Capítulo 19
Dois funcionários entraram imediatamente.
"Levem a senhorita de volta para o quarto. Sem a minha permissão, ela não pode sair."
As pupilas de Seraphina se contraíram abruptamente e ela olhou para o Sr. Silva sem conseguir acreditar. "O que o senhor vai fazer?"
O Sr. Silva esboçou um riso frio. "Assim que você recuperar o bom senso e aceitar a união, eu naturalmente permitirei sua saída. A família Silva a sustentou por todo esse tempo, está na hora de você dar sua cota de contribuição."
Os funcionários se adiantaram na tentativa de ampará-la, mas foram repelidos com violência.
Contudo, ela acabou subjugada pela força física de ambos, sendo conduzida para o andar superior sob restrição.
Ao passar por Enzo, direcionou-lhe um olhar gélido; não havia hostilidade em suas feições, apenas um total desapego, assemelhando-se à contemplação de um desconhecido.
O coração de Enzo foi atingido como por um golpe severo. Ele ensaiou articular alguma palavra, mas limitou-se a manter os punhos flexionados com firmeza, permitindo que ela fosse levada.
Com o encerramento do acesso, Seraphina passou a mover a maçaneta com violência.
"Abram esta porta!"
Sua voz manifestava profunda indignação. "O senhor me comercializa como um ativo para salvaguardar os interesses de sua corporação, por acaso abdicou por completo de seus escrúpulos?"
Não houve resposta, restando apenas captar de forma sutil os diálogos entre o Sr. Silva e Enzo no andar inferior.
"Enzo! Você constitui um elemento egoísta e desprovido de integridade!"
Ela esbravejava em direção ao acesso, escoando o acúmulo de tensões dos últimos dias.
Toda a postura de civilidade e moderação foi abandonada diante da intensidade de sua indignação.
"Você comprometeu minha reputação, provocou o colapso e o fim de minha avó e, no momento atual, recorre a expedientes coercitivos para impor o matrimônio, sua conduta atinge os limites da insensatez!"
Instalado na sala, Enzo captou as ofensas proferidas, experimentando uma forte sensação de opressão em seu peito, uma dor persistente que se propagava por suas reações.
Ele tinha total percepção de seus desvios operacionais e da gravidade de sua conduta, contudo recusava-se a admitir a partida dela; caso permitisse o distanciamento, ela se isolaria de sua trajetória de forma definitiva, inviabilizando qualquer reaproximação.
"Permita que ela recupere a calma."
Enzo instruiu o Sr. Silva. "Monitore as ações dela, mantendo a vedação a castigos físicos, privação de alimentos ou qualquer modalidade de agravo à sua integridade; caso contrário, suspenderei de imediato o suporte aos seus negócios."
O Sr. Silva manifestou concordância imediata de forma submissa.
No andar superior, Seraphina inspecionou as acomodações, constatando que as estruturas da janela já se encontravam totalmente bloqueadas por barreiras de madeira.
Ficou claro que as medidas haviam sido estruturadas previamente.
Ela se recolheu em um canto do aposento, sentindo o corpo ser tomado por um frio intenso.
Nos dois dias subsequentes, Seraphina iniciou uma privação voluntária de alimentos.
Independentemente da qualidade das preparações dispostas pelos funcionários, ela recusava qualquer consumo.
No crepúsculo do terceiro dia, o acesso foi acionado de forma sutil e Enzo adentrou o recinto portando um recipiente com alimento aquecido.
Sua fisionomia denotava forte exaustão visual, evidenciando a ausência de repouso no período.
"Consuma alguma porção."
Aproximou-se do leito estendendo o recipiente, adotando um tom de voz que manifestava uma suavidade incomum.
Seraphina sequer desviou a atenção e, com um movimento brusco, projetou o recipiente contra o piso; o componente de cerâmica quebrou-se com forte ruído, o conteúdo aquecido dispersando-se pelo chão e atingindo as vestes de Enzo.
"Remova isto! Recuso-me a consumir qualquer item proveniente de indivíduos com o seu perfil!"
Seu tom de voz expressava profunda rigidez.
Enzo observou os detritos no piso, suas feições demonstrando uma sutil alteração de humor enquanto tensionava os dentes.
Inclinou o corpo e segurou o pulso de Seraphina com firmeza, obrigando-a a se erguer contra a cabeceira do leito.
"Diante de sua recusa em consumir os alimentos, adotaremos outra conduta."
Ele iniciou movimentos para desalinhada seus adereços de vestuário.
Seraphina experimentou imediata inquietação, tentando se libertar por meio de reações enérgicas: "Cesse o contato físico! Enzo, libere-me imediatamente!"
Enzo ignorou os apelos, aplicando força para aproximar sua face na tentativa de estabelecer um contato íntimo.
Em meio à desordem dos movimentos, ela localizou a estrutura de um vaso sobre a mesa de cabeceira, segurando-o com firmeza para desferi-lo contra o piso.
Os estilhaços de vidro propagaram-se pelo espaço e ela inclinou o corpo para recolher um fragmento pontiagudo, posicionando-o diretamente contra a região cervical; a pele registrou imediatamente uma sutil lesão com vestígios de sangue.
