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《O Despertar de Uma Mulher》Capítulo 7

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A Senhora Franco se levantou abruptamente.

Você...

Senhora Franco, mesmo que eu, Anita, esteja coberta de feridas, não será você quem virá jogar sal nelas.

Girei a xícara na mesa.

Em vez de gastar tempo cuidando da minha casa, seria melhor cuidar primeiro da sua.

O rosto da Senhora Franco já estava vermelho até o pescoço.

Ela ensaiou abrir a boca, mas não conseguiu pronunciar nada, pegou a bolsa e retirou-se.

Camila Guedes mantinha a cabeça baixa tomando o chá, sem ousar me olhar.

Lívia soltou duas risadas sem graça.

Isabel, ao lado, deu tapinhas na minha mão: Anita, não fique brava, ela é assim mesmo, tem a língua afiada.

Olhei para Isabel.

Isabel, você me convidou hoje apenas para assistir a essa cena?

O sorriso de Isabel esmaeceu um pouco.

Anita, eu queria te alertar. As pessoas lá fora já estão comentando.

Comentando o quê?

Comentando que a esposa do Daniel caiu em desgraça.

Comentando que aquela que está ao lado do Daniel vai assumir o lugar.

Alguns já começaram a escolher um lado.

Eu me levantei.

Escolher o lado de quem?

O lado de uma garota cujo nome mal se conhece?

Isabel, diga a essas pessoas que, não importa quem queira escolher um lado, trate primeiro de entender quem de fato manda nesta mesa.

Peguei a minha bolsa e saí da sala privativa.

Ao chegar ao estacionamento, liguei para Dona Clara.

Descubra os detalhes daquele jantar no restaurante Aroma mencionado pela Senhora Franco. A lista dos presentes no dia. E, entre aquelas pessoas, quem já começou a fazer contato com Camila.

A linha de frente já havia atingido o meu círculo social.

Camila não estava apenas tentando roubar o meu marido.

Ela estava tentando roubar a minha posição.

Capítulo 14

A lista de Dona Clara chegou logo no dia seguinte.

Havia sete pessoas presentes no restaurante Aroma naquele dia.

Quatro delas eram parceiros de negócios de Daniel ou as esposas deles.

As outras três foram trazidas por Camila, desconhecidas.

Dentre as sete pessoas, duas já haviam começado a interagir com Camila nas redes sociais.

Curtidas, comentários, convites para chás da tarde.

Uma velocidade impressionante.

Uma tática muito madura.

Não parecia em nada uma estratégia traçada por uma jovem de vinte e tres anos.

Com certeza, era Viviane quem estava operando por trás.

Não tive pressa em agir.

Eu esperava por um momento oportuno.

Esse momento surgiu três dias depois.

A empresa de Daniel realizaria um jantar beneficente de gala.

Um evento anual, onde todas as personalidades influentes de São Paulo estariam presentes.

Aquela era a fachada da família, além de ser uma ocasião crucial para Daniel expandir sua rede de contatos.

Em todos os anos anteriores, eu comparecia na condição de esposa do Daniel, sentada na mesa principal, ajudando-o com os brindes e interações.

Este ano, Marcos ligou.

Cunhada, você está sabendo sobre o jantar de gala, não está?

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Estou.

Bem... a ideia do Daniel é que você não precise ir este ano.

Por quê?

Ele disse que você não tem passado bem de saúde ultimamente e que seria melhor descansar em casa.

Desliguei o telefone.

Não me permitir ir.

Seria por medo de que eu entrasse em confronto com Camila?

Ou estaria se preparando para colocar Camila no meu lugar?

Abri o closet.

Escolhi um vestido longo vermelho.

O mesmo que eu havia usado em um leilão beneficente há três anos.

Naquela noite, entrei sozinha no salão de festas.

Ninguém havia me convidado.

Mas os funcionários na recepção, ao me verem, não ousaram me barrar.

Toda São Paulo sabia que, no jantar de gala daquela família, se a esposa do Daniel quisesse entrar, ninguém teria o direito de impedir o caminho.

Quando entrei no grande salão, o ambiente silenciou por um instante.

Centenas de olhares se voltaram simultaneamente na minha direção.

Algumas pessoas cochichavam em tom baixo.

Na mesa principal, Daniel estava sentado bem ao centro.

Ao lado esquerdo dele, havia um lugar vago.

Ao lado direito, estava Camila.

Ela usava hoje um vestido longo de gala branco, com o cabelo preso e um colar de pérolas.

No instante em que me viu, a mão dela se contraiu por baixo da toalha de mesa.

Mas ela logo recuperou a postura e chegou a esboçar um sorriso para mim.

Caminhei em direção à mesa principal.

As pessoas pelo caminho abriam passagem espontaneamente.

Marcos se levantou de uma mesa vizinha, com uma expressão péssima.

Cunhada, o que você está fazendo aqui? O Daniel disse...

Saia da frente.

Ele cedeu.

Cheguei à mesa principal.

Parei diante de Daniel.

Ele ergueu os olhos para me encarar.

Sem surpresa, sem indignação.

Apenas com total serenidade.

Anita, você veio.

E por que eu não viria?

Sentei-me ao lado esquerdo dele.

Havia oito pessoas na mesa principal ao todo.

Além de Daniel e Camila, alguns parceiros de negócios com suas respectivas esposas.

Todos observavam Daniel, posicionado entre mim e Camila.

Sirva-me uma taça.

Não olhei para Camila.

O garçom aproximou-se imediatamente para servir o vinho.

Ergui a taça, fazendo um aceno em direção aos presentes na mesa.

Senhores, eu sou a esposa do Daniel. Cheguei atrasada para o jantar deste ano, por isso vou tomar esta taça primeiro como penalidade.

Virei o vinho de um gole só.

Pousei a taça na mesa, produzindo um estalo nítido.

O salão inteiro mergulhou em um silêncio absoluto.

Camila, sentada à direita de Daniel, já não conseguia sustentar o sorriso no rosto.

Daniel...

Ela deu um leve puxão na manga da camisa dele.

Daniel não olhou para ela.

E também não olhou para mim.

Ele pegou a própria taça e tomou um gole.

O jantar prosseguiu.

Fiquei ali, saboreando prato por prato.

Sempre que alguém se aproximava para um brinde, eu me levantava para responder.

Se alguma esposa mencionava Camila, eu mudava de assunto com um sorriso.

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Do início ao fim, não direcionei um único olhar para Camila.

Mas a minha mera presença já era o maior golpe possível na dignidade dela.

Ela estava sentada à direita de Daniel.

Eu estava sentada à esquerda dele.

Em termos de hierarquia de assentos, o lado esquerdo do anfitrião é o lugar de honra.

Em termos de status, a placa com o título de esposa estava posicionada diante de mim.

Em termos de imponência, no momento em que cada convidado se aproximava para saudar, o primeiro olhar era direcionado a mim.

Camila manteve-se do início ao fim como uma figura invisível.

Próximo ao encerramento do jantar, o Senhor Rocha, um dos parceiros de negócios, aproximou-se com sua taça.

Senhora, quanto tempo não a vejo, ouvi dizer que sua saúde não andava muito bem?

De forma alguma, estou perfeitamente bem.

Que bom, que bom. O Senhor Rocha hesitou por um momento, e quem seria esta...

Ele olhou na direção de Camila.

Eu respondi no lugar dele.

Esta é a nova artista contratada pela empresa do Daniel.

O rosto de Camila avermelhou-se instantaneamente.

Mantive a taça na mão, sem alterar o sorriso.

A empresa tem muitos negócios, sempre há ocasiões em que é preciso trazer os novos talentos para conhecer o meio social. O Senhor Rocha não precisa se preocupar.

O Senhor Rocha olhou para mim, depois olhou para Camila, e assentiu com um sorriso.

A esposa do Daniel é de fato muito generosa.

Ele se retirou.

A mão de Camila tremia ao segurar a taça.

Daniel pousou a mão sobre o dorso da mão dela, pressionando-a de leve.

Eu vi a cena.

Mas não disse nada.

A batalha de hoje já havia sido vencida, isso era o bastante.

Não há necessidade de estender cada jogada até o extermínio completo.

Capítulo 15

Após o jantar de gala, Camila se aquietou por três dias.

Achei que ela estivesse lambendo as próprias feridas.

No entanto, no quarto dia, alguém que eu nunca esperaria surgiu diante de mim.

Viviane.

Minha mãe biológica.

Ela estava parada bem no meio da sala da minha casa.

Vestia aquele mesmo conjunto de alta-costura que eu vira da outra vez, segurando uma bolsa de grife e equilibrando-se em saltos agulha finos.

Sem nos vermos há vinte anos, ela se mantinha dez anos mais jovem do que as mulheres da mesma idade.

Dava para notar que levara uma vida muito confortável todos esses anos.

Anita.

Ao pronunciar o meu nome, o tom de voz dela trazia uma intimidade muito estranha.

Como se tivéssemos nos visto ontem.

Como se aqueles vinte anos de intervalo simplesmente nunca tivessem existido.

Como você entrou aqui?

O Daniel me deu o cartão de acesso.

Daniel, de novo.

Fiquei parada no topo da escada, sem descer.

O que veio fazer aqui?

Vim te ver.

Ela esboçou um sorriso.

Afinal de contas, você é minha filha, eu precisava vir ver se está vivendo bem.

Se estou vivendo bem?

Apertei o corrimão com força.

Agora você se importa se eu estou vivendo bem?

Onde você estava quando eu tinha seis anos?

Onde você estava quando meu padrasto me espancava até eu sangrar a cabeça?

Onde você estava quando o Daniel matou um homem para me salvar e foi preso?

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