Capítulo 49: Perdoe-me
As amigas de Alice começaram a dar várias sugestões, cada uma com uma ideia diferente.
No fim, ela escolheu a que considerou mais eficaz para sugerir à amiga.
— Valen, você não aprendeu a fazer doces por vídeo? Faça doces todos os dias para ele, com certeza ele vai se comover com a sua dedicação em pedir desculpas!
— Além disso, veja o que mais ele gosta e use isso a seu favor.
Ela assentiu:
— Vou fazer exatamente o que você falou. Vou agora mesmo comprar os ingredientes!
Dito isso, desceu imediatamente e foi ao supermercado mais próximo para comprar o necessário, começando o preparo assim que voltou.
Alice tentou ajudar, mas foi recusada.
— Eu preciso fazer tudo com as minhas próprias mãos para demonstrar a sinceridade do meu pedido de desculpas! — insistiu ela.
Assim, a amiga pôde apenas observar de lado.
Para falar a verdade, ela nunca a tinha visto tão focada antes.
Aquela parecia ser a primeira vez que ela cozinhava para um rapaz.
Pelo visto, estava mesmo apaixonada.
Caso contrário, não se daria a tanto trabalho.
Quem era ela?
A princesinha de sua família, dona de uma beleza incomparável, vinda de um berço esplêndido, uma autêntica jovem rica, linda e um tanto inocente. Quem se tornasse seu namorado tiraria a sorte grande.
Mas agora, por causa de um rapaz e para obter o seu perdão, ela se desdobrava de um lado para o outro apenas para preparar doces, na esperança de ser perdoada.
Se os pretendentes dela soubessem disso, especialmente aquele mais obcecado, com certeza ficariam boquiabertos e com uma vontade imensa de acabar com ele.
Todo o processo de fabricação dos doces era muito demorado, exigindo sovar a massa e deixá-la fermentar.
Para conseguir terminar a tempo pela manhã e levar para a escola, ela trabalhou até a madrugada na etapa final da panificação.
No fim, pouco mais de dez doces finos ficaram prontos.
Ela os guardou com todo o cuidado em uma embalagem e finalmente respirou aliviada.
Ao terminar tudo, soltou um bocejo e olhou para o relógio: já passava das duas da manhã.
Se não fosse dormir logo, não conseguiria acordar no dia seguinte.
Na manhã seguinte, ela não exibia uma boa disposição; lavou-se em silêncio e seguiu para a escola carregando os doces.
Ela mantinha o seu habitual disfarce de feia.
Porque ele dissera que gostava dela daquela forma.
Ao chegar na escola e entrar na sala, a frustração de ver o lugar ao lado de sua carteira completamente vazio desfez todas as palavras de desculpas que havia ensaiado.
Sentou-se e ficou esperando que ele chegasse para a aula.
Pouco depois, ele entrou com uma expressão neutra e sentou-se ao lado dela.
Em seguida, abriu um livro e começou a ler, agindo como se ela não estivesse ali.
Ela mordeu os lábios, tirou os doces da bolsa e os colocou na frente dele.
— Lucas, eu mesma preparei estes doces para você ontem à noite, experimente para ver se ficaram gostosos.
Ele parecia tão imerso na leitura que era como se não tivesse ouvido.
Na realidade, ele estava prestando total atenção nela; ver o rosto cansado e o olhar sonolento dela o deixava com o coração apertado.
— Me desculpa, eu errei. Me perdoa, por favor! — Ela puxou de leve a manga dele, falando com todo o cuidado.
Esperava muito ouvir um "eu te perdoo" vindo dele.
Mas não ouviu.
Ele se virou para ela:
— Eu não gosto de doces, pode levar de volta.
Ela ficou profundamente triste, e as lágrimas teimaram em surgir em seus olhos.
Limpou as lágrimas em silêncio, abaixou a cabeça e começou a soluçar baixinho.
O coração dele quase se partiu.
Por dentro, parecia haver uma parte dele gritando: "Perdoe ela logo, você tem coragem de vê-la sofrer assim?!".
