Vivian procurava pelas ruas seguindo a direção do desaparecimento de seu pai. Ela perguntava incansavelmente aos pedestres sobre o paradeiro dele, mas todos balançavam a cabeça dizendo que não o tinham visto.
Sua respiração estava pesada, a mão que segurava o guarda-chuva tremia levemente e, com os olhos marejados, ela contemplava as ruas iluminadas. O desamparo e a perda alimentavam uma angústia que parecia prestes a devorá-la por inteiro.
Seu pai já era o seu único parente vivo, ela não podia perdê-lo também!
Sua calça já estava completamente encharcada pela água da chuva, causando um frio congelante. Vivian tentou recompor as forças e se preparou para abordar a próxima pessoa.
Contudo, por estar desatenta, ela não percebeu que o sinal estava vermelho. Um Bentley avançou em sua direção.
A mente de Vivian ficou em branco. Ela cambaleou dois passos para trás e caiu no chão, enquanto o guarda-chuva rolava para o lado.
Após o som estridente dos freios ecoar, o carro parou a um metro de distância dela.
Ela ergueu a mão para bloquear a luz dos faróis altos e, semicerrando os olhos para enxergar, viu Igor e Juliana descendo do veículo.
Igor não imaginava que aquela pessoa "sem olhos" era justamente Vivian. Ao notar que ela estava completamente encharcada, com os ombros tremendo de leve e num estado deplorável,
seu coração sofreu uma pontada inexplicável de dor. Mesmo assim, ele manteve a expressão severa e esbravejou: "Você enlouqueceu?!"
Vivian estancou por um instante e, como se visse a sua salvação, levantou-se do chão. Com a mão gélida, agarrou a barra da roupa dele: "Igor, meu pai sumiu. Você pode me ajudar a procurá-lo, por favor?"
Um lampejo de surpresa passou pelos olhos de Igor.
Juliana, contudo, manifestou uma surpresa fingindo ingenuidade: "Vivian, o tio foi até a empresa do Igor da outra vez e quase arruinou os negócios dele. Sabe-se lá para onde ele foi brincar de novo. Pedir para o Igor procurá-lo não é claramente uma tentativa de fazê-lo passar vergonha?"
Ao ouvir aquilo, o semblante de Igor escureceu ainda mais, e seu olhar tornou-se gélido.
Ele empurrou a mão de Vivian: "Procure você mesma."
Dito isso, entrou no carro. Juliana exibiu um sorriso triunfante no canto dos lábios, acenou para ela e também se acomodou no veículo.
"Igor...", balbuciou Vivian caída no chão, com o rosto pálido.
O carro partiu sem nenhuma piedade. Seu coração sofreu uma contração violenta; ela se levantou para correr atrás do veículo, mas pisou em falso numa poça de lama e caiu pesadamente no chão.
Sem conseguir distinguir a água da chuva de suas lágrimas, as lanternas traseiras vermelhas do carro se transformaram num borrão. Vivian soltou um grito desesperado: "Igor!"
De repente, um trovão ecoou no céu, como se estivesse atingindo o próprio coração de Vivian.
Vivian já havia abandonado o guarda-chuva. Com a água escorrendo por todo o corpo, ela vagava pelas ruas cada vez mais desertas. A angústia e o pânico em seu peito eram como duas amarras sufocantes apertando seu coração, impedindo-a de respirar.
"Pai... Pai! Onde você está afinal?"
Sua voz rouca foi completamente abafada pelo ruído da chuva, restando apenas o seu lamento impotente.
De repente, ela escorregou e caiu de maduro para frente.
Uma sensação ardente e dolorosa veio da palma de sua mão. Ela olhou atônita para a pele esfolada.
Ela ainda se lembrava de que, no dia do acidente de carro de seus pais, ela também havia caído e esfolado as mãos, cobrindo-as de sangue.
Num instante, seu coração pareceu despencar num abismo sem fim.
Vivian lutou para se levantar e continuou a gritar de forma ainda mais frenética, repetindo para si mesma que aquilo fora apenas um descuido dela!
Contudo, no fundo, parecia haver uma força misteriosa conduzindo seus passos numa direção específica.
No cruzamento adiante, cerca de dez pessoas formavam uma aglomeração. Um veículo utilitário estava parado no meio da via, indicando que ocorrera um acidente de trânsito.
O coração de Vivian apertou, e inúmeras possibilidades passaram por sua mente. Ela hesitou, sentindo as pernas pesadas como chumbo, incapaz de dar mais um passo.
Ela não tinha coragem de avançar, temendo que fosse exatamente o que imaginava, mas, ao mesmo tempo, sentia o impulso de ir até lá para desmentir o seu próprio temor.
Seu corpo tomou a iniciativa primeiro. Com o olhar fixo na multidão, ela correu a passos vacilantes na direção do tumulto.
Ao passar pelo aglomerado de pessoas, Vivian sentiu suas pupilas se contraírem abruptamente diante da cena.
Seu pai estava caído no chão com o rosto coberto de sangue. A água da chuva lavava o sangue espalhado pelo asfalto, que, sob a luz dos postes, assemelhava-se a um lago vermelho cintilante.
"Pai!"
Capítulo 7: Transfira as Ações
Aquele grito dilacerante assustou as pessoas ao redor.
Vivian atirou-se ao chão, querendo amparar o pai nos braços, mas tinha medo de tocá-lo e agravar os ferimentos.
Sua mão trêmula tocou o rosto gradualmente pálido, e ela chamou com a voz embargada: "Pai! Pai! Acorda!"
O rosto de seu pai estava ainda mais frio do que as mãos dela, enviando um arrepio gélido direto ao seu coração.
Como se tivesse ouvido o apelo desesperado de Vivian, o homem abriu lentamente os olhos opacos. Seus lábios ensanguentados moveram-se de leve, mas nenhuma palavra conseguiu sair.
"Pai! Aguenta firme!" Pranteando, Vivian tentou pegar o celular na bolsa às pressas, mas o zíper parecia jogar contra ela, recusando-se a abrir.
O pânico tomou conta dela, deixando-a à beira de um colapso.
De repente, a chuva que caía sobre ela cessou. Vivian ergueu os olhos e viu uma mulher segurando um guarda-chuva ao seu lado.
"Não se desespere, moça. Já chamaram a ambulância." A mulher confortou-a com uma voz suave.
As outras pessoas também aproximaram seus guarda-chuvas para proteger Vivian e seu pai da água.
Um carro que passava pelo local também parou. O motorista desceu e pegou cones reflexivos de sinalização no porta-malas para isolar a área ao redor do grupo.
Num instante, uma onda de calor fluiu para o coração gelado de Vivian. Com os olhos cheios de lágrimas, ela agradecia repetidamente a cada uma daquelas almas bondosas.
Seu pulso foi subitamente envolvido de leve por uma mão áspera. Vivian estancou por um momento e olhou para o pai.
"Pai?" Sua voz já estava incrivelmente rouca.
O homem se esforçou para erguer a outra mão que mantinha fechada, pousando-a sobre a palma da mão dela.
Vivian sobressaltou-se ao notar que havia recebido uma concha branca manchada de sangue.
A voz de seu pai soou de forma distante e etérea, mas cada sílaba foi ouvida com total clareza por ela.
"Pai...", a voz de Vivian tremia.
Com os olhos entreabertos, ele se esforçou para curvar os cantos dos lábios num leve sorriso: "Vivian." O som quase imperceptível de seu nome fez as lágrimas de Vivian transbordarem de vez. Contudo, antes que ela pudesse esboçar qualquer reação ao ouvi-lo pronunciar seu nome, os olhos dele começaram a se fechar lentamente, restando apenas o leve arco do sorriso nos lábios.
"Pai? Pai!" A mente de Vivian ficou completamente em branco, e seu clamor doloroso causava aperto no coração de quem ouvia.
A sirene da ambulância cortou a escuridão daquela noite interminável como uma lâmina.
Somente ao chegar à porta da sala de emergência Vivian reuniu forças para soltar a mão já sem vida de seu pai.
A porta se fechou com um estalo, separando-a de seu pai moribundo.
Vivian escorou-se na parede e agachou-se lentamente, levando as mãos cobertas de sangue aos cabelos úmidos, puxando-os em desespero.
Pouco tempo depois, um médico saiu da sala. Vivian correu desesperada em direção a ele e o segurou: "Doutor, como está o meu pai?"
O médico exibiu uma expressão difícil: "O paciente já tinha uma lesão cerebral prévia, e o estado atual é muito delicado...".
O corpo de Vivian vacilou e, ao ouvir o médico mencionar que a cirurgia custaria cento e cinquenta mil e que, somada ao tratamento posterior, a conta poderia chegar a trezentos mil, ela ficou completamente atônita.
Antes de se casar com Igor, eles haviam assinado um acordo estipulando a separação total de bens.
Embora fosse apresentadora de rádio, quase todas as suas economias haviam sido gastas no tratamento de seu pai e no pagamento da cuidadora.
Ela não tinha a menor condição de arcar com trezentos mil.
Sua mente foi invadida pelo pânico e pelo desamparo, até que a fisionomia de Igor surgiu em seus pensamentos.
Clube Privé Copacabana.
Sob a chuva torrencial, Vivian, que acabara de descer de um táxi, viu Igor saindo do estabelecimento com uma expressão vazia.
"Igor!" A voz rouca de Vivian foi engolida pelo barulho da chuva.
Ao notar que Igor já havia entrado no carro, ela correu desesperada e se posicionou bem em frente ao veículo.
O motorista assustou-se e pisou no freio às pressas.
Vivian caminhou rapidamente até a janela traseira. Com o corpo todo tremendo, ela agarrou o vidro com firmeza: "Meu pai sofreu um acidente de carro e precisa de cirurgia. Você... você pode me emprestar trezentos mil?"