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《Quando as ondas te trazem de volta》Capítulo 22

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Ao ouvir a informação, os movimentos de Igor travaram por um instante, e ele ironizou: "Quando a estrutura desaba, todos se apressam em tripudiar; eles anseiam pelo meu retorno apenas para formalizar a entrega do controle dos negócios."

Enzo manteve-se de cabeça baixa e permaneceu em silêncio; embora avaliasse que Igor realmente carecia de competência na gestão corporativa, tratava-se do chefe a quem acompanhava há anos, de modo que mantinha sutil preferência por ele.

"Aguardaremos até que a Vivian desperte", Igor ajeitou o colarinho do paletó e adentrou o quarto novamente.

Enzo lançou um olhar em direção ao leito; a fisionomia de Vivian realmente demonstrava abatimento, de modo que restava a ele retornar à empresa primeiro para conter a impaciência dos conselheiros.

Após um longo período, Vivian recuperou a consciência aos poucos; suas sobrancelhas franzidas tremeram de leve, e ela abriu os olhos lentamente.

O teto inteiramente branco e a iluminação suave a deixaram um tanto confusa, e o odor característico de antisséptico hospitalar a fez conscientizar-se de que se encontrava em uma unidade médica.

Ela piscou os olhos ressecados e voltou o rosto para o lado, estancando surpresa.

Igor encontrava-se sentado ao lado do leito, com uma das mãos apoiada na mesa de cabeceira e a cabeça descansando sobre o braço; contra a luminosidade sutil que penetrava pela janela, suas feições pareciam mais suaves do que em qualquer outro momento.

Vivian moveu os lábios por instinto para chamá-lo, mas ao recordar-se de sua condição atual, fechou a boca com desalento.

Seu corpo continuava desprovido de energias e, ao notar o acesso da medicação no dorso da mão esquerda, deduziu que a exposição ao frio por ter cedido o casaco a Igor na noite anterior resultara naquele quadro febril.

Ela apenas não imaginava... que seria o próprio Igor quem a conduziria ao hospital.

Vivian contemplava Igor a uma curta distância de distância, e um rastro de sutil compaixão passou pelo fundo de seus olhos.

Ele exibia uma fisionomia empalidecida e o maxilar ostentava vestígios da barba por fazer; embora apresentasse diferenças em relação à postura habitual, parecia desprovido daquela rigidez ríspida de outrora.

Movida por um impulso involuntário, Vivian estendeu a mão com lentidão; no entanto, no exato milésimo de segundo em que os dedos trêmulos aproximavam-se do rosto dele, aquelas pupilas escuras como a tinta capturaram seu olhar sobressaltado.

Ao notar que Vivian havia despertado, os olhos de Igor brilharam.

A mão esguia diante de seu rosto recuou rapidamente como uma planta que se recolhe ao toque; Igor pressionou os lábios e agiu com rapidez para reter aquela mão trêmula na sua.

O coração de Vivian sofreu um solavanco, e ela fixou os olhos na mão imobilizada de forma atônita.

Os olhos de Igor, ainda com linhas vermelhas de sangue, sustentavam o olhar fixo nela, trazendo uma avalanche de sentimentos complexos no fundo das pupilas.

Ele apertou a mão dela com um rastro extra de firmeza por um instante e soltou-a logo em seguida. Vivian estancou surpresa; o que estava acontecendo com ele?

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Após um longo silêncio, a voz rouca e grave dele ecoou lentamente no espaço: "Em breve eu conduzirei você de volta para casa."

Capítulo 39: Mudado, Não Parecia Ele Mesmo

Vivian estancou por quase dez segundos, com os olhos repletos de surpresa, como se o homem à sua frente não fosse o Igor que ela conhecia.

Será que uma única reviravolta e uma noite de embriaguez haviam sido suficientes para ocultar toda a arrogância e rispidez dele?

Igor suportou a dor latente no fundo do coração e desviou o olhar: "Você já conseguiu tudo o que queria." Deve estar feliz agora.

Desta vez, aquela frase não fez Vivian perceber nenhum rastro de ironia; pelo contrário, parecia que ele estava zombando de si mesmo.

Seu olhar obscureceu, experimentando um sutil desalento no coração.

A mão que Igor havia relaxado voltou a se cerrar firmemente; ele forçava a si mesmo a recusar olhar para Vivian, mas no fundo ansiava desesperadamente para que ela falasse, oferecendo-lhe algumas palavras de consolo, ou que segurasse a mão dele.

No entanto, julgava aquilo um devaneio. Com os estratagemas do velho patriarca somados àquelas garrafas de bebida, sua mente havia recobrado bastante a lucidez.

As estruturas que nunca lhe pertenceram acabariam por se afastar dele um dia.

Igor levantou-se e deixou o quarto sem pronunciar uma única palavra, agindo de forma tão rápida que recusou conceder a Vivian o menor tempo de reação.