Mas uma segunda parte sorria com desdém: "Vai perdoar tão fácil? Hahaha...".
Naquele dia, muitos colegas perceberam que o clima entre os dois estava muito estranho.
Antes, nos intervalos, eles conversavam e riam o tempo todo, mas hoje não trocaram uma única palavra.
Sempre que chegava a hora do almoço, iam juntos ao refeitório, mas hoje isso não aconteceu; apenas ele foi almoçar.
Ela permaneceu sozinha na sala, sem comer absolutamente nada.
— Com certeza terminaram. Eu já sabia que não ia durar muito, eu não disse?
— Ela é tão feia, como ele ia continuar com ela? Acabou mesmo.
Muitos alunos comentavam entre si.
Durante as aulas da tarde, ela, que sempre fora muito atenta, estava caindo de sono e acabou sendo chamada a atenção pelo professor.
Ele via tudo aquilo com o coração apertado, pensando se não seria melhor desistir logo do castigo e perdoá-la.
Por melhor que fosse a recompensa do sistema, ele sentia que ela era muito mais importante.
Mas o perdão não podia vir de uma hora para outra, precisava ser gradual.
Após a saída, ela voltou para casa completamente desolada, com todos os doces intactos na bolsa.
Ele não havia aceitado o seu agrado.
Ainda assim, ela não desanimou; se ele a perdoasse tão rápido, ela é quem ficaria surpresa.
Já que ele dissera que não gostava de doces, tentaria outro tipo de comida.
Ela também sabia preparar sopa de aveia.
Ela acordou por volta das cinco da manhã e foi para a cozinha preparar a sopa.
Colocou uma porção generosa em um pote térmico e a levou para a escola.
Como ele ainda não havia chegado àquela hora, ela colocou o pote na mesa dele junto com um bilhete:
"Lucas, me perdoa, por favor."
Depois, deixou a sala e só retornou quando faltava pouco para o início das aulas.
Ele já estava em seu lugar.
Mas o pote de sopa havia mudado de posição, estando agora na mesa dela.
O bilhete havia sumido.
O pote continuava cheio, exalando o restante do calor.
Ela se acomodou em seu lugar e, antes que pudesse falar algo, ouviu-o dizer:
— Não precisa mais me trazer nada, eu não gosto de sopa de aveia, obrigado.
Ela forçou um sorriso:
— Não tem problema, eu também sei fazer panquecas e pãezinhos. Se você não gostar, pode me dizer o que prefere que eu vou aprender a fazer!
Ela não queria perdê-lo.
Afinal, o erro inicial fora dela por tê-lo enganado.
Contanto que ele a perdoasse, ela estaria disposta a cozinhar o café da manhã dele todos os dias.
"Lucas, me perdoa logo, eu gosto muito de você e não quero te perder!"
"Você disse que gostava de mim assim, então vou aparecer diante de você sempre assim."
"Se você passar o dia sem falar comigo, vou te trazer café da manhã todos os dias até você me perdoar!"
Ela tomou essa decisão em silêncio.
Nisso, ouviu-o comentar como quem fala sozinho:
— Quando minha mãe estava grávida de mim, meu pai biológico a abandonou. Ela confiava muito nele, e ele mentiu para ela uma vez atrás da outra.
— Minha mãe passou por muitas dificuldades para me criar, por isso eu detesto mentiras. — Ele finalmente olhou para ela.
Ela abaixou a cabeça, dizendo timidamente:
— Desculpa, não foi a minha intenção.
— Pode levar a sopa de volta — disse ele.
Ela empalideceu, com uma expressão amargurada e o olhar sem brilho.
Nisso, ouviu-o dizer de repente:
— Os doces de ontem pareciam bem bonitos, só não sei se estavam gostosos.
Ela ergueu a cabeça num salto, e o brilho voltou aos seus olhos antes caídos.
— Meus doces são uma delícia! — apressou-se em dizer.
— Sério?
— Sim, sim, é verdade! Amanhã eu trago para você experimentar!