《Minha Filha Escolheu a Empregada》Parte 4

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O corredor estava fechado.

Alarme vermelho piscando.

Sirenes ecoando.

O ar parecia pesado demais.

Daniel Monteiro agarrou Sofia nos braços.

Ela se encolheu contra o peito dele.

Pequena, vulnerável, trêmula.

Ana seguia ao lado, segurando firme a mão da menina.

“Papai…” Sofia sussurrou.

“Você está bravo com a mamãe?”

Daniel olhou para baixo.

Sofia precisava de conforto.

Ele respirou fundo.

“Não, querida. Nunca.”

O coração dele disparava.

Algo estava errado.

Tudo estava errado.

“Quem estava lá?” Daniel perguntou.

Sofia ergueu os olhos, castanhos e assustados.

“O homem.”

“Que homem?”

Ela engoliu em seco.

“Naquela noite… a mamãe chorou.”

Sofia apertou a mão de Ana ainda mais forte.

“Eu achei que estava dormindo.”

Daniel sentiu a barriga apertar.

A noite final de Isabela.

O último momento antes do acidente.

E agora cada fragmento aparecia diante dele.

“Ela estava no quarto da Ana,” Sofia continuou.

Daniel congelou.

A sala parecia girar.

Isabela… escondida.

Segura? Ou com medo?

“Ela olhou pela janela…” Sofia sussurrou, a voz quase um fio.

“…e viu um homem.”

Daniel franziu a testa.

“Um homem?”

Sofia assentiu.

Ele parou, analisando cada detalhe.

A visão de Isabela, chorando, vulnerável…

E agora sua filha testemunhando.

“Ele estava olhando a casa,” Sofia disse.

Daniel sentiu gelo percorrer a coluna.

O ar parecia ralo, pesado.

Marcus Reed, chefe da segurança, aproximou-se rapidamente.

“Precisamos bloquear todo o perímetro agora.”

Daniel assentiu.

“Todos os acessos. Nenhum entra, nenhum sai.”

Os guardas correram.

A Mansão Monteiro não parecia mais lar.

Parecia alvo.

Vigiada.

Sofia apertou os braços ao redor de Ana.

Daniel percebeu.

Não era apenas medo.

Era memória.

Percepção infantil de perigo.

“Papai…”

Sofia levantou o rosto.

“Mamãe disse que, se as luzes ficassem vermelhas, eu deveria ficar muito quieta.”

Daniel parou de andar.

O peito apertado.

“Quando ela disse isso?”

“Na semana antes do carro.”

Ana tapou a boca da menina com a mão.

Marcus olhou desconfiado.

Daniel engoliu em seco.

Isabela sabia.

Sabia que o perigo vinha.

E preparou Sofia.

Eles chegaram à biblioteca.

Daniel abriu o painel secreto.

A entrada para o bunker estava oculta.

Reforçada.

Praticamente desconhecida.

Ele hesitou.

Se alguém no Grupo Monteiro vazasse informações…

Será que sabia disso também?

“Quem tinha acesso ao esquema da mansão?” Daniel perguntou.

“Só a equipe de segurança sênior,” Marcus respondeu.

Daniel respirou fundo.

Demasiadas pessoas sabiam.

A porta deslizou silenciosa.

A escada desceu para a escuridão.

Sofia se encolheu.

“Não quero ir aí…”

“Vai ficar bem comigo,” Daniel disse.

Mas, mesmo com essas palavras, sentiu-se frágil.

Perdeu o controle.

Por meses, talvez anos.

Descendo, encontraram o bunker.

Porta de aço pesado fechada atrás deles.

O ar era denso.

O espaço parecia um apartamento de luxo, mas sem vida.

Televisores, câmeras, suprimentos, sistemas de comunicação.

Tudo pronto para emergência.

Daniel colocou Sofia no sofá.

Ela imediatamente buscou Ana.

Sempre Ana.

A visão cortou o peito dele.

Não inveja.

Não ciúmes.

Arrependimento.

Anos de culpa.

Marcus verificou os monitores.

“Câmeras operando, mas a ala leste está apagando.”

A tensão cresceu.

Daniel se aproximou.

Chuva batendo nas janelas enormes.

“Tem alguém lá fora?” Sofia perguntou, quase sem voz.

Daniel não respondeu.

Olhou para Ana.

“Vai me contar tudo?”

Ana parecia esmagada pelo peso do segredo.

“Não dá tempo,” sussurrou.

“Agora dá,” Daniel respondeu, firme.

Ela respirou fundo.

Olhou para Sofia.

“Não devemos falar aqui.”

Então um estrondo ecoou lá embaixo.

Vidros quebrando.

Gritos.

Correria.

“Leve Sofia para a sala de segurança,” Daniel ordenou.

“Não!” a menina gritou.

“Ana vai também,” ele disse calmamente.

Ana hesitou, mas seguiu.

Marcus interrompeu.

“Se é um ataque direcionado—”

“É,” Daniel completou.

A certeza queimava no peito dele.

Alguém sabia sobre Isabela.

Sobre seus segredos.

Sobre a chave.

Possivelmente sobre Ana.

Daniel olhou para Sofia.

“Ela confiava em você,” disse, olhando Ana.

“Ela confiava,” Ana confirmou, os olhos marejados.

Sofia sussurrou, quase inaudível:

“Eu sei onde a mamãe escondeu.”

Daniel imediatamente se abaixou.

“O quê?”

“Ela me mostrou,” Sofia disse, assustada.

Ana encarou a menina.

Daniel piscou para absorver a informação.

E então, com um frio que percorreu toda a espinha, Sofia acrescentou:

“O sótão… a sala da música.”

O coração de Daniel disparou.

Isabela sabia do perigo.

Ela escondeu algo.

E agora, finalmente, Sofia revelava o segredo.

O corredor ficou em silêncio absoluto.

Os alarmes continuaram a soar.

As luzes vermelhas giravam, refletindo nos rostos pálidos.

Eles precisavam se mover.

Precisavam se proteger.

Daniel olhou para Ana.

“Vamos. Agora.”

Sofia apertou a mão dela.

E juntos, correram em direção ao abrigo secreto.

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