Vivian contemplou a porta fechada do quarto do hospital, deprimindo os olhos sutilmente opacos com as sobrancelhas franzidas.

Contudo, após escassos dez minutos, Igor retornou subitamente trazendo uma tigela de mingau nas mãos.

Vivian voltou a estancar atônita; pela embalagem do alimento, era evidente que fora adquirido em alguma das barracas ou lojas em frente ao hospital.

Ela tinha dificuldade em imaginar Igor caminhando até ambulantes ou pequenos comércios para comprar mingau; aquela cena destoava completamente dele...

Igor mantinha uma fisionomia tão plana quanto um copo de água mineral; ele aproximou-se, acomodou-se ao lado do leito e abriu a embalagem com sutil desajeito, erguendo uma pequena colher de mingau na direção dos lábios de Vivian.

O aroma temperado invadiu as narinas de Vivian, despertando o apetite que havia cedido devido ao quadro febril, e sua boca parecia ansiar por outro sabor para substituir o amargor interno.

Vivian hesitou por alguns instantes antes de abrir a boca para aceitar a primeira colherada.

No entanto, o alimento estava excessivamente aquecido, fazendo suas sobrancelhas se contrairem enquanto tentava amenizar o calor.

Igor estancou surpreso, contraindo as feições com sutil arrependimento e, antes de erguer a segunda colherada, soprou o alimento com cautela antes de oferecê-lo novamente.

Entre um movimento e outro, Vivian consumiu a tigela inteira de mingau e, no exato instante em que terminou, a última medicação do acesso do soro também se esgotou.

A enfermeira adiantou-se para remover a agulha, e Igor recolheu os medicamentos, conduzindo Vivian para fora do hospital.

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Observando Igor abrir a porta do veículo, Vivian recusou-se a entrar; fixando os olhos nele enquanto tateava a barra do próprio casaco, seu olhar trazia uma preocupação e uma dúvida impossíveis de ocultar.

Aquele Igor atual estava excessivamente反常.

Os cantos dos lábios de Igor se curvaram em um sorriso de escárnio: "Tanta rapidez assim para desdenhar do meu carro?"

Vivian franziu as sobrancelhas, baixando a cabeça para revistar os bolsos; no entanto, no momento em que Igor a conduzira ao hospital, não havia recolhido a bolsa dela, de modo que o celular, o papel e a caneta continuavam guardados ali dentro.

Ela lançou um olhar sutilmente irritado na direção de Igor; por que ele simplesmente não abandonava aquela postura para conversar adequadamente?

As mãos de Igor apertaram a estrutura da porta do carro, endireitando o corpo para encará-la: "...".

De repente, um veículo estacionou logo atrás de seu carro e Lucas desceu dali; a fisionomia de Igor decaiu em fúria no mesmo instante, fechando a porta do veículo com um ruído seco.

Vivian sobressaltou-se com o impacto, observando-o com perplexidade até notar que o olhar dele estava fixo em um ponto atrás dela, virando as costas por instinto para verificar.

Vestindo um suéter cinza de gola alta e um sobretudo preto, Lucas mantinha-se parado a escassos passos de distância dela, trazendo uma folha de papel nas mãos.

Lucas tranquilizou-se ao notar que o rosto de Vivian já não exibia tanta palidez e, ignorando completamente a presença de Igor, falou de forma direta: "Eu precisei consultar o Enzo para constatar que você se encontrava aqui. Como você se sente? Está melhor?"

Vivian voltou os olhos na direção de Igor por reflexo; ele sequer manifestou a fúria ríscida habitual direcionada a ela ou a Lucas, mantendo-se estático de frente para o carro, com os olhos semicerrados ocultando todas as emoções, tornando-se impossível de decifrar.

Seu peito apertou, e seus lábios se moveram por instinto, esquecendo por um instante que continuava incapaz de emitir sons.

Lucas mudou o semblante, erguendo o papel que trazia nas mãos enquanto elevava sensivelmente o tom de voz: "A propósito, este é o acordo de divórcio que o Diretor Cavalcante esqueceu na sede da empresa."

Capítulo 40: Margem de Manobra

Lucas sequer demonstrou preocupação com o fato de estar alimentando a discórdia no ambiente.

Ele lançou um olhar de soslaio na direção de Igor, que visivelmente sofreu um choque, trazendo um rastro de sutil desprezo nas pupilas; agora que ele fora privado de todo o patrimônio que prezava, restava apenas aquela rigidez ríspida em sua personalidade.

Vivian contemplava aquela folha leve de papel nas mãos de Lucas; ao lado de sua própria assinatura, o nome de "Igor Cavalcante" escrito de próprio punho destacava-se no papel com nitidez.

Aquela folha fina encerrava de vez uma história de casamento, deixando seu peito sufocado por uma sensação incômoda da qual ela parecia incapaz de se libertar.

Sua intenção inicial era que ambos seguissem caminhos distintos em total calmaria após o divórcio, mas a constatação da assinatura de Igor não lhe trouxe o alívio esperado.

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