Samuel ensaiou uma manifestação, contudo foi contido por um sinal discreto de Seraphina.
Ela avaliava que o embate com Enzo apenas ampliaria as dificuldades, conhecendo a propensão dele para estender aquelas abordagens de forma porfiada.
No período meridiano, ao seguir com Samuel para o refeitório institucional, Seraphina ocupou um assento e Enzo aproximou-se em sequência, instalando-se diretamente na vaga frontal disponível.
Seraphina interrompeu a refeição, pronunciando com serenidade: "Estamos consumindo nossos alimentos, solicitamos que ocupe outra área."
"O refeitório também constitui um espaço público, sob qual prerrogativa minha permanência seria vedada?"
Ele reduziu a distância física em relação a Seraphina, adotando um tom de voz moderado: "Seraphina, você manifestava grande consideração por mim anteriormente, qual a justificativa para negar minha permanência por breves instantes no momento atual?"
A familiaridade e a親密idade contidas no tom de voz reativaram as memórias dos eventos anteriores, provocando forte repúdio interno.
Ela deixou o assento conduzindo Samuel para fora do local, sem estender o diálogo.
Enzo observou o distanciamento dela, seus movimentos estancados no espaço, a ironia de suas feições cedendo lugar a um sutil desalento.
Nos dias subsequentes, Enzo manteve presença constante no perímetro de Seraphina.
Durante as estadas dela na biblioteca, instalava-se em assentos próximos mantendo a observação; nos períodos dedicados às produções visuais no atelier, permanecia junto ao acesso acompanhando os movimentos; e nos momentos em que ela caminhava com Samuel, acompanhava o trajeto a curta distância.
Independentemente das ordens de afastamento e da rigidez demonstrada por Seraphina, ele respondia com total descompromisso.
Seraphina experimentava profundo repúdio, contudo via-se sem alternativas para interromper a conduta dele.
Chegou a contatar as autoridades policiais, mas, tratando-se de permanência em vias públicas sem a configuração de atos de violência direta, as autoridades limitaram-se a formalizar admoestações e tentativas de conciliação.
"Enzo, qual o seu real propósito? Essa insistência inconveniente apenas intensifica meu descontentamento em relação a você."
Enzo preparava-se para articular uma resposta quando o dispositivo de comunicação emitiu uma sinalização eletrônica de urgência.
"Diretor, sua presença na sede da corporação é mandatória, enfrentamos dificuldades de gestão", o assistente informou em tom urgente. "Estruturas de relevância registraram desconformidades operacionais e os investidores demandam posicionamentos imediatos, sinalizando a destituição de sua função caso persista a ausência."
Enzo pressionou as têmporas, demonstrando fadiga mental.
O período de afastamento para a busca por Seraphina já se estendia por quase um mês, resultando na total ausência de gestão sobre as demandas corporativas.
"Compreendido", respondeu de forma ríspida. "Providencie a reserva para o transporte aéreo mais célere no período noturno, realizarei o retorno hoje."
Ao encerrar a chamada, constatou que Seraphina já havia deixado o perímetro.
Após o retorno ao país, Enzo concentrou a totalidade de seus esforços nas demandas corporativas de forma contínua para sanar as pendências acumuladas.
Durante uma reunião de negócios no período noturno, captou de forma casual o diálogo entre terceiros:
"Há informações de que a corporação sob gestão da família Silva enfrenta total escassez de recursos financeiros, realizando buscas por investidores em diversos círculos sem obter qualquer acolhimento."
O movimento de Enzo ao segurar o copo foi interrompido, uma determinação estruturando-se em sua mente de imediato.
Capítulo 18
Ele desfez-se dos compromissos de imediato e conduziu o veículo em direção à residência dos Silva.
O Sr. Silva o recebeu exibindo feições de contrariedade: "Qual o propósito de seu comparecimento? A Seraphina realizou a partida para o exterior, evite novas abordagens inconvenientes."
"Sr. Silva", Enzo acomodou-se no assento principal da sala, apresentando uma estrutura de documentos. "Meu comparecimento hoje visa apresentar-lhe uma excelente oportunidade."
"Tomei conhecimento das dificuldades financeiras que comprometem sua corporação. Estou apto a realizar um aporte de capital significativo, viabilizando a superação das desconformidades operacionais e a expansão dos negócios da família Silva."
Os olhos do pai de Seraphina manifestaram interesse imediato e ele estendeu a mão na tentativa de recolher os documentos, contudo o movimento foi retido por Enzo.
"Contudo, a eficácia do aporte depende do atendimento a uma exigência específica."
"A Seraphina deve retornar para que formalizemos nossa união. Com o assentimento dela para o matrimônio, a liberação dos recursos ocorrerá de imediato, e passarei a mobilizar as estruturas da família Ribeiro em benefício de seus negócios."
O Sr. Silva manifestou concordância imediata, sem realizar ponderações, temendo a perda da oportunidade comercial.
Naquela mesma noite, instalada no exterior, Seraphina recebeu o contato telefônico do Sr. Silva.
Desde o momento de sua partida, aquela constituía a primeira comunicação realizada por seu pai.
Ao estabelecer a ligação, o Sr. Silva emitiu uma ordem direta: "Seraphina Silva, exijo seu retorno imediato ao país."
Seraphina demonstrou descontentamento: "O senhor determinou minha partida anteriormente, qual a justificativa para demandar meu retorno no momento atual?"
