Dentro da ambulância, após desligar o telefone, Alce direcionou o olhar para a mãe de Íris, que a fitava fixamente.
A mão de Alce que segurava o celular hesitou ligeiramente e, em seguida, ela chamou sem pressa: — Senhora.
— Querida.
— Por favor, diga, senhora.
— Você ligou para a Íris e contou a situação daqui?
Alce não tentou ocultar; afinal, o espaço dentro do veículo era limitado e era óbvio que ela não conseguiria esconder o telefonema da senhora.
De acordo com as regras, ela deveria esperar até chegar ao hospital para então procurar uma oportunidade de se afastar da senhora e ligar para Íris, mas aquele incidente era claramente intencional, e ela achou melhor que Íris soubesse no primeiríssimo instante.
Ciente da situação, Íris também poderia pensar em uma estratégia de resposta a tempo.
Essa era a linha de raciocínio de Alce.
— Desculpe, senhora, fui contratada pela senhorita e, diante de um acontecimento dessa magnitude, tenho a responsabilidade de relatar a situação a ela.
A mãe de Íris fixou o olhar nela por um momento e soltou um breve suspiro: — Não estou te culpando por relatar à Íris, estava apenas pensando que isso não é de fato algo grave. Tenho apenas alguns ferimentos superficiais, bastaria ir ao hospital passar um remédio qualquer e poderia voltar para casa, não havia necessidade de contar à Íris para deixá-la preocupada.
— A senhora realmente pensa que isso não é algo grave?
A senhora silenciou.
Ela não era tola e, naturalmente, percebia que não se tratava de um acidente automobilístico comum.
Ocorre que, em comparação ao acidente, ela se importava muito mais com a própria filha.
Tendo colocado alguém ao seu lado para protegê-la há tanto tempo, Íris certamente sabia de algo que eles desconheciam, e todas essas questões a filha guardava no fundo do próprio coração, assumindo a responsabilidade inteiramente sobre si mesma.
Ela não estava preocupada com o perigo desconhecido, mas sim com o sofrimento de sua filha.
Ao vê-la em silêncio e com o olhar baixo, Alce compreendeu que havia falado demais, apenas não tinha conseguido se conter no momento...
Originalmente, a relação dela com a senhorita era apenas um vínculo de contratação em que cada uma obtinha o que necessitava, e ela tinha plena consciência de que a senhorita absolutamente não era aquela jovem de família nobre criada sob mimos e sem forças para segurar uma faca, conforme diziam os boatos externos; a capacidade física da senhorita era superior à dela.
No entanto, ela simplesmente não conseguiu evitar misturar sentimentos pessoais na relação de trabalho deles.
Sentia que, por maior que fosse a capacidade da senhorita, ela ainda era apenas uma jovem de vinte e dois anos. Já que os outros membros da família Paes possuíam, cada um, as suas próprias capacidades, por que não poderiam ajudar a dividir o fardo da senhorita?
Contudo, ela era, afinal de contas, uma estranha, e a senhorita claramente não desejava que seus familiares soubessem dessas questões; portanto, em última análise, ela havia falado demais.
— Desculpe, senhora.
— Desculpe pelo quê? Você não disse nada de errado — a senhora sorriu levemente.
Ela, na verdade, conseguia compreender os sentimentos de Alce.
Se Alce, uma pessoa de fora, sentia-se assim, o que diria ela, sendo a mãe.
— Imagino que você também possa não ter clareza sobre certos assuntos e, mesmo que tenha, se eu perguntar, você não necessariamente dirá. Já que a Íris pediu para você ficar ao meu lado na qualidade de assistente, faça a vontade dela. No entanto, caso um evento como o de hoje venha a se repetir, você não precisa arriscar a vida dessa forma. Ouvi dizer que você tem um filho de cinco anos; se algo acontecer a você, como ficará o seu filho?
— Nada vai acontecer comigo — Alce usou um tom de voz categórico.
— Contudo, ainda assim agradeço à senhora. — Não eram muitas as pessoas capazes de demonstrar tamanha generosidade à beira da morte como a senhora.
A maioria dos seres humanos agia por puro egoísmo e interesse próprio.
Deveria dizer que ela fazia jus a ser a mãe da senhorita?
Com a senhorita sendo o tipo de pessoa que era, a senhora, na condição de pessoa que a havia educado, naturalmente também não ficaria atrás.
A senhora deu um leve sorriso, fitando o exterior através da janela do veículo, dizendo como se murmurasse para si mesma: — A Íris e o Pedro são dois irmãos que sempre foram ajuizados desde pequenos, praticamente nunca me deram motivos para me preocupar. Todas as senhoras que conheço vivem cheias de dores de cabeça por causa de seus filhos, e eu sou a única exceção. Enquanto os outros torcem para que os filhos sejam obedientes e ajuizados, eu torcia para que eles fizessem um pouco de manha de criança, que não fossem tão maduros, e chegava a torcer para que arrumassem alguma encrenca, para que eu, como mãe, pudesse intervir e resolver para eles, permitindo-me experimentar a sensação de uma mãe se preocupando pelos filhos. No entanto, nunca tive essa oportunidade.
