Capítulo 55: Eu Fiquei Super Comovida
— Por favorzinho...
Essa frase, dita com uma voz tão doce e dengosa, foi ouvida por todos na mesa.
Dizer "sim" ou "não"?
Lucas olhou para o rosto fechado de Helena e, em seguida, para o olhar de Eduardo, que parecia querer matá-lo. Por um instante, ele simplesmente não soube o que responder.
— Conversamos depois.
Ele desligou o telefone e tentou encontrar uma maneira de aliviar aquela atmosfera sufocante.
— Olha só, Eduardo, veja como você mimou mal a sua filha! — Helena disparou, transbordando irritação e lançando um olhar furioso para o marido.
Eduardo ficou confuso:
— O que eu tenho a ver com isso agora?
Ele preferiu manter o silêncio; ser repreendido já era rotina mesmo, uma bronca a mais não faria diferença.
— Tio, tia, já que a Valentina acordou, acho melhor voltarmos ao hospital para visitá-la.
Percebendo que todos já haviam terminado e que ninguém conseguiria comer mais nada ali, Lucas mudou de assunto e sugeriu o retorno. Os três concordaram e voltaram para o hospital.
Quando Valentina viu seu pai, sua mãe, Lucas e Alice entrarem juntos no quarto, ela ficou estática. Sua mente ficou completamente em branco. O que tinha acontecido?
— Como está se sentindo? — Helena perguntou com carinho.
— Estou bem melhor, pai, mãe... por que vocês vieram? — Valentina perguntou, apreensiva.
— Você é minha filha, por que eu não viria sabendo que você estava com febre? — Helena disse, abrandando o tom de voz. — Na verdade, seu pai e eu pedimos desculpas; não temos tempo para cuidar de você como deveríamos.
— Não tem problema, eu já cresci e consigo me virar sozinha.
Valentina forçou um sorriso, mas apenas Helena compreendia o peso de ver que o tempo dedicado à carreira os afastara da filha; agora que ela crescera, tentar compensar a ausência parecia tarde demais. Por isso, o casal carregava um remorso constante em relação a ela.
— Ah, é verdade! — Valentina apressou-se em apresentar Lucas para os pais: — Ele é meu colega de classe e divide a carteira comigo, o Lucas. Ele é incrivelmente inteligente, me ajuda muito nos estudos e é superlegal comigo.
— Nós somos apenas bons amigos, não entendam mal!
— Nós já sabemos de tudo — Eduardo, que estava ao lado, pronunciou com o semblante sério.
— Ah...
Valentina não percebeu nada de errado, imaginando que os pais sabiam apenas sobre a convivência deles na escola. Na sequência, o casal pediu para ter uma conversa privada com a filha, solicitando que Lucas e Alice aguardassem no corredor.
Do lado de fora, Alice olhou para ele com compaixão:
— Sentindo o peso do desespero?
Lucas limitou-se a soltar um suspiro.
...
No quarto de isolamento.
Helena, mantendo sua conduta direta e sem rodeios, questionou Valentina sobre o motivo de frequentar a escola sob um disfarce de feia e como o colega de banco se interessara por ela daquela forma. Indagou também como a filha permitira que ele a conquistasse, questionando se ela, por sua falta de experiência, havia cedido a promessas vazias e galanteios.
Valentina travou, demonstrando nítido nervosismo e fingindo total desconhecimento:
— Mãe, do que você está falando? Eu não estou entendendo nada. Eu e o Lucas somos apenas colegas de banco, você entendeu errado.
Helena ficou sem argumentos. Quem era a pessoa que, há poucos instantes ao telefone, dissera que amava Lucas e implorara pelo seu perdão de forma dengosa? Em suas lembranças, Valentina nunca assumira tal postura manhosa com ela, que era sua mãe.
Eduardo não aguentou e relatou o ocorrido à filha:
— Você não ligou para o seu colega agora há pouco? Eu e sua mãe ouvimos tudo: "eu tenho um afeto real por você", "me perdoa um pouquinho, por favorzinho"...
— Para de falar, aaah!
Valentina sentiu a vergonha atingir o nível máximo e escondeu a cabeça debaixo do edredom. Teve a impressão de que a febre, em vez de ceder, havia subido, pois suas bochechas queimavam de calor.