Após breves instantes de silêncio, o tom do Sr. Silva tornou-se solene: "A família contratou serviços especializados para a movimentação dos remanescentes de sua mãe, visando a transferência para uma localidade de melhor风. Tratando-se de sua ascendente direta, sua presença é mandatória."
Seraphina segurou o dispositivo com firmeza.
Experimentou uma sutil desconfiança interna quanto às reais intenções.
Contudo, independentemente de haver outros propósitos por parte do Sr. Silva, tratando-se de demandas ligadas à memória de sua mãe, ela se via incapaz de formalizar uma recusa.
"Compreendido, realizarei o retorno."
Após encerrar a comunicação, providenciou de imediato a reserva dos bilhetes para o transporte aéreo.
No dia subsequente, durante os procedimentos de verificação no terminal aeroportuário, constatou a presença de Samuel portando seus pertences logo atrás na fila.
"Qual a justificativa para sua presença..."
Ela demonstrou total surpresa.
"Acompanharei seu deslocamento."
"Inconveniente, suas atividades acadêmicas demandam permanência e trata-se de uma demanda estritamente familiar..."
Seraphina ensaiou uma oposição.
"Suas demandas coincidem com meus propósitos", Samuel interrompeu as justificativas, mantendo a firmeza em seu olhar. "Não considero adequada sua viagem desacompanhada. Minha presença poderá ser útil na resolução de eventuais dificuldades."
Observando a integridade e a consideração presentes no olhar de Samuel, Seraphina experimentou uma forte sensação de acolhimento interno.
Ela conteve a emoção e assentiu de forma sutil: "Compreendido, agradeço pelo apoio."
Com o desembarque do transporte aéreo, Samuel realizou a condução dela até a entrada da residência dos Silva.
"Consolidei minha estada em um estabelecimento hoteleiro neste perímetro. Caso enfrente dificuldades, realize o contato imediatamente, evite isolar-se diante dos problemas."
Seraphina respondeu em tom moderado: "Compreendido, agradeço pelo apoio."
Após o distanciamento de Samuel, Seraphina acionou o acesso da propriedade, interrompendo a marcha diante do cenário registrado na sala de estar.
Enzo ocupava a posição central no estofado, acompanhado pelo Sr. Silva ao lado.
Uma sutil percepção de perigo alterou sua conduta e ela rotacionou o corpo de imediato na tentativa de deixar o local.
"Mantenha o posicionamento!"
O tom de voz do Sr. Silva elevou-se de forma abrupta. "O período no exterior comprometeu sua percepção das regras familiares? Aproxime-se e ocupe seu assento!"
Seraphina manteve a musculatura dorsal tensionada, suas extremidades pressionando a palma das mãos.
Ela avaliava a total inutilidade de um embate direto, que apenas ampliaria o constrangimento, optando por retornar em silêncio para ocupar uma das vagas.
O ambiente na sala permaneceu tenso por instantes até que o Sr. Silva iniciou o diálogo, adotando um tom de voz de sondagem:
"Seraphina, você guarda conhecimento das atuais condições da família, nossa corporação enfrenta severas desconformidades financeiras."
Ele interrompeu a fala por instantes, direcionando o olhar para Enzo antes de prosseguir: "O Enzo manifestou a intenção de aportar recursos para sanar as dificuldades de nossa corporação, contudo a eficácia da medida depende de uma exigência específica: a formalização da união entre vocês. Com seu assentimento para o matrimônio, as pendências financeiras serão resolvidas e a memória de sua mãe permanecerá resguardada."
Ao término do relato, Seraphina não registrou surpresa em suas reações.
Ela detinha total conhecimento do perfil do Sr. Silva, um indivíduo movido estritamente por interesses financeiros. Se na fase de agravamento da saúde de sua mãe ele já havia estabelecido novos vínculos familiares, jamais admitiria gastos com rituais tradicionais sem uma contrapartida comercial.
O pretexto de seu retorno visava apenas utilizá-la como ativo de troca para a salvaguarda da corporação.
Contudo, causava-lhe estranheza o fato de Enzo, que anteriormente protelava qualquer definição sobre o matrimônio, adotar uma conduta ativa no momento atual.
"Recuso a união."
Seraphina manifestou a negativa de forma imediata, sem realizar ponderações.
Enzo ergueu os olhos para fixá-la, suas feições demonstrando uma mescla de inconformismo e contrariedade, sua fisionomia tornando-se severa.
A aversão dela em relação a ele era total...
O Sr. Silva buscou modular o tom de voz para uma postura mais suave na tentativa de persuadi-la: "Seraphina, evite condutas obstinadas. O Enzo reconheceu os desvios anteriores e manifesta real arrependimento, a integridade de seus sentimentos é legítima. Ademais, sob as atuais condições de sua imagem pública, integrar as estruturas da família Ribeiro constitui a alternativa mais favorável."
"Dispenso tal modalidade de salvaguarda." Seraphina colocou-se de pé, recusando-se a dar continuidade à audição daquelas alegações dissimuladas. "As avaliações institucionais ocorrerão em breve e preciso providenciar a organização de meus pertences em minhas acomodações."
"Mantenha o posicionamento!" O Sr. Silva desferiu um golpe contra a mesa, sua fisionomia obscurecendo por completo enquanto emitia uma ordem em direção ao acesso: "Aproxime-se a equipe de apoio!"