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《Quando as ondas te trazem de volta》Capítulo 2

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Carlos primeiro a parabenizou pela mudança de horário e, ao notar a sua fisionomia abatida, perguntou: "Não descansou bem? Acho que o seu semblante está um pouco abatido."

Vivian tocou o próprio rosto de forma sem jeito: "É, ando com um pouco de insônia ultimamente."

Os dois conversaram mais um pouco e, quando estavam prestes a entrar juntos, um som estridente de buzina ecoou atrás deles.

Vivian se virou e ficou atônita.

Igor estava encostado na porta do carro, com uma expressão vazia, olhando para ela com um olhar sombrio.

Seus cílios longos tremeram: "Igor? O que faz aqui?"

Igor lançou um olhar para Carlos ao lado de Vivian e pressionou a língua contra a bochecha: "O que foi? Tem medo de que eu interrompa a intimidade de vocês?"

Aquelas palavras rudes deixaram o rosto de Vivian pálido.

Ao ver a expressão de dúvida e descontentamento de Carlos, ela deu um passo à frente, contendo o sofrimento em seu peito: "Precisa de algo comigo?"

"Entre no carro", disse Igor calmamente.

Vivian respondeu subconscientemente: "Mas eu daqui a pouco preciso..."

"Entre no carro!" O rosto de Igor escureceu e seu tom de voz tornou-se agressivo, como se estivesse dando um ultimato.

Capítulo 3: Cante Até Que Ela Mande Parar

Vivian estancou no lugar. Carlos, contudo, não conseguiu mais tolerar a situação e, quando ia intervir em defesa dela, foi contido por Vivian: "Por favor, avise o diretor por mim que estarei de volta antes do início do programa."

Dito isso, ela engoliu o orgulho e entrou no carro.

Carlos ainda tentou impedir, mas, no instante seguinte, as palavras que iam sair de sua boca foram bloqueadas pelo olhar feroz e perturbador de Igor. Ele só pôde assistir, impotente, enquanto o superesportivo desaparecia num piscar de olhos.

Em meio ao ronco do motor, Vivian afivelou o cinto de segurança e perguntou com cautela: "Onde você está me levando?"

Igor respondeu casualmente: "Para a morte, você acredita?"

O coração de Vivian deu um salto. Aquela frase, que parecia uma brincadeira, soou com um tom de seriedade devido à voz gélida de Igor.

Um rastro de melancolia passou pelo fundo de seus olhos, e ela soltou um sorriso amargo: "Acredito." Em cada palavra que ele dizia, ela sempre depositara uma fé inabalável.

Igor olhou para ela de soslaio, e suas mãos sobre o volante se apertaram gradualmente: "Hipócrita."

As duas palavras leves caíram como uma rocha de toneladas sobre o coração de Vivian, esmagando-o com uma dor sufocante.

Ela pressionou os lábios firmemente e olhou para o reflexo dele no espelho retrovisor, enquanto suas mãos, de forma inconsciente, massageavam a barra da roupa. Sua respiração era tão leve, como se temesse rasgar os pulmões com a dor do coração.

Igor, do início ao fim, acreditava que ela havia se casado com ele por dinheiro. Ele não acreditava no amor dela; na verdade, demonstrava total desprezo por isso.

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As luzes de neon do lado de fora da janela passavam voando, e o interior do carro permanecia tão silencioso que apenas se ouviam as respirações individuais de ambos.

Vinte minutos depois, o carro finalmente parou.

Vivian desceu do veículo e soltou um suspiro de alívio, como se tivesse acabado de escapar de um mar profundo que a sufocava.

Mas, imediatamente, ela avistou o nome Clube Privé Copacabana na fachada suntuosa da entrada principal.

Aquele era o estabelecimento mais exclusivo do Rio de Janeiro.

"Por que você me trouxe aqui?" Vivian olhou para Igor com surpresa, sentindo uma ponta de pânico no coração.

Igor inclinou o corpo para frente, e seu hálito quente tocou a orelha dela: "Você não sempre quis que os outros a vissem como a Senhora Cavalcante?"

Aquela frase trouxe ainda mais inquietação ao coração de Vivian, despertando inclusive o desejo de fugir dali.

"Eu... não." Ela desviou ligeiramente a cabeça, esquivando-se do olhar penetrante de Igor.

Igor endireitou o corpo e seu olhar tornou-se subitamente gélido: "Se você não quer que aquele seu programa insignificante seja cancelado..."

Ele não continuou a frase, mas a intenção de ameaça já estava mais do que evidente.

Vivian mordeu o lábio inferior, baixou os olhos impotente e seguiu os passos de Igor.

Camarote VIP da cobertura.

Ao abrir a porta, um odor desagradável invadiu o ambiente. Vivian prendeu a respiração subconscientemente e, franzindo o cenho, olhou para Igor à sua frente.

