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《O Despertar de Uma Mulher》Capítulo 16

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Ao amanhecer, a vovó despertou.

Segurou a minha mão.

Anita, minha querida.

Vovó, estou aqui.

Não guarde mágoa do Daniel. Ele foi muito estúpido.

Eu sei.

Mas você também não deve aceitar passar por privações.

Eu não vou aceitar.

A idosa esboçou um sorriso.

Que bom.

Capítulo 29

A cirurgia de Vovó Helena foi um grande sucesso.

A recuperação pós-operatória também foi melhor do que o previsto.

Durante o período em que ela esteve internada, eu e Daniel nos cruzávamos todos os dias.

No corredor do hospital.

Na porta do quarto.

Na hora de pegar a comida no refeitório.

Conversamos mais do que nos últimos três meses inteiros somados.

Mas tudo girava em torno do estado de saúde da vovó.

Sobre os nossos próprios assuntos, não trocamos uma única palavra.

Até o dia em que ela recebeu alta.

Ela segurou a minha mão e a de Daniel, uma de cada lado.

Vocês dois, acompanhem-me até a propriedade antiga para passar uns dias comigo.

Nós consentimos.

A propriedade antiga era muito pacífica.

Seu Jorge arrumou dois quartos, um para mim e outro para Daniel.

Ficamos em quartos vizinhos.

À noite, eu estava sentada no pátio.

O luar estava deslumbrante.

Seu Jorge comentou que a vovó já havia adormecido.

O som de passos ecoou atrás de mim.

Daniel se sentou ao meu lado.

Ficamos os dois observando aquela velha tamareira no pátio.

Aninha.

Hum.

Há algo que eu venho guardando e nunca te contei.

O quê?

Eu fiz um teste de DNA com o filho da Camila.

Virei a cabeça para encará-lo.

Não é meu.

Duas palavras.

Como uma pedra atirada na água.

O que isso significa?

O laudo ficou pronto. Aquela criança não tem nenhum vínculo de sangue comigo.

Minha mente ficou em branco por dois segundos.

De quem é, então?

Não sei. Não dei continuidade à investigação.

Você quer dizer... a Camila mentiu para você desde o início?

Não tenho certeza se foi iniciativa própria dela ou um plano da Viviane. Mas o filho não é meu.

Nenhuma das duas vezes?

A primeira gestação foi interrompida e não houve como testar. A segunda foi esta, e não é meu filho.

Encostei-me no encosto da cadeira.

O luar banhava a velha tamareira.

Quando foi que você descobriu?

No mês passado. Quando fui a Curitiba ver a criança, aproveitei para fazer o teste.

Por que não me contou antes?

Porque, mesmo que eu contasse, isso não apagaria as minhas ações.

Eu de fato me deitei com ela. Independentemente de o filho ser meu ou não, o que aconteceu é real.

O fato de eu ter falhado gravemente com você não se torna menos pesado só porque a criança não é minha.

Permaneci em silêncio.

Por muito tempo.

O vento soprava pelas folhas da tamareira, produzindo um sussurro contínuo.

Daniel.

Hum.

Aquela sua frase, nunca mais a repita para outra pessoa.

Qual delas?

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Você sabe perfeitamente qual.

Ele silenciou por um momento.

Nunca mais.

Aquela frase, do início ao fim, só deveria pertencer a você.

Fui um estúpido.

O luar estava muito claro.

Eu conseguia ver perfeitamente o rosto dele.

Ele havia envelhecido.

As turbulências desse último ano e meio haviam deixado marcas profundas em suas feições.

Aninha, não te peço perdão.

Mas há algo que faço questão que você saiba.

No passado, quando invadi a sua casa e ergui aquela barra de ferro, havia apenas um único pensamento na minha mente.

Manter você viva. Não importava qual fosse o preço.

Mais tarde, ao sair da prisão, trabalhando feito louco para ganhar dinheiro, o pensamento continuava exatamente o mesmo.

Proporcionar uma vida boa a você. Não importava qual fosse o preço.

Mas, em algum momento desse caminho, eu confundi o preço.

Julguei que ceder um passo a mais seria uma forma de te proteger, mas, na realidade, cada concessão servia apenas para te afastar.

Aninha, você está certa.

O nosso problema real nunca foi a Camila, nem a Viviane, nem os dois milhões de reais.

Foi o fato de eu te enxergar como alguém que necessitava de proteção, esquecendo-me de que você jamais precisou ser protegida.

Você é mais forte do que eu.

Sempre foi mais forte do que eu.

Escutei tudo o que ele tinha a dizer.

Não chorei.

Não esbocei sorriso.

Apenas estendi a mão, dando dois leves tapinhas no dorso da mão dele.

Entendido.

Os assuntos futuros nós avaliamos no futuro.

Levantei-me e retornei para o quarto.

Antes de eu fechar a porta, ele proferiu uma última frase no pátio.

Aninha, não importa qual seja a sua decisão, eu estarei aqui.

A porta se fechou.

Permaneci na penumbra por um instante.

E depois me deitei.

Naquela noite, meu sono foi mais tranquilo do que em qualquer outra noite do último ano.

