《A Beleza Oculta da Minha Colega de Classe》Capítulo 53

PUBLICIDADE

Capítulo 53: A Mentira da Gravidez

Diante das palavras proferidas por Valentina em meio ao sonho, a feição de Alice alterou-se drasticamente, empalidecendo sob o efeito do susto.

"Valen, que tipo de sonho é esse logo agora? Estamos em apuros! Desta vez nem eu vou conseguir te salvar", pensou a amiga.

O semblante da mãe de Valentina tornou-se severo de imediato.

— Quem é Lucas? — Ela se virou para Alice, exigindo respostas.

Sabendo da proximidade entre as duas, tinha certeza de que a amiga guardava informações.

Alice demonstrou hesitação e não ousou responder, desviando os olhos na direção de Lucas.

A mulher redirecionou o olhar no mesmo instante, fixando-o no rapaz:

— Você é o Lucas a quem minha filha se refere?

Lucas não tentou omitir o fato e confirmou com a cabeça:

— Sim, sou eu.

— Exijo uma explicação para o teor das palavras da minha filha.

O olhar da mãe era minucioso, como quem realiza uma acareação.

Será que sua filha havia iniciado um romance? Que tipo de rapaz faria Valentina se manifestar daquela forma em meio ao sono, demonstrando submissão ao pedir desculpas e implorar pelo perdão de um homem? Ela não admitiria ver sua filha assumir tal postura diante de ninguém.

Lucas ponderou e concluiu que uma postura transparente seria mais eficaz do que justificativas longas, respondendo de forma direta:

— Eu e sua filha estamos em um relacionamento, e desentendimentos são naturais entre duas pessoas.

Alice virou as costas em silêncio, prevendo o pior. "Acabou tudo, estamos perdidos", pensou. Sentiu vontade de repreendê-lo mentalmente; por que não formular uma desculpa temporária em vez de admitir tudo daquela forma tão crua? Isso era um suicídio social.

O olhar da mulher tornou-se ainda mais gélido. Sua filha mantinha um relacionamento com aquele rapaz e a família permanecera alheia a tudo.

— O que te atrai na minha filha? Este rosto?

A abordagem dela era precisa e despida de rodeios.

— Se eu afirmar que a aparência não é o fator principal, a senhora daria crédito às minhas palavras? — Lucas contrapôs. — Na verdade, o nosso desentendimento nasceu justamente desse ponto.

— Ah, é? — O fato despertou a surpresa da mulher. — Detalhe isso.

Lucas realizou um resumo fiel dos acontecimentos. Detalhou a entrada de Valentina na sala desde o primeiro dia, o incidente envolvendo a escolha das carteiras e o fato de ela frequentar a instituição sob um disfarce desleixado. Mencionou que descobrira a verdade sobre a aparência dela há poucos dias e que sua irritação nascera da omissão da verdade. Por esse motivo, ela buscara seu perdão através de um esforço físico que resultou no esgotamento e na internação.

Após ouvir o relato, a percepção da mãe sobre Lucas sofreu uma alteração. Ela buscou a confirmação com Alice através do olhar.

Alice assentiu com a cabeça:

— O relato dele é fiel aos fatos, ele não está mentindo para a senhora. — E acabou detalhando o restante das informações que guardava.

PUBLICIDADE

A mulher manteve-se em silêncio, refletindo sobre os fatos. Tratava-se de um jovem incomum, cuja aproximação não fora motivada pelos atributos estéticos da filha.

— Vocês ainda são jovens e focam apenas no presente imediato, mas o futuro reserva muitas oscilações, como a separação após o término dos estudos. Portanto... — a mãe pronunciou com firmeza — eu demando que se afaste da minha filha.

Lucas argumentou:

— O futuro é uma incógnita para todos, não acha? Após a conclusão do ensino médio, pretendo ingressar na mesma instituição de ensino superior que a Valentina para continuar ao seu lado. Espero contar com o seu consentimento.

A mulher manteve a postura incisiva e questionou:

— E qual a realidade da sua família para se considerar à altura da minha filha?

— Tia, o sentimento entre os dois é legítimo e mútuo. A senhora mesma não havia dito que, contanto que alguém dedicasse um afeto real à Valentina e zelasse por ela, a realidade financeira ou a origem familiar não seriam empecilhos?

Alice interveio em benefício de Lucas. Essa era uma confidência que compartilhara com Valentina no passado.

A mãe lançou um olhar de descontentamento para Alice:

— E o que isso muda? Qual mãe aceitaria ver a filha passar por privações ao lado de alguém? Se fosse o seu caso, você aceitaria? — contrapôs.

Alice respondeu de imediato:

— Aceitaria, sim. Contanto que o rapaz me dedicasse um afeto sincero e real, eu não veria problemas em enfrentar dificuldades ao lado dele.

A mulher sorriu com desdém:

— Mesmo se a instalação sanitária da residência consistisse em um simples poço escavado no chão, com duas pedras como apoio, onde bastaria olhar para baixo para ver larvas se movendo... você manteria essa postura?

Alice permaneceu sem resposta. Diante de uma realidade dessas, ela de fato manteria sua convicção? Provavelmente não. Optou por silenciar.

— Minha origem familiar é simples, fato que nunca lamentei, mas asseguro que a Valentina não passará por privações ou desamparo ao meu lado — Lucas pronunciou.

— Promessas desse teor são comuns, e ouvi-las apenas reduz a minha consideração por você.

— Antes do término do período escolar do ensino médio, apresentarei os fatos que comprovam minhas palavras. Caso eu falhe, me afastarei por iniciativa própria, sem necessidade de intervenção externa.

— E de que forma pretende estruturar essa comprovação? Qual seria a metodologia?

— Contanto que o resultado final conte com a sua validação, a metodologia aplicada torna-se secundária, não acha?

— Hehe, ver um estudante do ensino médio manifestar tamanha convicção é algo peculiar e interessante.

O diálogo firme entre Lucas e a mulher causava apreensão em Alice, que admirava a audácia do rapaz em sustentar aquela postura diante de uma mulher de negócios tão impositiva.

A mulher exibiu um sorriso brando:

— Pois bem, você dispõe de quase um ano para apresentar esses resultados. Caso falhe, espero que mantenha a palavra e não busque a intervenção da Valentina para interceder junto a mim.

PUBLICIDADE

— Firmado. — Lucas anuiu.

Na sequência, a mãe estabeleceu algumas diretrizes. O relacionamento poderia continuar, contanto que mantivessem limites rígidos quanto à intimidade física. Atitudes íntimas ou relações sexuais estavam terminantemente proibidas; qualquer transgressão traria consequências severas. Lucas concordou com os termos.

Alice, contudo, exibia uma feição de total espanto. Não imaginava que a mulher concederia aquela abertura, visto que tal flexibilidade divergia por completo de sua conduta habitual.

...

Em seguida, a mulher retirou-se do quarto para realizar uma chamada para o marido. Assim que a ligação foi completada, informou:

— O nosso casamento gerou a Valentina, e ela encontra-se internada devido a uma crise de febre.

— Estou em meio a uma reunião de negócios agora, envie a localização que me deslocarei até aí mais tarde — o pai respondeu do outro lado.

— Ela iniciou um romance e está namorando — acrescentou a mulher.

— O quê?! A Valentina está namorando e eu não fui informado?! — O homem elevou o tom de voz, surpreso com a novidade sobre a filha. — Concluirei os compromissos da reunião em meia hora.

— A Valentina está grávida, completando dois meses — ela disparou e, antes que ele pudesse manifestar qualquer reação, encerrou a chamada, enviando a localização do hospital na sequência.

Quinze minutos depois, um veículo de luxo estacionou na entrada do pronto-socorro. O homem de meia-idade desembarcou apressado e adentrou a instituição.

— Onde está a minha filha? — indagou ao localizar a esposa. — Onde se encontra o sujeito responsável pela gravidez da Valentina? Eu vou acabar com ele!

Sua indignação era total; interrompera seus compromissos corporativos para se deslocar até ali de imediato. A filha era seu maior tesouro e saber daquele romance e da suposta gestação causara-lhe uma oscilação de pressão.

— A Valentina teve apenas uma crise de febre, não há complicações maiores e ela não está grávida; foi apenas um artifício que utilizei — a esposa proferiu com total tranquilidade.

— O quê? Um artifício? Você tem ciência de que eu presidia uma reunião corporativa?! — O homem conteve a irritação, evitando direcioná-la contra a esposa.

— Se eu não aplicasse esse teor de urgência, você se deslocaria de imediato? Foca apenas nos compromissos corporativos e negligencia os assuntos da sua filha, a ponto de ignorar o fato de ela adoecer com febre. Que tipo de conduta paterna é essa? — a mulher o repreendeu abertamente.

 

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia