localização atual: Novela Mágica Moderno Ela Comprou um Mendigo... e Ele Era Bilionário Capítulo 2 — Quinhentos Reais

《Ela Comprou um Mendigo... e Ele Era Bilionário》Capítulo 2 — Quinhentos Reais

PUBLICIDADE

A manhã começou com nuvens cinzentas pendendo sobre Paraisópolis. O chão ainda estava molhado da chuva que caíra durante a madrugada. 

Mariana carregava a mochila térmica cheia de brigadeiros, equilibrando o peso com cuidado e observando cada viela pelo caminho.

Pedrinho corria ao lado dela, tropeçando constantemente nos paralelepípedos irregulares. "Você vai derrubar tudo de novo!" — resmungou Mariana, enquanto ajustava a mochila.

"Desculpa! Eu só queria ajudar..." — disse Pedrinho, arfando.

Mariana respirou fundo. Havia mais do que entregas para se preocupar naquele dia. Algo a perturbava profundamente: a lembrança do homem caído que vira na noite anterior. 

Ele estava sujo, machucado, quase irreconhecível, e os três homens que o cercavam não tinham nenhum respeito. Apenas negócios frios.

Ao virar a esquina, Mariana sentiu o coração disparar. Lá estavam eles novamente: os traficantes, falando baixo, trocando notas e olhando para o homem caído como se fosse um objeto.

"Quer levar?" — disse um deles, mostrando uma nota de 500 reais. — "Dá 500."

Mariana parou abruptamente. A respiração ficou presa.

Quinhentos reais. Para qualquer um poderia ser apenas um trocado, mas para ela, naquele momento, representava quase tudo: 

o dinheiro da semana da barraca, algumas economias escondidas, até um pedaço do sonho de abrir sua própria confeitaria.

Ela olhou para o homem no chão. A luz da manhã refletia nos seus olhos, cansados, feridos, confusos. Ele respirava com dificuldade. Havia hematomas pelo rosto e braços. O cheiro de suor e terra misturava-se com a chuva da noite anterior.

— "Ele… eles vão vendê-lo?" — murmurou Mariana, incapaz de acreditar.

Pedrinho olhou para ela, assustado. — "Vendê-lo? Como assim?"

— "Não sei…" — respondeu Mariana, com a voz quase falhando. — "Mas… não posso deixar isso acontecer."

Ela começou a contar mentalmente: quinhentos reais. Como conseguir aquilo? Cada centavo precisava ser economizado, cada nota contada. Danda provavelmente teria alguma ideia, mas o tempo era curto.

Danda apareceu, correndo com o cabelo preso e os olhos brilhando de preocupação. — "Mariana! O que está acontecendo? Quem é esse homem?"

— "Não sei exatamente… mas ele precisa de ajuda."

Danda franziu a testa, preocupada. — "500 reais? Você vai pagar isso sozinha?"

Mariana fechou os olhos e respirou fundo. O dinheiro era muito. 

Ela sabia que para levantar quinhentos reais teria que pedir ajuda, tomar emprestado, abrir mão de comida e material da barraca. Mas ver aquele homem indefeso ali… não havia outra escolha.

Ela se lembrou de quando criança, de como crescera sem pais, dependendo apenas de Dona Lourdes. 

Lembranças de noites de frio e fome, do medo constante da rua, vieram à tona. Se pudesse salvar alguém dessa sensação… deveria fazê-lo.

— "Vamos pedir ajuda." — disse Mariana, decidida. — "Cada centavo conta."

Danda assentiu, entendendo sem perguntar mais nada. — "Eu tenho algumas moedas, posso juntar com você. Pedrinho, você consegue achar mais alguém para emprestar?"

O menino correu pela vizinhança, voltando com pequenas moedas e notas improvisadas de vizinhos. Mariana contou e recalcou cada valor, somando cuidadosamente. Cada real era precioso.

PUBLICIDADE

Dona Lourdes apareceu, segurando uma pequena bolsa. — "Sei que não é muito, mas..."

— "Mãe…" — Mariana tentou protestar, mas sabia que não tinha escolha.

As mãos tremiam levemente quando juntaram o dinheiro. Quinhentos reais. Exatamente. Era tudo ou nada.

Mariana respirou fundo. — "Vamos lá."

Ela se aproximou dos traficantes, colocando as moedas na mão do homem que parecia mais rígido e ameaçador. — "Aqui está. Pegue."

Eles riram, surpresos com a ousadia da garota, e aceitaram o dinheiro. Um deles resmungou algo, mas não ousou discutir.

Leo, ainda atordoado e ferido, olhou para Mariana com olhos confusos. 

Ele tentava se apoiar em si mesmo, mas suas forças eram limitadas. Cada passo era doloroso, cada respiração pesada. 

Os últimos dois dias haviam sido um pesadelo: sem comida, sem documentos, sem ninguém para defendê-lo. E agora, estava nas mãos daquela garota desconhecida que ousara desafiá-los.

Ela estendeu a mão para ajudá-lo a levantar. Leo hesitou, sentindo dor e confusão, mas o olhar firme de Mariana era inegável: confiança. Determinação.

— "Vamos."

Ele se apoiou nela, cambaleando, e juntos caminharam de volta à casa da Mariana, cada passo um esforço, cada movimento doloroso. 

Pedrinho corria ao lado, animado, mas atento, pronto para qualquer situação.

No caminho, Mariana não parava de calcular, de se preocupar com cada centavo gasto, cada risco tomado. 

Mas no fundo, não havia dúvida: aquele homem precisava dela tanto quanto ela precisava acreditar que podia fazer a diferença.

Ao chegarem em casa, Dona Lourdes abriu a porta, surpresa ao ver Leo apoiado em Mariana. — "Mariana… quem é ele?"

— "Alguém que precisa de abrigo, mãe."

Leo apenas assentiu, incapaz de falar, exausto e ainda confuso. Seus olhos encontraram os de Mariana por um instante. Uma troca silenciosa de reconhecimento, confiança e mistério.

Mariana respirou fundo, sentindo o peso da decisão. Ela gastara quinhentos reais que não podia perder, mas salvou alguém que talvez mudasse a vida dela para sempre.

E enquanto o sol iluminava as paredes simples da favela, um novo capítulo começava — cheio de incertezas, tensão e uma estranha sensação de que aquela noite marcaria o início de algo muito maior.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia