localização atual: Novela Mágica Moderno Quando as ondas te trazem de volta Capítulo 6

《Quando as ondas te trazem de volta》Capítulo 6

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Após acender uma chama tardia em homenagem ao pai, ela caminhou para o exterior.

Vivian posicionou-se nos degraus de pedra, erguendo os olhos para as nuvens brancas que pareciam ao alcance de sua mão, e seu olhar tornou-se gradualmente vago.

Na imensidão do mundo humano, já não restava nenhum parente de sangue ligado a ela.

Quem a amava e quem ela amava já haviam partido.

Com os olhos cheios de lágrimas, ela baixou a cabeça, e um pensamento sombrio abriu uma brecha em sua mente.

"A paisagem daqui não é belíssima?"

Vivian assustou-se e virou o rosto para olhar. Um monge estava parado a poucos passos de distância. Ela secou as lágrimas com certa timidez e assentiu: "Muito bela."

O monge sorriu: "Na vida de um ser humano, tudo o que vem é paisagem, e tudo o que vai se transforma em memória. Em vez de desistir precocemente, seria melhor desfrutar deste processo, contemplando o florescer e o murchar das flores ao longo da jornada."

Ao ouvir aquilo, as pupilas de Vivian travaram, e seus pensamentos deram mil voltas, despertando inclusive um sentimento de vergonha.

Seus pais haviam lhe dado a vida, e ela era a continuidade da existência deles. Como poderia descartar tão levianamente o bem mais precioso que recebera?

Mesmo que eles já não estivessem presentes, ela deveria continuar vivendo carregando a memória deles, testemunhando cada florescer e murchar de sua própria existência.

Vivian curvou os cantos dos lábios com as lágrimas nos olhos, uniu as palmas das mãos e fez uma reverência ao monge: "Obrigada, eu compreendi."

Após passar mais alguns dias no local, ela acomodou-se no ônibus de retorno.

Vivian sentou-se na poltrona junto à janela. Ao avistar o desfiladeiro de dezenas de metros à beira da estrada, sentiu um sobressalto no coração e desviou o olhar por instinto.

Contudo, a condução seguia firme. Diante do longo trajeto, Vivian começou a sentir um leve torpor de sono.

De repente, numa curva acentuada, o veículo fez uma conversão brusca para a direita, arremessando todos os passageiros para o lado esquerdo.

Vivian despertou em um sobressalto!

Antes que pudesse esboçar qualquer reação, um estrondo massivo ecoou, e o ônibus tombou de lado, ficando pendurado na beira do desfiladeiro, com metade da carroceria suspensa no vazio!

Capítulo 10: FM 89.3

Gritos desesperados e cheios de pânico ecoavam pelos ouvidos de Vivian. Ela suportava a dor aguda em seu abdômen, que era fortemente pressionado pelo cinto de segurança, e tentava manter a calma a todo custo, mas era totalmente em vão.

O motorista gritava a plenos pulmões, ordenando que os passageiros na parte da frente se movessem com cuidado e rastejassem em direção à saída de emergência na traseira do veículo.

Vivian estava sentada na última fileira. Seu coração transbordava um desespero sem limites, mas as pessoas que já haviam conseguido sair pela frente não desistiram; elas retornaram para estender a mão àqueles que ainda permaneciam presos.

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Ao avistar os rostos angustiados e tensos daquelas pessoas e o esforço genuíno para salvar vidas, ela se lembrou instantaneamente da noite em que seu pai sofrera o acidente. Os cantos de seus olhos se avermelharam, e o pânico que a dominava diminuiu de repente.

"Moça, me dá a sua mão rápido!" Um homem de aproximadamente quarenta anos estendeu o braço na direção dela, preparando-se para puxá-la para fora.

Vivian olhou para ele, e seus olhos brilharam com um lampejo de esperança.

Ela estava prestes a estender a mão quando um choro contínuo ecoou um pouco mais à frente, à sua diagonal.

Vivian inclinou o corpo para olhar e viu uma garotinha de seis ou sete anos, totalmente presa entre as ferragens do assento.

Nesse instante, o coração de Vivian despencou, e ela tomou uma decisão por instinto.

"Garotinha", Vivian estendeu a mão na direção da menina e disse com doçura, "não tenha medo, dê a mão para a titia."

Com o rosto coberto de lágrimas, a menina estendeu a mãozinha com cautela.

O ônibus começou a deslizar de forma instável para o desfiladeiro devido aos movimentos de Vivian ao puxar a criança, deixando todos os presentes em completo desespero.

Vivian engoliu o medo e, com um puxão vigoroso, usou todas as suas forças para erguer a menina nos braços, gritando desesperadamente: "Segurem ela!"

O homem agiu com rapidez, agarrou as mãos da garotinha e a puxou para fora do veículo.

Contudo, logo em seguida, um estrondo massivo ecoou: "Boom!"

O ruído avassalador que reverberou pelo vale dilacerou o coração de cada alma que gritava em pânico. O ônibus despencou pelas encostas do imenso desfiladeiro como se fosse um carrinho de brinquedo.

