localização atual: Novela Mágica Fantasia A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo Capítulo 26: Corações Desarmados

《A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo》Capítulo 26: Corações Desarmados

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Capítulo 26: Corações Desarmados

A pequena cela de pedra, antes um recinto de desespero absoluto, parecia agora carregada com uma voltagem emocional que tornava o ar difícil de respirar. Kaelen ainda estava ali, ajoelhado no chão úmido, sua presença preenchendo cada fresta daquele espaço confinado. A revelação de que a prisão de Lyra fora uma medida extrema de proteção, e não uma traição, tinha deixado um rastro de sentimentos conflitantes que ela ainda lutava para processar.

Lyra se levantou, caminhando lentamente até o centro da cela. Seus olhos, antes cheios de ressentimento, agora observavam Kaelen com uma clareza renovada, porém marcada por uma vulnerabilidade dolorosa.

— Você me pediu para aguentar — ela disse, sua voz firme, embora seus dedos ainda tremessem levemente. — Mas "aguentar" é uma palavra muito fácil para alguém que não está trancado atrás destas grades, sentindo o medo de cada dia ser o último. Você fala de proteção, Kaelen, mas esquece que, ao me esconder, você também me silenciou. Você me tirou o direito de lutar ao seu lado.

Kaelen levantou o olhar, e o que ela viu ali não foi a frieza do Rei, mas a exaustão de um homem que estava perdendo sua própria batalha interna.

— Eu não podia arriscar que você fosse silenciada para sempre, Lyra — ele respondeu, levantando-se para ficar à altura dela. O espaço entre eles era mínimo, e o calor que ele irradiava era uma distração perigosa. — A sua mente é a única coisa que separa o nosso reino da aniquilação por essas armas. Eu não protegi você apenas porque... porque o que sinto é algo que eu não entendo. Eu protegi você porque você é a única pessoa que me faz lembrar quem eu era antes de tudo isso começar.

Lyra sentiu o peito apertar. A dor da desconfiança, dos dias em que acreditou que ele a descartara como lixo, ainda latejava como uma ferida aberta.

— E o que você sente? — ela perguntou, desafiando-o. — Porque, durante o julgamento, você não me olhou como alguém que se importava. Você me olhou como se eu fosse um objeto, algo que podia ser movido, preso ou destruído se fosse necessário. Essa dor, Kaelen... a dor de ser desconfiada por você, depois de tudo o que passamos, de como nos conectamos... isso é algo que eu não sei se consigo apagar.

Kaelen deu um passo à frente, ignorando a barreira invisível que ela tentava manter.

— Eu tive que ser cruel para parecer convincente — ele disse, sua voz quase um pedido de desculpas. — Lyana é perigosa. Ela lê o medo e a esperança como se fossem livros abertos. Se eu tivesse vacilado por um segundo, ela teria visto através de mim. Eu tive que esconder o meu coração atrás de uma parede de gelo, e admito... eu quase me convenci de que ela era real.

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Lyra olhou para as correntes que ainda prendiam seus pulsos, o metal frio sendo um lembrete físico de sua fragilidade.

— A desconfiança é um veneno, Kaelen. Ela consome tudo, até a memória de quem fomos. Se você quer que eu continue aqui, se você quer que eu ajude a salvar o seu reino, você não pode mais me tratar como um segredo a ser guardado na escuridão. Eu não sou um peão no seu tabuleiro de guerra. Eu sou uma escolha que você precisa fazer. Ou você confia em mim totalmente, e nós lutamos juntos, ou você me deixa aqui e assume as consequências.

O silêncio reinou na cela, interrompido apenas pelo gotejar distante da água. Kaelen parecia ponderar cada palavra, cada consequência. Ele finalmente compreendeu que, ao tentar salvá-la fisicamente, ele a tinha ferido de uma maneira que nenhuma arma de Solaria poderia alcançar.

Sem desviar os olhos dos de Lyra, Kaelen estendeu as mãos, envolvendo os pulsos dela onde as correntes de ferro estavam cravadas. Ele não usou ferramentas; ele não chamou os guardas. Ele simplesmente exerceu uma pressão colossal, uma força bruta que emanava não apenas de seus músculos, mas da essência draconiana que ele carregava em seu sangue.

O metal rangeu, um som estridente que ecoou pelas paredes de pedra, e então, com um movimento decidido, as correntes de ferro partiram-se ao meio, como se fossem feitas de vidro. Os pedaços caíram no chão com um baque surdo, deixando os pulsos de Lyra livres, mas marcados por sulcos avermelhados.

Kaelen segurou suas mãos, os dedos dele acariciando suavemente a pele irritada onde o ferro a prendera.

— Eu não quero mais segredos entre nós — ele disse, sua voz agora carregada de uma promessa que ele sabia ser perigosa. — A partir de hoje, você não está mais escondida. Você é minha, e o reino saberá disso. Se eles querem que eu seja o monstro, que assim seja. Mas eles não vão tocar em você.

Lyra sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ela sabia que aquele gesto — quebrar as correntes e declarar a sua importância — não era apenas um ato de libertação; era uma declaração de guerra contra a corte, contra Lyana e contra todas as convenções que mantinham o Pico Draconiano unido. O coração de Lyra, antes desarmado pela mágoa, agora batia com uma nova determinação. Eles estavam desarmados de suas defesas, expostos um ao outro na escuridão, à beira de um conflito que poderia consumi-los, mas que, pela primeira vez, seria enfrentado lado a lado.

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