localização atual: Novela Mágica Moderno Quando as ondas te trazem de volta Capítulo 11

《Quando as ondas te trazem de volta》Capítulo 11

PUBLICIDADE

Desde o primeiro dia em que havia pisado na escola secundária, ela havia notado a presença dele.

Aquele rapaz rebelde que vestia o uniforme escolar de qualquer jeito e invadia o pátio com imponência acompanhado por cinco ou seis colegas.

Vivian nem sequer recordava o momento exato em que havia se apaixonado por Igor; talvez tivesse sido naquela noite em que retornava para casa após as aulas e percebeu que estava sendo seguida, cruzando por acidente com Igor, que acabara de se envolver em uma briga com terceiros.

Ele desferiu um chute contra o indivíduo para afastá-lo e, erguendo a mochila que não trazia um único livro dentro, apoiou-a nos ombros, fixando os olhos brilhantes nela.

"Covarde, onde fica a sua casa?"

Capítulo 18: Ano Novo

...

Lucas viu que Vivian estava com a cabeça inclinada e, julgando que ela estivesse dormindo, suavizou o som de seus passos.

Ao aproximar-se, a mão que estendeu para ajustar o cobertor dela travou no ar.

O quarto permanecia às escuras, e a iluminação externa que incidia sobre o rosto de Vivian revelava um brilho cristalino em seus olhos, e aquele rastro de luz feriu profundamente os olhos de Lucas.

Ele recolheu a mão lentamente e acomodou-se ao lado da cama: "Vivian."

Vivian sobressaltou-se, secou as lágrimas com pressa e virou o rosto para olhar.

Sob a penumbra, ela chegou a pensar que pudesse confundi-lo com Igor, mas, observando atentamente, percebeu que ele não tinha semelhanças físicas com Igor.

Vivian piscou os olhos, demonstrando dúvida no olhar.

Lucas apertou as mãos que repousavam sobre suas pernas e falou com a voz grave: "Em mais alguns dias, nós retornaremos ao Rio de Janeiro."

As pupilas de Vivian travaram. Retornar ao Rio de Janeiro?

"Eu já entrei em contato com o especialista. Após a realização do procedimento cirúrgico, você com certeza conseguirá falar novamente."

Lucas explicou, esforçando-se ao máximo para ignorar o fato de que Igor também se encontrava naquela cidade.

Vivian compreendia perfeitamente a gravidade de sua lesão nas cordas vocais. No entanto, retornar ao Rio de Janeiro significava que, se ela não cruzasse com Igor, tudo bem; mas caso se encontrassem, ele com certeza desferiria comentários sarcásticos ao vê-la acompanhada de Lucas.

Ela pressionou os lábios, repetindo para si mesma que tudo aquilo já não tinha importância. Uma vez que já haviam se divorciado, ela não precisava levar em consideração nada do que ele dissesse.

Vivian fixou os olhos em Lucas e assentiu. Rio de Janeiro.

Diante da proximidade das festividades de Ano Novo, a cidade inteira exalava uma atmosfera vibrante e festiva. Os postes de luz ostentavam pequenas lanternas decorativas e os estabelecimentos comerciais estavam repletos de produtos típicos da época.

Enzo dirigia o veículo e não pôde evitar lançar alguns olhares discretos para fora da janela. Pensando bem, já faziam anos que ele próprio não viajava para passar as festas em casa.

PUBLICIDADE

Ele olhou com cautela pelo espelho retrovisor interno e a intenção de solicitar alguns dias de folga morreu no mesmo instante.

Ao longo daqueles dois meses, seu chefe parecia ter se transformado em uma pessoa totalmente diferente; o número de vezes que ele pronunciava alguma palavra em um único dia podia ser contado nos dedos de uma das mãos.

Todos na empresa comentavam que o atual Igor conseguia ser mais temível do que qualquer pesadelo, agindo de forma totalmente imprevisível e temperamental.

"Diretor", Enzo interpelou, "o Senhor Gabriel ligou há pouco para dizer que..."

"Retornar", os lábios de Igor se moveram, liberando as duas palavras que assemelhavam-se ao gelo do inverno exterior.

Enzo assentiu prontamente e conduziu o veículo na direção da mansão.

O carro parou em frente à entrada principal. Igor desceu do veículo, afrouxou a gravata já desalinhada e caminhou para o interior.

A porta se abriu, e as lufadas de vento frio do exterior invadiram o salão através da abertura, fazendo o mensageiro dos ventos de conchas balançar, emitindo um som cristalino no ar, como se estivesse saudando o proprietário.

Igor fixou os olhos no objeto pendurado no hall de entrada, e a frieza em seu olhar suavizou-se aos poucos.

O salão principal estava excessivamente vazio, de modo que o som das conchas foi amplificado por várias vezes, adquirindo um rastro de melancolia.

Com um estalo, Igor fechou a porta e, sob a penumbra, caminhou com familiaridade até o sofá, acomodando-se ali.

Ele pegou um cigarro e o acendedor com uma expressão vazia, mas travou o movimento no instante em que a chama aproximou-se do fumo.

Por fim, arremessou o cigarro e o acendedor sobre a mesa de centro.