"Caso insista na aproximação, causarei o fim de minha própria existência em sua presença!"
A conduta de Enzo foi interrompida de forma abrupta, suas pupilas contraindo-se de imediato.
Ele recuou passo a passo no espaço, exibindo desalento em seu semblante.
"Aversão que nutre por mim atinge esse patamar?" Seu tom de voz expressava sofrimento e inconformismo. "Para evitar a união matrimonial, você admite abdicar da própria vida?"
Seraphina eximiu-se de apresentar respostas, limitando-se a manter a retenção do fragmento com firmeza, os vestígios de sangue tornando-se mais evidentes na região cervical.
Enzo observou a determinação implacável na conduta dela, experimentando opressão em sua garganta, pronunciando com um riso amargo: "Contudo, independentemente de sua contrariedade, a formalização da união ocorrerá. Os procedimentos do noivado estão agendados para o dia de amanhã, e já realizei a notificação a todos os círculos."
Utilizou o dispositivo de comunicação para exibi-lo à frente dela.
A tela registrava o histórico de chamadas de Samuel, apresentando dezenas de tentativas de contato sem sucesso, a mais recente datada de poucos minutos atrás.
"Constate, ele persiste em sua busca por longo período."
"Contudo, mantenha a calma; providenciarei a transmissão ao vivo de nosso noivado, permitindo que ele registre os fatos diretamente para abdicar de suas intenções de forma definitiva."
Capítulo 20
A recepção do noivado foi estabelecida nas dependências principais de um refinado complexo hoteleiro da localidade.
Enzo trajava uma vestimenta formal escura de corte alinhado, realçando sua postura firme.
Ele manteve a retenção física de Seraphina para os registros da imprensa.
Seraphina encontrava-se sob o efeito de substâncias administradas previamente, apresentando total redução de suas reações físicas e incapacidade de oposição.
Com a circulação das informações sobre o noivado da destacada família Ribeiro, os canais de transmissão digital registraram imediata saturação de acessos, atingindo a marca de milhões de usuários conectados.
"O diretor apresenta excelente postura! A vestimenta formal realça seu perfil!"
"As informações anteriores apontavam uma conduta descompromissada, contudo os fatos atuais demonstram integridade e dedicação."
"A dedicação presente no olhar do diretor em relação à senhorita Silva expressa real afeto, trata-se de um cenário ideal!"
As manifestações escritas propagavam-se continuamente nos visores, concentrando elogios e felicitações.
Seraphina exibia total neutralidade em seu semblante.
O Sr. Silva, mantendo-se fora do campo de captação dos registros visuais, pronunciou em tom imperativo: "Exibo um sorriso em suas feições, evite expor nossa família ao ridículo!"
Seraphina ignorou a ordem por completo, demonstrando total indiferença em relação ao tumulto e aos registros da imprensa ao redor.
Enzo captou a oposição dela e desviou a atenção por instantes, suas feições demonstrando uma sutil oscilação emocional; em seguida, rotacionou o corpo na diretriz dos registros visuais esboçando um leve sorriso, adotando um tom de voz moderado e de grande suavidade:
"Expresso gratidão a todos os presentes que acompanham a formalização de meu noivado com Seraphina."
"Integrá-la à minha trajetória constitui a maior realização de minha existência. Nos períodos subsequentes, mobilizarei a totalidade de meus esforços para resguardar sua integridade e dedicar-lhe total consideração, sem causar-lhe qualquer agravo."
Os visores de transmissão foram ocupados por mensagens contínuas celebrando a união e demandando votos de perenidade para o casal.
Nesse exato momento, uma desordem foi registrada na entrada principal das dependências.
O fluxo de pessoas foi interrompido de forma abrupta por uma mulher de fisionomia desalinhada que adentrou o recinto de maneira descontrolada, portando uma lâmina de pequenas dimensões nas mãos.
"Seraphina Silva! Causarei a cessação de sua existência!"
Os gritos estridentes da mulher interromperam as manifestações festivas, mantendo os presentes imóveis.
As pupilas de Enzo se contraíram imediatamente e, movido por um impulso de proteção, impeliu Seraphina para a retaguarda, posicionando o próprio corpo como barreira.
O impacto ocorreu de forma direta.
A lâmina perfurou as estruturas torácicas de Enzo sem que houvesse tempo para reações defensivas; os vestígios de sangue cobriram imediatamente suas vestes escuras, escorrendo até atingir a superfície clara do piso, gerando um cenário alarmante.
"Ah!"
Manifestações de pânico e gritos propagaram-se pelo recinto, os convidados buscando evasão imediata em diversas diretrizes.
Seraphina registrou o contato do líquido aquecido em sua face, a densidade do fluido provocando-lhe total rigidez corporal.
Ela fixou o olhar no homem posicionado à sua frente, sua percepção obliterada, restando-lhe apenas captar a intensidade de seus próprios batimentos cardíacos.
A mulher manteve o olhar fixo em Seraphina: "Sua conduta dissimulada causou o colapso de minha filha e a destruição de minhas estruturas! Executarei a retaliação em favor de Sabrina!"
Tratava-se de Clarice, genitora de Sabrina.