Capítulo 50: Me Perdoa? Não
— Então, Lucas, você me perdoou? Não está mais bravo comigo?
Com todo o cuidado, ela tentava avaliar a reação dele com o olhar.
Ele balançou a cabeça:
— Quando foi que eu disse que te perdoei?
— Me desculpa, eu errei. Me dá uma chance de compensar você, por favor!
— Como você pretende me compensar?
— Posso cozinhar coisas gostosas para você todos os dias e fazer o que você quiser, é só pedir que eu faço!
Ela garantiu, convicta.
— Eu não vou me aproveitar da sua culpa para te obrigar a fazer o que você não quer — disse ele calmamente. — Por enquanto, vamos deixar assim para ver a sinceridade do seu pedido de desculpas. Vamos prestar atenção na aula agora.
— Tá bom.
Durante as aulas daquele dia, embora não estivessem conversando e rindo como antes, eles pelo menos trocaram algumas palavras.
Para ela, aquilo já era um excelente começo.
No fundo, não esperava que ele a perdoasse imediatamente.
Através daquelas poucas palavras, ela compreendeu o quão difícil havia sido a infância de seu parceiro de banco.
Criado apenas pela mãe, aprendeu a ser independente desde cedo; enquanto outras crianças daquela idade viviam felizes e sem preocupações, ele já ajudava nas tarefas de casa.
Lavava a louça, passava o pano e cozinhava para aliviar o peso dos ombros da mãe.
Ela sentiu uma imensa vergonha de suas próprias atitudes anteriores.
A culpa que sentia em relação a ele aumentou ainda mais.
Jamais mentiria para ele novamente.
Após a aula, ela foi ao supermercado comprar mais ingredientes.
Embora os doces de antes ainda estivessem bons para o consumo, ela fazia questão de preparar uma fornada nova.
Queria demonstrar que seu arrependimento era real.
A amiga passara os últimos dois dias observando toda aquela dedicação e achava uma pena vê-la tão desgastada.
— Valen, você gosta tanto assim do Lucas para se dar a todo esse trabalho? Com a sua realidade, você conseguiria pretendentes muito melhores.
Ela respondeu sem hesitar:
— Eu quero o Lucas, não me importo com mais ninguém.
— Por quê? — a amiga não entendia.
— Porque eu o amo!
A resposta deixou a outra sem argumentos, restando-lhe apenas ficar em silêncio.
Quando a noite caiu, os doces finalmente saíram do forno.
Ela sorriu, esperando que ele gostasse do resultado de seu esforço no dia seguinte.
Tendo dormido menos de cinco horas, ela acordou cedo e seguiu para a escola com os doces.
Ficou na sala esperando que ele chegasse.
Dez minutos depois, ele entrou e acomodou-se em seu lugar.
— Lucas, os doces que fiz para você. Experimente.
Ela estendeu a embalagem na direção dele.
Ele aceitou e colocou um pedaço na boca.
Ela observava cheia de expectativa, esperando pela avaliação dele.
— Muito bom — ele assentiu, comendo mais alguns pedaços em seguida.
Estavam realmente deliciosos, doces na medida certa, não perdendo em nada para os de uma confeitaria especializada.
Ela abriu um sorriso feliz, e o rosto antes pálido pelo cansaço ganhou um toque de cor.
Parecia que todo o esforço dos últimos dias havia valido a pena.
— Amanhã não precisa mais cozinhar para mim, descanse um pouco — disse ele, tendo notado o desgaste dela.
— Não tem problema, eu não sou tão frágil assim! — respondeu ela.
— Me obedeça.
Ele fixou o olhar nela.
Ela encolheu os ombros, dizendo baixinho:
— Tá bom.
Ela sabia que ele não estava sendo rude, mas sim demonstrando cuidado.
Seu coração se encheu de doçura.
Ao voltar para casa, embora não tivesse cozinhado nada, ela passou a noite fazendo dobraduras de coração com pedaços de papel.
Em cada um dos corações, escreveu uma mensagem dedicada a ele.
"Lucas, estou muito feliz por ter te conhecido."
"Vou ser uma boa menina, não vou te irritar e serei a namorada que todos gostariam de ter!"
"O céu espera pela chuva, e eu espero por você. Não fique mais bravo, Lucas!"
...
A amiga quis ajudar com as dobraduras, mas foi prontamente recusada por ela.
— Não tem problema, o Lucas não vai ver mesmo. Você diz que fez tudo sozinha e ele nunca vai saber — insistiu a amiga.
— De jeito nenhum! — ela balançou a cabeça. — Não vou mentir para ele de novo, por isso preciso fazer tudo sozinha!
Além disso, cada pedaço de papel continha declarações íntimas para ele; se a amiga lesse, ela morreria de tanta vergonha.
— Tá bom, tá bom, não me meto mais — disse a outra, indo deitar em seguida.
Sem perceber o tempo passar, o relógio marcou mais de uma da manhã.
Ela terminou centenas de dobraduras e as guardou todas em uma caixa.
Soltou um bocejo e finalmente foi para o quarto descansar.
No dia seguinte, durante o horário de leitura matinal, ele ficou sem palavras ao vê-la retirar uma caixa completamente cheia de corações de papel da bolsa.
— Lucas, fui eu mesma quem fez todas estas dobraduras de coração para demonstrar o meu arrependimento. Me perdoa, por favor.
O olhar dela transbordava expectativa.
— Não.