Com os dedos longos entre os cabelos pretos, Igor apoiou a cabeça com irritação, e suas pupilas escuras estavam tomadas por uma névoa densa impossível de dissipar.

A residência excessivamente silenciosa agia como um sedativo, forçando o corpo a se acalmar também.

No entanto, Igor não experimentava nenhuma sensação de calmaria; a dor latente em seu coração assemelhava-se a um oceano revolto por ondas violentas.

Ele contemplou a janela de vidro ao lado e, através da iluminação dos postes externos, conseguiu notar vestígios sutis de adesivos decorativos colados no vidro.

Sem necessidade de refletir muito, ele sabia perfeitamente que aquilo fora obra de Vivian; não haveria outra pessoa além dela.

Movido por um impulso inexplicável, Igor levantou-se e caminhou até lá. A ponta de seus dedos empalidecidos tocou o vidro gelado, e ele pareceu visualizar a silhueta solitária de Vivian decorando a residência inteira para trazer a atmosfera festiva ao lar.

Capítulo 19: Jantar à Luz de Velas

O olhar de Igor se estreitou e, sentindo a angústia em seu peito aumentar, recolheu a mão e virou as costas para se afastar.

Já faziam dois meses, e ele ainda não havia recebido nenhuma ligação de Vivian...

Ele buscou pelo número dela no celular e discou mais uma vez. "Lamento, mas o número...".

PUBLICIDADE

Igor desligou o aparelho, experimentando uma sensação de ardor nos cantos dos olhos. O que ele estava pensando afinal? Tratava-se apenas da partida de alguém que ele não amava e por quem nutria aversão, não era?

Ele respirou profundamente, arremessou o celular com força sobre o sofá e subiu as escadas.

Segundo dia do Ano Novo chinês.

Ao pisar novamente no Rio de Janeiro, Vivian experimentou uma nítida sensação de estranhamento em relação ao mundo. Ela contemplava as ruas familiares enquanto as lufadas de vento frio penetravam pelas frestas de seu cachecol.

Vivian encolheu o pescoço, ajustou o cachecol e a máscara de proteção com firmeza e fechou o vidro do carro.

"Eu aluguei um imóvel nas proximidades do hospital. Você se acomodará lá primeiro e, assim que os exames cirúrgicos forem agendados, daremos entrada na internação", explicou Lucas enquanto conduzia o veículo.

Vivian assentiu com os pensamentos distantes.

Nas vésperas de Ano Novo dos anos anteriores, se ela não conseguisse esperar pelo retorno de Igor em casa, buscaria pela companhia de seu pai no dia seguinte.

Na véspera deste ano, ele com certeza estaria acompanhado por Juliana.

O veículo parou em frente a um edifício residencial. Lucas desceu primeiro, ajudou Vivian a descer com cuidado e buscou pelas bagagens; os dois adentraram o local juntos.

O imóvel ficava no oitavo andar, um apartamento duplex, amplo e arejado. O primeiro pavimento abrigava a sala de estar, a cozinha e o banheiro, enquanto o andar superior contava com apenas um dormitório.

Lucas pousou as malas no chão e disse: "Eu residirei no apartamento em frente. Se houver qualquer contratempo, basta bater à porta."

A princípio, sua intenção era alugar um imóvel com dois dormitórios, mas, levando em consideração a personalidade reservada de Vivian, optou por alugar duas unidades distintas.

Lucas soltou um suspiro de sutil frustração no fundo do coração; ele se perguntava se sua postura excessivamente cavalheiresca acabaria se transformando em um obstáculo para aproximar-se dela.

Vivian hesitou por um momento e escreveu a palavra "obrigada" no papel.

Contudo, ela experimentava um rastro de desconforto no coração; suas economias atuais eram escassas, de modo que os custos da cirurgia e da manutenção diária vinham sendo inteiramente arcados por Lucas. Ela sentia-se inquieta, sem saber quando conseguiria quitar aquela dívida.

Assim que terminaram de organizar os pertences, Lucas perguntou:

"Está com fome?"

Ao ouvir a pergunta, Vivian percebeu que realmente sentia necessidade de comer e assentiu. Restaurante de culinária ocidental.

Vivian acomodou-se no assento, observando os arredores com nítido desconforto.

O salão estava tomado quase que inteiramente por casais desfrutando de jantares à luz de velas. Embora a mesa deles contasse apenas com os pratos e talheres, sem a atmosfera romântica das mesas vizinhas, o fato de estarem consumindo um combo especial para casais a deixava um tanto incomodada.

No entanto, ao notar que Lucas consumia a refeição sem demonstrar a menor preocupação, julgou que ela própria estava sendo excessivamente melindrosa.

Ao ver que Vivian finalmente pegou os talheres para comer o filé com suavidade, Lucas sentiu o coração que estava na garganta retornar ao lugar.

Ele esboçou um sorriso: "Está saboroso?"

Vivian saboreou o primeiro pedaço e seus olhos brilharam; ela assentiu vigorosamente. O estabelecimento parecia ter sido inaugurado recentemente, e o sabor era realmente excelente.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia