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《Aprendendo a Te Amar》Capítulo 10

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O montante apurado totalizou milhões, e ele exigiu o ressarcimento integral.

Segundo, assumiu a preparação para conduzir as aulas da turma de formandos.

Ele passou as madrugadas estudando minuciosamente os planos de aula detalhados por Xênia, memorizando cada tópico de conteúdo, as principais dúvidas dos alunos e as abordagens de ensino.

Dedicou-se também a estruturar esquemas de revisão com base nos exames dos anos anteriores.

Terceiro, dedicou tempo ao filho.

Ele esteve presente nas atividades de integração da creche, descobrindo que o menino gostava de super-heróis, sentia receio de tempestades e necessitava de um urso de pelúcia para adormecer.

Durante o evento escolar, Henrique manteve a mão firmemente unida à dele o tempo todo, exibindo um olhar brilhante de satisfação.

À noite, ao acomodar o filho na cama, o pequeno indagou: "Papai, você vai continuar aqui com a gente e com a mamãe para sempre?"

Samuel ajoelhou-se ao lado da cama e estendeu o dedo mínimo: "O papai te dá a palavra de honra de que estará sempre presente na vida de vocês. Vamos selar o compromisso?"

"Compromisso firmado, para sempre!", exclamou o garotinho enlaçando o dedo dele com força, completando o gesto com um toque de aprovação.

Mais tarde, enquanto Samuel revisava os materiais de aula no escritório de madrugada, Xênia abriu a porta silenciosamente e pousou uma xícara de leite morno sobre a mesa: "Não ultrapasse os limites do cansaço."

Samuel ergueu os olhos para contemplar o semblante sereno dela e ponderou: "Xênia, eu tenho conhecimento de que a Sabrina te procurou no passado."

Xênia interrompeu o movimento das mãos.

"Ela tentou te convencer de que o meu sentimento era direcionado a ela e que a nossa união fora apenas por conveniência", continuou ele segurando a mão dela. "Aquilo era uma mentira deslavada. Reconheço que agi com frieza e distanciamento por muito tempo, mas nunca houve esse tipo de ligação com ela. O meu afeto sempre pertenceu a você; eu apenas fui tolo o suficiente para agir como se a sua presença estivesse garantida para sempre."

Xênia guardou silêncio por um longo período.

"Samuel", manifestou-se com a voz mansa, "a minha intenção inicial, caso os laudos confirmassem um quadro irreversível, era providenciar o divórcio de forma discreta, para não me tornar um estorvo na sua rotina."

Ela retirou um envelope do bolso da roupa.

No interior, estava o documento de acordo de divórcio devidamente assinado por ela, com a data do dia anterior.

"Mas diante da situação atual...", ela começou a rasgar o papel em pedaços na presença dele.

Os fragmentos de papel caíram como flocos de neve sobre o piso do cômodo, dissipando as barreiras e desconfianças que se acumularam entre os dois.

"Vamos iniciar uma nova trajetória a partir de hoje."

Samuel a estreitou em um abraço apertado e profundo, como se quisesse integrá-la à sua própria existência.

"Sim", respondeu com a voz embargada. "Uma nova trajetória. Dedicarei o resto da minha vida para te demonstrar todo o meu afeto."

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Capítulo 13

A sala de aula estava tão silenciosa que seria possível ouvir a queda de uma agulha.

Samuel posicionou-se diante do tablado do professor, tendo às suas costas os tópicos anotados por Xênia no quadro-negro e, à sua frente, cinquenta pares de olhos carregados de desconfiança.

"Olá a todos", manifestou-se com a voz firme e equilibrada. "Eu sou o marido da Professora Xênia, Samuel. Durante o período de convalescença dela, eu assumirei a condução das aulas."

Cochichos espalharam-se instantaneamente pelas carteiras:

"O marido da Professora Xênia? Ele não é um grande empresário?" "Ele tem capacidade para lecionar literatura?" "Em um momento tão crucial para o exame final, isso só pode ser uma brincadeira."

Um jovem sentado na primeira fileira ergueu a mão e questionou com total franqueza: "Senhor, o senhor realmente sabe lecionar literatura? Nós não podemos nos dar ao luxo de perder tempo agora."

Samuel assentiu com serenidade: "Não, eu não sei."

Um suspiro coletivo de desilusão ecoou pelo ambiente.

"Mas eu vou aprender", continuou ele erguendo o calhamaço de planos de ensino. "Este material representa a essência de trinta anos de dedicação da Professora Xênia ao magistério. Cada tópico de conteúdo traz anotações detalhadas sobre as principais dúvidas de vocês, os pontos que exigem maior foco e as propostas de aprofundamento. Eu seguirei rigorosamente as orientações dela, aprendendo palavra por palavra, para acompanhá-los até o exame de acesso à faculdade."

Ele abriu o plano de ensino e projetou o conteúdo na tela.

Ao avançar até a lição sobre o texto clássico de dedicação familiar, as observações em tinta vermelha feitas por Xênia destacavam-se na página:

"Dar total enfoque ao trecho que aborda a dependência mútua e vital entre os familiares, estabelecendo uma conexão com a realidade dos estudantes e seus próprios pais para despertar a empatia."

Ao lado daquela instrução, notava-se uma linha escrita com traços miúdos, um registro espontâneo dela:

"Hoje o Henriquinho comentou que sente saudades do pai; expliquei a ele que o Samuel está sobrecarregado com os compromissos da empresa. Na verdade... eu também gostaria que ele dedicasse mais tempo ao nosso filho."

O silêncio tornou-se absoluto na sala de aula.

A voz de Samuel embargou levemente: "A Professora Xênia não é apenas a educadora de vocês, ela também tem sido a minha orientadora nesta trajetória. Ela me ensinou o verdadeiro sentido da responsabilidade e da sensibilidade, contudo... eu compreendi a lição tarde demais."

Ele ergueu o olhar, demonstrando firmeza:

"Hoje dedicaremos a nossa aula a este texto clássico. O autor abriu mão de cargos de grande prestígio e vantagens financeiras para se dedicar exclusivamente ao amparo de sua idosa familiar. Sob a minha perspectiva, essa escolha assemelha-se a um profissional de destaque que opta por declinar de uma promoção corporativa em prol das demandas do seu lar — não por falta de capacidade técnica, mas por priorizar um compromisso afetivo mais relevante."

"Para vocês, o compromisso mais relevante no momento atual consiste na preparação para o exame final; para a Professora Xênia, o futuro de vocês constitui a sua maior responsabilidade; e, para mim, o meu compromisso resume-se em aprender a valorizar a pessoa que está ao meu lado."

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Utilizando elementos de sua própria vivência, ele explicou os conceitos de lealdade e compromisso contidos na obra de forma simples e profunda. Os estudantes acompanhavam a explicação com total atenção, e nenhuma contestação voltou a surgir.

Ao abordar o trecho que descrevia a mais profunda solidão e o isolamento de um indivíduo, Samuel travou repentinamente.

Na vida anterior, após receber o diagnóstico, quando suportava as dores físicas em silêncio e enfrentava a total indiferença dele, teria ela se sentido exatamente daquela maneira, desamparada e solitária?

Sentindo os olhos arderem instantaneamente, ele virou-se de costas para o quadro-negro na tentativa de conter a emoção.

"Professor Samuel...", Caio, o líder de classe, manifestou-se erguendo a mão com cuidado. "O senhor nutre um afeto muito profundo pela Professora Xênia, não é?"

Samuel virou-se novamente, já com o semblante controlado, deixando transparecer apenas o peso do arrependimento: "Um afeto imenso. Mas compreendido tarde demais."

O sinal de encerramento da aula ecoou, mas nenhum estudante fez menção de se levantar.

Caio colocou-se de pé e declarou com firmeza: "Professor Samuel, nós depositamos total confiança no senhor! E também na Professora Xênia! Dedicaremos o nosso máximo esforço para não decepcioná-la!"

"Sim! Nós nos empenharemos ao máximo!", exclamou a turma em uníssono.

Samuel contemplava aqueles jovens, vislumbrando o sentimento de realização e orgulho que Xênia costumava experimentar diariamente.

Ele segurou um pedaço de giz e anotou no quadro-negro:

"Meta: Conquistar os primeiros lugares em desempenho no estado. Compromisso firmado por: Samuel (Professor Substituto)."

Os estudantes aproximaram-se em lotes para adicionar as suas próprias assinaturas ao quadro.

Na extremidade do corredor, Xênia observava a cena discretamente.

Ela acompanhava os movimentos daquele homem que, mesmo sem jeito na função, demonstrava total dedicação no tablado; viu as lágrimas dele e a forma como fora acolhido por seus alunos, sentindo o pranto correr por suas faces de forma silenciosa.

O celular vibrou, exibindo uma mensagem de texto enviada por Samuel:

"Para a primeira aula, conquistei uma nota de aprovação?"

Ela controlou a emoção e respondeu com um semblante sereno:

"Nota sete. Contudo... pela total autenticidade dos sentimentos, consideremos uma bonificação extra."

A resposta chegou de imediato:

"Dedicarei cada segundo para alcançar a nota máxima."

Xênia fixou os olhos na tela do aparelho, deixando que as lágrimas corressem novamente em meio a um sorriso.

Desta vez, era um pranto reconfortante.

Alta madrugada no escritório de casa, Samuel continuava concentrado na correção dos diários semanais dos alunos.

Em um dos registros, um estudante anotou:

"Hoje o Professor Samuel demonstrou muita emoção em sala, descobri que os adultos também enfrentam momentos de grande fragilidade. Professora Xênia, restabeleça a sua saúde o quanto antes, todos estamos sentindo a sua falta."

Samuel segurou a caneta vermelha e adicionou uma observação detalhada:

"A Professora Xênia retornará muito em breve. Pois ela tem plena consciência de que seus alunos e seu marido aguardam o seu retorno para casa."

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