No passado, era justamente porque ele costumava frequentar esse tipo de lugar que o velho herdeiro o repreendia por não ter foco na vida, adiando continuamente a entrega dos negócios da família.

Ela não imaginava que, agora que Igor já havia assumido o controle total da empresa, ele não demonstrasse a menor moderação.

"Igor." Vivian segurou a manga da roupa dele, com um tom suave que carregava um leve apelo: "Leve-me de volta para a empresa."

Igor, no entanto, puxou o braço de volta e, caminhando com firmeza, foi se sentar. A mão vazia de Vivian congelou no ar, e ela se sentiu subitamente desamparada.

No camarote, algumas mulheres com maquiagem pesada já cercavam Igor, fazendo com que o passo que ela pretendia dar para segui-lo ficasse paralisado.

Todos notaram a presença de Vivian parada junto à porta.

Ela vestia uma camisa branca e uma saia preta, com cabelos longos, pretos e lisos, exibindo uma aparência pura e encantadora que destoava completamente daquele lugar.

"Ora! O nosso Diretor resolveu mudar de gosto? Agora gosta desse tipo de prato sem tempero?"

Alguém soltou o comentário e todos caíram na gargalhada. Vivian manteve os lábios cerrados, sem dizer uma única palavra.

Igor, mantendo a postura firme, apresentou-a sem pressa: "Vivian, a esposa do Diretor."

O tom dele era leviano, não parecia em nada o de alguém apresentando a própria esposa, mas sim o de quem exibia uma mercadoria.

O coração de Vivian sofreu um aperto violento, sem entender o que ele realmente pretendia fazer.

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"Vivian?" Uma mulher que estava encostada em Igor olhou para ela com um ar de hostilidade: "Aquela apresentadora de rádio?"

Ela revirou os olhos e, segurando de repente o braço de Igor, disse com uma voz manhosa: "Igor, então ela com certeza deve cantar muito bem, não é? Que conveniente, a moça que costumava cantar hoje está com a garganta ruim, deixe que ela cante...".

Ao ouvir aquelas palavras, Vivian sentiu um choque por todo o corpo.

Aquilo não era compará-la diretamente àquelas mulheres do local?

A mão de Vivian que segurava a bolsa apertou-se num instante e, olhando para Igor, ela tentou manter a calma: "Já posso ir?"

Mas Igor pegou o microfone e olhou fixamente para ela: "Cante até que ela esteja satisfeita, e então você poderá ir."

Capítulo 4: Garoto, Come um Doce

O olhar de Igor era como uma jaula que a envolvia por inteiro, da qual era impossível escapar.

A mão espalmada de Vivian afrouxou-se gradualmente; ela caminhou em direção a ele, cada passo pesado como se pisasse no próprio coração.

De cabeça baixa, ela recebeu o microfone das mãos de Igor.

A ponta dos dedos fria como a neve fez o olhar de Igor escurecer por um instante, e uma ponta de compaixão brotou em seu peito, mas foi apenas um vislumbre antes de ele recuperar a sua rigidez habitual.

Uma música após a outra, Vivian cantava sem parar.

A tela diante de seus olhos parecia se expandir continuamente, a ponto de deixar seus olhos ardendo e ressecados, embaçando até mesmo a sua visão.

Até que sua voz ficasse completamente rouca, a mulher não ordenou que parasse; pelo contrário, continuava a chamá-lo provocativamente de "Igor".

Igor bebia seu vinho, mantendo o mesmo sorriso cínico no rosto, mas seus olhos, de forma inconsciente, voltavam-se para Vivian a todo momento.

Enquanto isso, com os olhos avermelhados, Vivian derramava todo o seu sofrimento em cada canção. A próxima melodia começou a tocar.

As mãos de Vivian segurando o microfone tremiam, e sua voz já estava desgastada: "Esqueça... por mais que eu me entregue, nunca é o bastante... sou um estorvo que insiste em se machucar... não quero mais passar vergonha."

O tom gradualmente embargado fez o peito de Igor arder, e suas sobrancelhas se contraíram involuntariamente.

Vivian parecia ter se entregado totalmente à emoção da letra, cantando de uma forma que até o barulho do camarote diminuiu um pouco.

Ela sempre fora obstinada demais para enxergar o passado com clareza, e não é que não entendesse que ele não a amava; apenas não queria abrir mão, temendo que tudo se dissolvesse num piscar de olhos...

"Pare de cantar", ordenou Igor de repente, com uma voz carregada de irritação que causava calafrios. O camarote inteiro silenciou num instante.

Mas Vivian agiu como se não tivesse ouvido e continuou a cantar.

"Eu mandei parar de cantar!"

Num movimento abrupto, o microfone foi arrancado das mãos dela por Igor, deixando uma sensação ardente na palma de sua mão.

O aparelho foi arremessado contra o chão, emitindo um ruído estridente.

Vivian olhou para ele atônita, enquanto seu coração quase anestesiado pulsava na frequência dolorosa da sobrevivência.

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