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《Quando as ondas te trazem de volta》Capítulo 5

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Ao vê-la naquele estado deplorável, Igor hesitou por um instante, mas logo virou o rosto e respondeu friamente: "Com que justificativa?"

Vivian sentiu a respiração travar: "Eu lhe dou o que você quiser, estipule as condições."

Ao ouvir aquilo, Igor manteve-se em silêncio por um momento, e seu olhar tornou-se subitamente gélido: "Transfira as ações da empresa que o velho lhe deixou para a Juliana."

Capítulo 8 

As pupilas de Vivian sofreram um choque violento, mas ela não se importou com mais nada, apenas assentiu bruscamente.

Igor soltou um estalo de língua desdenhoso e ajustou os punhos da camisa: "Está bem, mandarei alguém entregar o dinheiro daqui a pouco."

Assim que terminou de falar, o motorista pisou no acelerador, como se tivesse recebido uma ordem direta.

"Não! Não!" Vivian agarrou-se à porta do carro com firmeza, sendo arrastada para a frente, "Meu pai está deitado na mesa de cirurgia agora mesmo! Você não pode me dar o dinheiro agora?"

O veículo parou bruscamente mais uma vez, quase arrastando Vivian para baixo das rodas.

Ao presenciar a cena, uma onda de fúria brotou de repente no peito de Igor: "Por acaso ele vai morrer se você esperar por apenas alguns minutos?"

O coração de Vivian sofreu uma contração violenta ao ouvir aquilo: "Por favor..."

Sob a chuva torrencial, aquele apelo profundamente humilhante deixou Igor extremamente irritado.

Ele desviou o olhar com frieza e ordenou que o motorista pegasse um cartão: "Fique com a metade primeiro. Amanhã, às duas horas da tarde, estarei esperando por você no Restaurante Le Petit com o documento de transferência das ações."

O coração de Vivian pareceu ser completamente encharcado por aquela chuva gelada, transbordando melancolia e um ridículo inevitável.

Aquele era o homem que ela havia amado por tantos anos, tão mesquinho a ponto de não lhe conceder um único voto de confiança, suspeitando de uma mentira até mesmo diante do dinheiro que salvaria uma vida.

Vivian engoliu todo o sofrimento com esforço e disse, com a voz embargada: "Eu aceito." Com um leve ruído salpicando a água acumulada, o cartão bancário foi arremessado ao chão.

Vivian inclinou-se rapidamente para recolhê-lo, apertando-o com firmeza na palma da mão. Quando ergueu os olhos novamente, o carro já havia partido para longe.

Com os olhos avermelhados, ela se preparava para correr de volta ao hospital quando o celular dentro da bolsa começou a vibrar.

Procurando um abrigo para se proteger da chuva, Vivian pegou o celular às pressas. Ao notar que era uma chamada do hospital, seu coração subiu direto à garganta.

Ela não tinha coragem de atender, temendo receber a pior das notícias.

No entanto, por fim, ela se forçou a pressionar o botão de atendimento e adiantou-se com pressa: "Alô, doutor! Eu já consegui o dinheiro!"

Houve um momento de silêncio do outro lado da linha antes que uma voz grave ecoasse gradualmente: "Lamento muito, mas os procedimentos de reanimação de seu pai falharam...".

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Com um estrondo violento, o trovão no céu ecoou junto com o zumbido em sua mente, ceifando quase por completo a consciência de Vivian.

Suas pupilas dilatadas tremeram, sua respiração pareceu congelar diante das palavras do médico, e tudo diante de seus olhos escureceu aos poucos, até desaparecer por completo.

……

Vivian cuidou dos trâmites fúnebres de seu pai sozinha.

Desde o momento em que entrou na funerária, seu celular não parou de tocar por dois dias inteiros. Somente no terceiro dia o aparelho descarregou e desligou.

Desolada, ela retornou à Mansão da Barra e deparou-se com Igor sentado no sofá, como se estivesse à sua espera.

Igor virou o rosto para olhar, e seu olhar sombrio travou abruptamente.

Vivian ainda vestia as mesmas roupas de dias atrás, com a calça de alfaiataria manchada de lama e vestígios de sangue. Seu rosto pálido parecia desprovido de qualquer expressão, e seus olhos estavam opacos, sem o menor vestígio de brilho.

Sua garganta contraiu-se, e nenhuma das palavras que ele havia planejado conseguiu sair.

Vivian agiu como se não tivesse visto Igor e caminhou direto em direção às escadas.

Igor franziu as sobrancelhas, e seu olhar tornou-se gradualmente complexo: "Por acaso você não quer mais a outra metade do dinheiro?"

"Meu pai morreu."

A voz extremamente rouca soou como um trovão, deixando Igor atônito.

Será que o sumiço dela nesses últimos dias fora justamente para cuidar do funeral do pai?

Após pronunciar a frase, Vivian continuou a caminhar para frente.

