Enzo hesitou por alguns segundos, olhou para Seraphina e exibiu um sorriso sarcástico.
"Beleza, estamos indo."
Ao desligar, ele se aproximou e envolveu a cintura de Seraphina, adotando um tom gentil. "Alguns amigos meus querem te conhecer. Afinal, eles serão os padrinhos do nosso casamento no futuro, vamos até lá?"
Seraphina esboçou um sorriso amargo internamente.
Ela sabia que eles jamais se casariam.
Ele não tinha a real intenção de desposá-la, e ela jamais se uniria a alguém tão dissimulado.
No entanto, Enzo não esperou por uma resposta e a conduziu para fora, mantendo o braço ao redor dela.
Ao chegarem ao bar, ele empurrou a porta do camarote privado. Antes que ela pudesse processar o ambiente, um balde de água fria foi jogado diretamente contra ela.
O impacto da água gelada penetrou suas roupas instantaneamente, fazendo-a estremecer de frio.
Sua camisa branca ficou completamente encharcada, colando-se à pele e evidenciando as curvas de seu corpo.
Uma explosão de gargalhadas ecoou pelo espaço, e os olhares dos homens presentes passaram a desfilar pelo seu corpo sem qualquer pudor.
"Mandou bem, Enzo! Que bela vista, você tem sorte!" Alguém comentou, batendo na mesa.
Enzo, mantendo um sorriso leve nos lábios, despiu seu paletó preto e o colocou sobre os ombros dela, ajeitando a gola sem pressa. "Não esquenta, eles só estão brincando."
Seraphina cravou as unhas na palma da mão, sentindo o nariz arder.
Aquela água estava congelante. Se ela realmente estivesse no período menstrual, estaria caída de dor naquele momento, mas Enzo já havia esquecido completamente o que ela dissera, demonstrando total indiferença pelo seu bem-estar.
Nesse instante, Sabrina se aproximou dos dois e segurou o braço de Enzo de forma possessiva. "Seraphina, que surpresa, não? O Enzo e eu somos parceiros de longa data."
Em seguida, ela olhou para Enzo com intimidade e provocação. "Acho que em breve terei que começar a te chamar de cunhado."
Ao ouvir a palavra cunhado, a expressão de Enzo obscureceu.
Ele apertou o ombro de Seraphina com tanta força que a fez soltar um gemido abafado de dor.
"Ah..."
Enzo agiu como se não tivesse ouvido, mantendo os olhos fixos em Sabrina.
"Venha lá fora comigo."
Sabrina torceu os lábios e o seguiu até a varanda de má vontade.
Instalada no canto do camarote, Seraphina conseguiu ouvir a voz alterada da meia-irmã. "Você não está realmente nutrindo sentimentos por ela, está?!"
O tom de Enzo era de puro tédio. "Não viaja, ela é só um passatempo para te divertir."
Os dois continuaram discutindo por mais algum tempo até que Enzo silenciou, encostando-se no parapeito para fumar com impaciência.
Pouco depois, Sabrina bateu a porta ao retornar e caminhou decidida até Seraphina.
Segurando dois copos de bebida forte, estendeu um deles. "Seraphina, não fique aí no canto sem falar nada. Vamos brindar, não estrague a noite."
A expressão de Seraphina permaneceu gélida. "Eu não bebo."
Sabrina arqueou as sobrancelhas, exibindo um sorriso malicioso.
"Quem não bebe sofre punição."
Dito isso, ela abriu a bolsa e puxou um maço com as fotos íntimas de Seraphina que haviam circulado na internet.
"Você está realmente famosa, Seraphina, suas fotos estão por toda parte. Uma pena que a sua falecida mãe não possa ver o sucesso da filha. Que tal se eu queimar essas fotos hoje mesmo e mandar o recado para ela no além?"
Capítulo 3
"Cale a boca!"
Os olhos de Seraphina avermelharam de fúria.
Sua mãe era sua maior sensibilidade, e ela jamais permitiria que qualquer pessoa a insultasse daquela maneira.
Com um movimento rápido, ela arrancou o maço de fotos das mãos de Sabrina, rasgando-as em pedaços pequenos, e em seguida desferiu um tapa certeiro no rosto da meia-irmã.
O som do impacto ecoou alto pelo camarote.
Sabrina cambaleou para o lado com o impacto, os cabelos desalinhados. Ao perceber o que havia acontecido, gritou furiosa: "Você teve coragem de me bater?!"
Ela avançou tentando arranhar o rosto de Seraphina, e os homens presentes imediatamente intervieram, agindo de forma parcial para proteger Sabrina.
Eles imobilizaram Seraphina contra o sofá, impedindo-a de se defender.
Aproveitando a situação, Sabrina desferiu vários tapas seguidos contra o rosto dela, insultando-a sem parar: "Sua vadia! Tão baixa quanto a sua mãe, por que vocês duas não somem da terra?!"
O rosto de Seraphina ardia violentamente, e um filete de sangue surgiu no canto de sua boca. Presa contra o estofado diante daquelas expressões cruéis, ela sentiu um frio congelante percorrer seu corpo.
