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《Aprendendo a Te Amar》Capítulo 13

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A última tentativa de intervenção de Sabrina ruiu de forma definitiva.

Capítulo 16

No quarto do hospital, no silêncio da madrugada, Henrique já havia adormecido na cama de acompanhante, com uma respiração compassada.

Xênia estava recostada à cabeceira, sentindo-se bem mais disposta. Com o fim do efeito da anestesia, a incisão cirúrgica começara a doer, mas ela suportava o desconforto em silêncio.

Samuel permanecia sentado à beira do leito, concentrado em descascar uma maçã para ela.

A casca da fruta estendia-se em uma única e longa tira contínua, resultado da dedicação dele em praticar o movimento durante toda aquela tarde.

"Samuel", manifestou-se Xênia em tom brando, acompanhando a fisionomia compenetrada dele. "Sobre a apresentação regional de hoje... qual nota você daria ao seu próprio desempenho?"

"Nota seis", respondeu ele com um leve sorriso, fatiando a fruta em pequenos pedaços para oferecer a ela. "Contudo... dedicarei o resto da minha vida para elevar esse conceito até a nota máxima."

Xênia mastigava a fruta lentamente, mantendo o olhar fixo no rosto dele.

Ao longo do último mês, as transformações nas atitudes de Samuel haviam sido profundas e repentinas demais.

Ele demonstrava conhecimento de cada detalhe da rotina escolar dela, sabendo inclusive quais alunos enfrentavam dificuldades específicas ou lidavam com contextos familiares vulneráveis.

Ele detinha total domínio sobre as alterações nos exames dela de cinco anos atrás e, ao mencionar os indicadores do marcador CA199, o arrependimento em seus olhos demonstrava ser absoluto.

A forma como ele rompera os vínculos com os negócios de Sabrina fora intempestiva e definitiva, sugerindo que ele já antecipava as manobras dela.

E a dedicação e o afeto que ele direcionava a Henrique em nada assemelhavam-se à postura daquele pai distante e omisso de outrora.

A claridade do luar atravessava a janela, cobrindo o piso do quarto com uma camada prateada e serena.

Xênia contemplava aquela luminosidade e tomou a iniciativa: "Samuel, precisamos conversar."

Samuel interrompeu o movimento das mãos por um breve instante e assentiu: "De acordo."

"As suas mudanças de comportamento neste último mês foram muito intempestivas", declarou ela fixando os olhos nos dele. "Quero que me diga a verdade, qual a razão de tudo isso?"

Samuel guardou silêncio por um longo período.

Ele colocou-se de pé, retirou um envelope de papel pardo bastante volumoso de seus pertences e o posicionou sobre a mesa de cabeceira, empurrando-o lentamente na direção de Xênia.

"O conteúdo deste pacote traz os esclarecimentos que você procura."

Xênia baixou o olhar para o envelope.

Ela desfez o lacre, deparando-se com um lote de documentos e um dispositivo de gravação de áudio.

A primeira folha consistia na cópia de uma certidão de óbito, exibindo o nome de Xênia e registrando a data de falecimento em 20 de maio de 2033.

O dia correspondia exatamente às bodas de prata deles. A causa do óbito constava como asfixia por submersão.

A segunda folha trazia a transcrição digitada de um arquivo de áudio, com anotações feitas pelo próprio Samuel. O texto consistia em uma mensagem de despedida assinada por Xênia:

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"Samuel, quando você ouvir este áudio, eu provavelmente já estarei morta. Quero deixar registrados três assuntos finais: primeiro, eu nunca fugi com ninguém; segundo, eu estou doente; terceiro, coloque água na jiboia por mim."

O terceiro documento apresentava o relatório da auditoria sobre as fraudes contratuais e manipulações de dados promovidas por Sabrina, detalhando cada ação lesiva.

A quarta folha exibia a imagem digitalizada da última página dos planos de ensino, contendo as instruções escritas por ela para a hipótese de uma intercorrência cirúrgica irreversível.

A quinta folha trazia uma carta antiga escrita por Henrique na infância, exibindo traços infantis: "Se a mamãe não estiver mais aqui, o papai e eu cuidaremos um do outro."

As mãos de Xênia começaram a tremer visivelmente.

Ela segurou a cópia da certidão de óbito, com a voz demonstrando uma leve instabilidade: "O que significa tudo isto?"

"Representa a realidade da nossa existência anterior", respondeu Samuel com a voz baixa e densa. "Xênia, as minhas atitudes não mudaram por mero acaso... eu recebi a oportunidade de recomeçar a história."

Capítulo 17

Xênia ergueu a cabeça sob o impacto do espanto, com o olhar tomado de total perplexidade.

"Mencionarei inicialmente alguns detalhes de natureza estritamente particular, conhecidos apenas por nós dois", continuou Samuel, pronunciando cada palavra com grande seriedade.

"As recordações pessoais da sua falecida mãe permanecem guardadas no sótão da antiga residência da família, no interior do terceiro baú de madeira, envoltas em um tecido azul; o lote contém as alianças de prata que pertenceram à sua avó."

