Em instantes, os envolvidos iniciaram um embate físico generalizado.
O ambiente foi tomado por ruídos de impactos, ordens de interrupção e manifestações de surpresa por parte dos estudantes que transitavam pelo perímetro.
Enzo agia com total agressividade, assemelhando-se a uma criatura descontrolada.
A totalidade do sofrimento e do arrependimento acumulados por longo período manifestou-se naquele momento de forma violenta, funcionando como um escoamento para sua inquietação interna.
Por outro lado, Seraphina compartilhava uma refeição com Samuel em um estabelecimento próximo.
Samuel utilizou os utensílios de servir para dispor algumas porções de filé de peixe no prato dela. "A preparação deste prato nesta localidade apresenta muita suavidade, faça a degustação. A ausência de condimentos excessivos deve atender às suas preferências."
Seraphina ergueu os olhos expressando agradecimento.
Há três meses, logo após sua chegada para os procedimentos de ingresso, ela experimentou desorientação nas dependências da instituição, obtendo o auxílio oportuno de Samuel, que transitava pelo local.
Naquela ocasião, enquanto ela analisava as indicações cartográficas do perímetro sem obter direcionamento, ouviu uma abordagem em seu idioma materno vinda da retaguarda.
"Estudante, por acaso enfrenta dificuldades de localização?"
Um jovem com vestimenta de tom cinza permanecia a curta distância, apresentando postura firme e um olhar totalmente límpido, desprovido de segundas intenções.
Seraphina assentiu, a familiaridade do idioma reduzindo de imediato sua inquietude. "Não consigo determinar as diretrizes de acesso aos alojamentos."
"Eu me chamo Samuel, pertenço ao departamento de artes visuais."
O jovem estendeu a mão em sinal de cumprimento, recuando o gesto sutilmente em seguida para apontar uma via secundária lateral.
"O trajeto coincide com meu destino atual, realizarei a condução."
Sua conduta expressava civilidade e moderação, transmitindo segurança.
Seraphina concordou, acompanhando os passos dele.
Durante o deslocamento, Samuel evitou indagações sobre o histórico pessoal dela, limitando-se a apresentar sutilmente as estruturas arquitetônicas da instituição. Seu tom de voz permanecia moderado, assemelhando-se ao diálogo entre velhos conhecidos, sem qualquer intuito de investigar dados privados.
Ao alcançarem a entrada dos alojamentos, ele interrompeu os passos e apontou para o acesso principal. "Trata-se deste perímetro, basta formalizar o registro com a equipe de recepção para liberar o ingresso."
Seraphina expressou gratidão: "Agradeço pelo auxílio, Samuel."
"Não há de quê." Samuel manifestou uma leve timidez, uma sutil alteração de tom surgindo em suas feições enquanto fixava o olhar nela por instantes antes de desviar a atenção. "Bem... estou desprovido de atividades acadêmicas no período vespertino, permanecerei na área externa aguardando seu retorno. Caso demande assistência adicional ou pretenda familiarizar-se com as dependências da instituição, poderei realizar a condução."
Seraphina demonstrou surpresa diante da proposta, ensaiando uma recusa, contudo o jovem complementou com rapidez: "Evite qualquer sensação de obrigação, a sugestão decorre apenas do fato de sua chegada ser recente, o que pode gerar dificuldades de adaptação. Caso prefira o isolamento neste momento, realizarei minha retirada de imediato."
A transparência e a consideração demonstradas por ele sensibilizaram Seraphina, que assentiu concordando com a proposta.
O período vespertino já se encontrava avançado quando Seraphina concluiu a organização de seus pertences, constatando que Samuel permanecia na área externa conforme indicado.
Ele a conduziu a um estabelecimento de culinária oriental e, ao término da refeição, assumiu uma postura solene.
"Seraphina Silva, experimentei uma forte identificação desde o primeiro instante de nosso contato. Haveria a possibilidade de iniciar uma aproximação formal com o propósito de conquistá-la?"
Seraphina mantinha apenas o histórico de convivência com Enzo, desconhecendo que o início de um cortejo pudesse ocorrer de forma tão transparente.
Contudo, ela não se considerava apta a dar início a um novo vínculo emocional e preparava-se para manifestar sua recusa, quando ouviu as considerações dele:
"Compreendo que possa guardar restrições internas, jamais exercerei qualquer tipo de pressão sobre suas decisões. Caso admita a possibilidade, poderemos evoluir no conhecimento mútuo de forma gradual. Se, ao término do processo, constatar a ausência de afinidade, basta formalizar a recusa de forma direta; eu suspenderei as tentativas imediatamente, sem causar qualquer interferência em sua trajetória acadêmica ou pessoal."
Suas afirmações eram isentas de imposições e carregadas de consideração, diferindo por completo da conduta coercitiva e possessiva adotada por Enzo, transferindo a totalidade do poder de decisão para ela.
Observando a integridade no olhar de Samuel, Seraphina sentiu que as barreiras de sua reserva interna sofriam uma sutil abertura.
Após alguns segundos de silêncio, assentiu levemente: "Admito a tentativa."
A partir daquele período, Samuel comparecia com regularidade à entrada dos blocos de aulas para acompanhar as saídas dela, auxiliando na consolidação das anotações acadêmicas.
Constatando as dificuldades de Seraphina com o idioma local e com o histórico das manifestações artísticas, ele se propôs a prestar auxílio nos estudos. Mesmo nos momentos de isolamento mútuo, Samuel preservava rigorosamente os limites da civilidade.
A percepção de Seraphina, sob o impacto dessa convivência marcada por suavidade e consideração, passou a abdicar gradualmente de suas defesas.
"Seraphina?"
A abordagem de Samuel a reconduziu ao momento presente.
"O centro de exibição próximo à instituição iniciará a veiculação de um registro documental no período noturno, haveria interesse em acompanhar a sessão?"
Seraphina fixou o olhar no jovem, que manifestava expectativa, preparando-se para responder.
Nesse exato momento, uma estudante de cabelos claros aproximou-se com rapidez, exibindo sinais de urgência em sua fisionomia.
"Seraphina Silva! Um indivíduo que se identifica como Enzo Ribeiro encontra-se na entrada da instituição demandando sua presença, e iniciou um embate físico com os estudantes locais!"
Enzo?
Qual a justificativa para a presença dele naquela localidade?
A reação de Seraphina foi de total rigidez, seus dedos tensionando-se contra os utensílios de refeição até que suas extremidades perdessem o vigor.
Capítulo 15
Seraphina foi conduzida pelas mãos da estudante até as dependências da reitoria.
Ao abrir o acesso, constatou a presença de Enzo no recinto, apresentando escoriações faciais com vestígios de sangue e o desalinho de suas vestes.
Ao captar os ruídos dos passos, o olhar dele recuperou o vigor imediatamente.
Seraphina apresentava redução de peso corporal e os cabelos anteriormente alinhados exibiam uma ondulação sutil, conferindo-lhe uma postura mais firme.
"Seraphina, você compareceu, eu..."
"Diretor, peço escusas."
O tom de Seraphina permaneceu totalmente neutro e firme. Ela caminhou diretamente em direção à mesa da autoridade institucional, sem desviar a atenção para Enzo em nenhum momento do trajeto.
"Trata-se de um indivíduo de meu conhecimento anterior, lamento o transtorno causado à instituição."
A autoridade analisou as feições de ambos por instantes e, sem estender os questionamentos, gesticulou determinando a desocupação do recinto.
Somente ao deixarem a área interna da reitoria, Seraphina interrompeu a marcha para fixar o olhar em Enzo, seu semblante desprovido de qualquer emotividade.
"Qual o propósito de sua vinda?"
Seu tom de voz era totalmente desapegado, gerando imediata inquietação em Enzo.
Ele deu um passo à frente, sua garganta se movendo com dificuldade, adotando uma postura contida e sutilmente defensiva. "Seraphina, meu propósito é conduzi-la de volta ao país."
Seraphina esboçou um riso de desdém, seu olhar expressando total ironia.
"Enzo, supõe que permaneço sob as mesmas condições de ingenuidade do período anterior, apta a submeter-me às suas determinações?"
A fisionomia de Enzo perdeu o vigor, seus lábios se moveram na tentativa de articular uma justificativa, contudo foram interrompidos pelas considerações de Seraphina:
"Sua aproximação inicial atendeu estritamente às orientações de Sabrina, visando o colapso de minha imagem pública. O evento na montanha nevada constituiu apenas uma simulação estruturada para obter minha comiseração, e o convívio subsequente serviu para entreter a malícia de vocês. Inclusive, para compelir minha avó ao procedimento médico, sua equipe recorreu ao encaminhamento de comunicações de cunho intimidador!"
Ao fazer menção à idosa, a voz de Seraphina manifestou uma sutil oscilação, e seus olhos acumularam sinais de lágrimas.
Fixou o olhar em Enzo de forma severa, expressando hostilidade: "Minha avó sofreu o colapso e o fim de sua existência em decorrência das ações de vocês, sob qual prerrogativa você permanece isento de sanções de confinamento?"
Enzo jamais havia testemunhado tal postura por parte de Seraphina. O desespero tomou conta de suas reações e ele tentou segurar as mãos dela de forma involuntária.
"Os fatos não correspondem a essa narrativa, permita os esclarecimentos..."
"Evite o contato físico!" Seraphina rechaçou a aproximação com violência.
"Sabrina já sofre as sanções legais adequadas, foi-lhe imposta uma pena de confinamento pelo período de dez anos."
Enzo apressou-se em expor suas justificativas: "Também fui submetido a uma medida de confinamento por uma semana. Seraphina, reconheço o erro de minha conduta, tenho total percepção dos desvios cometidos. Admiti as orientações de Sabrina e agi de forma dissimulada."
Suas afirmações ocorriam de forma desordenada, o homem anteriormente arrogante adotando um tom que assemelhava-se a uma súplica naquele momento.
"Admita uma nova oportunidade, por favor. Buscarei mitigar a totalidade dos prejuízos causados, peço sua reconsideração."
Seraphina ergueu a mão e desferiu um tapa certeiro contra a face dele.
O som nítido do impacto propagou-se pelo corredor das instalações.
Enzo moveu a cabeça sob o impacto do golpe, experimentando ardência na face, contudo manteve-se imóvel, sem esboçar reação defensiva.
"Enzo, realize sua retirada."
"Evite novas abordagens inconvenientes. Indivíduos com seu perfil não fazem jus a qualquer modalidade de reconsideração."