Durante os capotamentos, Vivian sentiu como se todos os seus órgãos internos estivessem sendo esmagados e triturados juntos. Sob a intensidade daquela dor absurda, ela perdeu a consciência pouco tempo depois, restando apenas um vislumbre de lucidez para recordar sua breve existência.

Papai, mamãe... Vivian não queria morrer, ela realmente desejava continuar vivendo, mas apenas escolheu dar a oportunidade de sobrevivência a uma criança.

Mais um estrondo violento perfurou seus tímpanos, e ela submergiu completamente na escuridão absoluta...

Rio de Janeiro.

A chuva caía sem trégua há dias, como se tentasse apagar de vez os vestígios de alguém que havia deixado aquela cidade fútil.

Ao lado do poste de luz, bem em frente ao edifício da rádio, alguns fiapos de fumaça escapavam de dentro de um Bentley preto e logo se dissipavam no ar.

Igor mantinha uma expressão gélida enquanto se escorava no encosto do banco, esmagando o sétimo cigarro que havia fumado pela metade.

Ele observava a cortina de chuva sob a noite, e seu coração, inquieto há dias, afundava gradualmente numa profunda angústia.

Faziam exatos oito dias que ele não via Vivian, e não havia recebido sequer uma única chamada ou mensagem de texto dela.

Ele estreitou os olhos e, irritado, passou a mão pelos cabelos pretos desalinhados. Sentia uma ponta de indignação diante do desapego repentino de Vivian, somada a um mal-estar perturbador cuja origem ele próprio não sabia explicar.

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Passava de quase dez da noite.

Igor olhou para o relógio, fechou o vidro do carro para isolar o ruído do vento e da chuva e ligou o rádio do veículo. Por um impulso inexplicável, sintonizou na frequência FM 89.3, a qual só havia escutado uma única vez no passado.

A última vez que havia sintonizado aquela estação fora apenas para atormentar Vivian.

"Olá, amigos ouvintes, bem-vindos. Eu sou a Iara..." A voz era extremamente doce, mas, por alguma razão, parecia trêmula.

Não era Vivian.

Igor franziu as sobrancelhas e pegou mais um cigarro, posicionando-o entre os lábios.

Ele estendeu a mão, prestes a mudar de estação.

Nesse momento, a locutora falou com a voz embargada pelo choro: "Pedimos desculpas aos nossos ouvintes, mas precisamos interromper a programação para transmitir um comunicado de pesar a todos os que acompanhavam a Vivian."

Ao ouvir aquilo, a mão de Igor travou no ar, e ele virou o rosto de forma rígida na direção do som.

"Ela sofreu um terrível acidente de trânsito enquanto retornava de sua viagem a Machu Picchu. Ela sacrificou a própria vida para salvar uma garotinha..."

A voz embargada da locutora silenciou por um instante.

A respiração de Igor pareceu ser completamente sufocada por aquele breve e mortal silêncio.

"Ela faleceu em 18 de dezembro de 2020, no Hospital de Canela..."

Capítulo 11: A Chuva Parou

As pupilas de Igor se contraíram abruptamente, seus lábios tremeram e o cigarro escapou, caindo no assoalho do carro.

"Nós estamos profundamente entristecidos com a perda... de nossa querida colega, mas também nos orgulhamos imensamente de sua coragem..."

A locutora já chorava copiosamente do outro lado, mas ainda se esforçava para transmitir as informações sobre Vivian.

No entanto, todas as palavras seguintes foram bruscamente interrompidas pela mão de Igor, que pressionou o botão de desligar.

Igor manteve os punhos cerrados com força, com os cantos dos olhos vermelhos como sangue; seu peito arfava violentamente, assemelhando-se ao de um paciente que necessitava desesperadamente de oxigênio.

Vivian... morreu?

He fixou os olhos nos pingos de chuva que escorriam pelo para-brisa dianteiro e, afrouxando de repente a mandíbula travada, soltou uma gargalhada carregada de uma fúria avassaladora.

No instante seguinte, Igor deu a partida no carro, engatou a marcha e pisou fundo no acelerador.

Avançando contra o vento e a chuva ao longo do trajeto, Igor transformou o veículo executivo em um verdadeiro carro de corrida.

Diante do edifício da rádio, o carro parou com um ruído agudo de frenagem.

Igor abriu a porta e, ensopando-se sob a chuva, invadiu o saguão do prédio, rugindo na direção de Amanda, a recepcionista que assistia à cena atônita: "Mande a Vivian descer agora!"

Nesse momento, ele parecia um vulcão prestes a entrar em erupção, exalando uma aura gélida que causava pavor em quem assistia.

"Por... por favor, senhor, acalme-se." Amanda tentou conter Igor, mas, ao cruzar com o olhar dele, recolheu-se em pânico e silenciou.

Nessa hora, Carlos saiu do elevador. Ao deparar-se com Igor ali, demonstrou surpresa por um momento, mas logo achou que era o esperado.

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