《Livre aos Trinta: O Diagnóstico que Mudou Tudo》Capítulo 6

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O médico interveio no momento certo, tentando acalmá-la.

"Provavelmente estavam relacionados ao estresse. Ficar sob alta pressão por muito tempo faz o corpo não aguentar. Comparando os resultados dos dois exames, você está muito saudável agora, e aquela hiperplasia anterior desapareceu naturalmente."

"Você mesma disse que se sentiu muito bem no último mês e que todos esses sintomas sumiram. Quando a mente fica bem, o estado do corpo melhora naturalmente. Então não se preocupe, a sua saúde está perfeita."

Quando Sophia voltou para o hotel, sentia-se como se estivesse em um sonho.

O turbilhão de emoções daquele dia foi muito parecido com o que sentiu quando descobriu o câncer avançado pela primeira vez.

A única diferença era que, desta vez, o desfecho era feliz.

Sophia não conseguiu pregar o olho a noite toda.

Para ter certeza absoluta do resultado, ela agendou exames em mais dois hospitais diferentes.

E os médicos de ambos os hospitais disseram exatamente a mesma coisa.

"Senhora, a sua saúde está perfeita, você não tem câncer."

Segurando os laudos dos exames em mãos, Sophia finalmente sentiu o coração sossegar por completo.

Ela comprou uma garrafa de um vinho tinto que guardava há muito tempo.

De volta ao hotel, parou em frente à janela panorâmica, deu um gole no vinho e ficou observando o fluxo incessante de carros lá embaixo.

Involuntariamente, começou a se lembrar do passado.

Antes de pensar que estava com câncer, ela vivia apenas se anulando.

Diante da manipulação psicológica do chefe, ela se calava por causa do histórico profissional e do medo da realidade, sem coragem de reagir.

Diante das ironias e críticas veladas dos sogros, ela engolia tudo em silêncio para manter a harmonia familiar.

Diante da frieza emocional que Caleb demonstrou por anos, ela tentava se convencer de que estava tudo bem.

Ela passou a vida inteira seguindo à risca os planos que seus falecidos pais haviam traçado, sem nunca ter tido a audácia de dizer um único "não".

Mas, ao receber o diagnóstico de câncer, todas aquelas correntes pareceram evaporar num piscar de olhos.

Diante da morte, qualquer problema vira futilidade.

Naquele período, a única frase que ecoava em sua mente era:

"Quando nos damos conta de que a vida é uma só, a nossa segunda vida começa."

Felizmente, a sua segunda vida estava se tornando vibrante e cheia de cores.

Pensando nisso, Sophia soltou um riso leve, virou a taça de vinho de uma vez e sentiu uma leveza que nunca experimentara antes tomar conta de seus olhos.

Ela olhou para a lua no céu noturno e sussurrou:

"Obrigada, meu Deus, por me pregar uma peça tão grande e, finalmente, me fazer entender o que importa."

"Já que eu não vou morrer, eu, Sophia, vou recomeçar a minha vida do zero a partir de hoje!"

Assim que terminou de falar, ela deixou a taça de lado, pegou o celular e fez o agendamento do divórcio.

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Se antes ela não queria se divorciar, era porque não pretendia gastar o pouco tempo que achava ter com burocracias.

Agora que estava decidida a viver intensamente, não aceitaria mais carregar o fardo daquele casamento fracassado.

Antes de retornar para Florianópolis, Sophia fez uma parada em Balneário Camboriú e reservou um cruzeiro de cinco dias em alto-mar.

A brisa fresca do oceano batendo no corpo trouxe um relaxamento profundo.

Enquanto estava no mar, ela manteve o celular desligado, entregando-se de corpo e alma àquela viagem.

Sem internet, sem notificações.

Apenas usando os olhos e a câmera para registrar as paisagens marinhas.

Ao desembarcar e ligar o aparelho, a primeira notificação que surgiu na tela era, surpreendentemente, de Caleb.

"Como está a sua saúde? Foi fazer os exames de acompanhamento?"

Sophia não ignorou a mensagem desta vez; ela ligou direto para Caleb.

A chamada foi atendida rapidamente, e a voz fria e polida do homem ecoou do outro lado:

"Onde você está agora? Como você está se sentindo?"

Sophia respondeu enquanto emitia sua passagem de volta:

"Chego amanhã em Florianópolis. Me espere em casa, preciso falar com você."

Do outro lado da linha, Caleb sentiu a garganta secar ao ouvir o tom dela, mas manteve a voz controlada:

"Tudo bem. Vou te buscar no aeroporto amanhã."

Assim que terminou de falar, antes que Sophia pudesse acrescentar algo, ele encerrou a ligação.

No dia seguinte, Sophia desembarcou em Florianópolis.

Assim que cruzou o portão de desembarque puxando sua mala, localizou Caleb imediatamente no meio da multidão.

