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《Quando as ondas te trazem de volta》Capítulo 20

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Lucas respondeu com frieza:

"Eu aconselhei você por mais de uma vez."

Vivian sentia as mãos se contraírem com ainda mais força, mordendo os lábios que começavam a empalidecer, experimentando inclusive uma sutil compaixão diante da reviravolta sofrida por Igor.

Ela tinha conhecimento de que a relação entre Igor e o velho patriarca era difícil, e o cenário atual representava um verdadeiro inferno para ele.

Igor baixou o olhar, fixando os olhos em Vivian.

Que tipo de olhar era aquele que ela ostentava? Seria compaixão ou piedade direcionada a ele? Ou seria um deboche por vê-lo despencar do topo direto para o abismo?

Igor experimentou uma humilhação inédita em sua existência; cerrou os punhos com força e deixou o local com passos rápidos.

Capítulo 35: Vá se Quiser

Juliana, ao notar a partida de Igor, sentiu fúria e ressentimento de forma simultânea, conscientizando-se de que, ao final de tudo, não apenas não havia conquistado nada, mas acabara por favorecer a própria Vivian.

Ela pegou a bolsa e deixou o salão de reuniões tomada pela indignação, lançando um olhar repleto de rancor na direção de Vivian ao passar por ela.

Vivian levantou-se, ignorando a postura de Juliana.

Para onde Igor teria ido naquele momento?

Ela não pôde evitar sentir inquietação no coração, ciente de que o impacto daquela notícia fora excessivamente severo para Igor.

Antes mesmo que os conselheiros se aproximassem para iniciar os diálogos, Lucas sussurrou para Vivian: "Se você deseja procurá-lo, vá de uma vez."

O olhar de Vivian vacilou por um instante; ela pegou a mochila, fez um aceno respeitoso para Lucas e deixou o salão.

Ao vê-la partir, Lucas não pôde evitar experimentar um rastro de desilusão no olhar.

A razão pela qual havia incentivado Vivian a procurar por Igor residia no fato de conhecê-lo profundamente. Igor sempre sustentara a convicção de que Vivian se casara com ele movida por interesses financeiros e por posição social, utilizando o controle da empresa como um pedestal para demonstrar prepotência diante dos outros.

Agora que ele havia sido privado de praticamente tudo, seria impossível que conseguisse se posicionar diante de Vivian com a mesma postura de outrora.

Lucas sorriu de forma desolada e sutilmente irônica; fosse o controle dos negócios ou o próprio sentimento de afeto, tudo fora destruído pelas mãos do próprio Igor.

Do lado de fora do edifício da empresa.

Vivian arfava levemente, buscando com o olhar em todas as direções, mas continuava sem notar vestígios da silhueta de Igor.

Enzo havia informado que ele não retornara ao gabinete, optando por deixar o edifício da empresa, mas havia se passado pouco tempo e ele já havia desaparecido.

Vivian franziu as sobrancelhas com força até que, ao notar um Bentley preto se deslocando adiante, seus olhos brilharam e ela apressou-se em sinalizar para um táxi que passava pela via.

Ela acomodou-se no assento, apontando na direção do veículo de Igor para orientar o motorista.

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O motorista demonstrou agilidade em compreender a instrução e deu a partida no táxi para acompanhar o trajeto do Bentley.

O veículo de Igor parou em frente à entrada principal da mansão. Antes mesmo que o táxi de Vivian concluísse a parada total, ela visualizou Igor descendo do carro e adentrando o imóvel com passos vacilantes, sem sequer fechar a porta do veículo.

Vivian efetuou o pagamento da corrida com pressa, correu até o carro dele para fechar a porta e virou-se para contemplar a mansão em que residira ao longo de três anos, sentindo os cantos dos olhos arderem.

Ela caminhou com lentidão até a entrada principal, erguendo a mão com o impulso firme de bater à porta, mas travou o movimento logo em seguida.

Somente ao alcançar aquele ponto ela conscientizou-se do motivo que a levara a agir daquela forma... Vivian recolheu a mão com desalento, e o brilho em seus olhos extinguiu-se aos poucos.

Aquela postura dela talvez fosse interpretada por Igor como algo desnecessário, ou até mesmo como uma tentativa de tripudiar sobre a desgraça dele.

Ela soltou um suspiro suave e fez menção de se afastar, mas após descer alguns degraus da escada, percebeu que suas pernas recusavam-se a continuar o movimento.

Contemplando a porta principal trancada, o coração de Vivian voltou a latejar com uma sensação dolorosa.

Ela acomodou-se em um dos degraus da escada externa, mantendo-se em silêncio, atenta a qualquer ruído que pudesse ecoar do interior do imóvel.

No interior do imóvel.

A iluminação externa penetrava pelas frestas das cortinas densas, trazendo um rastro sutil de claridade ao salão principal, permitindo enxergar os arredores com dificuldade.

