《O Filho Chamou a Empregada de Mamãe》Parte 2

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O rosto de Ethan Oliveira perdeu a cor lentamente.

Por um instante, ele não ouviu mais nada ao redor.

Nem os convidados cochichando.

Nem os passos dos garçons.

Nem mesmo o som distante da chuva começando a bater contra as enormes janelas da mansão.

Tudo desapareceu.

Porque havia apenas uma coisa ocupando sua mente.

“Clara.”

Dois anos atrás, o carro de Clara havia sido encontrado no fundo de um penhasco.

Ele ainda conseguia se lembrar daquela ligação.

Do policial.

Da voz séria.

Do silêncio que veio depois.

A polícia afirmou que o veículo explodiu no impacto.

Nenhum corpo foi encontrado.

Mesmo assim, Ethan passou meses procurando.

Contratou investigadores.

Equipes de resgate.

Helicópteros.

Mergulhadores.

Qualquer pessoa que pudesse lhe dar uma resposta.

Durante semanas, ele recusou-se a acreditar.

Porque alguma coisa dentro dele insistia que Clara ainda estava viva.

Toda manhã ele acordava esperando receber uma ligação.

Toda noite adormecia imaginando que ela voltaria pela porta da frente.

Mas o tempo passou.

As buscas terminaram.

Os investigadores desistiram.

Os amigos começaram a evitar o assunto.

Até que, com o tempo, todos começaram a dizer que ele precisava seguir em frente.

Que Noah precisava seguir em frente.

Que a dor precisava acabar.

E Vanessa...

Vanessa o ajudou a “superar” a perda.

Ela apareceu quando tudo parecia desmoronar.

Ajudou com Noah.

Ajudou com os negócios.

Ajudou a organizar a vida que Clara havia deixado para trás.

Pelo menos era isso que Ethan acreditava.

Até agora.

Até aquele momento.

Até ouvir seu próprio filho chamar outra vez aquela mulher de "mamãe".

Uma terrível suspeita começou a tomar forma na mente de Ethan.

Algo escuro.

Algo que ele não queria acreditar.

Sua voz tornou-se perigosamente calma.

“Leve o Noah para o andar de cima”, ordenou Vanessa de repente à babá.

O desespero escondido atrás da ordem não passou despercebido.

A babá hesitou.

Os convidados trocaram olhares.

Até mesmo os músicos do salão haviam parado de tocar.

No mesmo instante, Noah gritou e se agarrou ainda mais forte a Lauren.

Seus pequenos braços envolveram o pescoço dela com força.

Como se estivesse com medo de perdê-la novamente.

“Não! Não me levem embora de novo!”

A voz infantil ecoou pelo salão.

Algumas mulheres levaram a mão à boca.

Um senhor mais velho balançou a cabeça em silêncio.

A atmosfera havia mudado completamente.

Aquilo já não parecia uma festa de noivado.

Parecia o início de uma tragédia.

De novo.

Aquela palavra atingiu Ethan como uma pancada.

Os olhos dele se voltaram imediatamente para Vanessa.

“O que ele quer dizer com ‘de novo’?”

Vanessa abriu a boca.

Fechou.

Abriu novamente.

Pela primeira vez naquela noite, ela parecia não encontrar as palavras certas.

Sua compostura vacilou.

“Ele está abalado. Toda esta situação está deixando ele confuso.”

Mas nem mesmo ela pareceu acreditar na própria explicação.

Lauren permaneceu imóvel.

Noah continuava agarrado a ela.

As lágrimas do menino molhavam seu uniforme simples de governanta.

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E cada segundo daquele abraço fazia seu coração se partir um pouco mais.

Porque ela conhecia aquele choro.

Conhecia aquele cheiro.

Conhecia aquele peso em seus braços.

Era seu filho.

Seu menino.

Seu Noah.

E durante dois anos ela não pôde estar ao lado dele.

“Foi ela quem disse que a mamãe não me queria mais!”

Noah apontou para Vanessa com os dedinhos trêmulos.

O salão inteiro congelou.

As pernas de Lauren quase cederam.

Ela sentiu o sangue desaparecer do rosto.

Vanessa empalideceu.

“Não, Noah...”

Mas o menino continuou.

Como se finalmente estivesse tirando um peso enorme do peito.

“Ela disse que a mamãe foi embora porque era má...”

Sua voz falhou.

Ele limpou as lágrimas com as costas da mão.

“Ela disse que a mamãe não gostava mais de mim.”

Um murmúrio horrorizado percorreu o salão.

Vanessa olhou ao redor.

Pela primeira vez, percebeu que estava perdendo o controle da situação.

As pessoas já não a viam como a elegante futura senhora Oliveira.

Agora a observavam como alguém perigoso.

Alguém que uma criança parecia temer.

Ethan ficou completamente imóvel.

A mandíbula travada.

Os olhos fixos em Noah.

O menino continuou chorando.

“Ela disse que a mamãe foi embora porque era má... e porque o papai amava a Vanessa agora...”

Lauren fechou os olhos.

A dor daquela frase foi insuportável.

Porque ela podia imaginar Noah sozinho.

Confuso.

Esperando por ela.

Perguntando onde estava sua mãe.

E recebendo aquelas respostas.

Ethan sentiu algo quebrar dentro dele.

Ele conhecia seu filho.

Sabia quando Noah inventava histórias.

Sabia quando exagerava.

Sabia quando estava assustado.

Mas aquilo...

Aquilo era diferente.

Noah não parecia confuso.

Parecia ferido.

Parecia uma criança que havia guardado aquela dor por muito tempo.

O salão explodiu em sussurros.

“Meu Deus...”

“Você ouviu isso?”

“Ela disse isso para uma criança?”

“Isso não faz sentido...”

“Quem é essa mulher?”

“Será que ela realmente é Clara?”

Os cochichos se espalharam rapidamente.

Vanessa percebeu.

Todos estavam começando a duvidar dela.

O rosto dela ficou branco como papel.

Os dedos apertaram o tecido brilhante do vestido.

“Ethan, ele não entende o que está dizendo.”

Mas sua voz já não possuía a mesma confiança.

Ethan não respondeu.

Ele continuava olhando para Noah.

Depois para Lauren.

Depois novamente para Noah.

E pela primeira vez desde que Clara desapareceu...

ele começou a se perguntar se a pior tragédia de sua vida talvez não tivesse sido um acidente.

Talvez tivesse sido uma mentira.

E essa possibilidade era muito mais assustadora do que qualquer coisa que ele pudesse imaginar.

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