Depois de três meses, reencontrar Caleb não causou o menor impacto em seu coração.

Caleb caminhou até Sophia e pegou a alça da mala.

"Você voltou."

Dito isso, ele estendeu um maço de lírios-do-vale frescos para ela.

Sophia encarou as flores delicadas em suas mãos com um olhar de pura estranheza.

"Por que está me dando flores?"

A voz de Caleb permaneceu linear, sem demonstrar grandes emoções: "Vi no seu perfil que você fotografou essas flores várias vezes, então achei que seria um bom gesto de boas-vindas."

Sophia apenas assentiu, sem se prolongar no assunto, e o acompanhou até o carro.

No momento em que a porta do sedã se abriu, Sophia arqueou as sobrancelhas.

O interior mantinha o padrão minimalista de sempre de Caleb, mas o banco do passageiro agora contava com uma almofada de encosto e uma manta leve.

Notando a reação dela, Caleb se apressou em explicar.

"Comprei no caminho para cá. Pensei que você pudesse se sentir desconfortável depois de passar tanto tempo no avião."

Em seguida, ele estendeu uma garrafa de água e uma porção de frutas cortadas.

"Se sentir tontura ou qualquer mal-estar no caminho, me avise. Não precisa se forçar a aguentar."

Sophia olhou para a manta sobre as pernas e para as frutas em suas mãos.

Instantes depois, desviou o olhar para Caleb, que se concentrava na direção, sem sentir o menor vestígio de emoção.

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Se não fosse pela falsa doença, talvez ela passasse a vida inteira sem saber que Caleb era capaz de demonstrar zelo por alguém.

Aquele carinho que ela tanto implorou nos últimos cinco anos agora parecia melancólico e quase ridículo.

Sophia aceitou a gentileza sem hesitar.

Afinal, ela havia se dedicado por cinco anos; aquelas atenções eram o mínimo que merecia receber.

Uma hora depois, os dois chegaram ao apartamento.

Ao abrir a porta, Sophia franziu a testa por reflexo.

O ambiente estava um pouco desorganizado; dava para notar que tentavam limpar, mas não chegava perto da arrumação de quando ela morava ali.

Caleb acomodou a mala de Sophia a um canto, tirou o casaco e seguiu direto para a cozinha.

Enquanto inspecionava os ingredientes na geladeira, perguntou:

"O que você quer almoçar? Posso preparar algo rápido."

Sophia permaneceu estática na sala, observando Caleb se movimentar de um lado para o outro, sentindo um certo distanciamento daquela realidade.

No passado, quando ele chegava em casa, mal dirigia a palavra a ela.

Quem diria que um dia o veria solícito, oferecendo-se para cozinhar.

A dedicação e o afeto de Caleb sempre foram exclusivos de Juliana.

Se ele agia assim agora, era apenas porque acreditava que a esposa estava com os dias contados.

De repente, Caleb reapareceu segurando um copo de água e o estendeu na direção dela.

"No que está pensando? Chamei você e não ouvi resposta. Vá tomar um banho para relaxar, o almoço fica pronto num instante."

Sophia ignorou o copo de água e falou com total serenidade:

"Caleb, precisamos conversar."

Sentindo a frieza no olhar de Sophia, Caleb sentiu um aperto no peito.

"Conversamos depois do almoço."

"Eu quero o divórcio."

As duas frases ecoaram ao mesmo tempo na sala.

A mão de Caleb apertou o copo com força, e ele engoliu em seco.

Após um silêncio pesado, ele finalmente falou: "Você está enfrentando um problema grave de saúde, eu não vou me divorciar de você agora."

"É exatamente por eu estar doente e com o tempo curto que faço questão do divórcio."

A fisionomia de Sophia era pacífica, mas o tom de voz carregava uma firmeza inabalável.

"Ficar viúvo é muito mais pesado do que se divorciar. Eu sei bem que você nunca tirou a Juliana do coração, e que se casar comigo foi apenas uma obrigação para dar uma resposta aos seus pais, um mero consolo."

"Nós passamos cinco anos desperdiçando a vida um do outro. Seus pais nunca me aceitaram de verdade, e você nunca me amou. Não há o menor sentido em arrastar esse casamento adiante."

"Eu me recuso a passar a eternidade com o título de esposa de Caleb gravado na minha lápide."

"Por isso, vamos assinar o divórcio."

Caleb franziu o cenho e sustentou o olhar distante de Sophia, respondendo pausadamente.

"Seus pais já faleceram e não há mais ninguém para te dar suporte. Eu sou o seu marido e não vou te desamparar num momento desses, eu tenho uma responsabilidade com você."

"Responsabilidade?"

Sophia não conteve um riso de deboche: "Caleb, não perca o seu tempo com essa encenação. Não precisa se preocupar com o que vão falar da sua conduta, eu farei questão de declarar publicamente que a iniciativa partiu de mim e que você não teve culpa."

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