localização atual: Novela Mágica Moderno Ela Comprou um Mendigo... e Ele Era Bilionário Capítulo 12 — O Benfeitor Invisível

《Ela Comprou um Mendigo... e Ele Era Bilionário》Capítulo 12 — O Benfeitor Invisível

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A segunda-feira amanheceu quente em Paraisópolis.

Quente demais.

Daquelas manhãs em que o sol parecia ter decidido se vingar de todo mundo ao mesmo tempo.

Mesmo assim, a praça já estava cheia.

Vendedores montavam barracas.

Crianças corriam pelas vielas.

O cheiro de café, pão e churrasquinho se misturava no ar.

E, pela primeira vez em muitos anos...

Mariana estava de bom humor numa segunda-feira.

“Você está sorrindo.”

Leonardo comentou enquanto organizava algumas caixas.

“E daí?”

“Normalmente as pessoas odeiam segunda-feira.”

“Normalmente eu também.”

“Então aconteceu alguma coisa.”

Mariana sorriu.

“Talvez.”

“Talvez?”

“Hoje tem reunião.”

“Isso deveria explicar alguma coisa?”

“Não para você.”

“Excelente.”

Pedrinho apareceu logo em seguida.

“Hoje é o projeto!”

“Projeto?”

Leonardo perguntou.

“Você ainda não sabe?”

“Eu nunca sei de nada.”

“Verdade.”

“PEDRINHO.”

Mariana advertiu.

“Desculpa.”

“Não parece.”

“Porque não estou.”

Mariana revirou os olhos.

Leonardo começava a perceber que aquela era praticamente a personalidade completa do garoto.

“Que projeto é esse?”

Perguntou.

Mariana finalmente respondeu.

“A gente está tentando arrecadar dinheiro para reformar a quadra.”

“Qual quadra?”

“Aquela onde as crianças jogam bola.”

Leonardo lembrou imediatamente.

A mesma quadra onde Pedrinho praticamente morava.

O lugar estava realmente destruído.

As traves enferrujadas.

O piso rachado.

As redes rasgadas.

“E quanto falta?”

Mariana suspirou.

“Muito.”

“Quanto é muito?”

“Mais do que a gente tem.”

A resposta foi suficiente.

Leonardo não perguntou mais nada.

Mas guardou a informação.

Durante o resto da manhã...

Ele observou.

Observou Mariana conversar com comerciantes.

Observou moradores colocando pequenas quantias numa caixa de doações.

Cinco reais.

Dez reais.

Dois reais.

Ninguém tinha muito.

Mas todo mundo ajudava.

Aquilo o impressionava.

Porque em seu antigo mundo...

Pessoas milionárias discutiam durante horas para doar quantias insignificantes.

Ali...

Quem quase não tinha nada...

Era quem mais compartilhava.

No início da tarde...

A campanha começou oficialmente.

Uma pequena mesa foi montada na praça.

Dona Lourdes preparou bolo.

Seu Carlos trouxe refrigerante.

Até o barbeiro resolveu contribuir.

“Se arrecadarmos tudo hoje, eu corto o cabelo do Pedrinho de graça.”

“Isso não é prêmio.”

Pedrinho respondeu imediatamente.

A praça caiu na gargalhada.

Leonardo percebeu algo.

Paraisópolis tinha problemas.

Muitos.

Mas também tinha uma coisa rara.

Todo mundo se importava.

E isso valia muito.

Foi nesse momento que uma mulher apareceu.

Alta.

Energia infinita.

Celular na mão.

Câmera ligada.

Falando sem parar.

“Boa tarde, minha gente!”

“Lá vem ela.”

Mariana murmurou.

“Quem?”

Perguntou Leonardo.

“Danda.”

“Ela fala assim o tempo todo?”

“Você ainda não viu nada.”

A mulher já estava filmando tudo.

“Pessoal, estamos aqui em Paraisópolis para mais uma ação da comunidade!”

“Danda.”

Mariana chamou.

“Oi, amiga!”

“Você vai ajudar ou narrar?”

“Os dois.”

“Claro.”

Danda virou a câmera para Leonardo.

“E quem é esse?”

“Leonardo.”

“Namorado?”

“Não.”

Mariana respondeu imediatamente.

“Perguntei para ele.”

“Também não.”

Leonardo respondeu.

“Que pena.”

“Por quê?”

“Daria mais visualização.”

Pedrinho quase caiu da cadeira de tanto rir.