O semblante de Xênia demonstrou forte comoção.

Aquele fato jamais fora compartilhado por ela com nenhuma pessoa, sendo desconhecido inclusive por seu irmão, Xavier.

"A partir de agora, detalharei a ordem cronológica dos fatos daquela trajetória", explicou Samuel respirando fundo, relatando os episódios do passado de forma minuciosa.

"A data atual corresponde a 20 de maio de 2018, o nosso aniversário de cinco anos de casados."

"Pelo curso natural daquela existência, às dezesseis horas de hoje, você realizaria os exames por conta própria e detectaria a alteração inicial no marcador CA199. Por consideração aos meus compromissos de negócios, você optaria por ocultar o fato."

"Cinco anos mais tarde, em 2023, viria a confirmação do tumor pancreático em estágio inicial; dez anos depois, em 2028, o quadro evoluiria para a condição irreversível; e vinte e cinco anos depois, em 2038, no dia de nossas bodas de prata, você buscaria o desfecho nas águas do mar."

Ele acionou o dispositivo de gravação, iniciando a reprodução do arquivo de áudio.

A voz do próprio Samuel ecoou pelo recinto, transmitindo um profundo sofrimento e desespero:

"Xênia, aqui é o Samuel. Se esta mensagem chegar até você... me perdoe por ter agido com total cegueira e frieza por trinta anos."

"Eu tive acesso ao seu laudo médico, ouvi o seu desabafo e compreendi a extensão das armações da Sabrina... mas você já não está mais aqui para receber o meu pedido de perdão."

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A reprodução foi encerrada.

O quarto do hospital foi tomado por um silêncio absoluto.

Xênia tremia intensamente, e as lágrimas começaram a correr de forma incessante por suas faces.

"Então... naquela existência anterior... o meu momento final foi marcado por muito sofrimento físico?", indagou ela com a voz extremamente baixa e debilitada.

Samuel, com o semblante banhado de lágrimas, acenou negativamente: "Eu não detenho essa informação com exatidão. Restou-me apenas a certeza de que a sua partida foi definitiva e desoladora."

"As condições do corpo após a submersão impediram qualquer aproximação visual, e as suas instruções finais exigiam expressamente que nem eu e nem o Henrique tivéssemos acesso àquela fisionomia."

"E o Henrique?", questionou ela com profunda angústia.

"Ele manteve um severo distanciamento de mim por três anos", relatou Samuel com o semblante tomado de culpa. "O restabelecimento da nossa convivência só ocorreu quando ele localizou o lote de cem cartas guardado entre os seus pertences; na mensagem de número oitenta e sete, você registrou: 'Não guardo arrependimentos pela nossa união, pois ela me trouxe o Henrique', e esse detalhe permitiu que ele me estendesse o perdão gradualmente."

Xênia não conteve a emoção e desabou em um pranto doloroso.

Ela parecia absorver toda a solidão e o desamparo vivenciados por sua própria presença naquela trajetória anterior, suportando as dores do corpo e o peso do abandono em absoluto isolamento.

Samuel ajoelhou-se ao lado do leito, envolvendo-a em um abraço terno enquanto repetia sucessivas vezes: "Me perdoe... Xênia, me perdoe por tudo..."

Após um longo período de comoção, Xênia controlou o pranto gradualmente.

Ela ergueu o rosto marcado pela emoção, tocando a face de Samuel de forma carinhosa, manifestando-se em tom brando:

"Samuel, você consegue mensurar que, no exato instante em que você invadiu a sala de coleta para interromper o procedimento, eu fui tomada por um imenso receio?"

"Qual seria o motivo?"

"O receio de estar vivenciando mais uma ilusão passageira", revelou ela com total sinceridade. "O medo de acordar e me deparar novamente com aquele Samuel distante e frio, que ignorava os meus sentimentos e destinava toda a atenção e cuidado a terceiros."

Samuel segurou a mão dela com firmeza, posicionando-a contra o próprio peito para que ela acompanhasse os batimentos firmes de seu coração:

"Sinta a pulsação, a realidade atual é sólida e verdadeira. O meu compromisso com você é real."

"Xênia, nesta existência, eu jamais me afastarei de você e não permitirei que nenhuma contrariedade atinja a sua trajetória."

Xênia fixou os olhos nos dele, percebendo a total sinceridade de suas palavras, e retirou um envelope que mantinha sob o travesseiro, posicionando-o à frente dele.

O pacote continha o documento de acordo de divórcio redigido por ela, com a data de 19 de maio de 2018.

Ou seja, o dia anterior.

As condições propostas eram diretas: ela abria mão de qualquer compensação financeira, solicitando exclusivamente a guarda do filho, Henrique.

"A minha determinação inicial, caso os laudos confirmassem uma gravidade irreversível, era providenciar o divórcio de forma velada, evitando me tornar um fardo nos seus compromissos", explicou ela com serenidade. "Contudo, diante das circunstâncias atuais..."

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