A mansão dos Albuquerque estava silenciosa naquela madrugada, exceto pelos passos suaves de Helena Silva nos corredores escuros.
Ela segurava Lucas nos braços, observando cada sombra e cada movimento. O bebê respirava suavemente, mas Helena sentia que algo ainda estava errado.
Enquanto se aproximava do quarto do bebê, notou um leve barulho vindo da lavanderia particular da ala infantil.
Um ruído quase imperceptível, mas suficiente para que seu instinto de proteção se acendesse. Ela aproximou-se lentamente, mantendo Lucas seguro contra o peito.
Foi então que Helena viu Maria, a nova babá. Ela mexia cuidadosamente nas roupas de Lucas, como se tentasse esconder algo.
O coração de Helena disparou.
Por que Maria estava ali a essa hora? E o que estava fazendo com as roupas do bebê?
Helena se escondeu atrás de uma coluna, tentando observar sem ser percebida. Maria parecia nervosa, olhando para os lados, certificando-se de que ninguém a estava observando.
Em silêncio, abriu um pequeno envelope e despejou uma fina quantidade de pó sobre uma das roupas de Lucas.
Helena prendeu a respiração.
“Então é você…”, sussurrou para si mesma, sentindo o estômago revirar. A substância era a mesma encontrada na febre do bebê na noite anterior. Finalmente, Helena tinha uma pista concreta.
Antes que pudesse sair de seu esconderijo para confrontá-la, uma voz cortou o corredor.
“Helena?”
Ela gelou. Reconheceu imediatamente quem era. Elisa.
Maria ficou rígida, mas recuperou o sorriso, como se nada tivesse acontecido. Helena sabia que precisava agir rápido.
Discretamente, pegou a peça de roupa contaminada e escondeu dentro de uma sacola de lavanderia vazia.
Elisa aproximou-se, os braços cruzados e o olhar penetrante. “O que você está fazendo aqui?”
Helena manteve a calma e respondeu: “Ouvi um barulho e fui verificar.”
“Está espionando os funcionários agora?” Elisa retrucou, a voz carregada de desdém.
“Estou protegendo Lucas,” disse Helena, firme, olhando diretamente para a milionária.
Elisa estreitou os olhos. “Você realmente acha que pode ser a salvadora deste bebê, não é?”
Helena respirou fundo. “Tudo o que quero é protegê-lo. Nada mais importa.”
O bebê gemeu levemente nos braços dela, e Helena inclinou-se para aconchegá-lo. Lucas confiava apenas nela, e isso tornava tudo ainda mais urgente.
Elisa suspirou, um misto de frustração e ciúme. “Você está manipulando meu marido.”
Helena ergueu a cabeça, firme. “Nunca faria isso. Meu único objetivo é Lucas.”
O choro de Lucas cresceu, atravessando o corredor. Helena correu até o berço e o embalou com firmeza. O efeito foi imediato: o bebê começou a se acalmar, os soluços diminuíram, e ele descansou em seus braços.
Enquanto Lucas se acomodava, Helena olhou para a sacola escondida. A prova estava ali, segura, escondida de todos — de Maria, de Elisa, de Ricardo.
Finalmente, ela tinha algo concreto para descobrir quem realmente estava ameaçando a vida do bebê.
Naquela madrugada, Helena compreendeu uma coisa: a verdade estava perto, e ninguém poderia impedi-la de encontrá-la. Maria escondia segredos perigosos, e Helena faria tudo para que a justiça fosse feita.