— De qualquer forma, é um banquete realizado em nome da família Paes, então não podemos deixar nenhuma falha. — Íris sorriu levemente.
Pedro, obviamente, não acreditou, mas não fez mais perguntas.
— Então vou indo trabalhar. Dirija devagar na estrada, maninha; sinto que sua energia não está muito boa. — Ele sabia que hoje Íris viera dirigindo o próprio carro.
— Na volta, eu dirijo — disse Thiago.
Pedro olhou para ele, sentindo-se um pouco mais satisfeito por dentro.
— Então conto com o Irmão Thiago para levar minha irmã em segurança para casa.
— É o meu dever.
No caminho de volta, foi realmente Thiago quem dirigiu.
Assim que entraram no carro, Thiago comentou: — Vocês dois, irmãos, têm uma relação muito boa.
Os pensamentos de Íris ainda não haviam retornado completamente e, ao ouvir aquilo, ela assentiu por instinto: — Sim, nossa relação é realmente muito boa.
Thiago: — ...
Ele sentiu que tinha algum problema psicológico; no fundo, não queria que a relação dos irmãos fosse tão boa. Será que ele estava torcendo para que os irmãos se distanciassem?
— ...
— Devo te levar direto para casa?
— Não. — Ela olhou para ele. — Se o Irmão Thiago não estiver ocupado, me acompanharia a mais um lugar?
Não que Thiago estivesse desocupado, mas ela não queria se separar dele tão rápido. Esse desejo não era antigo, mas surgiu após ela tomar aquela grande decisão na varanda.
Fazer com que Thiago ficasse no quarto do hotel no dia do banquete sem sair exigiu, de fato, uma enorme determinação da parte dela.
— Não estou ocupado. Para onde vamos?
Íris informou o endereço do ateliê de sua amiga.
Ao chegarem ao local, Thiago ficou um pouco surpreso.
Ele nunca estivera ali, mas conhecia o nome daquele ateliê.
Graças ao falatório de seu amigo, ele não apenas sabia que ele tinha uma prima com quem se dava bem — a terceira na linha dos netos da família da amiga —, mas também que essa prima havia contrariado a vontade da família para abrir seu próprio ateliê de design de moda.
Contudo, para ser exato, o motivo pelo qual ele se lembrava da terceira senhorita daquela família e do nome de seu ateliê, além do mérito do amigo, era outro: essa terceira senhorita era a melhor amiga, na cidade, da garota que ele amava.
— Este é o ateliê da minha amiga, a terceira senhorita daquela família, se chama de um nome específico. Você tem uma boa relação com o primo dela, então deve ter ouvido falar dela.
Ela sabia que ele tinha uma boa relação com o amigo dela. Significaria isso que ela também estava prestando atenção nele?
Assim que esse pensamento surgiu, Thiago apressou-se em negá-lo internamente.
Não podia ser. Se ela realmente estivesse prestando atenção nele, no banquete de encontros às cegas daquele dia, ela não teria sido tão polida e, na verdade, fria e distante.
— Já ouvi falar.
— Eu também sou uma das investidoras do ateliê dela. Amanhã haverá um desfile consideravelmente grande, então vim dar uma olhada.
Para jovens de famílias influentes, independentemente da profissão que exercessem, era normal ter outros investimentos. Além disso, como a abertura do ateliê fora contra a vontade da família da amiga, a falta de fundos era compreensível, e Íris tinha uma excelente relação com ela. Portanto, o fato de Íris ser uma das investidoras daquele ateliê não surpreendeu Thiago em nada.
Ao entrarem no ateliê, várias pessoas cumprimentaram Íris.
— Senhorita Paes...
Após o investimento, Íris não costumava ir ao ateliê da amiga, mas já estivera lá antes, de modo que a maioria das pessoas ali a conhecia.
Elas não puderam deixar de olhar para Thiago ao lado de Íris com curiosidade e admiração, mas, independentemente de o reconhecerem ou não, ninguém fez perguntas.
— Onde está minha amiga?
— Na sala de trabalho no andar de cima. Ela disse que, quando a Senhorita Paes chegasse, era para subir direto para procurá-la — disse uma garota, que parecia já ser bem íntima de Íris.
No ateliê, quase todo designer tinha uma sala de trabalho independente, destinada a desenhar os esboços e a confeccionar as obras desenhadas.
Íris agradeceu à garota, virou-se com um sorriso para Thiago e disse: — Vamos subir.
Thiago naturalmente a acompanhou. Quanto a sentir nervosismo por encontrar a amiga dela, ele não sentia absolutamente nada. Aos seus olhos, as mulheres se dividiam em duas categorias:
A garota dele e as outras.
A amiga de Íris estava ocupada. Ao ouvir alguém bater à porta, soube que era Íris, pois, quando ela estava trabalhando, as pessoas do ateliê geralmente não subiam para incomodá-la.