— Mas, mesmo sendo assim, eu julgava que compreendia os meus filhos. Foi só hoje que percebi que não compreendo absolutamente nada sobre eles. O que eles viveram e o que estão suportando é algo de que sou totalmente alheia. E não apenas isso, mas permito que eles façam o inverso, protegendo a nós, que somos os pais. Diga-me, eu não sou um fracasso como mãe?
— ... — Alce permaneceu em silêncio.
Em seguida, ela declarou: — A senhora não é um fracasso. Sendo capaz de criar filhos tão admiráveis, como poderia ser um fracasso? Eu também não tenho muita clareza sobre os assuntos da senhorita, mas acredito que a forma como ela age certamente tem uma razão de ser. A senhorita não é uma pessoa imprudente; se não fosse algo que ela pudesse resolver por si mesma, ela não escolheria carregar o fardo sozinha. A senhora deveria confiar nela.
Ela também se culpava por não ter contido a língua há pouco; se não tivesse dito aquela frase, a senhora provavelmente não teria tido esse momento de reflexão acompanhado de tanta culpa.
— Sim, eu deveria confiar nela.
A senhora sorriu levemente: — Querida, não deixe a Íris saber sobre essa conversa que tivemos agora. Já que ela não quer que eu me desgaste, vou fingir que não sei de nada, evitando que a Íris precise desviar a sua atenção para se preocupar comigo.
Após uma breve hesitação, Alce acabou assentindo com a cabeça.
Ela não costumava ser alguém que se comovia tão facilmente no passado; desde que formou uma família e teve um filho, tornou-se propensa a se comover.
E, com essa sensibilidade, acabou perdendo a rigidez em suas diretrizes de conduta.
Originalmente, ela havia sido contratada pela senhorita e não deveria ocultar absolutamente nada dela.
Pacifiquemos a mente; a senhorita apenas solicitara que ela protegesse bem a senhora, sem estipular que cada mínimo detalhe precisasse ser relatado a ela. Pensando bem, mesmo se viesse a saber no futuro, a senhorita provavelmente não a culparia.
Dito isso, a senhora realmente agiu dessa forma.
Quando Íris e Pedro chegaram ao hospital e verificaram que não havia grandes problemas, a senhora, que estava recebendo a aplicação de medicamentos, sorriu de forma resignada e disse: — São apenas ferimentos superficiais, poderei voltar para casa assim que terminar de passar o remédio. Por que vocês fizeram questão de fazer essa viagem até aqui?
Ao ver que a mãe exibia aquela fisionomia descontraída, em vez de uma expressão pesada, Íris soltou um suspiro de alívio secretamente.
Pelo visto, a mamãe não havia suspeitado de nada.
Isso era ótimo.
— Considere apenas que eu e o meu irmão viemos ao aeroporto para buscá-la e levá-la para casa.
Ao ver que a mãe estava bem, Pedro visivelmente também relaxou.
— Vocês dois, por acaso pensam que sou uma criança? Que ainda precisa de alguém para buscar — a senhora caiu na risada.
— A senhora não é uma criança, nós é que somos — Íris respondeu com um sorriso, aproximando-se para perguntar à enfermeira: — Enfermeira, podemos ir embora assim que o medicamento for aplicado?
A enfermeira assentiu com a cabeça, confirmando que sim.
Mal a palavra fora dita, a porta do quarto do hospital foi aberta abruptamente com um forte impacto.
O pai de Íris entrou correndo, com a testa coberta de suor e os cabelos, que normalmente andavam impecavelmente alinhados, um pouco bagunçados: — Querida, você está bem? O que de fato aconteceu? Como foi sofrer um acidente de carro do nada? Já fez um exame completo no corpo? O que os médicos disseram?
— Veja só a sua idade, e ainda agindo com tanto desespero. Olhe para mim, não estou perfeitamente bem? O que poderia ter acontecido? Por outro lado, como é que você também veio correndo para cá?
Íris e Pedro trocaram um olhar e, em total sintonia, saíram do quarto do hospital.
Alce e a enfermeira também os acompanharam.
O marido de Alce estava parado do lado de fora do quarto, presumivelmente tendo vindo junto com o pai de Íris; ele fez um leve aceno com a cabeça para Íris e, em seguida, puxou Alce para o lado, provavelmente perguntando se ela havia se ferido.
Íris não se deu ao trabalho de escutar os detalhes.
Pedro tinha algo para falar com ela.
— Mana, eu acabei de enviar uma mensagem pedindo para verificarem as gravações das câmeras de segurança daquele trecho da estrada onde a mamãe sofreu o acidente, e a resposta que recebi foi que as câmeras daquele trecho, por coincidência, estavam com defeito.
Pedro havia ponderado cuidadosamente antes de relatar aquele fato a Íris.