Aquela agência fora aberta por Yann especificamente para promovê-la, sendo ela a única artista do local.
Zora continuou: "Ele usou a minha carreira para me chantagear. Se eu não cedesse a ele, ele..."
Ao chegar nesse ponto, ela pareceu recordar os insultos que sofrera, e suas lágrimas se acumularam em gotículas, descendo uma a uma por suas bochechas.
Samara observava aquele choro, sentindo o peito frio e achando a situação ridícula.
Essa atuação estava bem melhor do que qualquer cena que ela já tivesse visto em suas novelas antes.
Se Samara não conhecesse a real face dela, quase seria ludibriada por aquelas lágrimas e amoleceria o coração para perdoá-la.
"E por que eu deveria acreditar em você?" Samara questionou com a voz fria.
Zora imediatamente puxou o celular e disse: "Eu tenho provas!"
Suas lágrimas desciam como um colar de pérolas arrebentado enquanto exibia a publicação que fizera na internet para Samara:
"Indicações de trabalhos, ameaças usando esses trabalhos para me forçar a deitar com ele e divisões injustas de lucros... Está tudo documentado ali, item por item!"
Na publicação, os históricos de mensagens, os comprovantes de transferências e os registros de entrada em hotéis de fato estavam detalhadamente completos.
Samara, contudo, sentiu apenas um calafrio no peito.
Então todos aqueles momentos em que Yann dizia estar em reuniões de negócios, ocupado ou viajando a trabalho, eram na verdade momentos em que ele se agarrava a Zora na cama.
Seu íntimo se tornou gradativamente mais frio.
Zora, contudo, não percebeu a indiferença dela e continuou mantendo a postura fragilizada: "Irmã, as provas estão aqui, por favor, me perdoe!"
"O que eu preciso fazer?" Ela encarou Zora.
Diante daquela pergunta, Zora sentiu que recebia uma oportunidade e seu rosto imediatamente se iluminou de alegria.
Zora se levantou do chão em um movimento rápido, segurou as mãos dela e disse: "Não dá trabalho nenhum, basta você compartilhar essa publicação!"
Observando aquela feição de felicidade, Samara curvou os cantos dos lábios e sorriu: "Eu não disse que te perdoava."
Zora estagnou no lugar de imediato.
Samara, ao ver o semblante dela empalidecer totalmente como se o sangue tivesse congelado, finalmente sentiu o alívio de desentalar a indignação presa em seu peito.
"Zora, dessas coisas que você falou, eu não acredito em uma única palavra."
Samara arremessou o celular de volta para ela e apontou com o dedo na direção do arbusto atrás delas.
"Tem um paparazzo aí, não tem? Organizado por você."
O olhar de Zora se tornou gélido e ela soltou um som de desdém: "Você sabia?"
"Eu ouvi."
Zora limpou as lágrimas do rosto, adotou um tom ríspido e exibiu olhos peçonhentos: "Você estava brincando comigo?"
"Já que sabia, por que não desmascarou logo?"
Samara olhou para aquelas pupilas dilatadas de forma assustadora e sorriu de leve: "O espetáculo estava bom, eu não quis interromper."
Zora apertou as mãos com tanta força que as unhas chegaram a cravar na carne.
"Samara, você tem noção de que, por causa das suas declarações, eu acabei de perder o papel na novela que eu tinha lutado tanto para conseguir?"
"E todos os meus contratos publicitários também serão rescindidos", Zora contraiu os lábios, "está todo mundo me linchando na internet!"
Ela apontou o dedo enfurecida na direção de Samara e bradou: "A culpa de tudo isso é sua!"
"Já que você tinha ido embora há dois anos, por que precisava aparecer de novo?!"
Samara achou aquilo de um absurdo sem tamanho ao escutar.
Zora realmente sabia distorcer os fatos; mesmo diante da situação atual, continuava sem reconhecer o próprio erro.
"Foi você quem se intrometeu na minha família primeiro, você não acha que errou?"
Zora, contudo, inflamou-se ainda mais ao ouvir a pergunta, revelando um olhar ensandecido e gritando descontroladamente: "Eu não errei!"
"Num relacionamento, quem não é amada é que é a terceira pessoa, quem errou foi você!"
"Fui eu quem chegou primeiro, foi você quem roubou o meu lugar, você errou!"
Que bela distorção de fatos.
Observando aquela obstinação cega de Zora, Samara sentiu apenas pena dela.
E seu rancor contra Yann aumentou ainda mais.
Zora continuava resmungando algumas palavras desconexas, mas ela já não tinha o menor interesse em escutar.
A mulher estava com o cabelo desgrenhado e os olhos avermelhados, ostentando um semblante de pura loucura que tornava impossível qualquer diálogo racional.
Samara balançou a cabeça negativamente, recolheu uma pequena pedra do chão e a arremessou com precisão contra a cabeça do paparazzo oculto no arbusto, determinando: "Apague tudo."
Capítulo 14
O paparazzo levou a mão à cabeça atingida, fitando Samara com uma expressão de total assombro.
Os olhos dela brilharam por um instante, recolhendo outra pedra do chão para manuseá-la entre os dedos, e ordenou com rigidez: "Não vai apagar?"
O homem se assustou e assentiu imediatamente com a cabeça: "Vou, vou, vou apagar agora mesmo!"
"Dê o fora." Samara fez um gesto com a mão dispensando-o.
Ao fitar Zora prostrada no chão, ela soltou um suspiro de desabafo.
"Lixo deve permanecer dentro da lixeira."
Ela arremessou a pedra direto na lixeira e proferiu a frase para ela.
Dito isso, virou as costas e entrou no edifício.
Após a confusão criada por Zora, o dia já estava chegando ao fim, com o sol se pondo no horizonte e deixando o céu matizado por tons de rosa e púrpura.
Samara interrompeu os passos por um instante para contemplar a paisagem, sentindo uma sutil e há muito esquecida sensação de hesitação em seu íntimo.
Inicialmente, nestes últimos dois anos, ela já havia decidido permanecer oculta nos bastidores, pretendendo passar o resto da vida de forma tranquila.
Não esperava que o caso de seu mestre trouxesse novas pistas...
Assim que realizasse um sepultamento digno para o seu mestre, ela retornaria ao isolamento.
Com a determinação tomada em sua mente, Samara observou o anoitecer se aproximar e se dirigiu à portaria.
Assim que subiu as escadas, deparou-se com Silas parado bem diante de sua porta.
"O que você está fazendo aqui?"
Silas trajava um terno de alta-costura impecável, com os sapatos de couro totalmente limpos, contrastando completamente com o ambiente cinzento e desgastado do corredor.
"Eu não sou bem-vindo?" Aquelas palavras não soaram com a frieza habitual, parecendo carregar um tom de sutil intimidade e ternura.
Samara franziu a testa, sentindo que havia algo incomum no ar.
A lâmpada com sensor de presença se apagou exatamente naquele instante, deixando o corredor imerso em total escuridão.
Apenas a pequena abertura na janela da escadaria projetava um sutil feixe de luar.
O rosto de Silas estava metade oculto na escuridão e metade iluminado pelo luar, revelando duas nuances completamente distintas.
Uma faceta perigosa, que afastava qualquer aproximação; e uma faceta enigmática, que instigava o desejo de se aproximar.
O coração dela vacilou por um segundo, e as palavras que pretendia proferir ficaram presas na garganta.
Silas esboçou um sorriso lentamente, com os olhos brilhando intensamente como estrelas em uma noite escura.
Ele declarou: "Eu estou bêbado."
...
Samara possuía vasta experiência em lidar com pessoas alcoolizadas.
Afinal, passara bastante tempo casada com Yann.
Ele frequentemente exagerava na bebida durante os longos períodos de jantares de negócios.
Contudo, ao avaliar o homem sentado diante dela com uma postura relaxada e o olhar totalmente lúcido, ela sentiu desconfiança.
"Bêbado de verdade?" Ela lhe estendeu uma xícara de água morna com mel.
Silas, porém, não recolheu o recipiente, mantendo os olhos fixos nela por um momento.
Seu olhar era complexo, desprovido da profundidade costumeira; ela conseguiu visualizar nitidamente um sutil afeto oscilando em suas pupilas.
Como se o gelo de inverno estivesse derretendo, fazendo um lago profundo criar ondulações.
Samara estagnou diante daquela feição terna e, antes que pudesse analisar a situação, ele baixou os cílios e aceitou a água com mel.
"Realmente bêbado."
A voz de Silas soou firme.
Ao receber a xícara, o toque caloroso de seus dedos roçou os dela, deixando um rastro de leve arrebatamento.
Ella contraiu as sobrancelhas: "Suas mãos estão muito quentes, você está se sentindo bem?"
Silas tomou um gole da água com mel e balançou a cabeça negativamente: "É normal o corpo esquentar depois de beber, não é nada."
Ela pretendia estender as perguntas, mas Silas subitamente determinou: "Estou com fome."
"Quero comer macarrão." Silas ergueu os olhos para encará-la, com as pupilas brilhando, deixando a intenção evidente.
"Então eu..." Samara apontou na direção da cozinha, "vou preparar para você?"
"Obrigado." Silas assentiu.
Ao deparar-se com aquele semblante cheio de expectativa, ela abafou a resposta de recusa e se dirigiu à cozinha.
O jovem mestre de fato era diferente: em vez de dormir após beber, vinha até a casa dela exigir um prato de macarrão.
"Eu só tenho macarrão instantâneo aqui, mestre Silas..." Ela se virou segurando os ingredientes, mas visualizou Silas de olhos fechados, com a cabeça apoiada no encosto do sofá.
Ele exibia a testa franzida, e seu semblante sereno parecia carregar uma infinidade de angústias.
Samara o contemplou e sentiu o coração afundar repentinamente, tomada por um sutil sentimento de compaixão sem justificativa.