Com alegria, disse: — Entre.
A porta se abriu. Ao ver Thiago de pé atrás de Íris, a mão da amiga que segurava a tesoura tremeu, quase estragando um pedaço de tecido.
Quem poderia lhe dizer se ela estava tendo uma ilusão de ótica?
Era simplesmente inacreditável que ela estivesse vendo o renomado senhor Thiago em seu próprio ateliê! Bom, o que mais a chocava era que esse senhor Thiago fora trazido por sua grande amiga, Íris!
— Íris, você veio.
Fingindo estar calma, ela largou a tesoura e sorriu educadamente para Thiago: — Senhor Thiago, seja bem-vindo.
Thiago assentiu educadamente em cumprimento: — Terceira Senhorita.
— Aqui está um pouco bagunçado, vamos sentar e conversar na sala de visitas ao lado.
Íris, contudo, disse: — Não precisa, vou dar uma olhada e logo vou embora.
Se fosse apenas Íris, a amiga certamente não seria tão cerimoniosa, mas era porque Thiago estava presente. A atitude de Íris, agindo como se não considerasse Thiago um estranho, realmente fez a amiga olhar de relance.
Ela mal podia esperar para puxar Íris e fofocar sobre o que diabos estava acontecendo. Desde quando ela andava tão próxima de Thiago?
— Tudo bem, as obras estão todas aqui, venha ver. — Dito isso, ela puxou a cortina ao lado, revelando alguns conjuntos de roupas vestidas em manequins de moldagem.
Eram exatamente as roupas desenhadas por Íris.
Íris permaneceu muito calma; em contrapartida, Thiago, ao ver aquelas roupas, ficou impressionado, mesmo sendo quem era.
Em sua mente havia apenas um pensamento: a garota ficaria linda vestindo aquelas roupas. Independentemente de ser o estilo habitual dela, pareciam combinar perfeitamente com ela.
A amiga de Íris percebeu a reação de Thiago e ergueu uma sobrancelha.
Muito bem. Dessa forma, quando o fato de Íris ser a designer viesse a público, Thiago provavelmente ficaria ainda mais obcecado por ela.
Sim, ainda mais obcecado, e não apenas obcecado.
Ela tinha olhos; pelo modo como Thiago olhava para Íris, dava para perceber perfeitamente quais eram as intenções dele para com ela.
Como esperado de Íris, até mesmo esse renomado senhor Thiago, que começara do zero e dominava metade do mundo do entretenimento, fora deixado tão fascinado.
Antes, ela temia que Íris estivesse se envolvendo sozinha ao finalmente se interessar por alguém, mas agora podia finalmente ficar tranquila.
Ela piscou para Íris várias vezes, indicando cumplicidade, mas ao ver que Íris não demonstrava nenhuma reação, soube que ela não pretendia se esconder de Thiago. Assim, a amiga disse diretamente: — Quando essas obras aparecerem no desfile, quantas pessoas não ficarão maravilhadas! Íris, você está satisfeita com o meu trabalho artesanal?
Íris aproximou-se para examinar: — Muito bom.
— Hehehe... — A amiga soltou uma risada boba, sem a menor autopercepção de ser uma grande beldade, totalmente desprovida de postura.
— Mas, Íris, qual é o significado do logotipo que você desenhou? Eu não consegui entender. Se eu não fosse boa em desenho e bordado, receio que não teria conseguido bordar exatamente igual ao modelo.
— Você está me perguntando ou está se gabando?
A amiga voltou a rir de forma boba.
— Mas o seu trabalho de bordado é realmente muito bom, ficou excelente, idêntico ao desenho que te dei.
Ao receber o elogio de Íris, a amiga ficou ainda mais feliz e um pouco orgulhosa: — Com certeza, veja só quem eu sou. Íris, você ainda não me respondeu: qual é o significado especial desse logotipo que você desenhou? Me parecem duas letras, mas não tenho muita certeza.
Íris disse sorrindo: — São apenas duas letras, mas com um toque a mais de design.
— É verdade... — A amiga pegou o desenho que Íris lhe dera para examinar de perto, e quanto mais olhava, mais parecia com as duas letras "YX".
Sentiu-se um pouco desanimada; pelo visto, ela realmente não tinha talento para o design, já que nem sequer percebera que se tratava de duas letras.
— O primeiro conjunto é a obra premiada de um concurso de design de moda de alguns dias atrás. Eu vi essa reportagem por acaso, achei a obra muito boa, olhei mais algumas vezes e lembrei que o nome do designer parecia ser "Aroma do Jardim".
Ao dizer isso, Thiago olhou para Íris: — Então "Aroma do Jardim" era você.
Seu olhar era ardente.
A garota que ele amava era ainda mais excelente do que ele imaginava.