Observando os olhos avermelhados dela, a respiração de Igor acelerou de leve e, travando os dentes, ele rosnou uma única palavra: "Suma."
Vivian, contudo, esboçou um sorriso sem perceber, embora fosse um sorriso mais doloroso do que um pranto.
Ela moveu os lábios e, por fim, apenas disse com a voz rouca: "Vou trabalhar."
Dito isso, virou-se e saiu.
Ao ver aquela silhueta esguia desaparecer pela porta, a mente de Igor afundou numa irritação ainda maior.
Na rádio.
Vivian não conseguiu continuar o trabalho, pois já passava da meia-noite quando deixou o estabelecimento. Ela havia cantado por quase cinco horas consecutivas, desgastando a voz ao extremo e com o coração reduzido a pedaços.
Contudo, faltar logo no primeiro dia da mudança de horário do programa exigia uma justificativa.
O diretor a repreendeu com insatisfação, mas, ao notar a sua voz completamente desgastada, suspirou e acabou lhe concedendo uma folga.
Vivian retornou para casa com amargura no peito e preparou uma xícara de chá morno para tomar; embora o sabor fosse adocicado, em sua boca parecia extremamente amargo.
No dia seguinte.
O quarto estava completamente vazio. Vivian percebeu que Igor passara mais uma noite sem voltar para casa.
Ela baixou os olhos, ocultando a impotência e a melancolia em seu olhar.
De repente, o celular tocou. Vivian olhou para a tela; era Dona Odete, a cuidadora que tomava conta de seu pai.
Assim que atendeu, ouviu a voz sobressaltada da cuidadora: "Vivian, o seu pai foi levado à força por uma moça que diz ser sua prima!"
O coração de Vivian deu um salto violento, e a aflição e a preocupação inundaram sua mente no mesmo instante.
Desde o acidente de carro, o desenvolvimento mental de seu pai havia regredido ao de uma criança, deixando-o totalmente incapaz de se proteger. O que Juliana pretendia fazer?!
Vivian tentou ligar para Juliana imediatamente, mas a chamada não era atendida de forma alguma.
O olhar de Vivian obscureceu, e ela enviou uma mensagem de texto: "Se você não atender agora, eu chamo a polícia."
Finalmente, a ligação foi completada.
Antes que Vivian pudesse dizer algo, Juliana falou em tom de triunfo: "Eu trouxe o seu pai lunático aqui para a empresa do Igor. Sendo o divórcio um assunto tão sério, você deveria ao menos comunicar aos responsáveis, não acha?"
O rosto de Vivian perdeu a cor instantaneamente. Igor nutria uma profunda aversão pelo pai dela!
Ela desligou o telefone e correu em direção ao edifício da empresa.
Enquanto isso, Igor descia pelo elevador lateral acompanhado por dois diretores de empresas parceiras.
Quando Vivian entrou às pressas no saguão da empresa, a cena diante de seus olhos fez o seu mundo desabar.
Bem no centro do salão movimentado, o pai de Vivian sorria de forma inocente enquanto segurava a mão de Igor, tentando colocar ali um chocolate que costumava guardar com carinho: "Menino... menino, come um doce...".
Capítulo 5: O Pai Lunático
"Pai", exclamou Vivian com o rosto pálido, correndo para a frente, mas acabou colidindo com o olhar profundo e sombrio de Igor, que parecia um abismo.
Vivian hesitou por um instante e, travando os dentes, avançou para puxar a mão de seu pai.
No entanto, no segundo seguinte, Igor ergueu o braço com violência, empurrando o homem mais velho, que caiu no chão com um impacto surdo.
Olhando para o doce que não conseguira entregar, o pai de Vivian estancou por um breve momento antes de começar a chorar copiosamente.
"Pai, você se machucou...?", perguntou Vivian com o coração partido, ajudando-o a se levantar.
Igor, ao presenciar o estado de regressão mental do homem e ao notar os olhares estranhos dos parceiros de negócios, sentiu uma onda de fúria arder em seu peito.
Os cantos de seus lábios se curvaram num sorriso que trouxe pânico ao coração de Vivian: "Você está fazendo isso de propósito para se vingar de mim?"
"Não!", respondeu ela, balançando a cabeça freneticamente.
A expressão de Igor tornou-se subitamente severa, e sua voz carregava um tom de violência contida: "Suma daqui com esse lunático!"
Vivian quis explicar a situação, mas, diante do olhar gélido de Igor, sua garganta pareceu bloqueada por um nó, e nenhuma palavra conseguiu sair.
Por fim, sua silhueta balançou de leve e, mordendo o lábio inferior empalidecido, ela fez uma breve reverência a Igor: "Desculpe."
Dito isso, amparando o pai que chorava e protestava, ela o conduziu para fora dali.
Igor observou os passos vacilantes de Vivian se afastando, e suas sobrancelhas unidas pareciam dar um nó cego.
Depois de tirar o pai do edifício, ela soltou um suspiro profundo, sentindo o peito esmagado por um peso enorme.