Capítulo 30

Cinco anos depois.

A Olívia Investimentos havia deixado de ser uma mera firma detentora de participação em sete empresas para se transformar em um grupo empresarial que abrangia os setores imobiliário, turístico e tecnológico.

O volume total de ativos sob gestão ultrapassara a marca de oito bilhões de reais.

Esse montante superava o patrimônio do grupo de Daniel de cinco anos atrás.

Felipe passara de sócio inicial a diretor de operações do grupo.

Dona Clara havia se aposentado, mas ainda passava pelos escritórios da empresa uma vez por mês.

Minha sala de trabalho ocupava o pavimento mais alto do edifício corporativo do grupo.

Através das vidraças imensas, era possível contemplar metade da linha de horizonte de São Paulo.

Naquela tarde, eu assinava o contrato de um novo projeto.

Felipe bateu à porta e entrou.

Aninha, tem alguém na recepção querendo te ver.

Quem?

Camila.

A caneta na minha mão travou por um instante sobre a assinatura.

Mande-a subir.

Faziam cinco anos que não nos abríamos.

Camila mudara drasticamente.

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Já não trazia mais nada daquela garota que vestia modelos de alta-costura e agia de forma mimada e afetada.

Vestia um casaco perfeitamente comum, com o cabelo preso sem formalidade e o rosto quase sem nenhuma maquiagem.

Exibia a aparência de uma mulher comum que lidava com as negociações diárias de uma rotina simples.

Ela entrou na sala e estacou junto à porta, imóvel.

Quanto tempo.

Pousei a caneta.

Sente-se.

Ela se acomodou na cadeira.

Manteve as duas mãos sobre os joelhos, demonstrando uma sutil timidez.

Vim aqui hoje para te pedir desculpas pessoalmente.

Sobre as coisas do passado, independentemente do quanto tenha sido por instrução da minha mãe, fui eu quem agiu.

Eu não deveria ter feito aquilo.

Fiquei apenas observando-a.

Você veio de Curitiba?

Sim. O menino já entrou na creche, e eu abri uma pequena casa de massas aqui perto.

Como está o menino?

Está bem. Ela esboçou um sorriso. Se parece comigo, não tem traços de mais ninguém.

Daniel já havia esclarecido que a criança não era dele.

A própria Camila tinha total ciência disso.

Quanto à real identidade do pai da criança, ela não fez menção e eu tampouco demonstrei interesse em saber.

E a sua mãe?

Partiu no ano passado.

Qual foi a causa?

Complicações cardíacas, arrastou-se por muito tempo. Antes de partir, ela me pediu para vir te pedir perdão.

Disse que cometeu inúmeros erros nesta vida, e que o pior de todos foi ter te abandonado.

Permaneci em silêncio.

O céu além da vidraça exibia um azul perfeitamente limpo.

Anita, você está vivendo bem?

Perfeitamente bem.

E o Daniel? Vocês continuam juntos?

Continuamos.

Que bom. Ela se levantou. Preciso ir.

Ao chegar à porta, olhou para trás uma última vez.

Na realidade, eu sempre tive imensa inveja de você.

Não por causa do volume de dinheiro ou da magnitude da empresa.

Mas sim pela sua capacidade de se manter firme por conta própria, não importa o que aconteça.

Eu não sou capaz disso.

Por isso eu tentava me agarrar aos outros sem soltar.

Adeus, Anita.

A porta se fechou.

Sentei-me na cadeira, contemplando a paisagem externa.

A luminosidade do final da tarde entrava de forma inclinada pela sala.

O celular vibrou.

Uma mensagem de Daniel.

Hoje vou retornar um pouco mais cedo para preparar o jantar para você.

Avaliei por um momento.

Respondi com duas palavras.

Tudo bem.

À noite, sentamos nas duas extremidades da mesa para jantar.

Os pratos que ele preparava tinham um sabor mediano.

Ao longo desses anos em que ele tentava aprender a cozinhar, a habilidade de fato nunca fora das melhores.

No entanto, cada opção era justamente o que eu mais gostava.

Aninha.

Hum?

Os lírios floresceram este ano, aqueles do pátio.

Eu vi.

Cortei um maço e os deixei no seu escritório.

Hum.

Ele baixou os olhos para continuar comendo.

Momentos depois, ergueu a cabeça novamente.

Aninha.

O que foi agora?

Nada demais. Só tive vontade de pronunciar o seu nome.

Não consegui conter um sutil movimento no canto da boca.

Este ano completei trinta e sete anos, e ele, trinta e oito.

Os caminhos percorridos, o sangue vertido e os danos sofridos, nada fora em pouca quantidade.

No entanto, continuávamos compartilhando a mesma mesa de jantar.

E isso era o bastante.

Algumas pessoas costumam me perguntar se guardo rancor daqueles que me causaram sofrimento no passado.

Eu respondo que aquelas pessoas eu já esqueci há muito tempo.

A única questão que faço questão de guardar na memória é uma só:

Não importa por quem eu tenha sido largada na lama, no fim das contas, a pessoa que se ergueu por conta própria fui eu mesma.

————————————

Fim

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