Enzo entrou ao ouvir a confusão e correu os olhos diretamente para o rosto avermelhado de Sabrina.
Seu tom demonstrou preocupação imediata. "Sabrina, você está bem? Está doendo?"
Sabrina desabou em prantos em seu peito. "Está doendo muito!"
"Não chore, vou te levar ao hospital."
Sem direcionar um único olhar para Seraphina ou questionar a origem da briga, ele ergueu Sabrina e deixou o local.
Seraphina desabou no chão, erguendo a mão lentamente para limpar o sangue do lábio. O último vestígio de consideração que possuía desmoronou completamente naquele instante.
Ela esperou que o camarote ficasse totalmente vazio antes de se levantar com dificuldade para buscar atendimento médico por conta própria.
Na farmácia do hospital, deparou-se com Enzo amparando Sabrina, acompanhados pelo Sr. Silva.
Ao notar a presença de Seraphina, seu pai avançou em sua direção com o dedo em riste.
"Você teve a audácia de agredir a sua irmã! Toda a educação e os princípios que lhe foram dados não serviram para nada!"
A dor de perceber que nem mesmo seu próprio pai biológico estava disposto a ouvi-la foi imensa.
Contendo as lágrimas, Seraphina falou com a voz trêmula:
"O senhor nem sequer me perguntou o motivo e já decidiu que a culpa é minha? Foi ela quem começou, insultando a memória da minha mãe."
O Sr. Silva olhou para Sabrina.
Sabrina manteve o tom choroso. "A Seraphina me agrediu sem qualquer motivo e me ofendeu com palavras terríveis, o Enzo pode confirmar."
Enzo olhou para Seraphina e, após alguns segundos de silêncio, declarou:
"A Seraphina iniciou a agressão."
Aquelas palavras funcionaram como uma lâmina envenenada cravada diretamente no peito de Seraphina.
Ela arregalou os olhos, seus punhos cerrados tremendo incontrolavelmente.
"Enzo, você está mentindo! Você sabe muito bem que não foi assim!"
"Cale-se!"
O Sr. Silva, tomado pela fúria, apontou para ela de forma ríspida. "Diante de testemunhas, você ainda tenta negar! Hoje você aprenderá a respeitar as regras desta família na base da disciplina."
Ele segurou o braço de Seraphina com força, arrastando-a para o carro e conduzindo-a de volta até o salão ancestral da residência da família Silva.
"Ajoelhe-se! Reconheça o seu erro!"
Seraphina permaneceu de pé, mantendo a postura firme e o olhar destemido. "Eu não errei, não vou me ajoelhar."
"Isso é inaceitável!"
O Sr. Silva, com o rosto transtornado de raiva, fez um sinal para os funcionários que seguravam os chicotes. "Segurem-na! Castiguem-na até que ela peça perdão!"
Dois funcionários imobilizaram os ombros de Seraphina, forçando-a a ficar de joelhos.
Os golpes de chicote atingiram suas costas e braços repetidamente, provocando uma dor tão intensa que a fez perder quase toda a sensibilidade corporal.
Ainda assim, ela manteve os lábios cerrados, recusando-se a emitir qualquer pedido de desculpas, forçando as lágrimas a permanecerem em seus olhos.
Após inúmeros golpes, suas costas estavam em carne viva.
O Sr. Silva gesticulou para que parassem. "Vá para o seu quarto arrumar suas coisas. Assim que a viagem estiver marcada, você sairá deste país imediatamente."
Sem dizer uma palavra, ela se apoiou nas paredes para alcançar seus aposentos e começar a organizar seus pertences.
Além dos documentos essenciais, recolheu todos os presentes que Enzo havia lhe dado e os descartou diretamente na lixeira.
Em seguida, dirigiu-se ao escritório, jogou ao chão todos os livros que ele havia utilizado como pretexto para se aproximar e ateou fogo, reduzindo-os a cinzas.
Durante os dois dias seguintes, permaneceu trancada em seu quarto cuidando dos ferimentos, sem responder a nenhuma das mensagens enviadas por Enzo.
No terceiro dia, Enzo entrou em seu escritório com a familiaridade de sempre.
Ao abrir a porta, deparou-se com as prateleiras completamente vazias e os restos de cinzas no chão.
Ele estacou, surpreso.
Capítulo 4
"Seraphina, o que você está fazendo?"
A voz de Seraphina soou calma. "Nada demais, essas coisas apenas perderam a utilidade."
De qualquer forma, ela iria para o exterior na próxima semana e provavelmente nunca mais voltaria. Guardar aqueles objetos impregnados com a presença dele seria apenas tolerar um desconforto desnecessário.
Enzo imaginou que ela ainda estivesse irritada com o incidente no bar, então deu um passo à frente tentando enlaçar a cintura dela, suavizando o tom de voz.
"Ainda chateada? A Sabrina e eu nos conhecemos há muitos anos, e todos os nossos amigos sempre fazem as vontades dela. Quando nos casarmos, eu serei como um familiar mais velho para ela, então é natural dar um apoio a mais para que nossa família viva em harmonia, não acha?"
Enquanto falava, ele se inclinou na tentativa de beijar o lado do rosto dela.