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《O Despertar de Uma Mulher》Capítulo 8

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Onde você estava quando eu tive um aborto aos sete meses de gestação e quase morri na mesa de cirurgia?

O sorriso dela vacilou de leve, mas logo se recompôs.

Anita, as coisas do passado... uma mãe tem as suas próprias justificativas.

Justificativas?

Desci as escadas.

Caminhei passo a passo até parar bem na frente dela.

E qual seria a sua justificativa? Seria pegar o dinheiro da pensão do meu pai, fugir para Curitiba, se casar com um homem rico e dar à luz a Camila?

E depois mandar a sua filha caçula para roubar o marido da sua filha mais velha?

Essa é a sua justificativa?

O rosto dela finalmente mudou de expressão.

Mas foi por apenas um breve instante.

Ela puxou um lenço de papel de dentro da bolsa e limpou as mãos, como se estivesse removendo alguma sujeira.

Anita, não vim aqui hoje para bater boca com você.

Vim para tratar de um assunto.

Que assunto?

A Camila está grávida do Daniel, você já sabe disso.

Eles conseguiram segurar o bebê, e a gestação já está quase no quarto mês.

A intenção do Daniel é resolver a sua situação assim que a criança nascer.

Mas, até lá, ele espera que você se aquiete um pouco.

Chamar a Camila de "nova artista contratada pela empresa" na frente de centenas de pessoas... você acha que isso foi uma atitude digna?

Quase soltei uma risada.

Você veio cobrar justiça por ela?

Uma pessoa que abandonou a própria filha por vinte anos quer vir me ensinar a como me comportar?

Não estou te ensinando a se comportar.

O tom de Viviane endureceu de repente.

Vim te avisar que, se você continuar agindo dessa forma, não haverá vantagens para você.

A empresa do Daniel... você acha mesmo que tem alguma influência sobre ela?

Toda essa soberba que você exibe diante dele é um privilégio que ele mesmo te deu, e ele pode retirar a qualquer momento.

Ela me encarou, e qualquer resquício de afeto em seu olhar desapareceu por completo.

Anita, não nos pressione.

Pressionar vocês?

Tirei o celular do bolso.

Você por acaso sabe quem é Olívia?

Ela pestanejou, confusa.

O quê?

Nada, só uma pergunta qualquer.

Guardei o celular de volta.

Por favor, retire-se. Esta é a minha casa. Da próxima vez, não entre aqui sem a minha autorização.

E não precisa devolver o cartão de acesso, ele será cancelado amanhã.

Ela me observou por alguns segundos.

Deu meia-volta e caminhou para sair.

Ao chegar à porta, olhou para trás.

Anita, eu sou a sua mãe, nunca te faria mal.

Mas, se você insistir em agir com ingratidão, não me culpe por ser impiedosa.

A porta se fechou.

Ao meu lado, Dona Clara falou em tom baixo: Aninha, não dê ouvidos ao que ela diz.

Não respondi.

A postura recente de Viviane me trouxe uma certeza.

Ela não veio para propor uma trégua.

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Veio para me dar um ultimato.

Aceitar a presença de Camila.

Caso contrário, os segredos que ela guarda começariam a surtir efeito.

Ela achava que comandava a mesa de apostas.

Mas não sabia que havia mais alguém naquela mesa que ainda não mostrara as cartas.

Capítulo 16

No dia seguinte à visita de Viviane, tomei uma decisão.

Aparecer publicamente no maior fórum empresarial de São Paulo.

Esse evento acontecia uma vez por ano e contava com a presença de todas as figuras de grande relevância da cidade.

O círculo de investimentos, o setor imobiliário e o meio cultural se cruzavam ali.

Nos anos anteriores, eu nunca participava desse tipo de ocasião.

Este ano, fiz questão de solicitar um convite por iniciativa própria.

Não sob a condição de esposa do Daniel.

Mas sim sob a identidade de Olívia.

Felipe encarregou-se de organizar todos os detalhes.

A entrada foi registrada sob o nome de Olívia, e o assento foi reservado na primeira fileira da área VIP.

Coloquei um vestido longo preto, usei uma maquiagem diferente da habitual e deixei o cabelo solto.

Ao entrar no salão de convenções, ninguém me reconheceu como Anita.

Porém, no momento em que o nome de Olívia surgiu no livro de presença da recepção, as mãos da recepcionista começaram a tremer de nervoso.

Senhora... Senhora Olívia, por favor, queira me acompanhar por aqui.

O salão era imenso, repleto de centenas de pessoas.

Avistei muitos rostos conhecidos.

Isabel estava na terceira fileira, a Senhora Franco na quinta.

O Senhor Rocha ocupava um assento na segunda fileira VIP.

Marcos estava posicionado na outra extremidade da primeira fileira.

Ao avistar a minha placa de identificação, ele arregalou os olhos.

Olívia? Ele virou a cabeça para olhar para mim.

E então a fisionomia dele mudou drasticamente.

Ele me reconheceu.

Fiz um sinal de silêncio com os dedos nos lábios.

Ele abriu e fechou a boca sem emitir som e, por fim, voltou-se para a frente e permaneceu sentado.

Na metade do fórum, o mestre de cerimônias anunciou um ato formal de assinatura de parceria.

Convidamos agora a Senhora Olívia a subir ao palco para a assinatura formal do acordo de parceria estratégica com o Grupo Germano e a Construtora Alvorada.

Eu me levantei.

Caminhei em direção ao palco.

Centenas de olhares se concentraram em mim.

Alguns cochichos começaram a surgir na plateia.

Essa é a Olívia? Então é uma mulher?

Tão jovem, não parece o tipo de pessoa capaz de movimentar um volume tão expressivo de capital.

Você tem ideia de em quantas empresas de capital aberto a Olívia detém participação? Só das que se tem conhecimento, são sete.

O ato de assinatura foi concluído rapidamente.

O apresentador complementou com uma introdução sobre o portfólio de investimentos de Olívia.

Os nomes das sete empresas foram lidos um a um.

Ao chegar à quinta empresa, ouviu-se um suspiro coletivo vindo da plateia.

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A quinta empresa era justamente o elo mais vital na cadeia de suprimentos de Daniel.

Os burburinhos no salão ganharam força.

Algumas pessoas já utilizavam o celular para pesquisar a relação entre Olívia e o grupo empresarial de Daniel.

No palco, passei o olhar por cada rosto presente na plateia.

Foi quando avistei duas figuras que não estavam nos meus planos.

Camila e Viviane.

Elas ocupavam assentos na região intermediária para o fundo.

Camila vestia um vestido azul-claro, e o ventre já exibia uma sutil saliência. Viviane estava ao lado dela, com a cabeça baixa mexendo no celular.

Provavelmente haviam comparecido acompanhando algum parceiro de negócios de Daniel.

Camila ergueu os olhos e me viu no palco.

A princípio, mostrou-se confusa.

Em seguida, as feições dela foram se transformando milímetro por milímetro.

Ela reconheceu.

Mãe, aquela pessoa no palco, não é...

Viviane ergueu a cabeça e lançou um olhar em direção ao palco.

O rosto dela perdeu a cor instantaneamente.

No palco, mudei levemente de posição e segurei o microfone.

Boa tarde a todos, eu sou Olívia. É uma imensa satisfação me apresentar formalmente a vocês nesta ocasião.

Sei que há muita curiosidade a meu respeito. O nome Olívia circula no meio de investimentos de São Paulo há pouco mais de dois anos, mas ninguém jamais havia me visto pessoalmente.

O motivo da minha aparição hoje é simples.

A partir de hoje, passarei a exercer uma participação pública nos negócios de São Paulo.

O que inclui uma intervenção de gestão muito mais profunda nas sete empresas em que detenho participação.

Fiz uma breve pausa.

Especialmente naquelas que mantêm uma cooperação estreita com o grupo de Daniel.

O salão permaneceu em silêncio por dois segundos.

Em seguida, irrompeu uma salva de palmas.

Esparsas no início, mas que foram se espalhando.

Os aplausos de Marcos eram os mais entusiasmados.

O olhar dele na minha direção misturava espanto, admiração e uma pitada de uma complexidade incompreensível.

Ele sabia perfeitamente quem eu era.

E calculava com agilidade o impacto que aquilo traria para Daniel.

Ao descer do palco, passei bem ao lado dos assentos de Camila e Viviane.

Não diminuí o passo.

Mas Camila se levantou abruptamente.

Você... como você...

Proferi uma frase em tom baixo.

Audível apenas para ela e Viviane.

Agora você entende o motivo de o Daniel não conseguir abrir mão de mim?

Porque eu não sou um acessório dele.

Eu nunca fui.

O rosto de Camila empalideceu.

Viviane me encarava com rigidez, apertando o celular com tanta força que parecia prestes a quebrá-lo.

Aprumei o corpo e caminhei em direção à saída.

Felipe me aguardava junto à porta.

Aninha, excelente. A sua atuação no palco hoje será destaque em todas as mídias de negócios amanhã.

Eu sei.

E do lado do Daniel...

Ele vai ficar sabendo.

O passo dado hoje é irreversível.

Eu deixava de ser aquela mulher escondida atrás de Daniel, que apenas quebrava vasos e jogava água.

Eu tinha as minhas próprias cartas.

E acabava de revelar a primeira delas.

Capítulo 17

A notícia levou apenas duas horas para chegar até Daniel.

Às oito da noite, ele apareceu na porta de casa.

Sozinho. Sem trazer nenhum subordinado.

Ele entrou sem esboçar nenhuma expressão no rosto.

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