localização atual: Novela Mágica Fantasia A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo Capítulo 27: O Beijo das Cinzas

《A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo》Capítulo 27: O Beijo das Cinzas

PUBLICIDADE

Capítulo 27: O Beijo das Cinzas

O silêncio que se seguiu à destruição das correntes não era de paz, mas de uma eletricidade carregada, um aviso de que algo incontrolável acabara de ser libertado. As correntes de ferro jaziam no chão como serpentes mortas, e o eco do metal partindo ainda parecia vibrar nas paredes de pedra úmida da masmorra.

Lyra estava parada, o peito subindo e descendo com a adrenalina que a percorria. Ela olhou para os próprios pulsos, onde a pele ainda ardia, e depois para Kaelen. Ele não se afastou. Pelo contrário, sua proximidade era quase opressiva, uma força da natureza que não podia ser contida. A máscara de Rei, que ele vestira tão bem nas últimas semanas, tinha se estilhaçado completamente, e o que restava era apenas a essência crua, intensa e perigosa de quem ele realmente era.

— Você não tem noção do que acabou de fazer — Lyra sussurrou, a voz trêmula, mas não de medo. Era uma constatação.

Kaelen deu um passo à frente, fechando o espaço que restava entre eles. Seus olhos, que queimavam com uma intensidade que ela mal conseguia sustentar, não saíam dos dela.

— Eu sei exatamente o que fiz — ele respondeu, sua voz grave ressoando contra as paredes da cela. — Eu escolhi. E, pela primeira vez em séculos, a escolha não foi pelo dever, pela coroa ou pela sobrevivência do reino. Foi por você.

Ele estendeu a mão, segurando o rosto dela com uma delicadeza que contradizia a força bruta que ele acabara de usar contra o ferro. O toque de seus dedos, calejados e quentes, fez a pele de Lyra arrepiar. Ela não recuou. Ela não podia recuar. Era como se a gravidade do mundo tivesse se inclinado para aquele único ponto de encontro.

Quando ele se inclinou, Lyra não esperou. Ela fechou a distância, seus dedos se embrenhando nos cabelos dele, puxando-o para si com uma urgência que ela nem sabia que possuía. O beijo que se seguiu não foi uma gentileza. Foi desesperado, possessivo e apaixonado, como se estivessem tentando recuperar cada segundo de desconfiança, cada momento de dor e cada instante em que a guerra os mantivera separados.

Era um beijo que provava a cinza e o fogo. Havia nele a amargura das masmorras e a doçura da liberdade que ela acabara de vislumbrar. Kaelen a prensou contra a parede fria de pedra, seu corpo protegendo-a como se ela fosse o único refúgio que ele conhecera em uma existência inteira de escuridão. Lyra podia sentir o coração dele batendo contra o seu, um ritmo frenético e dracônico que ameaçava romper as costelas.

Era possessivo, quase selvagem. Cada pressão de seus lábios, cada movimento de suas mãos explorando a curva de suas costas, era uma declaração de posse, uma tentativa de ancorar-se a ela em um mundo que desmoronava. Lyra retribuiu na mesma moeda, deixando que a raiva pela traição e o alívio pela revelação derretessem em uma única chama. Ali, naquele canto esquecido do palácio, não havia Rei, não havia espiã, não havia política. Havia apenas duas almas que tinham encontrado uma na outra a única verdade que restava em um reino em colapso.

PUBLICIDADE

O mundo exterior — a corte, os generais, a traição de Lyana — parecia ter deixado de existir. O único som era a respiração pesada de ambos e o bater surdo de seus corações contra a pedra da parede. O beijo parecia durar uma eternidade, um redemoinho de sensações que desafiavam a lógica de tudo o que haviam construído até ali.

No entanto, o Pico Draconiano não permitiria tal trégua.

O momento de entrega absoluta foi interrompido por um estrondo ensurdecedor. Não era um som metálico desta vez; era um som orgânico, a própria terra tremendo e as estruturas do palácio gemendo sob uma pressão inimaginável. Explosões consecutivas reverberaram lá em cima, fazendo pedaços de alvenaria caírem do teto da masmorra e levantando uma nuvem de poeira sufocante.

O teto da cela tremeu violentamente, e uma rachadura se abriu na parede acima de onde eles estavam. Kaelen se afastou de Lyra instantaneamente, sua postura mudando de amante para protetor com uma velocidade sobrenatural. Ele a empurrou para trás, colocando o corpo dele entre ela e as pedras que começavam a desabar.

Outra explosão, desta vez muito mais próxima, fez o chão vibrar tão intensamente que ela perdeu o equilíbrio. A luz da única tocha no corredor se apagou, deixando-os na escuridão, iluminados apenas pelas faíscas que emanavam das rachaduras no teto.

— O que é isso? — Lyra gritou, tentando ser ouvida acima do rugido de destruição que vinha das entranhas do castelo.

Kaelen não respondeu. Seus olhos, agora brilhando com uma luz dourada intensa no escuro, estavam fixos na direção da entrada das masmorras. O cheiro de enxofre e ozônio inundou o ar.

— Eles não esperaram — Kaelen disse, sua voz fria e carregada de uma nova e perigosa determinação. — Eles não estão mais tentando nos derrubar pela corte. Estão derrubando o castelo inteiro.

As explosões continuaram, um ritmo incessante de guerra que destruía tudo o que eles conheciam. O beijo, que momentos antes parecia o início de algo eterno, agora soava como uma despedida. A guerra tinha finalmente chegado ao coração do Pico, e eles não estavam mais escondidos nas sombras. Eles estavam no centro da tempestade.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia