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《O Despertar de Uma Mulher》Capítulo 6

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Ninguém conhecia Olívia pessoalmente.

Sabiam apenas que Olívia detinha participação em sete empresas, das quais três eram elos fundamentais na cadeia de suprimentos de Daniel.

Olívia era eu.

Essa era uma carta que eu nunca tive a intenção de usar.

Cheguei a pensar em passar a vida inteira sem tocá-la.

Mas agora, a minha mãe estava de volta.

Ela retornara trazendo outra filha.

Não veio para reconhecer laços de sangue.

Veio para saquear.

Diante disso, já não há nenhuma mesa que eu não possa virar.

Ao chegar em casa, não subi para o quarto.

Passei a noite inteira sentada no escritório.

Ao amanhecer, Felipe enviou o registro de acionistas.

Fui lendo linha por linha.

Na terceira página, um nome saltou aos meus olhos.

Viviane.

Minha mãe.

Ela era, surpreendentemente, uma acionista oculta do grupo imobiliário controlado por Daniel.

A fatia de participação não era alta, apenas 3%.

Porém, esses 3% haviam sido integrados há dois anos.

No campo do indicador de referência, constava: Daniel.

Portanto, ele não estava apenas vivendo com Camila.

Ele também permitira que a minha mãe fizesse parte dos seus negócios.

Esse jogo nunca se limitou a uma simples amante.

Minha mãe era a enxadrista, Camila era a peça.

E Daniel era o pilar que sustentava as duas.

Fechei o registro de acionistas.

Puxei o celular.

Enviei uma mensagem para uma pessoa.

Vovó Helena, gostaria de visitá-la.

Cinco minutos depois, veio a resposta.

Anita, estou te esperando há muito tempo. Às duas da tarde, na propriedade antiga.

Capítulo 12

A propriedade antiga ficava nos arredores da zona oeste de São Paulo.

Vovó Helena morava sozinha ali.

Havia bastantes empregados e cuidadores, mas os outros membros da família de Daniel raramente apareciam.

Desde que Daniel saíra da prisão, o centro de gravidade da família havia se transferido daquela propriedade antiga para as mãos dele.

Quando cheguei, Vovó Helena estava no jardim podando os ramos das plantas.

Uma pessoa de oitenta anos, mas com as mãos firmes.

Ao me ver, ela pousou a tesoura.

Você veio, sente-se.

Seu Jorge trouxe duas cadeiras e serviu o chá.

Não usei de rodeios.

Vovó, a Camila é minha irmã por parte de mãe.

Vovó Helena segurou a xícara de chá e assentiu com a cabeça.

Então você já descobriu.

A senhora já sabia disso há muito tempo?

Há dois anos, quando o Daniel a trouxe para me ver, ordenei que investigassem.

E por que a senhora não me contou?

A idosa pousou a xícara.

Porque o Daniel me suplicou para não dizer nada.

Ele disse que resolveria isso por conta própria.

Apertei a xícara que estava em minhas mãos.

E a forma que ele encontrou para resolver foi se deitar com ela pelas minhas costas?

Anita. Vovó Helena olhou para mim. Escute o que tenho a dizer primeiro.

A relação entre o Daniel e aquela garota não é tão simples quanto você imagina.

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A senhora acha que ele está com ela por amor?

Não é?

A idosa balançou a cabeça negativamente.

Há dois anos, a Viviane procurou o Daniel.

Ela tinha algo em mãos.

O que ela tinha?

Na época em que o Daniel estava na prisão, para conseguir a redução da pena, ele recorreu a favores para mover certas influências. Aquelas manobras não eram totalmente lícitas.

A Viviane conseguiu obter essas provas de alguma forma.

Ela propôs uma condição ao Daniel: deixar que a Camila ficasse ao lado dele, caso contrário, ela entregaria aqueles documentos às autoridades.

O Daniel cedeu.

Minha mão travou no ar.

A senhora está dizendo que ele foi coagido?

No início, sim. A idosa soltou um suspiro. Mais tarde, já não tenho tanta certeza.

Aquela garota é muito astuta.

Ela se parece com a sua mãe quando era jovem. Sabe cercar o Daniel de atenções, sendo extremamente atenciosa.

Você conhece o Daniel, cresceu carente de afeto. A mãe dele se foi cedo e o pai nunca se importou com ele.

A Viviane foi muito boa para ele no passado, tratava-o como se fosse o próprio filho.

Por isso, quando a Camila se aproximou usando a mesma tática, ele não conseguiu erguer barreiras.

Quanto à criança...

A idosa fez uma pausa.

O primeiro bebê foi um acidente, ele realmente não queria.

Depois que você resolveu aquela situação, ele sentiu um alívio.

Mas o segundo...

O segundo foi planejado pela Viviane. Ela adulterou as pílulas anticoncepcionais da Camila.

Senti como se estivesse sentada bem no centro de uma imensa teia de aranha.

Onde cada fio conduzia diretamente à minha mãe.

Vovó, ainda tenho uma pergunta.

A Viviane entrou como sócia nos negócios do Daniel, a senhora sabia disso?

A expressão da idosa mudou instantaneamente.

O quê?

Três por cento. Integrados há dois anos.

A idosa bateu a xícara com força sobre a mesa.

Foi a primeira vez que a vi manifestar indignação.

Disso eu não sabia.

Ele está ficando ousado demais.

Ela se levantou e chamou por Seu Jorge.

Avise ao Daniel para vir à propriedade antiga amanhã.

Diga que a vovó exige vê-lo. Se não vier, irei reaver aquelas terras da zona oeste que estão no nome dele.

Seu Jorge assentiu e se retirou.

A idosa se virou para mim.

Anita, e a sua empresa, quando pretende trazê-la à luz?

Fiquei surpresa.

A senhora sabe?

Você acha que só o Daniel está cercado de pessoas espertas? Vovó Helena olhou para mim. O nome de Olívia começou a despontar no círculo de investimentos de São Paulo há dois anos. Justamente no período em que o Daniel enfrentava turbulências.

Mandei investigarem, mas na metade do caminho não foi possível avançar mais.

Mais tarde, pensando bem, a única pessoa capaz de traçar uma estratégia tão precisa na cadeia de suprimentos do Daniel, além dele próprio, era você.

Fiquei observando aquela senhora de oitenta anos.

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Ela exibia um sorriso.

Anita, minha querida, você é muito mais sagaz do que o Daniel.

Quando chegar o momento de agir, não tenha piedade.

Capítulo 13

No caminho de volta da propriedade antiga, recebi uma ligação.

Isabel.

Uma figura ativa no círculo das altas sociedades de São Paulo. O marido dela tem negócios com Daniel, e as duas famílias se visitavam ocasionalmente.

Anita, está ocupada ultimamente? Nós, algumas das esposas, temos um chá da tarde depois de amanhã, você gostaria de vir?

Eu e Isabel não éramos próximas, costumávamos manter apenas uma polidez superficial.

O fato de ela me ligar por iniciativa própria para um convite era um tanto incomum.

Onde vai ser?

No clube Violeta, no lugar de sempre.

A que horas?

Às três da tarde, apenas nós duas, para um bate-papo descontraído.

Eu aceitei.

Depois de amanhã, às três da tarde.

Havia cinco pessoas sentadas na sala privativa do clube Violeta.

Isabel, a Senhora Franco, Camila Guedes, Lívia, e eu.

No momento em que nos sentamos, o clima já parecia um tanto estranho.

Os olhares da Senhora Franco e de Camila Guedes varreram meu corpo algumas vezes, com uma sutil pitada de avaliação.

Isabel segurou meu braço calorosamente ao se sentar ao meu lado.

Quanto tempo, Anita, você emagreceu.

Eu sorri de leve, sem dizer nada.

O chá foi servido, os doces foram postos, e conversamos por dez minutos sobre bolsas e roupas.

A Senhora Franco segurou sua xícara e abriu a boca.

Anita, ouvi dizer que o Daniel tem andado muito ocupado ultimamente? O meu Franco disse que tentou convidá-lo para jantar várias vezes e não conseguiu vaga.

Sim, ele está bastante ocupado.

Ocupado com o quê? A Senhora Franco olhou para mim com um sorriso irônico, será que está ocupado cuidando de alguém?

Camila Guedes soltou uma risada abafada.

O ar ficou ligeiramente tenso.

O que a Senhora Franco quer dizer com isso?

Nada demais, a Senhora Franco pousou a xícara, é que, há dois dias, jantando no restaurante Aroma, encontrei o Daniel acompanhado de uma garota. Muito jovem e radiante. E as roupas dela não pareciam em nada com as de uma funcionária.

Eu até pensei que fosse filha de algum sócio dele.

Mas depois, ao investigar...

Ela prolongou o tom de voz no final.

Isabel interveio ao lado: Esse tipo de situação, quem aqui presente não tem em casa? Não há motivo para espanto.

Mas aquela é bem diferente, a Senhora Franco mudou o tom, aquela lá está grávida. Ouvi dizer que o Daniel ficou de plantão no hospital por três dias.

Nunca o vi tão dedicado assim nem com a própria esposa.

Ela me encarou, com o canto da boca elevado.

Anita, você não concorda?

Ergui a minha xícara de chá.

Tomei um gole.

E a pousei devagar.

A Senhora Franco é muito bem informada.

Mas a Senhora Franco por acaso sabe em nome de quem está registrado aquele apartamento que o seu Franco comprou no edifício Terraço?

O sorriso da Senhora Franco congelou.

O seu Franco levou alguém para passar férias em Porto de Galinhas no inverno passado, em qual hotel eles ficaram e em qual quarto?

O rosto dela começou a empalidecer.

Gostaria que eu investigasse para você a qual número de celular o cartão dependente do seu Franco está vinculado?

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