Igor encontrava-se sentado em uma das banquetas junto ao balcão do bar, consumindo conhaque em largos goles.

A bebida que outrora era saboreada com lentidão parecia agora uma labareda de fogo que iniciava o rastro de ardor nos lábios, passando pela boca, pela garganta, pelos pulmões, até ferver como lava no estômago.

Igor mantinha os olhos avermelhados entreabertos, apertando a garrafa com a ponta dos dedos empalidecidos, ostentando um sorriso no canto dos lábios manchados pela bebida, embora seu olhar estivesse tomado por pura melancolia e autodepreciação.

Ele tragou mais um gole largo, e a bebida agiu como uma lâmina que perfurou seu coração, provocando uma dor que fez as veias de sua testa latejarem com força.

Os cantos de seus olhos marejaram subitamente; Igor hesitou por alguns segundos e tateou a região com os dedos trêmulos.

Mais um rastro de umidade.

Ele contemplava o salão principal totalmente vazio e o mensageiro dos ventos de conchas que mantinha-se estático no hall de entrada, conscientizando-se de que os compromissos que outrora pesavam sobre seus ombros haviam desaparecido num piscar de olhos, embora a sensação inédita de fracasso o tivesse destruído por completo.

Ele já não possuía mais nada, de modo que Vivian com certeza recusaria lançar mais um único olhar na direção dele...

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Capítulo 36: Embriaguez

A noite caiu por completo. Vivian verificou as notificações de mensagens de Lucas no celular, restando responder que retornaria em breve.

Ela voltou os olhos mais uma vez para a porta principal que continuava trancada e, após alguns instantes de hesitação, levantou-se e caminhou até um vaso de plantas disposto junto à calçada, erguendo o objeto para recolher uma chave que repousava oculta ali embaixo.

Tratava-se de uma cópia de segurança que ela havia deixado guardada no passado para o caso de esquecer a sua própria chave.

Vivian recolheu a chave, destrancou a porta e, sob a escuridão do interior, um odor denso e sufocante de bebida invadiu suas narinas, acompanhado pelo som suave e cristalino das conchas do mensageiro dos ventos que balançou com o deslocamento do ar.

Através da iluminação dos postes externos que penetrava no ambiente, ela visualizou o mensageiro dos ventos de conchas posicionado no hall de entrada.

Suas pupilas travaram ao reconhecer o objeto que havia confeccionado como presente de aniversário para Igor.

Ele não havia descartado o objeto, mantendo-o guardado ali ao longo de todo aquele período? "Clang"

Um ruído sutil interrompeu as reflexões de Vivian; ela prendeu a respiração e utilizou a iluminação da tela do celular para caminhar até o interruptor, acendendo as luzes do salão.

O odor de bebida tornou-se ainda mais denso e sufocante, e Vivian franziu o cenho ao deparar-se com a desordem de garrafas de vinho e destilados espalhadas pelo chão.

No entanto, ao fixar os olhos em Igor, seu corpo inteiro pareceu enrijecer.

Igor assemelhava-se aos indivíduos embriagados que vagavam pelas calçadas, escorado ao lado da banqueta do bar, com o paletó arremessado de lado, a gravata desalinhada e o rosto completamente vermelho devido ao álcool. Ele mantinha os olhos entreabertos com um olhar vago, trazendo um cigarro já apagado entre os dedos de uma das mãos e uma garrafa quase vazia na outra.

O coração de Vivian sofreu uma contração violenta, e ela adiantou-se imediatamente na intenção de ampará-lo para tirá-lo do chão.

Sob o torpor da embriaguez, Igor experimentou a sensação de uma presença e do toque de mãos aquecidas em sua cabeça e em seus braços.

Ele forçou os olhos para enxergar, mas sua visão continuava totalmente turva.

Vivian observava o estado dele, consciente de que a quantidade excessiva de álcool consumida fora suficiente para fazê-lo esquecer a própria lucidez.

"...Quem está aí? Saia! Saia daqui!" Igor empurrou Vivian com rispidez, erguendo a garrafa para tragar mais um gole.

Vivian soltou uma lufada de ar diante da dor do impacto mas, ao notar que ele continuava consumindo álcool de forma autodestrutiva, ignorou o desconforto físico e adiantou-se mais uma vez para arrancar a garrafa das mãos dele.

Aquela atitude pareceu acender a fúria de Igor; ele agarrou Vivian pelos cabelos com violência, puxando-a para junto de seu rosto.

Vivian travou os dentes, liberando apenas um gemido abafado.

Seus olhos marejados sustentavam o olhar fixo em Igor, sem piscar.

Ela tinha plena consciência de que a mente dele estava totalmente obscurecida pelo álcool, sendo incapaz de reconhecer as feições dela.

Com os rostos separados por uma distância de apenas escassos centímetros, o calor da respiração de ambos misturava-se no espaço, até que Igor finalmente conseguiu discernir os detalhes do rosto à sua frente.

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