Tudo tinha desandado. Seus pais haviam descoberto o romance na escola e, com certeza, não permitiriam que ela continuasse com Lucas. O que fazer?
Apreensiva com a ideia de uma separação forçada ou de ser transferida de escola, ela deixou a timidez de lado e colocou a cabeça para fora do edredom.
— Sim, eu gosto dele! Mas vocês não podem ser cruéis e destruir o nosso relacionamento! — disse ela, com lágrimas nos olhos. Se a família insistisse em afastá-la de Lucas, ela faria greve de fome, deixaria de falar com os pais e se trancaria no quarto por tempo indeterminado. Ela faria...
— Tudo bem — Helena assentiu com a cabeça. — Eu não me oponho ao namoro.
— Hein? — Valentina soltou uma exclamação, achando que ouvira errado.
— Não precisa se espantar. Só não dedique sua atenção apenas ao romance a ponto de abandonar as obrigações escolares. Se não conseguir ingressar na faculdade, arque com as consequências — Helena sorriu.
Mesmo sem compreender o motivo daquela flexibilidade, Valentina ficou imensamente feliz e balançou a cabeça repetidas vezes:
— Entendido, mãe!
À noite, a febre cedeu e Valentina recebeu alta, embora ainda manifestasse debilidade física. Eduardo e Helena precisavam alinhar diversas pendências corporativas, por isso pediram desculpas à filha e partiram, prometendo reservar um tempo para visitá-la nos próximos dias. Após a saída do casal, Lucas encarregou-se de conduzir Valentina e Alice até a entrada do prédio delas.
— Lucas, meus pais descobriram sobre nós dois — Valentina disse baixinho, posicionada ao lado dele, sendo meia cabeça mais baixa que o rapaz, erguendo o olhar para encará-lo.
— Não pense muito nisso — Lucas passou a mão gentilmente na cabeça dela. — Vá descansar assim que subir. Não precisa ir à escola amanhã, eu já organizei a sua dispensa com o professor.
— Tá bom, entendido — ela assentiu docilmente.
Ele preferiu omitir o fato de que também solicitara dispensa para si. Afinal, ele já dominava todo o conteúdo escolar, e frequentar as aulas seria apenas perda de tempo.
Na manhã seguinte, bem cedo, Lucas enviou uma mensagem para Valentina:
"Bom dia, já acordou?"
"Eu dormi cedo ontem, então já estava de pé às sete!"
"Ah, então abre a porta aqui."
"?"
"Estou na sua porta."
"?!?!"
Valentina, que ainda vestia um pijama de panda, correu apressada para abrir. Ela dissera que havia acordado, mas a verdade é que continuava deitada na cama curtindo a preguiça. Ao abrir, deparou-se com Lucas na entrada.
— O que você está fazendo aqui? Não foi para a aula?
Seu coração pulou de alegria; sentiu uma vontade enorme de avançar e abraçá-lo, mas conteve o impulso. Afinal, Lucas ainda não manifestara o perdão definitivo. Embora soubesse que a irritação dele já havia sumido e que ele a perdoara, ela ainda carregava uma pontinha de culpa.
— Eu pedi dispensa hoje para poder cuidar de você — Lucas sorriu. — Ficou comovida?
Valentina exclamou:
— Eu fiquei supercomovida!
Lucas adentrou o apartamento, acomodou os mantimentos e as carnes na geladeira, planejando preparar uma boa refeição para auxiliar no restabelecimento físico dela.
— Você também comprou uma melancia?
Valentina notou a fruta; ela adorava melancia.
— Sim, a Alice comentou que você gostava, então eu trouxe uma — disse Lucas.
— Eu amo!
Valentina foi até a cozinha buscar uma faca de chef e, quando estava prestes a cortar a fruta, lembrou-se de uma piada da internet. Abriu um sorriso e perguntou:
— Essa melancia está madura mesmo?
Lucas sorriu e entrou na brincadeira:
— O feirante vive disso, acha que ele me venderia uma fruta verde?
Valentina mostrou a língua, soltou uma risadinha e desceu a faca bem no meio da melancia.
— Caramba! — Lucas não conteve a expressão de surpresa ao ver o resultado.
A polpa da melancia cortada exibia um tom esbranquiçado com leves traços rosados. Estava completamente verde!