Igor observou a silhueta rígida dela se afastando e acendeu um cigarro. Os dois dedos que seguravam o tabaco tremeram de leve, mas ele próprio não percebeu.

Poucos minutos depois, Vivian desceu as escadas trazendo apenas uma pequena bolsa de viagem nas mãos.

O olhar de Igor congelou, e a fumaça tragada pareceu ficar completamente estagnada em seu peito e em sua garganta.

Vivian lançou um olhar para o documento de transferência das ações sobre a mesa, caminhou direto até ele e pegou a caneta.

Cada traço da caligrafia trêmula deixou o peito de Igor ainda mais sufocado.

Vivian fixou os olhos no nome de Juliana impresso no documento e falou de forma mecânica: "Ela é tão boa assim?"

Havia uma ponta de desorientação em seus olhos, sem compreender por que Igor amava alguém tão dissimulada quanto Juliana.

Após um longo silêncio, os lábios tensos de Igor moveram-se lentamente: "Há oito anos, ela salvou a minha vida."

Ao ouvir aquilo, as pálpebras de Vivian tremeram, e suas memórias retrocederam subitamente para oito anos atrás.

Aos dezesseis anos, ela e o pai recolhiam conchas na praia quando salvaram Igor, que havia caído no mar por acidente.

Naquela época, Igor ainda estava inconsciente quando o velho herdeiro chegou para buscá-lo, mas ela não compreendia por que Igor acreditava que Juliana fora a sua salvadora.

Será que fora apenas por ter sido salvo que ele desenvolvera afeto por ela e se apaixonara?

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Vivian ergueu os olhos para encarar Igor, sentindo um imenso desejo de perguntar: "Se tivesse sido eu a salvar você, você teria se apaixonado por mim?", mas, pensando bem, aquilo já não fazia o menor sentido.

Ela se levantou exausta, pegou o acordo de divórcio já assinado na bolsa e o pousou sobre a mesa.

"Se eu soubesse que era dela que você gostava desde o início, eu preferiria morrer a aceitar o pedido do vovô para me casar com você."

Capítulo 9: Contemplar o Florescer e o Murchar da Jornada

As palavras de Vivian, repletas de arrependimento e dor, pareceram perfurar o coração de Igor, fazendo a mão que segurava o cigarro tremer.

Vivian soltou um sorriso autodepreciativo, virou-se e partiu, sem olhar para trás nenhuma vez.

O ruído da porta se abrindo e fechando agiu como uma tesoura, cortando a corda tencionada na mente de Igor.

Olhando para o acordo de divórcio sobre a mesa, ele sentiu de repente uma sensação letal de vazio no coração.

Igor cerrou os punhos com força e tragou o cigarro profundamente, sentindo o sabor repentinamente picante e sufocante.

Irritado, ele esmagou a brasa no cinzeiro e escorou-se no encosto do sofá, imerso no silêncio.

Rádio, gabinete do diretor.

"Peço desculpas, diretor, mas talvez eu precise pedir mais alguns dias de licença. Quero viajar um pouco", Vivian falou com a voz abafada, esforçando-se para manter a postura, "Se a empresa achar inviável, eu... posso me demitir."

O diretor deu um leve toque no ombro dela e suspirou: "Todos nós ficamos muito tristes com o que aconteceu ao seu pai, e também esperamos que você cuide da sua saúde. Fique tranquila, farei o possível para conseguir duas semanas de licença para você."

Ao ouvir aquilo, os olhos ressecados de Vivian chegaram a marejar.

Neste mundo, ainda havia quem se importava com ela.

Ela olhou para o diretor e fez uma profunda reverência: "Obrigada."

Dito isso, ela endireitou o corpo e se virou para sair. "E para onde você pretende ir?"

A mão de Vivian segurando a maçaneta apertou-se, e ela respondeu com a voz rouca: "Machu Picchu."

Aquele lugar belo e sagrado era o destino com o qual seu pai sempre sonhara.

Ela ainda se lembrava de quando era criança, antes de seu pai sofrer a lesão cerebral, de como ele a segurava nos braços e apontava para as imagens da fortaleza na televisão dizendo: "Este é o lugar que o papai mais deseja conhecer. Quando a Vivian crescer, o papai vai levar a Vivian até lá."

Embora não tivesse tido a oportunidade de ser levada por ele, ela poderia levá-lo consigo agora...

Antes de partir, Vivian fixou os olhos no número de Igor no celular e, após alguns minutos de hesitação, seu dedo finalmente pressionou a tecla de exclusão.

Após uma longa e cansativa viagem, Vivian chegou ao destino.

Ela contemplou as montanhas distantes e apertou a concha nas mãos com um leve tremor: "Pai, você está vendo? Nós chegamos...".

Trazendo consigo a concha que fora o último legado de seu pai, Vivian caminhou a pé pelas trilhas sagradas.

No santuário antigo, o aroma suave de incenso invadiu suas narinas e os ecos dos cânticos preencheram seus ouvidos, trazendo a Vivian uma rara sensação de serenidade no coração.

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