“Eu gosto dela.”

Leonardo comentou.

“Porque você ainda não conviveu o suficiente.”

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Mariana respondeu.

A campanha continuou.

Mas as horas passaram.

E os números não eram bons.

Nem um pouco.

Quando o sol começou a baixar...

Mariana fez as contas.

E o resultado era decepcionante.

Muito decepcionante.

“Quanto?”

Perguntou Dona Lourdes.

“Nem metade.”

O sorriso da senhora desapareceu.

“Poxa.”

Até Pedrinho ficou quieto.

O que era raro.

Muito raro.

Mariana tentou esconder a frustração.

Mas Leonardo percebeu.

Porque já começava a conhecê-la.

Ela sempre sorria.

Mesmo quando estava preocupada.

Principalmente quando estava preocupada.

“Vai dar certo.”

Dona Lourdes disse.

“Talvez no próximo mês.”

“Talvez.”

Mariana respondeu.

Mas não parecia acreditar.

Naquela noite...

Enquanto todos desmontavam as barracas...

Leonardo caminhou sozinho pela comunidade.

Pensando.

Observando.

Calculando.

No caminho...

Passou por uma pequena loja de materiais de construção.

Parou.

Entrou.

Quinze minutos depois...

Saiu.

Sem chamar atenção.

Sem fazer perguntas.

Sem deixar nome.

No dia seguinte...

A surpresa chegou.

Logo cedo.

Um caminhão estacionou perto da quadra.

Depois outro.

E mais um.

Pedrinho foi o primeiro a notar.

Como sempre.

“MARIAAAAANAAA!”

A praça inteira ouviu.

“PEDRINHO!”

“VOCÊ PRECISA VER ISSO!”

Todo mundo correu.

Inclusive Leonardo.

Que fingiu estar tão confuso quanto os outros.

Os caminhões começaram a descarregar materiais.

Cimento.

Tintas.

Redes novas.

Traves.

Equipamentos.

Mariana ficou parada.

Sem entender.

“Quem mandou isso?”

O motorista consultou um papel.

“Doação.”

“De quem?”

“Não sei.”

“Como não sabe?”

“Só recebi o endereço.”

A confusão aumentou.

Moradores começaram a se reunir.

Ninguém entendia nada.

“Foi a prefeitura?”

“Não.”

“Alguma ONG?”

“Talvez.”

“Algum político?”

“Tomara que não.”

Danda apareceu correndo.

Filmando tudo.

Obviamente.

“Gente!”

“Isso é incrível!”

“Quem fez isso?”

“Eu também quero saber!”

Mariana observava tudo.

Sem conseguir acreditar.

Porque os materiais eram exatamente os que faltavam.

Exatamente.

Nem mais.

Nem menos.

Como se alguém tivesse estudado o projeto inteiro.

E então...

Algo chamou sua atenção.

Leonardo.

Ele estava sorrindo.

Muito discretamente.

Quase imperceptível.

Mas estava.

E aquilo foi estranho.

Muito estranho.

Porque ele parecia satisfeito.

Satisfeito demais.

“Leonardo.”

“Hum?”

“Você sabe alguma coisa?”

Ele virou o rosto.

“Sobre o quê?”

“Sobre isso.”

“Não.”

“Tem certeza?”

“Tenho.”

Mentira.

Mas uma mentira muito tranquila.

Mariana continuou olhando para ele.

Desconfiada.

Curiosa.

Porque nos últimos dias...

Sempre que algo inesperado acontecia...

Leonardo parecia estar por perto.

Sempre.

“Você é estranho.”

Ela concluiu.

“Obrigado.”

“Não foi elogio.”

“Já ouvi isso antes.”

Pedrinho interrompeu correndo.

“MARIAAAANA!”

“Agora o quê?”

“Eles vão reformar tudo!”

“Eu percebi.”

“Tudo!”

“Eu ouvi.”

“Tudo!”

“PEDRINHO!”

A praça inteira começou a rir.

Enquanto isso...

Mariana voltou a olhar para Leonardo.

Ele já observava as crianças comemorando.

Como se aquilo fosse mais importante do que qualquer reconhecimento.

E naquele momento...

Sem saber por quê...

Ela sentiu algo novo.

Admiração.

Porque aquele homem misterioso...

Que apareceu desacordado perto de uma lixeira...

Parecia ter o estranho hábito de melhorar a vida das pessoas ao seu redor.

E isso a deixava cada vez mais curiosa.

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