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《Quando as ondas te trazem de volta》Capítulo 10

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Igor lançou um olhar para o embrulho nas mãos dele: "Sim."

"C-Certo, este é o seu pacote, por favor... assine o recebimento." O entregador estendeu o embrulho com as mãos trêmulas de pavor.

Igor hesitou por um momento.

Contudo, ao notar o nome de Vivian preenchido no campo do remetente, seu coração sofreu um solavanco violento.

Vivian havia enviado para ele?!

Igor assinou o documento de forma quase mecânica, recebeu o pacote nas mãos e percebeu que não era pesado.

Segurando o embrulho com uma das mãos, ele fechou a porta e acomodou-se novamente no sofá.

Ao abrir a embalagem, deparou-se com uma caixa de presente envolvida de forma muito delicada. Ao abrir a caixa, uma sequência de conchas delicadas formando um mensageiro dos ventos repousava ali dentro.

Igor estancou, mas sua mão adiantou-se por instinto para erguê-lo, e um cartão rosa do tamanho de uma palma acabou caindo junto com o objeto.

"Igor, feliz aniversário!"

As pupilas de Igor travaram; aquelas quatro palavras simples agiram como uma lâmina cravada em seu peito.

Hoje... era o aniversário dele?

Ele contemplava as conchas que balançavam de leve, e seu olhar tornou-se gradualmente vago.

Seus pais haviam falecido precocemente, e fora o velho patriarca quem o criara, mas ele ostentava uma personalidade rebelde e mantinha uma relação difícil tanto com o avô quanto com Lucas. Ele não comemorava aniversários desde os dez anos e já havia esquecido há tempos a data exata de seu nascimento.

Mas como Vivian lembrava?

Igor inclinou o corpo para recolher o cartão, e seu semblante decaiu, sentindo a dor em seu coração tornar-se ainda mais evidente.

Num ímpeto, ele pareceu lembrar de algo, buscou pela embalagem com pressa e fixou os olhos no endereço de postagem.

No campo constava o local de trabalho de Vivian; o que significava que ela já havia deixado tudo preparado com muita antecedência, apenas para que fosse entregue exatamente nesta data?

Num instante, a chama da esperança que acabara de se acender pareceu ser apagada por uma lufada de vento violento.

Um rastro de desilusão passou pelo fundo dos olhos de Igor, e suas mãos se apertaram ainda mais.

Um mês depois, Curitiba.

Vivian, que acabara de ser transferida para um quarto de enfermaria comum, já sentia o impulso de se levantar para caminhar um pouco; ela estava deitada há mais de um mês e sentia como se seus ossos estivessem se desfazendo.

"Vivian!"

Um clamor de surpresa misturado com preocupação assustou Vivian, que estava prestes a se apoiar nos pés.

Lucas largou o que trazia nas mãos, cruzou a distância em poucos passos e segurou Vivian pelos ombros para ajudá-la a se sentar.

"Não se mova sem cuidado, seus ferimentos ainda não cicatrizaram por completo." Ele verificou o acesso do soro no dorso da mão dela e, ao certificar-se de que estava tudo em ordem, soltou um suspiro de alívio.

Vivian deitou-se novamente e franziu o cenho.

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Ela pretendia dizer "estou bem", mas nenhuma palavra conseguiu sair de seus lábios, restando apenas um murmúrio rouco.

O brilho nos olhos de Vivian extinguiu-se, e ela cerrou os lábios com firmeza.

Ela continuava incapaz de falar; Lucas dizia que era apenas um trauma nas cordas vocais e que bastava repousar por um tempo, mas já fazia um mês desde que havia despertado, e ela ainda não conseguia pronunciar uma única palavra.

Será que ela havia se tornado muda de vez...

Lucas, ao notar a fisionomia desolada dela, compreendeu a situação e tentou confortá-la: "Não se desespere, quando você estiver totalmente recuperada, a voz retornará aos poucos."

Vivian fixou os olhos nele e, após um momento, forçou um sorriso para tranquilizá-lo.

Ela deveria se dar por feliz pelo simples fato de continuar viva; talvez seus pais nos céus não tivessem coragem de levá-la tão cedo para a companhia deles.

Lucas pressionou os lábios e sorriu para mudar de assunto: "A propósito, eu comprei aquela conserva de frutas que você gosta."

Dito isso, ele se acomodou ao lado da cama, abriu a conserva de pêssegos e aproximou um pequeno pedaço da fruta dos lábios de Vivian.

O sabor adocicado do pêssego não foi suficiente para afastar a angústia no coração de Vivian, que balançou a cabeça recusando.

"O que foi?", Lucas perguntou sem compreender.

Vivian estendeu a mão, pegou o papel e a caneta sobre a mesa de cabeceira e começou a escrever.

Lucas estancou por um instante; no papel constava apenas o nome do Rio de Janeiro escrito de próprio punho.

