso sob a iluminação do salão.

O senhor... Está enganado.

Pelo canto do olho, notei que César já direcionava o olhar para a nossa direção. Meu instinto me dizia para romper qualquer contato com aquele indivíduo o mais rápido possível.

Tenha uma excelente noite, senhor.

Ergui ligeiramente a taça em um cumprimento formal, girando os calcanhares na intenção de me afastar, mas o homem segurou meu braço com firmeza.

Aquela noite, na cabine do bar, era você?

Do que o senhor está falando?

Sorri e fingi total ignorância, embora meu interior estivesse em absoluto pânico.

César havia me confidenciado certa vez que sua mãe tinha fugido com outro homem quando ele ainda era muito pequeno, e, por essa razão, a traição era o que ele mais detestava no mundo.

Se ele me flagrasse em alguma atitude suspeita com o homem diante de mim, inevitavelmente desconfiaria do que ocorrera naquela noite.

Chefe Lucas, o que o senhor pensa que está fazendo?

PUBLICIDADE

Capítulo 4: Troca de favores

Antes que eu pudesse decidir como agir naquele impasse, César já havia me puxado para junto de si, envolvendo-me em seus braços em uma demonstração possessiva de autoridade.

Nada demais. Apenas achei que a senhora César guarda uma semelhança impressionante com uma antiga conhecida minha.

Se me permite a pergunta, há quantos anos a senhora César e o Diretor estão casados? Como é que nunca nos cruzamos antes?

Minha face perdeu a cor por completo no mesmo segundo.

No nosso meio, todos sabiam que as mulheres que acompanhavam os homens a esses eventos estritamente particulares eram, na maioria das vezes, apenas amantes.

A indagação daquele homem não passava de uma tentativa deliberada de me humilhar perante todos os presentes.

A legítima esposa de César pertencia a uma família influente, escolhida a dedo pela própria família dele. O prestígio dela era inquestionável.

No nosso círculo social, manter uma amante era tolerado, mas se a amante alimentasse a ousadia de tentar assumir o lugar oficial, certamente seu destino não seria nada agradável.

Fiquei totalmente sem reação, com a mente paralisada diante do dilema.

Aquele homem havia me colocado intencionalmente em uma situação sem saída.

Confirmar que eu era a esposa de César seria o equivalente a buscar a minha própria ruína.

Negar, por outro lado, faria com que eu perdesse totalmente a dignidade diante de toda aquela gente.

Contudo, o desfecho foi algo que eu jamais poderia prever.

César soltou uma risada carregada de desdém: Estes são assuntos da minha vida particular. O senhor acredita que possui alguma prerrogativa para se intrometer, Chefe Lucas?

Como diz o ditado, não se castiga quem demonstra cortesia.

Aquela era a primeira vez que eu presenciava César demonstrando irritação em público para me proteger, mas, naquele exato momento, senti um inesperado calor preencher o meu peito.

Ao longo dos meus vinte e quatro anos de altos e baixos neste mundo, aquela era a primeira vez que alguém intercedia por mim daquela maneira.

Fitando o perfil imponente de César, tratei de reprimir o tumulto que se passava em minhas emoções.

Foi apenas uma brincadeira, já que achei o rosto da senhora César familiar. O Diretor certamente não precisa se ofender por tão pouco.

O homem me avaliou com uma expressão enigmática e, não sei se foi impressão minha, pareceu enfatizar deliberadamente o título de senhora César.

César demonstrou ainda mais desagrado com a audácia, mas, antes que pudesse retrucar, o outro atendeu a uma ligação no celular e se retirou do local.

Ele me dirigiu um olhar severo que me fez estremecer por inteiro.

Felizmente, o restante do evento transcorreu sem maiores sobressaltos. Aquela recepção particular nada mais era do que uma grande feira de troca de influências e contatos. Como eu não encontrava afinidade nenhuma com o grupo de mulheres presentes, decidi caminhar sozinha até a sacada para respirar um pouco de ar puro.

O luar estava deslumbrante. O vento gelado soprava de tempos em tempos contra a janela, mas eu estava tão imersa em meus pensamentos que não sentia a menor vontade de retornar ao salão.

Rangido...

De repente, o som sutil da porta se abrindo ecoou logo atrás de mim. Ao me virar, minhas pupilas se dilataram de imediato.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia