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《Aprendendo a Te Amar》Capítulo 6

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Ele estava no meio de uma ligação telefônica e respondeu com desdém: "Que bobagem".

No entanto, ela realmente cuidou daquela planta por vinte e cinco anos. De uma pequena muda, os ramos cresceram até cobrir metade da parede. Ela colocava água semanalmente, adicionava adubo todos os meses e, mesmo quando esteve debilitada, carregava o vaso consigo dizendo que "não podia deixar que ela morresse também".

Enquanto ele, jamais tocara naquele vaso uma única vez.

Absolutamente nenhuma vez.

"Sr. Samuel." A voz do legista o trouxe de volta à realidade. "Há mais um detalhe... A necropsia apontou que o tumor pancreático da Sra. Xênia já havia sofrido metástase generalizada, atingindo o fígado, os pulmões e a estrutura óssea. O parecer médico indica que os últimos meses de vida dela... devem ter sido extremamente dolorosos."

Samuel ergueu a cabeça abruptamente: "Dolorosos?"

"Sim. O câncer pancreático em estágio avançado causa um nível de sofrimento físico considerado um dos mais elevados na medicina. Os pacientes geralmente dependem de doses massivas de analgésicos potentes apenas para tentar suportar o quadro." O legista apontou para as cartelas vazias no saco de evidências. "Encontramos estes invólucros na gaveta do escritório dela; são todos de analgésicos de tarja preta. Pela quantidade estimada, ela provavelmente enfrentava dores lancinantes diariamente enquanto continuava trabalhando no último mês."

Dores lancinantes.

Trabalhando.

Samuel recordou-se da última quarta-feira, quando passou em casa para buscar uma pasta de documentos e viu Xênia debruçada sobre a escrivaninha, com o rosto completamente pálido. Na ocasião, ele ainda a ironizara: "Ficou viciada em se fazer de doente?".

Ela não respondeu nada; apenas ergueu o corpo lentamente e continuou corrigindo as tarefas dos alunos.

Agora ele compreendia — aquilo nunca fora uma encenação.

Era ela reunindo as suas últimas forças para cumprir o seu compromisso como educadora.

"E tem mais uma constatação...", hesitou o médico. "O estômago apresentava-se quase totalmente vazio, exibindo apenas vestígios mínimos de dieta líquida. Isso significa que ela passou pelo menos dois dias sem conseguir ingerir nenhuma refeição sólida antes de falecer."

Samuel fechou os olhos.

Ele se lembrou de que, nos meses recentes, Xênia havia emagrecido a ponto de as clavículas ficarem excessivamente proeminentes. Ele imaginara que se tratava de uma dieta estética e até zombara dizendo "por que inventar moda nessa idade?".

Na verdade, não era vaidade.

Ela simplesmente não conseguia mais comer.

Ela estava definhando até a morte por inanição.

"Ah!..."

Samuel explodiu em fúria, desferindo um soco violento contra a parede de alvenaria.

O som dos ossos da mão se partindo ecoou de forma nítida, e o sangue brotou instantaneamente, mas ele não foi capaz de sentir a dor física.

Comparada à dor que dilacerava o seu peito, aquele ferimento não significava absolutamente nada.

"Sabrina...", ele sibilou entre dentes, os olhos injetados de sangue. "Eu vou fazer você pagar por isso!"

Nesse exato momento, o celular vibrou.

O visor exibia o nome "Sabrina", acompanhado do envio de uma fotografia — ela aparecia vestindo uma camisola de seda, deitada na cama do quarto de casal da casa dele, tendo como plano de fundo o quadro com a foto de casamento dele com Xênia.

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A mensagem dizia: "Samuel, agora que ela sumiu do mapa, nós finalmente podemos assumir nossa relação sem esconder de ninguém!~ Estou aqui na frente da sua porta, abre para mim!~"

Samuel encarou aquela imagem e, de repente, soltou uma gargalhada.

Uma risada descontrolada, carregada de desespero.

Enquanto ele enfrentava o pior momento de sua existência, a mulher responsável por encurralar a sua esposa estava deitada na cama dela, aguardando para assumir o seu lugar.

Que situação irônica.

Que atitude desprezível.

Capítulo 8

A noite já havia caído completamente quando Samuel conduziu o carro de volta para casa.

Ainda de longe, ele avistou Sabrina parada junto à entrada da residência, vestindo aquela camisola de seda fina, encolhida por conta do vento frio da noite, mas ainda assim ocupada em ajeitar os cabelos olhando para a tela do celular.

No instante em que os faróis do veículo a iluminaram, os olhos dela brilharam e ela correu em direção ao carro.

"Samuel! Você finalmente retornou! Eu fiquei te esperando por..."

Antes que ela pudesse concluir a frase, Samuel saltou do automóvel, agarrou-a pelo pescoço com força e a prensou violentamente contra a folha da porta.

"Cof... Samuel... o que é isso... solta..."

Sabrina arregalou os olhos tomados de pânico, batendo com as mãos desesperadamente contra os braços dele para tentar se desvencilhar.

Samuel aproximou o rosto, a voz saindo em um tom gélido: "Foi você quem substituiu o laudo médico da Xênia?"

Sabrina empalideceu: "Que laudo... eu não faço ideia..."

"A imagem digitalizada e borrada do exame que apareceu na conta de arquivos virtuais dela, foi você quem invadiu o sistema para inserir?"

"Eu não fiz isso..."

"Aquela fotografia nossa juntos em um hotel, foi você quem fez a montagem?"

"Samuel, me deixa te explicar..."

"E tem mais!", Samuel aumentou a pressão da mão, fazendo o rosto de Sabrina ficar congestionado. "Você subornou os funcionários daquele resort em Búzios para forjar o bilhete que ela supostamente deixou?"

As lágrimas começaram a correr pelos olhos de Sabrina, e ela balbuciou com dificuldade:

"Eu... eu fiz tudo por amor... eu só queria abrir os seus olhos para que percebesse que ela nunca mereceu o seu cuidado..."

"Nunca mereceu?"

Samuel soltou uma risada amarga, as lágrimas misturando-se ao semblante transtornado. "Sabrina, você tem noção de que ela pensou no meu bem-estar até o último segundo de vida?"

"Ela omitiu a gravidade da doença para não se tornar um fardo na minha rotina!"

"Ela providenciou as consultas e exames por conta própria para não atrapalhar os meus compromissos profissionais!"

"Ela redigiu as suas últimas palavras de forma amena para evitar que eu carregasse o peso da culpa!"

"Até para partir... ela escolheu uma forma que não gerasse o menor transtorno ou pendência para mim!"

Ele abriu a mão abruptamente, e Sabrina desabou sentada no chão, segurando o pescoço enquanto tentava recuperar o fôlego com dificuldade.

Samuel a encarava de cima, com um olhar repleto de aversão.

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"E você, Sabrina, o que você fez?"

"Você forjou evidências e espalhou intrigas!"

"Você aproveitou o momento de fragilidade dela para encurralá-la!"

"Você teve a audácia... de se deitar na cama dela antes mesmo de o corpo ser sepultado!"

Sabrina arrastou-se pelo chão em prantos, agarrando-se à perna dele: "Samuel, eu errei... eu reconheço o meu erro... mas o meu sentimento por você é real... tenha consideração por todos os anos que passamos juntos..."

"Consideração?", Samuel a afastou com um movimento firme. "Nunca existiu esse tipo de ligação entre nós."

Ele pegou o celular e discou diretamente para o seu escritório de advocacia: "Quero a abertura imediata de um processo judicial contra Sabrina. Reúnam acusações de calúnia, difamação, falsificação de documentos, violação de sigilo de dados e estelionato... incluam todas as infrações cabíveis na lei."

"Além disso, iniciem uma auditoria em todas as transações financeiras dos últimos cinco anos envolvendo os negócios da empresa; quero o ressarcimento integral de cada centavo desviado por ela."

"E tem mais," continuou fixando os olhos na mulher trêmula no chão, pausadamente, "façam com que ela enfrente a ruína pública. Quero a exposição do caso na mídia e o bloqueio de suas atividades profissionais, para que ela perca qualquer espaço neste estado."

O advogado confirmou as instruções do outro lado.

Sabrina entrou em completo desespero: "Samuel! Você não pode fazer isso comigo! A minha irmã sacrificou a vida dela para te salvar no passado! Você prometeu a ela que cuidaria de mim para sempre!"

Samuel inclinou-se, segurando o queixo dela com firmeza.

"Eu assumi o compromisso com a Samara de que zelaria pelo seu sustento." A voz dele saiu baixa, mas cada palavra carregava um peso esmagador. "Por essa razão eu te repassei recursos e apoiei os seus projetos, garantindo que você tivesse um padrão de vida privilegiado."

"Mas você preferiu usar a memória dela e o meu sentimento de dívida para ultrapassar todos os limites toleráveis."

"Agora, Sabrina, a farsa acabou."

Ele se posicionou de pé e deu a ordem aos funcionários da segurança do condomínio que se aproximavam: "Retirem essa mulher das dependências. A partir de hoje, ela está proibida de acessar este local."

Os seguranças conduziram Sabrina para fora enquanto ela gritava em prantos.

Samuel permaneceu diante da entrada da residência, encarando aquela porta familiar, sentindo uma total falta de coragem para empurrá-la.

O interior daquela casa estava impregnado de recordações de Xênia.

Ele respirou fundo e finalmente entrou no imóvel.

Na área da varanda da sala, o vaso de jiboia exibia a maior parte dos ramos secos e amarelados.

Durante os dias transcorridos desde a partida dela, ninguém se lembrou de colocar água na planta.

Samuel aproximou-se do local e segurou o borrifador de água, mas as suas mãos tremiam tanto que o líquido acabou se espalhando pelo chão.

Ele pousou o objeto, abaixou-se e tocou com cuidado as folhas danificadas.

"Me perdoe... eu demorei demais."

Ele permaneceu sentado na sala por longas horas, até que a luz do luar cobrisse o piso do ambiente.

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