Mas, ao notar as roupas sujas dele, uma onda de tristeza a invadiu; ela começou a espanar a poeira das vestes dele com delicadeza.
"Estou com fome! Quero comer!", o pai voltou a protestar alto, atraindo os olhares frequentes dos pedestres.
Vivian não teve escolha senão levá-lo primeiro para comer e, depois de comprar alguns petiscos, levou-o de volta para a sua residência.
Antes de partir, ela reforçou a recomendação a Dona Odete de que, exceto ela própria, ninguém tinha permissão para buscar o seu pai.
O sol já se inclinava a oeste quando Vivian retornou para casa com o corpo exausto.
Contudo, uma silhueta esguia diante dos portões da mansão a fez parar atônita. "Lucas?", perguntou ela surpresa. "Você voltou para o país?"
Lucas esboçou um sorriso leve e assentiu: "Vivian."
Mas, no instante seguinte, uma sombra de melancolia cobriu suas feições: "Talvez fosse mais adequado eu chamar você de cunhada."
Ao ouvir aquilo, o brilho nos olhos de Vivian extinguiu-se gradualmente, e uma sensação de desolação invadiu seu coração.
Ela logo deixaria de ser.
Lucas, ao observar Vivian naquele estado, sentiu o coração apertar de compaixão; sua mão estendeu-se involuntariamente para tocar o rosto dela: "Você emagreceu."
Vivian hesitou e, por instinto, tentou se esquivar.
A voz de Igor ecoou de repente, como se tivesse congelado os movimentos de ambos instantaneamente.
"O antigo admirador chegou, não vai convidá-lo para entrar e sentar?"
Vivian se virou para olhar; Igor estava parado atrás dos portões da mansão, e a luz suave do entardecer que incidia sobre o seu rosto não trazia o menor traço de calor.
Ele fixou o olhar na mão de Lucas, com os olhos afiados como lâminas de gelo, ironizando: "Convenientemente estamos prestes a nos divorciar. Se você não se importar, pode se casar com ela e levá-la embora."
As pupilas de Vivian se dilataram em choque, e seu coração foi dilacerado instantaneamente: "Igor!"
Ele podia não amá-la, mas será que não podia ao menos deixar de tratá-la como uma mercadoria que podia ser repassada a qualquer um?!
Suas mãos caídas ao lado do corpo fecharam-se até tremer, e os cantos de seus olhos avermelhados pareciam prestes a verter lágrimas de sangue.
Lucas, por sua vez, soltou uma risada carregada de indignação: "Igor, você continua exatamente o mesmo."
Sob o olhar de Igor que parecia querer devorá-lo vivo, Lucas deu um leve toque na cabeça de Vivian: "Não carregue todo o peso do mundo sozinha."
Dito isso, virou-se e partiu.
Separados pelas grades de ferro da mansão, Vivian e Igor encaravam-se mutuamente.
Ao notar as lágrimas retidas nos olhos de Vivian, a mandíbula de Igor contraiu-se ligeiramente; ignorando a inquietação em seu peito, ele continuou a olhá-la com frieza.
O coração dolorido abrigava agora apenas exaustão; Vivian ignorou Igor pela primeira vez e, sem pronunciar uma palavra, empurrou o portão e entrou na casa.
"Espere", interpelou a voz fria de Igor às suas costas. "Você manteve contato com ele todos esses anos?"
Após questionar, a inquietação em seu peito aumentou; ele próprio não entendia por que se importava tanto.
Mas a simples ideia de que eles mantinham contato acendeu uma fúria cega em seu peito.
Vivian não se virou, e sua voz ainda rouca carregava uma profunda melancolia: "Isso realmente importa para você?"
O céu azul-escuro da noite engolia gradualmente o último rastro de luz do entardecer, e ela não obteve resposta de Igor.
Vivian soltou um sorriso autodepreciativo: "Já estamos prestes a nos divorciar, por que ainda se importar com esse tipo de coisa?"
Ela empurrou a porta principal e entrou, enquanto os passos atrás dela ecoavam cada vez mais distantes.
O vento da noite soprava suavemente, fazendo o corpo de Vivian estremecer de leve.
Ela ergueu a cabeça, secou as lágrimas que escapavam pelos cantos dos olhos, respirou fundo e caminhou para o interior da casa.
Capítulo 6: Procure Você Mesma
As pupilas de Vivian sofreram um choque violento, e o sorriso residual em seus lábios congelou instantaneamente: "Como assim? Eu não pedi para a senhora ficar de olho nele?"
Dona Odete chorou: "Eu estava na cozinha lavando a louça, e ele estava brincando no quintal. Quando eu saí, ele já tinha sumido."
"Já chamou a polícia?", perguntou Vivian enquanto caminhava às pressas.
"Já... mas como não se passaram vinte e quatro horas, os policiais não quiseram registrar...".
A chuva começou a engrossar, como se estivesse lavando toda aquela cidade fútil.