Capítulo 17: O Passado Dele

Lucas fixou os olhos no nome da cidade escrito de forma um tanto trêmula, e seu coração apertou: "...Você ainda pensa no Igor?"

Ao ouvir aquele nome, a mão de Vivian segurando a caneta apertou-se com força e, após um momento, ela balançou a cabeça negando.

Escutar o nome de Igor trazia apenas dor e desilusão, além de um rastro profundo de arrependimento.

Se no passado ela não tivesse alimentado a ilusão de conquistar o afeto dele com o tempo e não tivesse aceitado o pedido do velho patriarca para se casar com Igor, talvez pudesse ter cuidado de seu pai com total dedicação, e o acidente não teria acontecido...

Os cantos dos olhos de Vivian arderam de leve; ela fungou com o nariz avermelhado antes de escrever a palavra "papai" logo em seguida.

Fazendo as contas, o período tradicional de luto pelo falecimento de seu pai estava prestes a se completar, mas ela se encontrava a quilômetros de distância dali, sem a menor condição de ir até o túmulo dele para prestar suas homenagens.

Lucas, ao ler o que estava escrito, sentiu a preocupação em seu peito diminuir gradualmente.

Ele falou com a voz suave: "O mais importante para você agora é recuperar a saúde. Tenho certeza de que o seu pai compreenderá."

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Vivian baixou os olhos e soltou a caneta de leve.

No fundo, ela sentia um imenso desejo de retornar; enquanto seu pai estava vivo, ela não havia conseguido passar muito tempo ao lado dele, e não queria deixá-lo totalmente abandonado naquele lugar.

Lucas insistiu com mais alguns conselhos, e Vivian esforçou-se para comer apenas algumas colheradas.

Assim que ela adormeceu para descansar, Lucas deixou o quarto e dirigiu-se ao gabinete do Dr. Murilo.

"Dr. Murilo, há alguma outra alternativa para recuperar o nervo das cordas vocais dela?", ele perguntou com total empenho ao acomodar-se diante do médico.

O Dr. Murilo pousou a caneta e ponderou por um instante antes de responder: "Uma intervenção cirúrgica traria esperanças, o problema é que os riscos são elevados e a taxa de sucesso não é alta. Por essa razão, eu geralmente não recomendo que os familiares assumam tamanho risco."

Ao ouvir aquilo, Lucas baixou a cabeça com as sobrancelhas franzidas.

Ele vinha ocultando de Vivian a gravidade da lesão no nervo das cordas vocais, e ela acreditava que bastaria repousar mais um tempo para conseguir falar. Quanto mais o tempo passava, maior se tornava a expectativa dela. Se ele revelasse agora que talvez nunca mais recuperasse a voz, ela conseguiria aceitar?

O Dr. Murilo pegou um cartão de visitas na gaveta e o pousou diante de Lucas: "Este é um colega de profissão, um especialista renomado em neurofisiologia. Se o senhor decidir seguir em frente, pode procurá-lo."

Lucas pegou o cartão para ler e deparou-se com o nome do Dr. Leandro, mas...

"No Rio de Janeiro?", sua fisionomia travou.

"Ele atende em um hospital de grande porte lá", explicou o Dr. Murilo, com um tom que carregava um rastro de admiração.

O olhar de Lucas obscureceu; depois de tantas voltas, significava que eles teriam que retornar afinal?

Ele guardou o cartão no bolso e disse: "Agradeço o apoio, Dr. Murilo. E diante do estado atual da Vivian, ela teria condições de viajar?"

O Dr. Murilo balançou as mãos imediatamente: "Agora de forma alguma. Ela precisa de repouso absoluto por pelo menos mais um mês."

Lucas ponderou por alguns instantes antes de se levantar: "Compreendo, não vou tomar mais o seu tempo."

"Por nada."

Ao deixar o gabinete médico, Lucas caminhou em direção ao quarto e pegou o cartão no bolso, discando para o número indicado.

"Alô, por favor, gostaria de falar com o Dr. Leandro..."

O clima tornava-se cada vez mais frio. As noites em Curitiba eram muito mais silenciosas do que as do Rio de Janeiro, trazendo a Vivian o ambiente propício para repassar tudo o que havia vivenciado nesses anos.

Ela contemplava as árvores do lado de fora da janela, e o torpor de sono que sentia há pouco pareceu desaparecer por completo.

Já faziam quase dois meses; será que Igor e Juliana já haviam se unido definitivamente? Ou até mesmo se casado?

Ao pensar nisso, Vivian franziu as sobrancelhas, praguejando contra a sua própria fraqueza no fundo do coração.

Eles já haviam se divorciado e, diante de tudo o que Igor havia feito contra ela, por que ela ainda deveria se importar com ele?

Contudo, à medida que se acalmava, ela sentia uma imensa saudade dos tempos de colégio, quando observava Igor escondida.

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